Civilização Egípcia/Último período/Dinastias do último período/30ª Dinastia

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Dinastia 30


pássaro em faiança, 30ª dinastia

30ª Dinastia[editar | editar código-fonte]

  • Nectanebo I
  • Teos (Djedher)
  • Nectanebo II
  • Nectanebo I

Seu nome egípcio era Nakhtnebef que significa Forte em seu Senhor. Seu nome de trono, Kheper-Ka-re, A alma de Ra sobrevive. Nectanebo foi o nome dado a ele pelos gregos.

Sua terra natal era Sebennytos que hoje é Sammanud, e talvez ele tenha sido parente de Nepherites II. Essa dinastia que Nectanebo fundou, a trigésima, é considerada a última em que reinaram verdadeiros egípcios, ou seja, reis considerados naturais do Egito.

Nectanebo I era o filho do general Djedhor, e provavelmente amigo do general ateniense Khabrias ou Chabrias, que comandou os mercenários gregos no reinado de Hakoris. É possível que esse general grego tenha ajudado Nectanebo a chegar ao poder, até porque logo depois ele foi chamado de volta a Atenas.

Nectanebo I segurando uma mesa de oferendas

Uma das esposas de Nectanebo era uma senhora de nome grego, Ptolemais que pode ter sido filha de Khabrias. Seu filho e herdeiro, Teos (Djedhor) era filho de outra esposa chamada Udjashu. Teos foi seu co-regente.

Em seu reinado, o exército persa tentou atacar o Egito mas ele estava pronto para defender seu país, embora o que de fato tenha feito os invasores recuarem, tenha sido a cheia do Nilo. Os persas demoraram tanto a decidir a tática de batalha que o rio encheu, o Delta ficou alagado e os persas tiveram que se retirar.

Seu reinado foi pacífico, ele fez obras e estimulou as artes. Restaurou os templos pelo país afora, são inúmeras suas obras, mas também cobrou taxas das instituições religiosas. Uma de suas construções mais importantes foi a parte mais antiga do Templo de Philae, que mais tarde, no período grego, se transformaria num dos lugares mais sagrados.

Perto do final de seu reinado, Nectanebo tentou refazer as alianças do Egito com Atenas e Esparta, porque sabia que os persas não tinham ainda abandonado a idéia de que o Egito era província sua e pretendiam retomá-la.

Provavelmente Nectanebo foi sepultado em Sebennytos mas até hoje não foi encontrado o local certo. Já foram achadas ushabits (pequenas figuras que são colocadas na tumba) suas e os restos do sarcófago que lhe pertenceu e que remete à arte da 18ª Dinastia.

tampa do sarcófago de Teos

Teos (Djedhor)

Era o filho e sucessor de Nectanebo I. Foi co-regente de seu pai e quando este morreu herdou o trono.

Decidiu que iria atacar os persas embora seus generais discordassem. Para juntar o dinheiro para essa campanha, ele confiscou os tesouros dos templos sofrendo a ira dos sacerdotes, que se tornaram seus inimigos.

Ao sair para a guerra, Teos, deixou no comando do Egito, Tjahapimu. Este era possivelmente um meio irmão mais velho de Teos, ou como alguns acham, Tjahapimu era filho de Teos, de modo que Nectanebo II seria seu neto.

Ele fez uma campanha vitoriosa sobre a Síria, mas seu ataque aos persas foi vergonhoso. Ele foi abandonado pelos seus mercenários gregos e também pelos próprios egípcios. Teos fugiu para a Pérsia onde Artaxerxes lhe deu asilo, embora fosse inimigo.

O regente do Egito, Tjahapimu, indicou então Nectanebo II para assumir o trono (fosse ele seu filho ou sobrinho).

Teos, viveu na Pérsia desde então e lá morreu.

Nectanebo II

Seu nome Nakhthorheb e o epíteto mery-hathor significa Forte é seu Senhor, Amado de Hathor. Seu nome de trono era Snedjem-ib-re Setep-en-inhur, que significa Agradável ao coração de Ra, Escolhido de Osíris.

Há diversas formas de contar a história e diversas fontes mas, parece que os sacerdotes estavam insuflando o povo contra o faraó Teos, por conta do dinheiro que ele levou dos templos para financiar a campanha militar.

Além disso, o provável filho de Tjahapimu (o regente), Nakhthorheb, servia no exército real que estava na Síria e era muito respeitado por seus comandados egípcios e pelos mercenários gregos.

Hórus falcão protegendo Nectanebo II

O fato é que, com a campanha vergonhosa de Teos e sua fuga para o lado dos inimigos, Tjahapimu instalou Nectanebo II no trono do Egito.

O reinado desse faraó foi um período de paz até porque, de guerra, ele já tinha visto o suficiente com a derrota de Teos para os persas.

Nectanebo II recuperou muitos templos e construiu outros tantos, deve haver mais de cem locais no Egito onde se pode encontrar seu nome. O rei também foi muito religioso e mandou construir uma grande estátua de pedra do deus Hórus falcão usando a coroa dupla. Entre as pernas do falcão está representado o rei Nectanebo II usando o nemes.

Durante seu reinado, o faraó sepultou Udjashu (que pode ter sido sua mãe) num belo sarcófago que hoje está no Museu do Cairo.

Mas os persas não haviam desistido do Egito. Pouco se sabe sobre a invasão, mas, parece que Nectanebo II tentou reagir e os persas comandados por Artaxerxes III entraram no Egito por diversos pontos além do Delta. O faraó recuou para Mênfis mas a cidade não conseguiu resistir e Nectanebo II fugiu, possivelmente para a Núbia onde ficou refugiado na corte dos reis Kushitas.

Seu sarcófago que nunca usado era feito em granito negro, lindamente decorado com os textos e as cenas do Livro Daquilo que Existe no Mundo Inferior.

Mais tarde o sarcófago foi usado em banhos rituais em Alexandria, de onde seguiu para o Museu Britânico.

Antes de terminar o tópico sobre Nectanebo II, existe uma história curiosa, uma lenda medieval sobre esse faraó. Ela está em Alexander Romance.

Essa lenda conta, que Nectanebo II fugiu dos persas para a corte Macedônia, lá foi reconhecido como um grande mago egípcio. Atraiu a atenção da esposa de Filipe II, Olympias, e se tornou pai (sem que ninguém soubesse) de Alexandre Magno. Essa era uma forma de dar continuidade à linhagem de sangue dos faraós. Evidentemente isso é apenas um romance, mas pode explicar porque o sarcófago de Nectanebo II foi usado para rituais.