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Otimização

Introdução


Este material está sendo elaborado com base nas notas de aula da disciplina Otimização II, do curso de Matemática Industrial oferecido pela UFPR, ministrada pelo professor Wilfredo, no segundo semestre letivo do ano de 2008.

O conteúdo do livro não precisa (nem deve) se limitar àquele que consta atualmente no índice. Sendo assim, a qualquer momento o livro pode ser revisto e ampliado.

Sinta-se a vontade para ler este ou quaisquer outros livros do projeto, melhorando-os conforme lhe for possível. Com isso estará ajudando a aumentar a quantidade e a qualidade dos textos didáticos disponíveis em língua portuguesa, ao mesmo tempo em que colaborará com o crescimento projeto Wikilivros como um todo.

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Ainda há muito por fazer, mas cada um daqueles que contribuem acredita estar fazendo o possível para oferecer o melhor a todos.

Método de gradientes conjugados


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A Wikipédia tem mais sobre este assunto:
Método do gradiente conjugado

Algumas considerações históricas

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  • Este método foi originalmente proposto por Hestenes e Stiefel, em 1952.
  • Seu objetivo inicial foi a resolução de problemas quadráticos sem restrições, mas logo o mesmo foi estendido para casos mais gerais.

O método

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Este método pode ser considerado sob dois pontos de vista:

  • Como um método de descida, com busca linear exata;
  • Como um método de resolução de sistema linear, baseado em um processo de ortogonalização.
Definição

Um conjunto não vazio Dn é dito convexo quando x,yD e t[0,1] vale

tx+(1t)yD

Exemplos de conjuntos convexos e côncavos

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Definição

Uma função f:D é dita convexa quando Dn é convexo e x,yD e t[0,1] vale

f(tx+(1t)y)tf(x)+(1t)f(y)

Definição

Dado um conjunto convexo Dn, uma função f:D é dita fortemente convexa quando existe uma constante a>0 tal que f(x)ax2 é convexa.

Exercício

Verifique que uma função quadrática f:n é fortemente convexa se existe uma matriz simétrica definida positiva A, um vetor an e um escalar α  de modo que f(x)=12xAx+ax+α.

Resolução
Sendo uma função quadrática, tem-se f(x)=12xAx+ax+α. A matriz A pode ser suposta simétrica, pois caso não seja, toma-se B=A+A2 (simétrica), e segue xBx=xAx (verifique).

Além disso, se f é uma função fortemente convexa, então é estritamente convexa. Como f é duas vezes diferenciável (por ser uma função quadrática), a convexidade estrita implica que 2f=A é definida positiva.


Nota: Uma matriz é definida positiva se, e somente se, todos os seus autovalores são positivos.

Tem-se:

f:n
2f:n(n)2

Sendo f(x)=12xAx+ax+α, segue em particular que f=Ax+a e 2f=A=PΛP, onde Λ é uma matriz diagonal cujos elementos da diagonal são os autovalores de A e P é uma matriz onde as colunas são os autovetores correspondentes aos autovalores.

Note que A é uma matriz simétrica, pois é a matriz Hessiana de uma função com segundas derivadas parciais contínuas, e consequentemente vale 2fxy=2fyx.

Para introduzir o método de direções conjugadas, serão consideradas somente funções quadráticas.

Uma condição necessária de primeira ordem para que x seja um ponto de mínimo para a função f é que f(x)=0. Para o presente caso, a função f é convexa, então, a condição necessária f(x)=0 também é suficiente.

Exercício

Prove que se A é uma matriz simétrica definida positiva, então f:n dada por f(x)=xAx+ax+α possui um único ponto de mínimo.

Resolução
Uma vez que A é simétrica definida positiva, a função f é fortemente convexa. Mas toda função fortemente convexa, definida em um conjunto fechado não vazio possui um único minimizador, pois:
  • Os conjuntos de nível de uma função fortemente convexa são compactos;
  • Toda função contínua definida em um compacto tem algum minimizador (pelo teorema de Weierstrass);
  • Os minimizadores de uma função convexa são globais;
  • Funções fortemente convexas não podem ter mais de um minimizador.

Em particular, f possui um único ponto de mínimo.

No caso de uma função quadrática, tem-se f(x)=0Ax+a=0, ou seja, x é solução do sistema linear Ax=a.

A resolução de um sistema linear nem sempre pode ser feita numericamente de forma eficiente. Por exemplo, se a matriz do sistema é:

A=[1020111020+1]

A solução do sistema linear corresponde à interseção entre duas retas quase paralelas, e os erros de truncamento podem causar imprecisão na solução obtida computacionalmente.

Analiticamente, o sistema Ax=a tem x=A1a como solução. Então alguém poderia se perguntar: qual o problema em resolver esse sistema linear, se basta calcular a inversa da matriz A e multiplicar pelo vetor a? A resposta é que o calculo da inversa de uma matriz em geral é impraticável computacionalmente, por ter custo muito alto. Por isso, nas situações práticas, onde as matrizes tem ordem bem maior do que 2 (digamos 1000), o cálculo de matrizes inversas não é uma opção.

Assim, com o intuito de desenvolver um método computacional para o cálculo de minimizadores, é preciso utilizar outras técnicas. Considere o seguinte:

Em um método de descida tem-se sempre uma sequencia {xk,tk,dk}, com xk+1=xk+tkdk e tk é um minimizador de f(xk+tdk):t

f(x)=Ax+a

e

0=f(xk+1)=Axk+1+a=A(xk+tkdk)+a=Axk+tkAdk+a

Logo, tkAdk=(Axk+a) e multiplicando por dk obtem-se tkdkAdk=(dkAxk+dka). Consequentemente, o valor de tk é dado por

tk=(dkAxk+adk)dkAdk

Deste modo, o método consistirá de escolher em cada etapa k uma direção dk, e calcular o coeficiente tk pela fórmula anterior, para gerar o próximo ponto xk+1. Mas como escolher a direção dk?

Dado xk e escolhido dk, defina θ:R como θ(t)=f(xk+tdk), ou seja, θ é a restrição da função f à reta que passa pelo ponto xk e que tem direção dk. Logo, derivando a expressão de θ em relação a t, obtem-se

θ(t)=f(xk+tdk)dk

Então, no ponto de mínimo, xk+1, tem-se

0=f(xk+1)dk

Ou seja, a direção dk a ser seguida a partir do ponto xk é ortogonal ao gradiente da função f, no ponto xk+1.

Esquema do método de descida

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xk+1=xk+tkdk=(xk1+tk1dk1)+tkdk==x1+t1d1++tkdk=x1+i=1ktidi

Seja x¯ o minimizador da função f. Tem-se

xk+1x¯=x1x¯+i=1ktidi

Mas 0=f(x¯)=Ax¯+a implica que a=Ax¯, logo

f(x)=Ax+a=AxAx¯=A(xx¯)

e consequentemente

A(xk+1x¯)=A(x1x¯)+i=1ktiAdi

Donde f(xk+1)=f(x1)+i=1ktiAdi. Portanto 0=f(xk+1)dk=f(x1)dk+i=1ktidiAdk.

Exercício

Provar que se A é uma matriz simétrica, definida positiva, então existe uma matriz simétrica B, de modo que A=B2

Resolução
Sendo uma matriz simétrica, tem-se A=PΛP, com P unitária e
Λ=[λ100λn]=[λ100λn]2=Λ12

Logo A=PΛ1Λ1P=(PΛ1P)(PΛ1P)=B2

Usando o resultado desse exercício, tem-se ainda que 0=f(xk+1)dk=f(x1)dk+i=1kti(Bdi)(Bdk)

Fazendo δ=Bd, o método do gradiente conjugado escolhe as direções de descida tais que δidj=0,ij. Mas quando ij, tem-se na expressão apresentada anteriormente apenas 0=f(x1)dk+tk(Bdk)(Bdk)=f(x1)dk+tkdkAdk

Finalmente, tem-se o algoritmo para este método.

Algoritmo de Hestenes-Stiefel

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Uma comparação da convergência do método de descida do gradiente com tamanho de passo ótimo (em verde) e o método do gradiente conjugado (em vermelho) para a minimização da forma quadrática com um sistema linear dado. O gradiente conjugado, assumindo aritmética exata, converge em no máximo n passos onde n é o tamanho da matriz do sistema (no exemplo, n=2).
Primeiro passo: Escolha x0n
  Se f(x0)=0, então pare: x¯=x0
  Senão: d0=f(x0)=Ax0a
  Calcular t0=f(x0)2d0Ad0
  x1=x0+t0d0


Passo iterativo k: Dado xkn
  Se f(xk)=0, então pare: x¯=xk
  Senão: dk=f(xk)+f(xk)AdkdkAdkdk
  tk=2f(xk)2dkAdk
  xk+1=xk+tkdk

Pode-se verificar facilmente que dk+1dk. De fato, como dk+1=f(xk+1)+f(xk+1)AdkdkAdkdk, tem-se Adk+1=Af(xk+1)+f(xk+1)AdkdkAdkAdk. Logo, dkAdk+1=f(xk+1)Adk+f(xk+1)AdkdkAdkdkAdk=f(xk+1)Adk+f(xk+1)Adk=0.

Exercício

Provar que se y=Bx então y1y¯2=yk+1y¯2+i=1kti2δi2.

Resolução
Tem-se
xk+1=x1+i=1ktidi

Multiplicando ambos os membros por B, e trocando x1 de lugar com xk+1 resulta:

Bx1=Bxk+1+i=1ktiBdi,

ou seja,

y1=yk+1+i=1ktiδi,

somando y¯ em ambos os lados, segue que

y¯y1=y¯yk+1+i=1ktiδi,

Então

y¯y12=(y¯y1)(y¯y1) =(y¯yk+1+i=1ktiδi)(y¯yk+1+i=1ktiδi) =y¯yk+12+i=1kti2δi2+2ijktitjδiδj =y¯yk+12+i=1kti2δi2

Sendo a última igualdade devida ao fato de δiδj=0 para ij.



Considere f:2 definida por f(x,y)=12(x2+y2)=12[xy][1001][xy]. Em outros termos, tomando u=[xy], tem-se f(u)=12uAu, onde A=[1001]=I2×2.

Pode-se aplicar o método de direções conjugadas ao seguinte problema

(P){minf(u)u2

Note, desde já, que o conjunto solução é S={[00]}.

Inicio
  • Toma-se x0 arbitrário, por exemplo, x0=[21].
  • Avalia-se o gradiente da função f neste ponto inicial: f(x0)=Ax0=I2×2x0=x0
Iteração 1
  • d0=f(x0)=[21]
  • t0=f(x0)2d0Ad0=55=1
  • x1=x0+t0d0=[21]+1[21]=[00]

A seguir, verifica-se se o gradiente se anula no novo ponto x1:

  • f(x1)=A[00]=[00]

Como o gradiente já é nulo, não é preciso fazer a segunda iteração, e o ponto x1 é o (único) minimizador global de f.


Em um caso mais geral, considerando f:2 definida por f(x,y)=λ2(x2+y2)=12[xy][λ00λ][xy], tem-se cálculos muito parecidos em cada passo.

O conjunto solução continua sendo S={[00]}.

Inicio
  • Considere x0 como no primeiro exemplo, ou seja, x0=[21].
  • Avalia-se o gradiente da função f neste ponto inicial: f(x0)=Ax0=λx0
Iteração 1
  • d0=f(x0)=λ[21]
  • t0=f(x0)2d0Ad0=5λ25λ3=1λ
  • x1=x0+1λλd0=[2λλ]+1[2λλ]=[00]

A seguir, verifica-se se o gradiente se anula no novo ponto x1:

  • f(x1)=A[00]=λ[00]=[00]

Novamente, o gradiente se anula já na primeira iteração, de modo que x1 é o minimizador global de f.


Exercício

Seja An×n uma matriz simétrica definida positiva, cujos autovalores são todos iguais. Então começando de qualquer ponto x00, o método fornece xn1 como solução.

Um terceiro exemplo pode ser dado tomando A=[2112] e f:2 definida por f(u)=12uAu. Observe que tal matriz é simétrica e definida positiva:

det(AλI)=(2λ)(3λ)1=λ24λ3=(λ3)(λ1)

Logo, os autovalores de A são λ=1 e λ=3. Isso também implica que a função é fortemente convexa.

Aplicando o método:

Início
  • Toma-se um ponto arbitrário no plano, por exemplo x0=[1020];
  • Verifica-se se tal ponto é o minimizador global, avaliando nele o gradiente da função:
f(x0)=[2112][1020]=[030][00].
  • Já que o gradiente não se anulou no chute inicial, é preciso escolher uma direção e um comprimento de passo para determinar a próxima aproximação:
Iteração 1
d0=f(x0)=[030]
t0=[030]2[030][2112][030]=900[030][3060]=9001800=12

Feitos esses cálculos, o próximo ponto é dado por

x1=x0+t0d0=[1020]+12[030]=[1020]+[015]=[105]

Para saber se será necessária uma nova iteração, ou se o minimizador foi encontrado, calcula-se o gradiente da função no ponto:

f(x1)=[2112][105]=[150][00].

Novamente, será preciso calcular uma nova direção e um novo comprimento de passo:

Iteração 2
d0=[150]+β[030]=[1530β]

onde β, no algoritmo de Hestenes é dado por:

β=[150][2112][030][030][2112][030]=[150][3060][030][3060]=15×30(30)×(60)=14

Portanto

d0=15[11/2]

Além disso, o tamanho do passo é dado por

t1=f(x1)2d0Ad0=152152[11/2][2112][11/2]=1[11/2][3/20]=13/2=23

Portanto

x2=x1+t1d1=[105]1523[11/2]=[105]10[11/2]=[00]

Obviamente, este é o minimizador procurado (pois o método tem a propriedade de convergência quadrática, ou seja utiliza no máximo n iterações para chegar a solução quando aplicado a funções quadráticas definidas em n)

Exercício

Implementar o algoritmo de Hestenes-Stiefel em alguma linguagem de programação, por exemplo em Scilab, ou Matlab.

