Bibliologia/Demoniologia

Origem: Wikilivros, livros abertos por um mundo aberto.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

Satanás[editar | editar código-fonte]

Alguns afirmam que não existe tal ser, o diabo; mas depois de observar-se o mau que existe no mundo, é lógico que se pergunte: "quem continua a fazer a obra de Satanás durante a sua ausência, se é que ele existe?"

As criaturas se revelam:

Origem[editar | editar código-fonte]

Leia Is. 14.12-15; Ez. 28.12-19.

A concepção popular de um diabo com chifres, pés de cabra e de aparência horrível teve sua origem na mitologia pagã e não na bíblia. De acordo com as Escrituras, Satanás originalmente Lúcifer ("literalmente o que leva a luz"), o mais glorioso dos anjos. Mas, ele, orgulhosamente, aspirou ser "como o Altíssimo" e caiu na "condenação do diabo" (1Tm. 3.6).

Notemos os antecedentes históricos no cap. 14 de Isaías e 28 de Ezequiel. Muitos têm perguntado "Por que os reis da Babilônia e de Tiro são mencionados primeiramente, antes de revelar-se a queda de Satanás" A resposta é: o profeta descreveu a queda de Satanás tendo em vista um propósito prático. Alguns dos reis da Babilônia e Tiro reivindicaram adoração como seres divinos, o que é uma blasfêmia (vide Dn. 3:1-12; Ap. 13.15; Ez. 28.2; At. 12:20-23), e faziam de seus súditos o jogo de sua ambição cruel. Para poder admoestar os tais, os inspirados profetas de Deus afastaram o véu do obscuro passado e descreveram a queda do anjo rebelde, que disse: "Eu serei igual a Deus". Esta é lição prática: se Deus castigou o blasfemo orgulho de tão alta categoria, como deixará de julgar a qualquer rei que se atreva usurpar seu lugar? Notemos como Satanás procurou contagiar nossos primeiros pais com seu orgulho. (Vide Gn. 3.5, Mt. 12.24). Notemos como o frustrado orgulho e ambição ainda o consomem, a ponto de desejar ser adorado (Mt. 4.9) como "deus deste mundo"(2Co. 4.4), uma ambição que temporariamente será satisfeita quando ele encarnar o anticristo (Ap. 13.4).

Como castigo por sua maldade, Satanás foi lançado foi lançado fora do céu, juntamente com um grupo de anjos que ele havia alistado em sua rebelião. (Mt. 25.41; Ap. 12.7; Ef. 2.2;. Mt. 12.24). Ele procurou ganhar Eva como sua aliada, porém, Deus frustrou o plano e disse: "Porei inimizade entre ti e a mulher" (Gn. 3.15).

Caráter[editar | editar código-fonte]

As qualificações do caráter de Satanás são indicadas pelos seguintes títulos e nomes pelos quais é conhecido:

a) Satanás significa literalmente "adversário" e descreve seus intentos maliciosos e persistentes de obstruir os propósitos de Deus.

Essa oposição manifestou-se especialmente na suas tentativas de impedir o plano de Deus ao procurar destruir a linhagem escolhida, da qual viria o Messias – atividade predita em Gn. 3.15. E desde o princípio ele tem persistido nesta luta. Caim, o primeiro filho de Eva, "era do maligno e matou o seu irmão" (1Jo. 3.12). Deus deu a Eva outro filho, Sete, que veio a ser a semente escolhida da qual procederia o Libertador do mundo. Mas o veneno da serpente ainda estava surtindo efeito na raça humana, e no transcurso do tempo a linhagem de Sete cedeu às más influências e se deteriorou. O resultado foi a impiedade universal da qual resultou o dilúvio. O plano de Deus, não obstante, não foi frustrado porque havia pelo menos uma pessoa justa, Noé, cuja família se tornou origem de uma nova raça. Dessa maneira fracassou o propósito de Satanás de destruir a raça humana e impedir o plano de Deus.

