Retórica e argumentação/Figuras de estilo/Diasirmo
Diasirmo consiste em objetar ou refutar um argumento comparando-o com outro estruturalmente análogo que seja ridículo ou evidentemente inválido.
Exemplo 1: Negar o aquecimento global porque hoje é um dia frio é o mesmo que o marido traído negar a traição da esposa porque neste momento não há outro homem em sua cama.
Exemplo 2: Frequentemente ouço aqueles que negam a teoria da evolução das espécies objetarem o fato de que os humanos descendem de outras espécies de primatas dizendo coisas como "meu avô não era um macaco". Ora, isto é tão ridículo quanto negar o fato de que a língua portuguesa descende do Latim dizendo "meu avô não era um legionário romano".
Exemplo 3:
— Você deveria dizer o que pensa — continuou a Lebre.
— Eu digo — respondeu Alice apressadamente; — pelo menos — pelo menos eu penso o que digo — é a mesma coisa, sabe?
— Nem um pouco! — disse o Chapeleiro. — Você poderia muito bem dizer que "Eu vejo o que como" é a mesma coisa que "Eu como o que vejo"!
— Você poderia muito bem dizer — acrescentou a Lebre — que "Eu gosto do que recebo" é a mesma coisa que "Eu recebo o que gosto"!
— Você poderia muito bem dizer — acrescentou o Arganaz, que parecia estar falando dormindo — que "Eu respiro quando durmo" é a mesma coisa que "Eu durmo quando respiro"!
Uso na retórica: O diasirmo combina irreverência com o poder didático da analogia e o rigor do raciocínio dedutivo, o que faz dele uma ferramenta retórica poderosa e eficiente. Deve-se acautelar para que os argumentos ou alegações comparadas tenham a mesma estrutura; caso contrário, se está a cometer falácia do espantalho. Também deve-se lembrar que objetar ou refutar um argumento não é o mesmo que objetar ou refutar a conclusão visada por este argumento.