Exercício

Seja f um função quadrática fortemente convexa. Verifique as seguintes igualdades:

  • f(xk)dkdkAdk=f(xk)2dkAdk
  • f(xk)Adk1dk1Adk1=f(xk)2f(xk1)2
  • f(xk)Adkdk1Adk1=f(xk)(f(xk)f(xk1))f(xk1)2

Implementação em Scilab

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Abaixo é apresentada uma implementação deste algoritmo na linguagem de programação utilizada pelo Scilab.

A = [2 1; 1 2];

function [x] = min_gradiente_conjugado(xk)
  //Entrada: xk em R^n, qualquer "chute inicial"
  //  Saída: x, o ponto em que f assume o valor mínimo
  
  k        = 0        //Indica quantos loops  foram feitos
  epsilon  = 0.01
  n        = size(xk,1)
  g        = df(xk)
  seq      = zeros(n,n+1)
  seq(:,1) = xk
  while (norm(g) > epsilon) & (k <= n)
    if (k == 0)
      d = -g
    else
      d = Hestenes(g,d,A)
    end
    t  = busca_linear(g,d,A)
    xk = xk + t*d
    k  = k+1
    seq(:,k+1) = xk
    g  = df(xk)
  end
  plot(seq(1,:),seq(2,:))
  x = xk  
endfunction


function [fu] = f(u)
  fu=(1/2)*(u'*A*u)
endfunction


function [grf] = df(u)
  grf = A*u
endfunction


function [d] = Hestenes(g,d,A)
  d=-g + ((g'*A*d)/(d'*A*d))*d
endfunction


function [t] = busca_linear(g,d,A)
  t=(g'*g)/(d'*A*d)
endfunction

Para facilitar a compreensão do método, pode ser útil exibir as curvas de nível da função. Uma forma de implementar uma função com esse propósito é a seguinte:

function plotar_curvas
  qtd=101
  tam=max(seq)
  x=linspace(-tam,tam,qtd)
  y=x
  z=zeros(qtd,qtd)
  for i=1:qtd
    for j=1:qtd
      z(i,j)=f([x(i);y(j)])
    end
  end
  contour2d(x,y,z,10)
  a=gca();
  a.x_location = "middle"; 
  a.y_location = "middle"; 
endfunction

Algoritmo de Fletcher-Reeves

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Um dos autores deste material sugeriu a adição de uma imagem para ilustrar o método de Fletcher-Reeves.


Esta versão é na verdade uma extensão do algoritmo anterior, permitindo a aplicação no caso de funções que não são quadráticas.

Primeiro passo: Escolha x0n
 Se f(x0)=0, então pare: x¯=x0
 Senão: d0=f(x0) (como em todo método de descida)
 Calcular t0, através de uma busca linear
 x1=x0+t0d0
Passo iterativo:
 Se f(xk)=0, então pare: x¯=xk
 Senão: dk=f(xk)+f(xk)2f(xk1)2dk1
 Calcular tk, através de uma busca linear
 xk+1=xk+tkdk
 k=k+1


Um dos autores deste material sugeriu a adição de uma implementação do algoritmo acima em SciLab.

Algoritmo de Polak-Ribière

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Um dos autores deste material sugeriu a adição de uma imagem para ilustrar o método de Fletcher-Reeves.

Uma outra versão é a seguinte:

Primeiro passo: Tomar x0n
 Se f(x0)=0, então pare: x¯=x0
 Senão: d0=f(x0) (como em todo método de descida)
 Calcular t0, através de uma busca linear
 x1=x0+t0d0
 k=1
Passo iterativo:
 Se f(xk)=0, então pare: x¯=xk
 Senão: dk=f(xk)+f(xk)(f(xk)f(xk1))f(xk1)2dk1
 Calcular tk, através de uma busca linear
 xk+1=xk+tkdk
 k=k+1


Um dos autores deste material sugeriu a adição de uma implementação do algoritmo acima em SciLab.
Exercício

Verificar que, no caso de uma função f quadrática e fortemente convexa, os algoritmos de Hestenes-Stiefel, de Fletcher-Reeves e de Polak-Ribière são os mesmos.

Exercício

Seja f(x)=ex+ex. Implemente o método de gradientes conjugados, e utilize o algoritmo para determinar o ponto de mínimo da função f. Note que o espaço é unidimensional, então o método de gradientes conjugados reduz-se ao método dos gradientes, com primeira direção f(x0). Observe ainda que f é uma função coerciva fortemente convexa.

Algoritmo auxiliar

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Para o caso de funções não quadráticas, é preciso usar algum método de busca linear para a implementação do método dos gradientes conjugados, seja a versão de Fletcher-Reeves ou a de Polak-Ribière. Uma possibilidade é a busca de linear de Armijo (ver Izmailov & Solodov (2007), vol 2, pag. 65), cujo algoritmo é esboçado a seguir:

function busca_linear_Armijo (f, theta, alpha, delta, t0)
  while (alpha * pred > ared)
    t = d * t
  end
endfunction

com:

  • pred=tθ
  • θ(t)=f(x+td)
  • θ(t)=f(x+td)d


Implementar a regra de Armijo e corrigir o esboço acima.

Métodos de penalidades

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Métodos de penalidades

Os métodos que recebem este nome fazem parte de uma família de métodos baseados em:

  • Simplicidade conceitual;
  • Eficiência prática;

Algumas das primeiras funções de penalidade foram desenvolvidas por:

  • Courant (1943)
  • Ablate Brighham (1955) (qual o artigo?)
  • AV Fiacco, GP McCormick (1968) (qual o artigo?)

Para compreender este tipo de método, será considerado o seguinte problema:

(P){minf(x)gi(x)0i=1,,phj(x)=0j=1,,q

Adicionalmente, se for considerado o conjunto de pontos C={xn:gi(x)0,i=1,,p;hj(x)=0,j=1,,q}, o problema (P) se escreve ainda como

(P){minf(x)xC

Uma primeira idéia para a resolução desse tipo de problema é fazer uso de funções indicadoras, conforme é definido a seguir:

Definição

Dado um conjunto não vazio Cn, define-se a função indicadora IC:n{} por:

IC(x)={0,se xC,se x∉C

Notas: A função indicadora IC é às vezes denotada por χC.

Para transformar um conjunto (P) em um problema sem restrições, pode-se proceder da seguinte maneira: Considerar o problema (PD), dado por:

(PD){minf(x)+IC(x)xn

Considerando iC:{} definida por:

iC(t)={0,se t0,se t>0

Tem-se ainda o problema (PP), dado por:

(PP){minf(x)+i=1pi(gi(x))+j=1pi(hj(x))xn

Comentários:

  • A grande vantagem desta idéia é que ela transforma um problema com restrições em um problema irrestrito.
  • A principal desvantagem é que a função ϕ definida a seguir é descontínua em cada ponto xC:
ϕ:n{}
ϕ(x)=f(x)+i=1pi(gi(x))+j=1pi(hj(x))

Método de penalidade exterior

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Para contornar a desvantagem da descontinuidade da função apresentada anteriormente, surgem outras funções, como por exemplo:

Gráfico de uma função de penalidade
H:
H(t)={0,se t0t2,se t>0
Definição

Dada uma função g:A, definida em um conjunto arbitrário A, define-se a parte positiva de g, como:

g+(x)=max{0,g(x)}


Um dos autores deste material sugeriu a adição de uma imagem para comparar uma função g(x) e sua correspondente g+(x)=max{0,g(x)}.
Exercício

Verifique que para cada xn tem-se, para cada i, a igualdade H(gi(x))=(gi+(x))2, onde gi+ é a parte positiva de gi e H é a função definida no exemplo anterior.


Resolução
De fato, dada qualquer função g:A, segue da própria definição de H que
H(g(x))={0,se g(x)0g(x)2,se g(x)>0

Mas

g+(x)=max{0,g(x)}={0,se g(x)0g(x),se g(x)>0

implica que

(g+(x))2=max{0,g(x)}={0,se g(x)0(g(x))2,se g(x)>0

Portanto, H(g(x))=(g+(x))2. Como g pode ser tomada arbitrariamente, tem-se em particular que H(gi(x))=(gi+(x))2.

Exercício

Verifique que para cada xn tem-se, para cada j, a igualdade H(hj(x)2)=(hj(x))2.


Um dos autores deste material sugeriu conferir o enunciado do exercício anterior. A afirmação parece ser falsa nos casos em que hj(x)<0.

A idéia de aplicar penalizações aos pontos que não pertencem ao conjunto viável é formalizada na seguinte definição:

Definição

Seja H:n. A função H é chamada de função de penalidade exterior se possui as seguintes propriedades:

  • H(x)0,xn
  • H(x)=0,xC
  • H é contínua

Nota: Lembre-se que C={xn:gi(x)0,i=1,,p;hj(x)=0,j=1,,q} é o conjunto viável do problema (P).

Em particular, as funções Hgi são funções de penalidade exterior.

Definição

Seja θ:n. A função θ é dita coerciva se limxθ(x)=+


Um dos autores deste material sugeriu a adição de exemplos de funções de penalidade, juntamente com algumas imagens ilustrando os seus gráficos.

Nota: Conforme o Wikcionário, o termo coercivo significa: que coage; que reprime; que impõe pena; coercitivo. Nesse sentido, esse é um termo adequado ao tratar do conceito anterior, no contexto dos métodos de penalidade.

Exercício

Verifique que θ é uma função coerciva se, e somente se, Lθ(λ)={xn:θ(x)λ} é limitado para todo λ.

Resolução
Pela definição de limite, a afirmação
limxθ(x)=+

é equivalente a dizer que

K>0,M>0 tal que x tem-se x>Mθ(x)>K.

Esta última implicação, é equivalente à

θ(x)KxM (sua contrapositiva).

Pela definição de conjunto de nível, isso equivale à xLθ(K)xM. A existência de um número M com tal propriedade significa que Lθ(K) é um conjunto limitado, donde conclui-se a equivalência entre coercividade e limitação dos conjuntos de níveis


Um dos autores deste material sugeriu a adição de uma imagem que ilustre geometricamente a relação entre coercividade e conjuntos de nível.
Exercício

Verifique que H:n definida por H(x)=i=1p(gi+(x))2+j=1q(hj(x))2 é uma função de penalidade exterior, onde conforme anteriormente, gi+ é a parte positiva de gi.


Resolução
Primeiramente, H(x) é uma função não negativa, pois o quadrado de qualquer número real é não negativo, assim como a soma de números reais não negativos.

Em segundo lugar, tem-se H(x)=0 se, e somente se, para cada índice i e cada índice j vale gi+(x)=0 e hj(x)=0. Como gi+(x)=0gi0, tem-se H(x)=0xC

Finalmente, como a soma e o produto de funções contínuas resulta em uma função contínua, segue que H(x) é contínua, pois gi,hj são contínuas.

Exercício

Verifique que se g:n é uma função contínua coerciva, então existe x¯n tal que g(x¯)g(x),xn.


Resolução
Considere um ponto arbitrário x̂n. Tome λ=g(x̂). Nestas condições, Lg(λ) é limitado (conforme um dos exercícios anteriores) e fechado (pois é pré-imagem de um conjunto fechado por uma função contínua), portanto compacto. Neste caso, conforme o teorema de Weierstrass, a função g possui algum ponto de mínimo no conjunto Lg(λ), ou seja, existe x¯Lg(λ) tal que g(x¯)g(x),xLg(λ).

Ne verdade, tal ponto x¯ é também um minimizador global da função g, pois se x∉Lg(λ) então g(x)>λ (pela definição do conjunto Lg(λ)).


Um dos autores deste material sugeriu a adição de uma imagem ilustrando a existência de minimizadores globais para funções coercivas.

Alguns conceitos da topologia

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Em algumas situações, é interessante ter em mente que certos conceitos definidos no contexto da Otimização são, na verdade, instanciações de conceitos mais gerais, muitos deles provenientes da topologia. Alguns exemplos são apresentados a seguir.

Definição

Dado um conjunto X, uma coleção Γ𝒫 de subconjuntos de X é chamada de topologia se:

  • ,XΓ
  • {Ai}iIΓiIAiΓ
  • {Bi}i=1pΓi=1pBiΓ

Exemplos
  • Topologia euclidiana:
X=R
Γ=Γ1={}{X}{A:xA,ϵx>0,(xϵx,x+ϵx)A}

Em outras palavras, a topologia euclideana é a coleção de todos os conjuntos abertos contidos em . Pode-se verificar com facilidade que de fato são satizfeitas as três propriedades que definem uma topologia.

Outro exemplo muito comum é o seguinte:

  • Topologia euclideana estendida:
X=R{}
Γ=Γ1{A{}:a,A=]a,]}

Em geral, a noção de limite seria caracterizada topologicamente da seguinte forma:

Definição

limnxn=aIx,n0,nn0xnI

De volta ao método

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Uma vez apresentados os conceitos iniciais, pode-se provar o seguinte teorema:

Teorema

Considere:

  • H:n uma função de penalidade exterior;
  • f: uma função contínua;
  • C={xn:gi(x)0,i=1,,p;hj(x)=0,j=1,,q} um conjunto fechado;
  • {rk} uma sequência de termos positivos tal que limkrk=0.
Suponha que é válida uma das seguintes propriedades:
  1. f é coerciva.
  2. C é limitado e H é coerciva.
Se, para cada k, for escolhido x¯(rk)argmin{f(x)+1rkH(x)},então:
  1. {x¯(rk)} possui algum ponto de acumulação;
  2. Todo ponto de acumulação de {x¯(rk)} é solução do problema (P);
  3. limkH(x¯(rk))=0.