Satanás é descrito como procurando destruir a igreja, de duas maneiras; interiormente, pela introdução de falsos ensinos (1Tm. 4.1; vide Mt. 13.38,39), e exteriormente pela perseguição (Ap. 2.10).

b) Diabo significa literalmente "caluniador". Satanás é chamado assim porque calunia tanto a Deus (Gn. 3.2,4,5) como ao homem (Ap. 12.10; Jó 1.9; Zc. 3.1.2; Lc. 22.31).

c) Destruidor é o sentido da palavra "Apollyon" (grego), "Abaddon" (hebraico Ap. 9.11). Cheio de ódio contra o criador e suas obras, o diabo desejava estabelecer a si mesmo com o deus da destruição.

d) Serpente. "Essa antiga serpente, chamada o diabo" (Ap. 12.9) nos faz lembrar aquele que, na Antigüidade, usou uma serpente como seu agente para ocasionar a queda do homem.

e) Tentador. (Mt. 4.3) "Tentar" significa literalmente provar ou testar, e o termo é usado também com relação aos tratos de Deus (Gn. 22.1). Mas, enquanto Deus põe à prova os homens para o seu próprio bem para purificar e desenvolver o seu caráter, Satanás tenta-nos com o propósito malicioso de destruí-los.

f) Príncipe e deus deste mundo. (Jo. 12.31; 2Co. 4.4). Esses títulos sugerem sua influência sobre a sociedade organizada fora ou à parte da influência da vontade de Deus; "o mundo jaz no maligno" (no poder do maligno) (1Jo. 5.19) e está influenciado por ele (1Jo. 2.16). As Escrituras descrevem o mundo como sendo qual vasto conjunto de atividades humanas, cuja trilogia se resume nestas palavras: fama, prazer e bens. A esses três objetivos tudo está subordinado. Hábeis argumentos em defesa dos mesmos criam a ilusão de serem realmente dignos.

Suas atividades[editar | editar código-fonte]

a) A natureza das atividades. Satanás: 1. Perturba a obra de Deus (1 Ts. 2.18); 2. Opõe-se ao Evangelho (Mt. 13.19; 2Co 4.4); 3. Domina, cega, engana e laça os ímpios (Lc. 22.3; 2Co. 4.4; Ap. 20.7,8; 1Tm. 3.7); 4. Aflige (Jó 1.12) e tenta (1Ts. 3.5) os santos de Deus.

Ele é descrito como: 1. Presunçoso (Mt. 4.4,5); 2. Orgulhoso (1Tm. 3.6); 3. Poderoso (Ef. 2.2); 4. Maligno (Jó 2.4); 5. Astuto (Gn. 3.1; 2Co. 11.3); 6. Enganador (Ef. 6.11); 7. Feroz e cruel (1Pe. 5.8).

b) A esfera das atividades. O diabo não limita as suas operações aos ímpios e depravados. Muitas vezes age nos círculos mais elevados como "anjo de luz" (2Co. 11.14). Deveras, até assiste às reuniões religiosas, o que é indicado pela sua presença no ajuntamento dos anjos (Jó 1) e à "sinagoga de Satanás" (Ap. 2.9). Freqüentemente seus agentes se fazem passar como "ministros da justiça" (2Co. 11.15).