Um dos autores deste material sugeriu a adição de uma imagem que ilustre geometricamente o significado do teorema acima.


Demonstração
Se (1) acontece, então f+1rH é coerciva, pois
limxf(x)+1rH(x)limxf(x)=

A desigualdade é válida pois H é uma função de penalidade, portanto não negativa, e a igualdade se deve à hipotese sobre f. Além de coerciva, tal função é contínua (pois é combinação linear de funções contínuas). Logo, a função possui um ponto de mínimo global, ou seja, existe x¯n tal que

f(x¯)+1rH(x¯)f(x)+1rH(x)

, para qualquer xn.

Mas f é contínua e coerciva, então também existe xn tal que

f(x)f(x),xC

Por outro lado, se vale (2), então f+1rH é contínua e C compacto. Analogamente, f é contínua e C compacto, donde tem-se algum xC tal que

f(x)f(x),xC

Em ambos os casos, dada uma sequência {rk} tal que 0<rk+1<rk e limkrk=, defina-se φ:n× por φ(x,r)=f(x)+1rH(x). Logo,

φ(x¯(rk),rk)=f(x¯(rk))+1rkH(x¯(rk)) f(x¯(rk+1))+1rkH(x¯(rk+1) f(x¯(rk+1))+1rk+1H(x¯(rk+1) =φ(x¯(rk+1),rk+1)

Sendo que a primeira desigualdade se deve ao fato de x¯(rk) ser um minimizador, por construção, e a segunda segue por que {rk} é decrescente. Portanto, φ(x¯(rk),rk)φ(x¯(rk+1),rk+1),k.

Além disso, tem-se as seguintes desigualdades:

f(x¯(rk))+1rkH(x¯(rk))f(x¯(rk+1))+1rkH(x¯(rk+1))
f(x¯(rk+1))+1rk+1H(x¯(rk+1))f(x¯(rk))+1rk+1H(x¯(rk))

Logo, somando os membros correspondentes, obtem-se:

1rkH(x¯(rk))+1rk+1H(x¯(rk+1))1rkH(x¯(rk+1))+1rk+1H(x¯(rk))

ou seja,

(1rk+11rk)H(x¯(rk+1))(1rk+11rk)H(x¯(rk))

Portanto,

H(x¯(rk+1))H(x¯(rk)),k

Por outro lado, f(x¯(rk))f(x¯(rk))+1rkH(x¯(rk))f(x)+1rkH(x)=f(x),k, sendo primeira desigualdade válida por H ser não negativa e rk positivo, e a segunda devida à própria definição de x¯(rk). Logo, f(x¯(rk))f(x).

Se a primeira das hipóteses acontece, segue da coercividade e dessa última desigualdade que {x¯(rk)}Lf(f(x)). Então {x¯(rk)}i=1 é uma sequência limitada.

Se ocorre a segunda, então H é coerciva, mas foi mostrado que H(x¯(rk+1))H(x¯(rk)), consequentemente {x¯(rk+1)}LH(H(x¯(r1))). Sendo H coerciva, conclui-se novamente que {x¯(rk)}i=1 é uma sequência limitada.

Portanto, em qualquer caso, {x¯(rk)}i=1 possui algum ponto de acumulação.

Seja x¯ um ponto de acumulação de {x¯(rk)}i=1. Então existe {x¯(rkn)}{x¯(rk)} tal que limnx¯(rkn)=x¯. Logicamente, limnrkn=0. Pela continuidade de f e sabendo que f(x¯(rk))f(x), se deduz que f(x¯)=limnf(x¯(rkn))f(x). Mas já havia sido verificado que f(x)f(x),xC, então segue a igualdade f(x¯)=f(x).

A sequência {φ(x¯(rk),rk)} é crescente. Seja φ¯=limnφ(x¯(rk),rk) (por que razão ele existe?). Como φ(x¯(rk),rk)=f(x¯(rk))+1rkH(x¯(rk)), tem-se φ¯=limn1rkH(x¯(rk))=limnφ(x¯(rk),rk)limnf(x¯(rk))=φ¯f(x¯). Portanto, limnH(x¯(rkn))=0. Logo limkH(x¯(rk)), ou seja, limr0H(x¯(r)).

Como H é contínua, limnH(x¯(rkn))=H(x¯), e este valor é nulo se, e somente se, x¯C.

Logo, f(x¯)f(x)f(x¯), donde f(x¯)=f(x). Assim, tem-se f(x¯)=f(x)f(x),xC, ou seja, x¯ é solução de (P).

Exercício

Dado o problema (P), considere m=inf{f(x):gi(x)0,i e hj=0,j} (isso não quer dizer que o problema tenha solução). suponha-se que f,g e h são funções contínuas e que C={x:gi(x)0,i;hj(x)=0,j} seja não vazio, ou seja, que C é factível. Tome H:n como H(x)=i=1p[gi+(x)]2+j=1q[hj(x)]2, onde gi+ denota a parte positiva de gi, como de costume. Considere ainda φ:n×+ dada por φ(x,r)=f(x)+1rH(x) e, para cada r>0, seja m(r)=infxnφ(x,r) Nessas condições, provar que:

  1. H é uma função de penalidade exterior
  2. m>
  3. φ(x,r)=f(x),xC,r>0
  4. Se 0<r<s então m(s)<m(r)
  5. Se f,gi,hj são covexas, então φ é convexa.
  6. Se f,gi,hj são diferenciáveis, então φ é diferenciável em x, e xφ(x,r)=f(x)+i=1pgi+(x)gi(x)+j=1qhj(x)hj(x)
  7. Se 0<rk+1<rk e limkrk=0 e se {xk} é uma sequência tal que φ(xk,rk)=m(rk) e limkxk=x¯ então x¯ é solução de (P).

Algoritmo de penalidade exterior

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Primeiro passo: Escolha x0n, r>0 e k=1

Passo iterativo k: Calcular xk=x¯(rk), solução global de 
(P){minφ(x,rk)=f(x)+12rH(x)xn
Escolha rk tal que 0<rk<rk1

Nota: Neste algoritmo, H é uma função de penalidade exterior.

Exercício

Sejam f(x,y)=x2+y2 e C={(x,y)2:x0;y0;x+y10}. Considere o problema: (P){minf(x,y)(x,y)n Utilize o método de penalidade exterior para determinar o ponto de mínimo da função f sobre o conjunto C.

Resolução
Esboço: Pode-se tomar H(x,y)=i=13(gi+(x,y))2, onde:
g1(x,y)=x
g2(x,y)=y
g3(x,y)=x+y1

Tem-se então o problema irrestrito: (Pr){minf(x,y)+1rH(x,y)(x,y)2, onde pode ser aplicado o método de gradientes conjugados.

Implementação do algoritmo de penalidade exterior em SciLab

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Considerando o problema

(P){minf(x)gi(x)0i=1,,phj(x)=0j=1,,q

com f uma função quadrática, A simétrica positiva definida, gi,hj lineares, e a função de penalidade, H, dada por:

H(x)=i=1p(gi+(x,y))2+j=1q(hj(x,y))2

Pode-se usar o método dos gradientes conjugados para resolver o seguinte problema:

(P){minf(x)+H(x)xn

onde f+H terá sua matriz Hessiana definida positiva.


Incluir o código para uma implementação do método em SciLab.

Método de penalidade interior

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Este método também é conhecido como método de barreira. Ele consiste em trabalhar com funções de penalidade tais que xC e qualquer que seja a sequência {xn}C={x:gi(x)<0} para a qual xnx, se tem que a função de penalidade tende a +.


Um dos autores deste material sugeriu a adição de uma imagem para ilustrar uma sequência de pontos que tende a um ponto da fronteira de um conjunto C, de preferência junto com o gráfico de uma função de penalidade deste novo tipo.

Mas como conseguir esse tipo de função?

Considere o caso em que gi(x)=aixbi. Lembrando que a função logarítmica tem a propriedade:

limx0+ln(x)=+

pode-se tomar H1(x)=i=1pln(biaix), pois

limaixbiln(biaix)=+

implica que

limxCH1(x)=+

Analogamente, tem-se

limx0+1x=+

então, uma outra função com a propriedade desejada é H2(x)=i=1p1biaix.

O problema a ser resolvido quando se quer aplicar o método de barreira é o seguinte:

(P){minf(x)gi(x)0;i=1,,p

onde C={x:gi(x)0,i} é tal que C0={x:gi(x)<0,i}

Observação: C0 não é necessariamente igual ao interior do conjunto C. Por exemplo:


Um dos autores deste material sugeriu a adição de uma imagem para ilustrar um conjunto C cujo correspondente C0 seja diferente do interior de C.
Definição

Se diz que uma função B:C0 é uma função de barreira se ela possui as seguintes propriedades:

  1. B é limitada inferiormente em C.
  2. Para qualquer sequência {xn}C0 tal que limnxn=xC vale limnB(xn)=+
  3. B é contínua

Algoritmo de barreira

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Primeiro passo: Escolha x0C0, r>0 e t0>0

Passo iterativo k: Calcular xk+1=x¯(tk), solução global de 
(P){minf(x)+tkB(x)xC0
Escolha tk+1 tal que 0<tk+1<tk

Observação: Neste método os termos da sequência {xn} estão sempre em C0.

Implementação do algoritmo de barreira em SciLab

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Considerando o problema

{minf(x)gi(x)0i=1,,p

pode-se usar o método de barreira no conjunto:

C={xn:gi(x)0}

Pode-se usar qualquer das funções de penalidade interior apresentadas, por exemplo:

B(x)=i=1p1gi(x)

ou ainda

B(x)=i=1pln(gi(x))

Como C0={xn:gi(x)<0}, o problema passa a ser:

{minf(x)+B(x)xC0

Observação: Note que é necessário conhecer um ponto inicial x0C0, para servir de primeira aproximação, ou ponto de partida para o algoritmo.

Métodos de região de confiança


Considere o seguinte problema de programação diferenciável não linear sem restrições:

(P){minf(x)xn

onde f:n é de classe C2(n).

Observação: Como f não é necessariamente convexa, a matriz 2f(x) pode não ser definida positiva, apesar de ser simétrica. Neste caso, o método de Newton ou suas variantes (direções conjugadas, quase Newton, etc) não servem.

O primeiro método de região de confiança (em inglês, Trust region method), foi introduzido por Powel em 1970 (qual artigo?) mas oficialmente introduzido por Dennis em 1978 (artigo?). Ele consiste no seguinte:

A cada iteração, se constrói um modelo quadrático e uma região de confiança

este princípio pode ser considerado como uma extensão da busca de Armijo unidimensional.

Breve revisão da busca de Armijo

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Para entender a geometria do método de região de confiança, é bom lembrar a geometria da busca de Armijo unidimensional.

Seja d uma direção de descida de uma função f a partir do ponto x. Então f(x)d<0. Agora, considerando θ:, definida por θ(t)=f(x+td), tem-se:

θ(t)=f(x+td)d. Assim, θ(0)=f(x)d<0. Se α(0,1), então θ(0)<αθ(0)<0.
Exercício

Mostrar que sempre existe t>0 tal que f(x+td)f(x)t=θ(t)θ(0)t0αθ(0).

Resolução
A resolução deste exercício é deixada a cargo do leitor. Sinta-se livre para melhorar a qualidade deste texto, incluindo-a na versão online deste material.

A busca de Armijo consiste em tomar t>0.

Se f(x+td)f(x)t>αθ(0)>θ(0)

Mas como θ(0)=limt0f(x+td)f(x)t, então existe algum t>0 tal que vale f(x+td)f(x)tαθ(0). A tal ponto, chama-se ponto de Armijo.

Introduzindo as seguinte notação

m(x+h)=f(x)+f(x)h (modelo linear para a função f)
pred=m(x)m(x+td)=tθ(0) (redução predita por este modelo)
ared=f(x)f(x+td) (redução real no valor da função)

a pergunta é:

Quando um ponto t vai ser ponto de Armijo com essa notação?

Tem-se:

αpred=αtθ(0)f(x)f(x+td)=ared

Logo, se αpredared segue que t é um ponto de Armijo.

Observações: Note que a essência da busca linear de Armijo é construir um modelo linear e um intervalo compacto [0,t], sendo t>0 e o ponto inicial da busca e logo procurar o ponto de Armijo em [0,t].

De volta ao método

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O método de região de confiança será uma generalização da busca de Armijo, consistindo da construção de um modelo quadrático e uma região R, chamada de região de confiança, e nessa região calcular o novo iterando.

Algoritmo da região de confiança

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Primeiro passo: Escolha x0n, r>0, α(0,1), β(0,1) e k=0.

Passo iterativo k: Enquanto f(xk)0, construa o modelo quadrático:
 mk(h)=f(xk)h+12hHkh
Calcule d, solução de
 (P){minmk(h)hr
Tome ared=f(xk)f(xk+d) e pred=mk(d)
Se aredpred>α, fazer xk+1=xk+d
Senão xk+1=xk, r=βr e k=k+1

Comentários: No algoritmo anterior, quando se tem um passo falho, a região de confiança sempre diminui. Seria bom incluir casos bons, onde a região deve crescer.

Algoritmo da região de confiança melhorado

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Primeiro passo: Escolha x0n, r>0, 0<α<γ<1, β(0,1), β2>1, ϵ(0,1) e k=0.

Passo iterativo k: Enquanto f(xk)>ϵ, construa o modelo quadrático:
 mk(h)=f(xk)h+12hHkh
Continue = 1
Enquanto (Continue = 1)
  Calcule d, solução de
   (P){minmk(h)hr
  Tome ared=f(xk)f(xk+d) e pred=mk(d)
  Se aredpred>α, fazer xk+1=xk+d
    Se r>γ, r=β2r; Continue = 0
    k = k+1
  Senão r=β1r


O subproblema quadrático

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Conforme foi explicado, o método das regiões de confiança constrói um modelo quadrático da forma:

m(h)=gh+12hHh

onde, no método, g=f(xk) e H=Hk. Em tal modelo, tem-se

  • g um vetor não nulo;
  • h uma matriz simétrica (que pode não ser definida positiva)

O problema quadrático é

(PQ){minm(h)hr

com r>0.

Este é o problema que será tratado a seguir.

Exercício

Provar que (PQ) sempre tem solução.

Resolução
Esboço: Como h é uma função contínua e o conjunto onde se quer minimizar tal função é uma bola, em dimensão finita, trata-se de minimizar uma função contínua em um compacto. Esse é um problema que tem solução, pelo teorema de Weierstrass.

O exercício anterior garante que o método está bem definido, quer dizer, todas as etapas podem ser realizadas.

O problema de mínimos quadrados


Este tipo de problema é muito frequente em ciências experimentais. Para ter um exemplo em mente durante a discussão que será feita mais adiante, considere as seguintes informações:

Segundo dados disponibilizados pelo IBGE, o Produto Interno Bruto per capita na cidade de São Paulo, no período de 2002 a 2005, foi (em reais): 17734, 19669, 20943 e 24083, respectivamente.

Com base nessas informações, como poderia ser feita uma previsão do valor correspondente ao ano seguinte (2006)?

Uma escolha possível seria supor que a cada ano o PIB aumenta uma aproximadamente constante, ou seja, usar um modelo linear para obter tal estimativa (que possivelmente será bem grosseira). Intuitivamente, bastaria analisar os dados disponíveis e a partir deles deduzir qual é o aumento que ocorre a cada ano. Depois, a previsão para 2006 seria aproximadamente igual à de 2005 somada com aquele aumento anual.

Esta idéia poderia até funcionar para o caso deste exemplo, mas o que fazer se a quantidade de dados disponíveis sobre algum fenômeno (ou alguma situação) for significativamente maior?

A melhor escolha, sem dúvida, é fazer uso de um computador para obter o modelo que melhor descreve o "comportamento" dos dados experimentais.

Em geral, os problemas de mínimos quadrados consistem em identificar os valores de determinados parâmetros, de modo que se satisfaçam certas equações hi(x)=0,i=1,,p. No contexto do exemplo anterior, se procura um modelo linear para os dados, ou seja, uma função y=mx+n que os descreva da melhor forma possível. Assim, os parâmetros a considerar são m e n. Os valores ideais para essas variáveis seriam aqueles que verificassem as seguintes equações:

{2002m+n=177342003m+n=196692004m+n=209432005m+n=24083

Note que a partir dessas equações poderiam ser definidas as funções hi como:

h1(m,n)=2002m+n17734
h2(m,n)=2003m+n19669
h3(m,n)=2004m+n20943
h4(m,n)=2005m+n24083

É de se esperar que o sistema de equações obtido a pouco não admitirá uma solução exata, pois se tem mais equações do que variáveis.

Isso geralmente acontece, pois é comum haver uma quantidade p de equações bem maior que o número n de parâmetros a identificar. Em particular, quando todas as equações hi são lineares em suas n variáveis, dificilmente existirá uma solução exata para o sistema linear resultante, pois este terá mais equações do que incógnitas (como no exemplo). Em geral, não é possível encontrar parâmetros que satisfaçam exatamente todas as equações. Por isso, costuma-se tentar identificar os parâmetros que "melhor se aproximam" de uma solução exata, em algum sentido.

Uma forma de obter uma solução aproximada (uma "quase-solução") resulta da seguinte observação: o valor de cada função hi em uma solução exata x deveria ser zero. Se tal exigência é restritiva demais, e com ela não é possível encontrar qualquer solução, uma possibilidade seria exigir um pouco menos. Por exemplo, poderia ser exigido apenas que o valor de hi, para i=1,,p seja, em geral, pequeno. Uma das formas de capturar essa idéia em termos mais precisos é dizer que se pretende minimizar a soma dos quadrados dos valores de cada hi. Em símbolos, o problema passaria a ser:

minxni=1p[hi(x)]2

O caso linear

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Neste caso, para cada índice i=1,,p, a função hi é afim linear, ou seja:

hi:n
hi(x)=aix+bi

onde ain e bi para cada i=1,,p. Deste modo, pode-se definir uma função H como

H:np de modo que
H(x)=[h1(x)hp(x)]=[a1x+b1apx+bp]=[a1ap]x+[b1bp]

Motivando a introdução da seguinte notação:

A=[a1ap],b=[b1bp]

Assim,

H(x)=Ax+b

Logo, buscar uma solução exata é o mesmo que procurar uma solução para o seguinte sistema linear:

Ax=b

E uma solução aproximada poderia ser buscada a partir do seguinte problema de minimização:

minxn12Ax+b2
Exercício

Verifique que se houver uma solução exata, ela também será um minimizador de i=1p[hi(x)]2. A recíproca é verdadeira?

Resolução
Primeiramente, observe que para qualquer x tem-se
i=1p[hi(x¯)]20

Isso significa que 0 é uma cota inferior para os valores assumidos por esta soma de quadrados. Além disso, se x¯ é uma solução exata, então para cada índice i tem-se:

hi(x¯)=0

e consequentemente

i=1p[hi(x¯)]2=i=1p02=0

Então, em x¯ a soma dos quadrados assume seu valor mínimo.

Não vale a recíproca, pois se para um certo x~ a soma dos quadrados assumir um valor positivo ϵ, então

i=1p[hi(x¯)]2=ϵ>0 implica que existe algum i tal que hi(x~)>0

Isto significa que x~ não satisfaz a equação de índice i, e portanto não pode ser uma solução exata.

Analisando a função objetivo do problema de minimização anterior, tem-se:

f(x)=12Ax+b2=12Ax+b,Ax+b=12xAAx+bAx+12bb

Logo, como B=AA é simétrica e semi-definida positiva, tem-se f convexa. Isso implica que a condição necessária de primeira ordem é também suficiente. Assim, qualquer ponto xn tal que f(x)=0 é solução do problema aproximado.

Calculando o gradiente da função objetivo tem-se:

0=f(x)=AAx+Ab

Deste modo, a solução do problema é obtida resolvendo o sistema

AAx=Ab

Observe também que isso implica A(Ax+b)=0, ou seja, Ax+bker(A).


Exemplo de aplicação

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Considere dado um conjunto de pontos do plano 2, por exemplo {(xi,yi)}i=1p, representando dados obtidos experimentalmente.

Perguntas:

1. Qual é a função afim linear que melhor se aproxima dos dados experimentais?
Resolução
As funções afim lineares no plano são aquelas que possuem a forma mx+b. Então os parâmetros a identificar são m e b.

Como são as funções hi? Lembrando que tais funções teriam imagem igual a zero em uma solução exata, pode-se tomar hi(m,b)=mxi+byi

Assim,

H(x)=[h1(x)hp(x)]=[mx1+by1mxp+byp]=[mx1+bmxp+b]+[y1yp]=[x11xp1][mb]+[y1yp]

A expressão final pode ser simplificada adotando a seguinte notação

A=[x11xp1],x=[mc],c=[y1yp]

De fato, nesses termos tem-se

H(x)=Ax+c
2. Qual é a função quadrática que melhor se aproxima dos dados experimentais?
Resolução
As funções quadráticas possuem a forma ax2+bx+c. Então os parâmetros a identificar são a, b e c.

Pode-se tomar hi(a,b,c)=axi2+bxi+cyi.

Procedendo como antes, tem-se

H(x)=Ax+c

onde

A=[x12x11xp2xp1],x=[abc],c=[y1yp]
Exercício

Explorar o exemplo anterior com dados concretos, implementando um dos três métodos de gradientes conjugados.

Resolução
A resolução deste exercício é deixada a cargo do leitor. Sinta-se livre para melhorar a qualidade deste texto, incluindo-a na versão online deste material.
Observações

Conforme se aumenta o grau do polinômio que faz a aproximação dos dados, as colunas de A têm elementos elevados a potências cada vez maiores, fazendo com que os autovalores de AA sejam cada vez mais dispersos. Com isso, AA torna-se mal condicionada.

Exercício

É possível, usando o problema de mínimos quadrados, verificar o postulado de Euclides que diz que "por dois pontos distintos passa uma única reta"?

Resolução
A resolução deste exercício é deixada a cargo do leitor. Sinta-se livre para melhorar a qualidade deste texto, incluindo-a na versão online deste material.
Exercício

Usando o problema de mínimos quadrados, é possível inferir que "por três pontos distintos passa uma única curva quadrática"?

Resolução
A resolução deste exercício é deixada a cargo do leitor. Sinta-se livre para melhorar a qualidade deste texto, incluindo-a na versão online deste material.

O caso não linear

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Para esse tipo de problemas, há dois métodos:

  1. Gauss-Newton
  2. Levemberg-Marquardt

Ambos são métodos do tipo Newton. Então, para entender cada um deles é preciso entender o Método de Newton.

O método de Newton

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Para entender a essência do método de Newton, primeiro considere que o problema a ser resolvido é

(P){minf(x)xn

sendo hj:n, e portanto f=12j=1p[hj]2 de classe 𝒞2(n). A idéia de Newton é usar o desenvolvimento até segunda ordem da série de Taylor da função f em cada ponto iterado. Isto é, se o iterado é x¯, então:

Q(x)=f(x¯)+f(x¯)(xx¯)+12(xx¯)2f(x¯)(xx¯)


Então a condição de Newton é que em cada iteração a Hessiana 2f deve ser definida positiva.

Calculando o gradiente da função Q, segue:

Q(x)=f(x¯)+2f(x¯)(xx¯)

Se x é o (único) minimizador de Q, então

0=Q(x)=f(x¯)+2f(x¯)(xx¯)

donde

2f(x¯)(xx¯)=f(x¯)

Sendo 2f definida positiva, tal matriz é também inversível. Portanto:

x=x¯[2f(x¯)]1f(x¯)

Assim, pode-se usar a seguinte iteração:

xk+1=xk[2f(xk)]1f(xk)

Algoritmo de Newton (puro)

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Início: Tome x0n
  Se f(x0)=0, pare: x0 é ponto crítico.
  Senão, Calcule d0, solução de
    2f(x0)d0=f(x0)
    Faça x1=x0+d0 e k=1
Iteração: Se f(xk)=0, pare: xk é ponto crítico.
  Senão, calcular dk, solução de
    2f(xk)dk=f(xk)
    Faça xk+1=xk+dk e k=k+1

Voltando ao problema original, de mínimos quadrados, se tinha:

f(x)=12i=1p[hi(x)]2

Calculando o gradiente desta função, resulta:

f(x)=i=1phi(x)hi(x)

Considera-se H:np definida por

H(x)=[h1(x)hp(x)]

Deste modo, a Jacobiana de H verifica:

f(x)=[JH(x)]H(x)

pois o produto de uma matriz por um vetor tem como resultado um vetor que é a combinação linear das colunas da matriz, com coeficientes que são as coordenadas do vetor.

Além disso, tem-se

2f(x)=i=1phi(x)2hi(x)+i=1phi(x)hi(x)

Seja

B(x)=i=1phi(x)hi(x)=JH(x)JH(x)

Sabe-se que uma matriz D é definida positiva se xtDx>0 para qualquer x0. Fazendo D=hi(x)hi(x), tem-se:

xhi(x)hi(x)x=[hi(x)x]20

Para que D seja definida positiva, é necessário que SP(hi(x))=n ( deve gerar todo o espaço), neste caso, se diz que JH(x) é de posto máximo.

Algoritmo de Gauss-Newton

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Início: Tome x0n
  Se f(x0)=0, pare: x0 é ponto crítico.
  Senão, Calcule d0, solução de
    B(x0)d0=f(x0), onde B(x)=i=1phi(x)hi(x)
    Faça x1=x0+d0 e k=1
Iteração: Se f(xk)=0, pare: xk é ponto crítico.
  Senão, calcular dk, solução de
    B(xk)dk=f(xk)
    Faça xk+1=xk+dk e k=k+1

Algoritmo de Levemberg-Marquardt

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A idéia de Levemberg-Marquardt foi perturbar a matriz B(x), considerando B(x)+ρI, para algum ρ>0 pequeno.

Início: Tome x0n
  Se f(x0)=0, pare: x0 é ponto crítico.
  Senão, Calcule d0, solução de
    (B(x0)+ρI)d0=f(x0), onde B(x)=i=1phi(x)hi(x)
    Faça x1=x0+d0 e k=1
Iteração: Se f(xk)=0, pare: xk é ponto crítico.
  Senão, calcular dk, solução de
    (B(x0)+ρI)dk=f(xk)
    Faça xk+1=xk+dk e k=k+1
Exercício

Enumere as diferenças que existem nos seguintes algoritmos:

  • Newton
  • Gauss-Newton
  • Levenberg-Marquardt

Resolução
Newton

Desenvolvendo f em série de Taylor e exigindo que a matriz hessiana de f seja definida positiva o método de Newton usa dk=[2f(xk)]1f(xk).

Gauss-Newton

Em alguns casos a matriz hessiana de f pode ser bem complicada. Nesses casos então a idéia do método de Gauss-Newton é usar uma boa aproximação para essa matriz. Podemos escrever

f(x)=12i=1p[hi(x)]2=12h(x)2=12h(x)h(x).

Usando Taylor em h temos:

h(x¯)=h(x)+J(x)(x¯x) onde J(x) é a jacobiana de h.