A razão que o leva a freqüentar as reuniões religiosas é o seu malicioso intento de destruir a igreja, porque ele sabe que uma vez perdendo o sal da terra o seu sabor torna-se inútil, assim o homem torna-se vítima das suas mãos inescrupulosas.

c) O motivo das atividades. Porque está Satanás tão interessado em nossa ruína? Responde José Hussein: "Ele aborrece a imagem de Deus em nós. Odeia até mesmo a natureza humana que possuímos, com a qual se revestiu o Filho de Deus, odeia a glória externa de Deus, para a promoção da qual temos sido criados e pela qual alcançaremos a nossa própria felicidade eterna. Ele odeia a própria felicidade, para a qual estamos destinados, porque ele mesmo a perdeu para sempre. Ele tem ódio de nós por mil razões e de nós tem inveja". Assim disse o antigo escriba de Deus: "Pela inveja do diabo veio a morte ao mundo; e os que o seguem estão ao seu lado".

d) As restrições das atividades. Ao mesmo tempo em que reconhecemos que Satanás é forte, devemos ter cuidado de não exagerar o seu poder. Para aqueles que crêem em Cristo, ele já é um inimigo derrotado (Jo. 12.31), e é forte somente para aqueles que sedem à tentação. Apesar de sua fúria rugidora ele é um covarde, pois Tiago disse: "Sugeitai-vos a Deus, resisti ao diabo e ele fugirá de vós" (Tg. 4.7). Ele tem poder, porém limitado. Não pode tentar (Mt. 4.1) afligir (Jó 1.16), matar (Jó 2.6; Hb. 2.14), e nem tocar no homem sem a permissão de Deus.

Destino[editar | editar código-fonte]

Desde o princípio Deus predisse e decretou a derrota daquele poder que havia causado a queda do homem (Gn. 3.15), e o castigo da serpente até o pó da terra foi vislumbre profético da degradação e derrota final dessa "velha serpente", o diabo. A carreira de Satanás está em descensão sempre.

No princípio foi expulso do céu, durante a tribulação será lançado da esfera celeste à terra (Ap. 12.9), durante o milênio será aprisionado no abismo, e depois de mil anos será lançado ao lago de fogo (Ap. 20.10). Dessa maneira a Palavra de Deus nos assegura a derrota final do mal.

Espíritos maus - anjos decaídos[editar | editar código-fonte]

Origens[editar | editar código-fonte]

Os anjos foram criados perfeitos e sem pecado, e como o homem, dotados de livre escolha. Sob a direção de Satanás, muitos pecaram e foram lançados fora do céu (Jo. 8.44; 2Pe. 2.4; Jd. 1.6).

Caráter[editar | editar código-fonte]

O pecado no qual eles e seu chefe caíram, foi o orgulho. Alguns têm pensado que a ocasião da rebelião dos anjos foi a revelação da futura encarnação do Filho de Deus e a obrigação deles o adorarem.

Segundo as Escrituras, os anjos maus passam parte do tempo no inferno (2Pe. 2.4) e parte no mundo, especialmente nos ares que nos rodeiam (Jo. 12.31; 14.30; 2Co. 4.4; Ap.12.4, 7-9). Enganando os homens por meio do pecado exercem grande poder sobre eles (2Co 4.3,4; Ef. 2.2; 6.11,12), este poder não obstante está aniquilado para aqueles que são fiéis a Cristo, pela redenção que Ele consumou (Ap. 5.9; 7.13,14).

Destino[editar | editar código-fonte]

O inferno foi preparado para o eterno castigo dos anjos maus (Mt. 25.40).

Demônios[editar | editar código-fonte]

As Escrituras dão claro testemunho de sua existência real e de sua operação (Mt. 12.26,27). Nos Evangelhos aparecem como os espíritos maus desprovidos de corpos, que entram nas pessoas, das quais se diz que têm demônio. Em alguns casos, mais de um demônio faz sua morada na mesma vítima (Mc. 16.9; Lc. 8.2). Os efeitos desta possessão se evidenciam por loucura, epilepsia e outras enfermidades, associadas principalmente com o sistema mental e nervoso (Mt. 9.33; 12.22; Mc. 5.4,5).

O indivíduo sob a influência de um demônio não é senhor de si mesmo; o espírito mau fala por seus lábios ou o emudece à vontade; leva-o a onde quer e geralmente o usa como instrumento, revestindo-o às vezes de uma força sobrenatural.