Substituindo h(x¯) na f temos


f(x¯)=12h(x¯)h(x¯)=12(h(x)+J(x)(x¯x))(h(x)+J(x)(x¯x))=12[(h(x)h(x)+2h(x)(J(x)(x¯x))+(J(x)(x¯x))(J(x)(x¯x))]=f(x)+h(x)(J(x)(x¯x))+(J(x)(x¯x))(J(x)(x¯x))

Calculando o gradiente e depois a segunda derivada temos:

f(x¯)=J(x)h(x)+J(x)(J(x)(x¯x)) e

2f(x¯)=J(x)J(x)

Denotando B(x)=J(x)J(x), então o método de Gauss-Newton escolhe dk tal que

B(xk)dk=f(xk).


Levenberg-Marquardt

A idéia do método de Levenberg-Marquardt é pertubar a matriz B(x) um pouco, considerando B(x)+ρI com ρ>0 pequeno.

Portanto o método de Levenberg-Marquardt escolhe dk tal que

(B(xk)+ρI)dk=f(xk).

KKT


Neste capítulo o objetivo é desenvolver algumas ideias e provar o teorema de Karush–Kuhn–Tucker (também chamado simplesmente de teorema KKT) que será utilizado no capítulo seguinte para explorar os métodos duais. O teorema KKT é bem útil para resolver problemas do tipo

(P){minf(x)gi(x)0;i=1,,phj(x)=0;j=1,,q
Definição

Um conjunto Cn é um cone quando

dCtdC,t+

Exemplo de um cone no 2.

Em outras palavras, a propriedade que caracteriza um cone é que este tipo de conjunto contém todos os múltiplos não nulos de qualquer de seus elementos.

Definição

Dado um subconjunto Cn, o cone polar de C é o conjunto definido por

C={pn:px0, xC}.

Observações:

  • C é um cone: Se dC tem-se que dx0, xC. Logo, para qualquer t+, vale (td)x=tdx0, xC. Disto segue que tdC, mostrando que C é um cone.
  • Sempre se tem que C(C) (Verifique).

Na segunda propriedade a igualdade pode não ocorrer (exemplo?). Para o objetivo deste texto, o ideal seria que a igualdade valesse. Mas será que isso ocorre para algum conjunto? A resposta é sim e, conforme o próximo lema, basta que C seja um cone convexo fechado.


Este módulo tem a seguinte tarefa pendente: Incluir a definição de projeção antes deste ponto, pois ela será usada durante a demonstração
Lema  (Farkas)

Se Cn um cone convexo fechado, então C=(C).

Demonstração
Seja y(C) e w=projC(y). Sabendo que a projeção de um ponto sobre um conjunto convexo é única, será mostrado que w=y e então ficará provada a inclusão C(C). Disto seguirá a igualdade entre os dois conjuntos, já que C é sempre um subconjunto de (C).

Pelo teorema da projeção (ver Izmailov & Solodov (2007)), tem-se que (yw)(xw)0, xC. Usando o fato de que C é cone, segue que 0C e 2wC e substituindo isto na equação acima obtem-se

(yw)(w)0 e (yw)w0.

Dessas desigualdades, conclui-se que (yw)w=0.

De (yw)(xw)=(yw)x(yw)w0, tem-se que (yw)x0, xC.

Usando a definição de cone polar, isso implica que ywC.

Uma vez que y(C), significa que (yw)y0.

Desses fatos acima se conclui que

yw2=(yw)(yw)=(yw)y(yw)w0

Isso mostra que y=w.


Definição

Dado xC, se diz que dn é uma direção viável em x, com respeito a C, quando existe ϵ>0 tal que

x+tdC, t[0,ϵ].
O conjunto de todas as direções viáveis em x, com respeito ao conjunto C, será denotado por VC(x).

Esse conjunto VC(x) é o cone das direções viáveis em x, com respeito a C.

Definição

Uma direção dn é uma direção de descida da função f em x, se existe ϵ>0 tal que

f(x+td)<f(x), t(0,ϵ].
O conjunto das direções de descida será denotado por D(x).

Caracterização das direções de descida

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Lema

Seja f:n uma função diferenciável em xn. Então

  1. f(x)d0, dD(x).
  2. dn satisfaz f(x)d<0 dD(x).


Demonstração
1) Seja dD(x). Então, t(0,ϵ] tem-se f(x+td)<f(x).

Usando a série de Taylor, tem-se

f(x)+tf(x)d+o(t)<f(x)

Sendo t0,

f(x)d+o(t)t<0.

Passando o limite com t0 tem-se que f(x)d0.

2) Novamente aplicando Taylor em f(x+td)f(x) tem-se

f(x+td)f(x)=tf(x)d+o(t).

Como t0, tem-se

f(x+td)f(x)=t(f(x)d+o(t)t).

Pela hipótese f(x)d<0, com isto

limt0(f(x)d+o(t)t)=f(x)d<0.

Pelo teorema da conservação do sinal, existe ϵ>0 tal que f(x)d+o(t)t<0, t(0,ϵ].

Portanto,

t(f(x)d+o(t)t)<0
f(x+td)<f(x) t(0,ϵ].

Conclui-se então que dD(x).

O cone viável linearizado

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Definição

Dado xC={xn;gi(x)0 e hj(x)=0}, a desigualdade gi(x)0 é uma restrição ativa em x se gi(x)=0.

Observações
  • O conjunto formado pelos índices das restrições de desigualdade ativas é denotado por I(x). Assim,
I(x)={i:gi(x)=0}
Definição

Dado um ponto xC e o conjunto I(x), se define o cone viável linearizado de C a partir de x como

L(x,C)={dn:gj(x)d0, jI(x) e hi(x)d=0, i=1,,q}.

L(x,C) é um cone não-vazio convexo e fechado pois, 0L(x,C). E se y,wL(x,C), tem-se

hi(x)(αy+(1α)w)=αhi(x)y+(1α)hi(x)w=α0+(1α)0=0 e
gj(x)(αy+(1α)w)=αgj(x)y+(1α)gj(x)wα0+(1α)00.

Portanto αy+(1α)wL(x,C) mostrando que L(x,C) é convexo.

Para mostrar que L(x,C) é fechado, pode-se pegar uma sequência convergente (dk)L(x,C) e mostrar que o ponto de acumulação dela esta em L(x,C).

Tem-se que hi(x)dk=0 e gj(x)dk0, k.

Passando o limite com k, obtem-se

0=limkhi(x)dk=hi(x)limkdk=hi(x)d e
0limkgj(x)dk=gj(x)limkdk=gj(x)d.

Isso mostra que L(x,C) é fechado.


Lema  (Caratheodory)

Sejam y1,,ym,w1,,wpn. Seja xn com x0 e α1,,αm,β1,,βp escalares tais queβj0 j=1,,p e

x=i=1mαiyi+j=1pβjwj.
Então existem subconjuntos I{1,,m}J{1,,p} e escalares αi com iIe βj jJ tais que
x=iIαiyi+jJβjwj e os vetores {yi}iI{wj}jJ são linearmente independentes.

Demonstração
Sem perda de generalidade, suponha que αi0 i=1,,m e βj>0, j=1,,p. Considere que {y1,,ym,w1,,wp} sejam linearmente dependentes.

Portanto existem escalares λi com i=1,,m e δj com j=1,,p não todos nulos tais que

0=i=1mλiyi+j=1pδjwj

Multiplicando a igualdade acima por t e subtraindo de

x=i=1mαiyi+j=1pβjwj tem-se
x=i=1m(αitλi)yi+j=1p(βjtδj)wj

Para t=0 certamente nenhum dos coeficientes acima se anula.

Seja t¯ o t de menor módulo que anula pelo menos um dos coeficientes αitλi ou βjtδj. Então

x=i=1m(αit¯λi)yi+j=1p(βjt¯δj)wj

Assim, se escreve x como combinação linear de no máximo m+p1 vetores já que βjt¯δj0.

Repetindo esse processo obtem-se uma combinação linearmente independente.


Definição

Dado um ponto xC, se define o cone G(x) por

G(x)={i=1qαihi(x)+jI(x)βjgj(x):βj0, jI(x)}.

A seguir, serão mostradas algumas propriedades deste cone.

Lema

Para qualquer xC, G(x) é um cone convexo e fechado.

Demonstração
Primeiro será mostrado que G(x) é de fato um cone. Seja dG(x) e t0. Então tem-se
td=i=1qtαihi(x)+jI(x)tβjgj(x).

Como tβj0 tem-se que tdG(x).

Agora, será provado que G(x) é convexo. Para isso seja y,wG(x), isto é,

y=i=1qαihi(x)+jI(x)βjgj(x) e
w=i=1qλihi(x)+jI(x)δjgj(x) e t[0,1].

Logo tem-se,

ty+(1t)w=i=1q(tαi+(1t)λi)hi(x)+jI(x)(tβj+(1t)δj)gj(x).

Como tβj+(1t)δj0 visto que βj0 e δj0. Com isso concluímos que ty+(1t)wG(x) mostrando que G(x) é convexo.

Para mostrar que G(x) é fechado, toma-se uma sequência convergente em G(x) e se mostra que o ponto de acumulação dela pertence a G(x).

Para isso seja (zk)G(x) com zkzn. Será mostrado que zG(x).

Escrevendo G(x) em forma matricial tem-se G(x)={AΔ+BΩ:Ω0}.

Pelo Lema de Caratheodory podemos assumir que C=(A B) tem colunas linearmente independentes, e portanto CC é não singular.

Uma vez que (zk)G(x), existem Γk=(Δk Ωk)t com Ωk0 tais que zk=CΓk.

Uma vez que CC é não singular, Γk=(CC)1Czk.

Passando o limite obtem-se,

(Δ Ω)t=Γ=limkΓk=(CC)1Cz com Ω0.

Isso mostra que CΩG(x).

Agora passando o limite em zk=CΩk obtém-se z=CΩ, mostrando que zG(x).


Lema

Para qualquer xC, G(x)=L(x,C).

Demonstração
Como L(x,C) e G(x) são convexos e fechados, tem-se que L(x,C)=(L(x,C)) e G(x)=(G(x)). Será mostrado então que L(x,C)=G(x).

Seja dL(x,C). Assim, dado yG(x) tem-se

dy=d(i=1qαihi(x)+jI(x)βjgj(x))
dy=i=1qαidhi(x)+jI(x)βjdgj(x)

Mas β0 e dhi(x)=0 e dgj(x)0.

Conclui-se então que dy0. Como y é arbitrário, dG(x).

Agora a volta, seja dG(x), isto é, dy0 yG(x).

Em particular, uma vez que hi(x) e hi(x)G(x) i=1,,q, tem-se que dhi(x)=0.

Além disso, uma vez que gj(x)G(x) jI(x), tem-se que dgj(x)0.

Logo dL(x,C).

O cone tangente

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Definição

Um vetor dn é chamado direção tangente em C a partir de xC quando ou d=0 ou (xk)C tal que

xkx e xkxxkxdd.

Observações
  • O conjunto de todas as direções tangentes no ponto xC, é denominado cone tangente, e denotado por T(x,C).
  • Se aC, então T(a,C) também pode ser descrito como
T(a,C)={d;{dk} com dkd;{tk} com tk0 tais que x=a+tkdkC,k}
Exercício

Verifique que T(a,C) é de fato um cone (e portanto merece ser chamado de "cone tangente").

Resolução
A resolução deste exercício é deixada a cargo do leitor. Sinta-se livre para melhorar a qualidade deste texto, incluindo-a na versão online deste material.

Exemplo de cone tangente

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Determinar o cone tangente ao ponto a=(0,0) do quadrado unitário com vértices (0,0), (0,1), (1,1) e (1,0).

Resolução
Cone tangente a um quadrado unitário com vértice na origem.

Dado qualquer ponto d=(d0,d1) do 2º quadrante (formado pelos pontos (x,y) tais que x<0 e y>0), pode-se definir:

tk=(12)k
dk=d

Com essas escolhas, tem-se:

tk0
dkd

Logo, a+tkdk=a+(12)kd=(0,0)+(d02k,d12k)=(d02k,d12k)C.


Propriedades do cone tangente

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A Wikipédia tem mais sobre este assunto:
Cone tangente

O cone tangente definido anteriormente tem as seguintes propriedades:

  1. T(a,C) é fechado e 0T(a,C)
  2. Se CD então T(a,C)T(a,D)
  3. Se V é uma vizinhança de a, então T(a,C)=T(a,VC)
Observação

A terceira propriedade indica que o cone tangente só depende do que ocorre bem perto de a, no conjunto C.


Lema

Para qualquer xC, T(x,C) é fechado.

Demonstração
Seja (dk)T(x,C) com dkdn. Será mostrado que dT(x,C).

Caso d=0, dT(x,C). Então, suponha-se que d0.

Neste caso, sem perda de generalidade pode-se considerar que dk0, k, pois dkd.

Fixando k tem-se que dkT(x,C). Portanto, existe (xk,j)jC tal que xk,jx e xk,jxxk,jxdkdk quando j.

Assim para ϵ=1k existe jk tal que para jjk, tal que xk,jx<1k e |xk,jxxk,jxdkdk|<1k.

Em particular, tomando j=jk tem-se

xk,jkx<1k e |xk,jkxxk,jkxdkdk|<1k.

Tomando o limite quando k, obtem-se que xkx e

|xk,jkxxk,jkxdd||xk,jkxxk,jkxdkdk|+|dkdkdd|0.

Logo xkxxkxdd.

Isso mostra que dT(x,C).



Exercício

Verificar que:

  1. T(a,C)L(a,C).
  2. Se C={(x,y)2;x2+y0;x2y0} e a=(0,0), então T(a,C)L(a,C).

Demonstração
1) Seja dT(a,C), d0. Logo (xk)C tal que xka, xka e xkaxkadd.

Usando Taylor em torno de a tem-se

0=hj(xk)=hj(a)+hj(x)(xka)+o(xka).

Já que xka, então xka0 logo pode-se dividir e obtem-se

hj(a)(xka)xka+o(xka)xka=0.

Passando o limite quando k, tem-se hj(a)dd=0.

Novamente usando Taylor em torno de a para iI(x) tem-se

gi(a)+gi(a)(xka)+o(xka)0
gi(a)(xka)xka+o(xka)xka0

Passando o limite quando k tem-se gi(a)dd=0.

Donde se conclui que dL(a,C).

2)

Este módulo tem a seguinte tarefa pendente: Colocar figura
Lema

Se aC é um mínimo local do problema (P), então f(a)d0, dT(a,C).

Demonstração
Por Taylor tem-se
0f(xk)f(a)=f(a)(xka)+o(xka)
0f(a)(xka)xka+o(xka)xka

Passando o limite quando k obtem-se

0f(a)dd

Donde f(a)d0 dT(a,C).


Teorema KKT

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Teorema (Condições de KKT)

Seja C={xn;gi(x)0 e hj(x)=0} e considere aC um minimizador local do problema

(P){minf(x)xC
Se T(a,C)=L(a,C), então existem up e vq tais que:
  1. f(a)=i=1puigi(a)+j=1qvjhj(a)
  2. ui0, i=1,,p
  3. uigi(a)=0, i=1,,p.

Demonstração
Considere a um minimizador local do problema (P). Então (f(a))d0, dT(a,C). Pela definição de cone polar isso significa que f(a)T(a,C).

Pela hipotése tem-se f(a)L(a,C). Como L(a,C)=G(a) obtem-se que f(a)(G(a)).

Como foi visto acima G(a) é um cone convexo e fechado. Portanto usando o Lema de Farkas obtem-se que f(a)G(a).

Pela definição de G(a), existem escalares δi com iI(a) e λj com j=1,,q tais que

f(a)=iI(a)δigi(a)+j=1qλjhj(a) com δi0 iI(a).

Como cardI(a)p, define-se vj=λj, j=1,,q e ui={δiiI(a)0iI(a)

Como gi(a)=0, iI(a) obtem-se uigi(a)=0 i=1,,p.

Com isso fica provado o Teorema de KKT.


Métodos duais


Lagrangiana

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O conceito de lagrangiana está sempre relacionado ao seguinte problema:

(P){minf(x)gi(x)0;i=1,,phj(x)=0;j=1,,q
Definição

A função lagrangiana associada ao problema (P) é

l:n×p×q definida por
l(x,u,v)=f(x)+i=1puigi(x)+j=1qvjhj(x).

Wikipedia
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A Wikipédia tem mais sobre este assunto:
Multiplicadores de Lagrange

Em alguns livros é usada a seguinte notação:

G:np definida por
G(x)=[g1(x)gp(x)]

e

H:nq definida por
H(x)=[h1(x)hq(x)]

Deste modo, a lagrangiana fica expressa por

l(x,u,v)=f(x)+uG(x)+vH(x)

que é uma representação bem mais compacta.

Condições de otimalidade

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Para permitir a compreensão da importância da função lagrangiana em otimização, é preciso ter em mente os principais resultados que garantem a otimalidade de uma solução para o problema (P). Nas próximas seções será apresentado um breve resumo das condições de otimalidade, dividindo-as em dois casos:

  • Caso particular: quando C={xn;gi(x)0 e hj(x)=0} é convexo e fechado.
  • Caso geral: quando C é arbitrário.

Caso particular

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Proposição

Seja f função de classe 𝒞1 no conjunto C. Se x¯ é um minimizador local de f no conjunto convexo e fechado C, então:

f(x),xx¯0,xC

Demonstração
Seja x¯C uma solução de (P), e fixe um ponto arbitrário xC. Denote por θ a restrição da função f sobre o segmento de reta que passa por x e por x¯, ou seja,
θ(t)=f(x¯+t(xx¯)), com t(0,1).

Note que θ(0)=f(x¯).

Como x¯ é um minimizador de f em C, tem-se:

θ(t)=f(x¯+t(xx¯))f(x¯)=θ(0), para todo t(0,1)

Logo,

θ(t)θ(0)t00, ou seja, θ(0)=limt0θ(t)θ(0)t00

Mas pela regra da cadeia,

θ(0)=f(x¯),xx¯, então f(x¯),xx¯0.

Como xC era arbitrário, o resultado está demonstrado.

Observação

A condição u,v0 significa que os vetores u e v formam um ângulo reto ou agudo (menor ou igual a 90 graus), conforme indicado na figura a seguir:

Em um ponto de mínimo, f sempre forma ângulo menor ou igual a 90 graus com os vetores do tipo xx¯, onde x¯ é um ponto de mínimo da função no conjunto viável C e x é um ponto qualquer deste conjunto.

No caso específico, com u=f e v=xx¯, u,v é a derivada direcional de f na direção xx¯. Quando tal número é não negativo, intuitivamente a função cresce naquela direção.


Quando C é um conjunto convexo e fechado, a existência de uma solução para o problema (P) é garantida pela seguinte proposição:

Proposição

Se x¯C, f é convexa e

f(x),xx¯0,xC
então x¯ é um minimizador global de f no conjunto C (isto é, x¯ é solução de (P)).

Demonstração
Pela convexidade de f, tem-se que:
f(x)f(x¯)+f(x),xx¯,xn

Logo,

f(x)f(x¯)f(x),xx¯0,xC

Portanto, f(x)f(x¯),xC, ou seja, x¯ é um minimizador de f em C.

Até aqui, não é exigido que qualquer das funções gi ou hj sejam diferenciáveis. Isto será utilizado mais adiante, nos algoritmos.

A próxima proposição fornece uma caracterização dos minimizadores, em termos do conceito de projeção.

Lembre-se que a projeção de um ponto y¯ sobre o conjunto C, denotada por P¯=PC(y¯), satisfaz P¯y¯,xP¯0,xC. Na verdade, vale:

P¯=PC(y¯)P¯y¯,xP¯0,xC
O vetor P¯y¯ forma ângulo menor que 90 graus com o vetor xP¯, pois P¯ é a projeção de y¯ sobre o conjunto C.
Proposição

Seja α>0 um número real fixado.

  1. Se x¯ é um minimizador local de f em C, então x¯=PC(x¯αf(x¯))
  2. Se f é convexa e x¯=PC(x¯αf(x¯)), então x¯ é um minimizador global de f em C.

Demonstração
(1)

Como x¯ é um minimizador local de f em C, então

f(x),xx¯0,xC

Observe que essa desigualdade equivale à

αf(x),xx¯0,xC

ou ainda

x¯(x¯αf(x)),xx¯0,xC

Tomando y¯=x¯αf(x) e P=x¯, tem-se a equivalência com:

Py¯,xP0,xC

que equivale a dizer que P=PC(y¯), ou seja:

x¯=P=PC(y¯)=PC(x¯αf(x))

(2)

Reciprocamente, supor que x¯=P=PC(y¯)=PC(x¯αf(x)), conforme a argumentação anterior, equivale a dizer que

f(x),xx¯0,xC

Usando a hipótese de que f é convexa, segue da proposição anterior que x¯ é um minimizador global de f em C.

Caso geral

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Para tratar este caso, é preciso utilizar o conceito de cone tangente. O conjunto contínua o mesmo, ou seja, C={xn;gi(x)0 e hj(x)=0}, embora não seja mais suposto que ele é convexo. Mesmo assim, C ainda será fechado, pois as funções gi e hj que o definem são contínuas.

Teorema

  1. Se x¯ é um minimizador local de f em C, então f(x¯),d0,dT(x¯,C).
  2. Se C é convexo, f é convexa e f(x¯),d0,dT(x¯,C), então x¯ é minimizador global de f em C.

Este teorema pode ser demonstrado de forma análoga a que foi feita anteriormente.

Demonstração
Esta demonstração é deixada a cargo do leitor. Sinta-se livre para melhorar a qualidade deste texto, incluindo-a na versão online deste material.

Seja C~ definido como:

C~=C~a={xn;gi(x)0,iI(a);hj(x)=0}.

Pela segunda propriedade do cone tangente, tem-se:

T(a,VC~)=T(a,C)=T(a,VC~). Logo,
T(a,C)=T(a,C~)

Em outras palavras, se é dado um conjunto C~ e depois se restringe tal conjunto para C, através do acréscimo de restrições inativas em um ponto a, os cones tangentes aos dois conjuntos (no ponto a) coincidem.

Definição

Toda condição que implica que T(a,C)=L(a,C) é chamada de condição de qualificação das restrições.

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Observação: Também se pode dizer condições de regularidade das restrições (do inglês, Regularity conditions).

Exemplos de condições de qualificação das restrições

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(1) Se gi e hi são funções afim-lineares, então para qualquer xC, tem-se T(x,C)=L(x,C). Prova-se isso trivialmente

Prova
Esta prova é deixada a cargo do leitor. Sinta-se livre para melhorar a qualidade deste texto, incluindo-a na versão online deste material.

(2) Condições de Slater: Se as funções gi são convexas e as hi são afim lineares e, além disso, existe x̂C tal que gi(x̂)<0 para todo i, hj(x̂)=0, então para qualquer xC, tem-se T(x,C)=L(x,C).

Prova
Esta prova é deixada a cargo do leitor. Sinta-se livre para melhorar a qualidade deste texto, incluindo-a na versão online deste material.

(3) Condições de Mangasarian-Fromowitz: Se {hj(x)} é linearmente independente e existe d~ tal que hj(x),d~=0 para tpdp j e gi(x),d~<0.

Prova
Esta prova é deixada a cargo do leitor. Sinta-se livre para melhorar a qualidade deste texto, incluindo-a na versão online deste material.
Teorema  (Karush–Kuhn–Tucker)

Suponha que f, gi e hj são funções de classe 𝒞1 em uma vizinhança do ponto x¯ e que T(x¯,C)=L(x¯,C). Se x¯ é um minimizador local de f em C, então existem up e vq tais que:

  1. f(x¯)+i=1puigi(x¯)+j=1qvjhj(x¯)=0
  2. ui0,i=1,,p
  3. uigi(x¯)=0,i=1,,q

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Condições de Karush-Kuhn-Tucker

Note que aqui aparece a lagrangiana, pois a primeira condição é equivalente a:

xl(x,u,v)=0

O essencial para a existência de l(u,v) é que T(x¯,C)=L(x¯,C).

Teorema

Suponha-se que f, gi e hj são funções de classe 𝒞1 em uma vizinhança de x¯, que f e gi são convexas e que hj são afim-lineares. são funções de classe 𝒞1. Se existem up e vq tais que:

  1. f(x¯)+i=1puigi(x¯)+j=1qvihj(x¯)=0
  2. ui0,i=1,,p
  3. uigi(x¯)=0,i=1,,p
  4. gi(x¯)0,i=1,,p
  5. hj(x¯)=0,j=1,,q

A partir deste teorema são construídos alguns algoritmos.


Este módulo tem a seguinte tarefa pendente: Confrontar as informações presentes nestes últimos teoremas com algum livro. Parece estar precisando de pequenas correções.

Considere o seguinte problema:

{minf(x)gi(x)0;i=1,,phj(x)=0;j=1,,q

Sabe-se que l:n×p×q dada por

l(x,u,v)=f(x)+i=1puigi(x)+j=1qvjhj(x).

Agora, tem-se as KKT:

Teorema

Supondo que f,gi e hj são de classe 𝒞1 em uma vizinhança de x¯C e que T(x¯,C)=L(x¯,C), se x¯ é um minimizador local de f em C, então u¯p tal que v¯q de modo que:

  1. xl(x¯,u¯,v¯)=0
  2. u¯0
  3. ul(x¯,u¯,v¯)0
  4. u¯ul(x¯,u¯,v¯)=0
  5. vl(x¯,u¯,v¯)=0

Uma inequação sobre ínfimos e supremos

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Teorema

Sejam Xn e Ym dois subconjuntos arbitrários e considere uma aplicação K:X×Y. Então

supyYinfxXK(x,y)infxXsupyYK(x,y)+


Demonstração
Sabe-se que
K(x,y)supyYK(x,y)+,

quaisquer que sejam xX,yY. Então, calculando o ínfimo em ambos os membros (com relação aos valores de x), e considerando que K(x,y) pode ser ilimitado inferiormente, tem-se para qualquer yY:

infxXK(x,y)infxXsupyYK(x,y)+

Assim, calculando o supremo (com relação aos valores de y), segue das desigualdades anteriores:

supyYinfxXK(x,y)infxXsupyYK(x,y)+
Exercício

Verifique que:

supu0vqinfxnl(x,u,v)infxnsupu0vql(x,u,v)+

Demonstração
Esta demonstração é deixada a cargo do leitor. Sinta-se livre para melhorar a qualidade deste texto, incluindo-a na versão online deste material.

Defina-se a função:

α:n{+}, dada por
α(x)=supu0vql(x,u,v)

e também

β:[0,+)p×q{}, dada por
β(u,v)=infxnl(x,u,v)

Conforme o exercício anterior, tem-se então

supu0vqβ(u,v)infxnα(x)+

Observando a relação entre essas funções, é natural considerar dois problemas de otimização:

(Pr){minα(x)xn

e

(D){maxβ(u,v)u0vq
Comentários
  1. As funções α e β são conhecidas na literatura como funções em dualidade (ou mais frequentemente, funções duais);
  2. O problema (Pr) é conhecido como problema primal, enquanto (D) é chamado de problema dual;
  3. Fazendo α¯=infxnα(x) e β¯=supu0vqβ(u,v), segue-se do exercício anterior que β¯α¯;
  4. A diferença α¯β¯ é chamada de brecha de dualidade, ou salto de dualidade (do inglês, skip duality);


Exercício

Verifique que: α(x)={f(x), se xC+, se x∉C

Resolução
Se xC tem-se que gi(x)0;i=1,,p e hj(x)=0;j=1,,q.

Substituindo na lagrangeana tem-se que l(x,u,v)f(x) e tomando u=0, se vê que o supremo dos valores l(x,u,v) é atingido, tendo f(x) como valor.

Por outro lado, se xC existe um índice j tal que hj(x)0 e/ou gi(x)>0. No primeiro caso, seja u=0 e

vj={thi(x),i=j0,ij, onde t>0.

Com esta escolha, a lagrangiana será

l(x,u,v)=f(x)+t(hj(x))2.

Tomando o limite quando t tem-se que l(x,u,v).

Para o outro caso a prova é análoga.

Exercício

Verifique que (D) consiste de maximizar uma função côncava em um poliedro. Lembre-se:

  1. Uma função f é côncava quando f for convexa.
  2. Um poliedro é qualquer intersecção finita de semiespaços fechados.

Resolução
Primeiro será mostrado que :β:[0,+)p×q{}, dada por β(u,v)=infxnl(x,u,v) é uma função côncava. Para isso, basta mostrar que para cada t[0,1] vale
β(ta+(1t)b,tc+(1t)d)tβ(a,c)+(1t)β(b,d).

Chamando u¯=ta+(1t)b e v¯=tc+(1t)d tem-se:

β(u¯,v¯)=infxnl(x,ta+(1t)b,tc+(1t)d)=infxnf(x)+(ta+(1t)b)g(x)+(tc+(1t)d)h(x)=infxnf(x)+tag(x)+(1t)bg(x)+tch(x)+(1t)dh(x)=infxntf(x)+(1t)f(x)+tag(x)+(1t)bg(x)+tch(x)+(1t)dh(x)=infxnt[f(x)+ag(x)+ch(x)]+(1t)[f(x)+bg(x)+dh(x)]=infxntl(x,a,c)+(1t)l(x,b,d)infxntl(x,a,c)+infxn(1t)l(x,b,d)=tinfxnl(x,a,c)+(1t)infxnl(x,b,d)=tβ(a,c)+(1t)β(b,d).

Quanto ao conjunto ser um poliedro, isso segue do fato de q e u0 serem interseções finitas de semiespaços fechados.


Exemplo numérico: problema primal e seu dual

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Considere o problema

(P){minx21x2
Resolução

O problema é ilustrado na imagem a direita.

Primeiramente, é preciso identificar quais são as funções f,gi e hj envolvidas:

  • A função objetivo é aquela que se pretende minimizar, ou seja, f:;f(x)=x2;
  • Como aparecem apenas restrições de desigualdade, não há qualquer função hj;
  • Reescrevendo as desigualdades como 1x0 e x20, conclúi-se que as funções gi são:
g1:;g1(x)=1x e g2:;g2(x)=x2.

Neste caso, a lagrangiana é:

l:×2, dado por
l(x,u1,u2)=x2+u1(1x)+u2(x2)

Em seguida, é preciso calcular α e β:

α:n{+}, é dada por
α(x)=supu10u20[x2+u1(1x)+u2(x2)]=x2+supu10[u1(1x)]+supu20[u2(x2)]

E, conforme um dos exercícios anteriores (ou através de uma breve análise dos supremos envolvidos na expressão anterior), tem-se:

α(x)={x2, se x[1,2]+, se x∉[1,2]

Analogamente, tem-se:

β:2{}, dada por
β(u1,u2)=infxn[x2+u1(1x)+u2(x2)]

Observe que em relação a x, tem-se uma função fortemente convexa, que portanto possui um único minimizador. Além disso, l é diferenciável, donde o seu único minimizador x0 é dado pela equação:

xl(x0,u1,u2)=0

ou seja,

2x0+u1u2=0

donde

x0=u2u12

Portanto,

β(u1,u2)=(u1u22)2+u1(1u1u22)+u2(u1u222)

Assim, os problemas em dualidade são:

(Pr){minα(x)xn

e

(D){maxβ(u1,u2)u1,u20

Pelo primeiro item do exercício, tem-se que a minimização do problema (Pr) é equivalente à minimização do problema original.

Por outro lado, através da lagrangiana, obtem-se além do problema primal (Pr), um problema dual (D), cuja estrutura é muito melhor que a do original (pois pelo outro exercício, consiste da maximização de uma função côncava β em um poliedro), e que servirá para encontrar o mínimo do problema primal (e consequentemente, do original).

Ponto de sela

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Este é um conceito muito importante relacionado à lagrangiana.

Definição

Dado o problema (P) e a lagrangiana l associada a esse problema, se diz que (x¯,u¯,v¯) é um ponto de sela de l se u¯0 e:

l(x¯,u,v)l(x¯,u¯,v¯)l(x,u¯,v¯),xn,u0,vq.

Teorema

O ponto (x¯,u¯,v¯) é um ponto de sela de l se, e somente se:

  1. x¯ é solução de (Pr);
  2. (u¯,v¯) é solução de (D);
  3. α¯=β¯.

Demonstração
Se (x¯,u¯,v¯) é um ponto de sela de l, então u¯0 e se tem:
l(x¯,u,v)l(x¯,u¯,v¯)l(x,u¯,v¯),xn,u0,vq.

Em particular, como

α(x¯)=supu0vql(x¯,u,v)l(x¯,u¯,v¯).

segue da segunda desigualdade que

α¯α(x¯)l(x¯,u¯,v¯)l(x,u¯,v¯),xn

e calculando o ínfimo sobre todos os x tem-se:

α¯α(x¯)l(x¯,u¯,v¯)infxnl(x,u¯,v¯)=β(u¯,v¯)β¯

Por outro lado, da inequação sobre ínfimos e supremos, tem-se α¯β¯, então α¯=β¯.

Logo, todos os membros das desigualdades acima coincidem, ou seja,

α¯(x¯)=l(x¯,u¯,v¯)=β(u¯,v¯)=β¯

Mas da definição de β¯ tem-se:

β¯=supu0vqβ(u,v).

Portanto, (u¯,v¯) é solução do problema (D) enquanto α¯=infxnα(x) significa que x¯ é solução de (Pr)


Reciprocamente, supondo que x¯ é solução do problema (Pr), tem-se:

α(x¯)=infxnα(x)

e admitindo que (u¯,v¯) é solução do problema (D), segue:

β(u¯,v¯)=supu0vqβ(u,v)

Além disso, usando como hipótese que α¯=β¯, segue da definição que:

l(x¯,u,v)α(x¯)=α¯=β¯=β(u¯,v¯)l(x,u¯,v¯), quaisquer que sejam xn,u0,vq.

Em particular, tomando u=u¯, v=v¯ e x=x¯, resulta:

l(x¯,u¯,v¯)α¯=β¯l(x¯,u¯,v¯), ou seja,

l(x¯,u¯,v¯)=α¯=β¯

Logo, pela definição de α,β tem-se:

l(x¯,u,v)α(x¯)=l(x¯,u¯,v¯)=β(x¯)=l(x,u¯,v¯), quaisquer que sejam xn,u0,vq.

Portanto, (x¯,u¯,v¯) é um ponto de sela da lagrangiana l.


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Ponto de sela

Considere novamente o problema de otimização dado por:

{minx21x2

Verificar se a lagrangiana associada à (P) tem ponto de sela.


Resolução

O problema é ilustrado na imagem a direita, e conforme foi deduzido anteriormente, tem-se:

  • f:;f(x)=x2
  • g1:;g1(x)=1x
  • g2:;g2(x)=x2
  • l:×2;l(x,u1,u2)=x2+u1(1x)+u2(x2)

Além disso, como foi mostrado anteriormente, vale

α(x)={x2, se x[1,2]+, se x∉[1,2]

e também

β(u,v)=(u1u22)2+u1(1u1u22)+u2(u1u222)

ou seja,

β(u,v)=14([u12+u222u1u2]+[4u12u12+2u1u2]+[2u1u22u228u2])=14(u12+u222u1u24u1+8u2)=14((u1u2)24(u1u2))u2=14((u1u2)24(u1u2)+4)+1u2=14(u1u22)2+1u2

Agora, consideram-se os seguintes problemas em dualidade:

(Pr){minα(x)xn

e

(D){maxβ(u1,u2)u1,u20

Donde x¯=1 é solução do problema primal, e α(x¯)=1.

Intuitivamente, nos pontos em que β(u1,u2)=14(u1u22)2+1u2 assumir seu valor máximo, deve-se ter u2=0, pois conforme u2 aumenta, β(u1,u2) decresce.

Mas pela desigualdade a respeito de supremos e ínfimos, tem-se β(u1,u2)α(x¯)=1, quaisquer que sejam u10, u20.

Como β(u1,u2)1, e ao tomar u1=2 e u2=0 tem-se β(2,0)=1, segue-se que (u1¯,u2¯)=(2,0) é uma solução do problema dual (D).

Finalmente, como α¯=α(x¯)=1, e β¯=β(u1¯,u2¯)=1, segue que α¯=β¯. Portanto, pelo teorema anterior, o ponto (x¯,u1¯,u2¯) é ponto de sela da lagrangiana l.


Análise do problema

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Considerando (P), (Pr), (D) e l, se (u¯,v¯) é uma solução do problema dual, considere o seguinte problema:

(Pu¯,v¯){minl(x,u¯,v¯)x

que no caso do exemplo reduz-se a

(Pu¯,v¯){minx2+2(1x)x

A solução deste problema é obtida resolvendo 2x2=0, sendo portanto x=1. Note que esta é a solução do problema primal (Pr) (e consequentemente do problema original (P)).

Será apenas uma coincidência? Ou ainda, em que situações a solução deste último problema será também solução do problema original?

A resposta será dada pelo próximo teorema. Acompanhe.

Teorema  (dualidade lagrangiana convexa)

Suponha-se que f,gi:n são de classe 𝒞1 e convexas, e que as funções hj são afim lineares e T(x,C)=L(x,C),xC. Nestas condições:

  1. Se o problema (P) tem solução, então α¯=β¯ e os problemas (Pr) e (D) têm solução.
  2. Se (P) tem solução, e (u¯,v¯) é solução de (D), então as soluções de (Pr) são as soluções de (Pu¯,v¯), onde
(Pu¯,v¯){minl(x,u¯,v¯)x
que também são as soluções de (P).

Antes da demonstração, vale a pena imaginar a seguinte aplicação da segunda parte do teorema: Se por alguma razão não se sabe resolver o problema original (P), pode-se optar por resolver (D) (um problema concavo em um poliedro), e depois resolver (Pu¯,v¯) (que é um problema convexo sem restrições). Em outras palavras, é possível trocar um problema difícil por dois problemas mais fáceis, (D) e (Pu¯,v¯).

Agora a demonstração do teorema:

Demonstração
(1) Como (P) tem solução, seja x¯ uma solução de (P). Pelo teorema de KKT (que se aplica pois as funções são de classe 𝒞1 e se tem a qualificação das restrições), segue a existência de u¯p e v¯q, tais que:
  1. xl(x¯,u¯,v¯)=0
  2. u¯0
  3. ul(x¯,u¯,v¯)0
  4. u¯ul(x¯,u¯,v¯)=0
  5. vl(x¯,u¯,v¯)=0

Como f,gi são funções convexas e hj afim lineares, então a função lagrangiana l(x,u¯,v¯) é convexa em x (pela forma de l). Isto significa que:

l(x,u¯,v¯)l(x¯,u¯,v¯)+<xl(x¯,u¯,v¯),xx¯>,xn.

Usando (1), conclúi-se uma das duas desigualdades que definem um ponto de sela em (x¯,u¯,v¯):

l(x,u¯,v¯)l(x¯,u¯,v¯).

Considerando que x¯ é solução de (P), tal ponto satisfaz as restrições gi(x)0;i=1,,p e hj(x)=0;j=1,,q. Então, usando l(x¯,u,v)=f(x¯)+i=1puigi(x¯)+j=1qvjhj(x¯), segue que:

l(x¯,u,v)f(x¯)

pois hj(x¯)=0 e ui0.

Mas, por KKT, 0=u¯ul(x¯,u¯,v¯)=i=1pu¯igi(x¯). Além disso, j=1qv¯jhj(x¯)=0.

Logo:

l(x¯,u¯,v¯)=f(x¯)+i=1pu¯igi(x¯)+j=1qv¯jhj(x¯)=f(x¯)

Assim,

l(x,u¯,v¯)l(x¯,u¯,v¯)l(x¯,u,v)

quaisquer que sejam xn, u0 e vq. Mas isso implica, por definição, que (x¯,u¯,v¯) é um ponto de sela de l.

Logo, α¯=β¯, x¯ é solução do problema primal (Pr) e (u¯,v¯) é solução do problema dual (D)

(2)Seja (u¯,v¯) solução de (D) (que existe, pelo item 1). Sabe-se pelo item anterior que o problema primal (Pr) tem solução e que α¯=β¯.

Seja x¯ solução de (Pr). Então, (x¯,u¯,v¯) é ponto de sela de l, logo valem as desigualdades:

l(x¯,u,v)l(x¯,u¯,v¯)l(x,u¯,v¯),xn,u0,vq.

Uma vez que (u¯,v¯) está fixo e a segunda desigualdade vale para qualquer xn, conclui-se que x¯ é solução do problema

(Pu¯,v¯){minl(x,u¯,v¯)x

As soluções deste problema são soluções de (Pr) e, consequentemente, do problema original.

Exercício

Verificar se existe salto de dualidade nos problemas em dualidade para o seguinte problema de minimização:

(P1){minxy2x2+y21x+y1

Exercício

Juntamente com o problema (P1) do exercício anterior, considere o seguinte problema:

(P2){minxy2x0y0x+y1
Os problemas são equivalentes? (no sentido de que têm as mesmas funções objetivo e o mesmo conjunto de restrições) O que acontece com relação às condições de KKT? Apesar de f(x,y)=xy2 não ser convexa, é válido o resultado do teorema? Para que serve KKT? É possível resolver o problema dual e usar a resposta para resolver o primal?

Exercício

Experimente escolher x5 e uma transformação linear, e um poliedro (intersecção finita de semi-espaços). É difícil de resolver o problema primal. Tente resolver o dual, usando os métodos conhecidos.

A seguir será apresentada uma proposição que responde a uma pergunta deixada anteriormente:

Proposição

Considere o problema (P) a lagrangiana l e os problemas em dualidade (Pr) e (D) e (u¯,v¯) soluções de (D). Se x¯ é solução do problema

(Pu¯,v¯){minl(x,u¯,v¯)x,
x¯C (o conjunto dos pontos que satisfazem as restrições) e gi(x¯)u¯i=0,i, então x¯ é também uma solução do problema (P).

Tal proposição fornece um roteiro para quem precisa resolver o problema (P) relativamente difícil:

  1. Primeiramente, resolve-se (D);
  2. Depois, constrói-se o problema (Pu¯,v¯) e encontra-se uma solução x¯ para o mesmo;
  3. Finalmente, se x¯ satisfaz as últimas condições da proposição, ele é também uma solução de (P).
Demonstração
Se (u¯,v¯) é uma solução de (D), β¯=β(u¯,v¯). Então, pela definição de β(u¯,v¯), tem-se:
β¯=supu0vqβ(u,v)

Como x¯ é solução de (Pu¯,v¯), então:

l(x¯,u¯,v¯)l(x,u¯,v¯),xn

ou seja,

l(x¯,u¯,v¯)=minxnl(x,u¯,v¯)=infxnl(x,u¯,v¯)=β¯

Portanto,

l(x¯,u¯,v¯)=β¯=β(u¯,v¯)

Por outro lado, como xC, tem-se gi(x)0;i=1,,p e hj(x)=0;j=1,,q.

Por hipótese, gi(x¯)u¯i=0, então

i=1pu¯igi(x¯)=0=j=1qv¯jhj(x¯)

Logo,

l(x¯,u¯,v¯)=f(x¯)+i=1pu¯igi(x¯)+j=1qv¯jhj(x¯)=f(x¯).

Então para u0 tem-se que uigi(x¯)0,i e vjhj(x¯)=0,j. Consequentemente,

l(x¯,u,v)=f(x¯)+i=1puigi(x¯)+j=1qvjhj(x¯)f(x¯)

quaisquer que sejam u0,vq, ou seja,

l(x¯,u,v)=f(x¯)=l(x¯,u¯,v¯)l(x,u¯,v¯),

quaisquer que sejam u0,vq.

Portanto, (x¯,u¯,v¯) é ponto de sela de l, e assim, x¯ é solução primal (solução de (Pr)), e em consequência, solução de (P).


Resumo do esquema de dualidade

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Neste ponto, pode-se sintetizar a estratégia geral para a resolução de problemas de otimização utilizando esquemas de dualidade.

Considere o problema

{minf(x)gi(x)0;i=1,,phj(x)=0;j=1,,q

onde f,gi,hj:n são funções de classe 𝒞1(n), e seja a lagrangiana l:n×p×q definido por

l(x,u,v)=f(x)+i=1puigi(x)+j=1qvjhj(x).

Convenciona-se que:

  • x é a variável primal;
  • (u,v) é a variável dual;

Nesse sentido, "o p×q é o dual de n" (não confundir com o significado que essa expressão teria na análise funcional. Ver nota sobre a terminologia), ou seja:

  • n é onde "mora" a variável primal x;
  • p×q é onde "mora" a variável dual (u,v);

Definem-se então as funções α e β da seguinte maneira:

α:n{+}, dada por
α(x)=supu0vql(x,u,v)

e

β:p×q{}, dada por
β(u,v)=infxnl(x,u,v)

A partir destas duas funções, formulam-se os seguintes problemas duais:

(Pr){minα(x)xn

e

(D){maxβ(u,v)u0vq

É possível verificar que (Pr) equivale ao problema original (P) e que (D) consiste da maximização de uma função côncava em um poliedro (convexo).

Logo, o dual de (P) é (D).

Conclusões

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Dado qualquer problema (P), seu dual (D) é um problema côncavo (isto é, a função objetivo é côncava), tal que os pontos satisfazendo o conjunto de restrições formam um poliedro convexo.

Apesar da controvérsia filosófica existente acerca do nome destes conceitos (coisa que poderia muito bem vir a ser alterada no futuro), a moral da história é que "transforma-se um problema geralmente difícil (sem estrutura) em um problema mais fácil (cheio de estrutura)".

Uma nota sobre a terminologia

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Na subárea da matemática denominada Análise Funcional, quando se tem um espaço topológico X, costuma-se chamar de dual topológico ao conjunto X={t:X;t é linear e continua}.

Aparentemente, os conceitos de dual da otimização e da análise funcional não tem relação um com o outro.

Um dos primeiros a falar de dualidade (espaços duais) foi o francês Fenchel, mas foi fortemente criticado por Urruty e Lemaréchal, pois os dois conceitos de dualidade não estão relacionados. Também o francês Brezis concordou que há um problema a ser resolvido com a nomenclatura, e um dos conceitos deveria deixar de ser chamado assim.

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Análise funcional

Aplicações dos métodos duais

Aplicação à programação linear

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Considere um problema típico da programação linear como:

{minax+byMx+NycPx+Qy=dx0;yn

onde são dados an, bm, Mp×n, Np×m, Pq×n, Qq×m, dp e cq. Por simplicidade, pode-se ainda adotar a seguinte notação:

C={[xy];Mx+Nyc,Px+Qy=d,x0 e yn}

Nesta seção será mostrado como a "bonita teoria dos métodos duais" se aplica a esse tipo de problema.

Primeiramente, calcula-se a lagrangiana:

l(x,y,u,v,w)=[ax+by]+u[cMxNy]+v[dPxQy]+w[x]=[aMuPvw]x+[bNuQv]y+[cu+dv]

Note que:

  • As variáveis primais são x e y;
  • As variáveis duais são u, v e w;

Agora é preciso identificar as funções α e β correspondentes a este problema. Conforme anteriormente, tem-se:

α:n{+}, dada por
α(x)=supu0vqw0l(x,y,u,v,w)={ax+by, se [xy]C+, em outros casos

e

β:p×q{}, dada por
β(u,v)=infxnyml(x,y,u,v,w)=infxnym[aMuPvw]x+[bNuQv]y+[cu+dv]=[cu+dv]+infxn[aMuPvw]x+infym[bNuQv]y={cu+dv, se {aMuPvw=0bNuQv=0u0;w0, em outros casos

Logo, considerando que aMuPv=w0, o problema dual consiste no seguinte:

{maxcu+dvMu+PvaNu+Qv=bu0
Exercício

Verificar que x¯ é uma solução de

(P){minf(x)xC
se, e somente se, x¯ é uma solução de
(P¯){max(f(x))xC

Resolução
Seja x¯ uma solução de (P). Então, por definição, tem-se para todo xC que
f(x¯)f(x)

mas isto equivale a

f(x)f(x¯),

ou seja, x¯ é uma solução de (P¯).

Exercício

Verificar que:

infxCf(x)=supxC[f(x)]

Resolução
A resolução deste exercício é deixada a cargo do leitor. Sinta-se livre para melhorar a qualidade deste texto, incluindo-a na versão online deste material.

Exemplificando com um problema de programação linear

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O seguinte problema é chamado de problema standard (padrão) de programação linear:

(PL){mincxAx=bx0

onde são dados Am×n, bm e cn.

Calculando o dual de (PL)

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Primeiramente,

l(x,u,v)=cx+u(x)+v(bAx)

A função α não precisa ser calculada, pois já se mostrou que

α(x)={f(x), se xC+, se x∉C

Por outro lado, quanto à função β tem-se:

β(u,v)=infxnl(x,u,v)
β(u,v)=infxnl(x,u,v)=infxn[cxux+v(bAx)]=bv+infxn[cuAv]x={bv, se cuAv=0, em outros casos

Logo, o problema dual é:

(D){maxbvcuAv=0u0;vm

ou ainda

(D){maxbvAvcvm

Calculando o dual do dual de (PL)

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Considere o seguinte problema:

(D){maxbvAvcvm

que, conforme já foi mostrado em um exercício anteriormente, equivale a

(D){minbvAvcvm

A lagrangiana é dado por:

l(v,y)=bv+y(Avc)

Logo,

β(y)=infvml(v,y)=infvm[bv+y(Avc)]=cy+infvm[(Ayb)v]={cy, se Ayb=0, em outros casos

Logo, o dual de (D) é:

(DD){maxβ(y)y0,

ou seja,

(DD){maxcyAy=by0

que equivale a

(P){mincxAx=bx0

Um exemplo numérico contextualizado

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Considere a seguinte situação:

Um empresário que produz cerveja dispões de 240 kg de milho, 5 kg de lúpulo e 596 kg de Malta. Para produzir um barril de cerveja preta requer 2,5 kg de milho, 0,125 kg de lúpulo e 17,5 kg de malta. Enquanto que para produzir um barril de cerveja branca, se precisa de 7,5 kg de milho, 0,125 kg de lúpulo e 10 kg de malta. Por barril de cerveja branca vendido, o empresário recebe 130 reais, enquanto por um barril de cerveja preta, recebe 230 reais. Achar o modelo matemático para otimizar o ganho do empresário.
Resolução
Primeiramente, é preciso identificar quais são as variáveis do problema, e quais são os dados. Pode-se adotar a seguinte notação para as quantidades dos dois tipos de cerveja:
  • p: Indica a quantidade (em litros) de cerveja preta;
  • b: Indica a quantidade (em litros) de cerveja branca;

O ganho do empresário, que é o que se pretende maximizar, pode ser obtido pela fórmula:

g(p,b)=230p+130b

Por hora, considere que são aceitáveis os valores de p e b serem reais (não apenas inteiros positivos, mas também "números quebrados" como 3,5, 7,11, etc).

Como o estoque de cada ingrediente é limitado, tem-se restrições que devem ser consideradas. Matematicamente tais restrições podem ser expressas assim:

{2,5p+7,5b2400,125p+0,125b517,5p+10b595p0b0

Pode-se simplificar a escrita das restrições e também da função objetivo utilizando a seguinte notação:

A=[2,57,50,1250,12517,510],x=[pb],b=[2405595]ec=[230130]

Nesses termos, o problema de otimização a ser resolvido é:

{maxcxAxbx0

ou apenas,

{maxcxxC

onde C é o conjunto definido pelo conjunto de restrições:

C={(p,b);Axb e x0}

Tal problema tem solução pois a função objetivo g(p,b) é linear (contínua) e o conjunto de restrições forma um conjunto compacto.

Para este problema, a lagrangiana é dado por

l(x,u1,u2)=cx+u1(Axb)+u2(x)

Donde

β(u1,u2)=infx2l(x,u1,u2)=infx2[cx+u1(Axb)+u2(x)]=bu1+infx2[(Au1cu2)x]={bu1, se Au1cu2=0, em outros casos

Então, o problema dual é dado por

(D){maxbu1Au10u10

que é equivalente a

(D){minbu1Au10u10

ou, escrevendo novamente em termos dos valores numéricos,

(D){min240u1+5u2+595u37,5u1+0,125u2+10u31302,5u1+0,125u2+17,5u3230u10;u20


Na década de 30, 40 e 50 havia diversos livros que tratavam cada problema de programação linear individualmente, deduzindo vez após vez os seus duais, e disso extraindo certas "regras" que eram então sugeridas ao leitor na forma "se o problema for desse tipo, use tal regra, se for daquele tipo, use esta outra, e se for deste outro tipo, use esta regra". Um dos primeiros autores que começou a trabalhar os problemas sob um novo ponto de vista, mais generalizado, foi Werner Oettio (grafia?) . Seguindo-se por George Dantzig (conhecido como inventor do método simplex), Eugen Blumb (grafia?) e Jean-Pierre Crouzeix.

Este módulo tem a seguinte tarefa pendente: Identificar e corrigir a grafia correta dos nomes dos pesquisadores mostrados acima; Encontrar fontes para comprovar a informação deste parágrafo.

Aplicação à programação quadrática

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Agora, o problema a considerar passa a ser

{min12xQx+qx+αxC

onde C é um poliedro (interseção finita de semi-espaços), qn, α e Qn×n é uma matriz simétrica positiva definida.

Note que este problema tem solução, uma vez que o problema irrestrito correspondente tem solução (já que Q é uma matriz simétrica positiva definida, a função é limitada inferiormente, e como C é fechado, a função objetivo assume seu valor mínimo em C, por Wolfe).

Mesmo para n=5, os problemas de programação linear já são difíceis de resolver "à mão". É preciso utilizar alguma técnica mais sofisticada.

Para dar continuidade ao exemplo, considere que o poliedro C é dado por

C={xn;x0 e Ax=b}

com Am×n e bm.

Agora será aplicado o esquema de dualidade. A lagrangiana é

l:n×n×m
l(x,u,v)=12xQx+qx+α+u(bAx)+v(x)

além disso,

β:n×m{}
β(u,v)=infxnl(x,u,v)=minxnl(x,u,v)

e a última igualdade vale pois a função é fortemente convexa.

β(u,v)=infxnl(x,u,v)=minxnl(x,u,v)=minxn[12xQx+qx+α+u(bAx)+v(x)]=minxn[12xQx+(qvAu)x+ub+α]

Considerando xl(x¯,u,v)=Qx¯+qvAu=0, se deduz que

x¯=Q1(Au+vq).

Logo,

β(u,v)=12[Q1(Au+vq)]Q[Q1(Au+vq)]+(qvAu)[Q1(Au+vq)]+ub+α=12(Au+vq)Q1(Au+vq)(Au+vq)Q1(Au+vq)+ub+α=12(Au+vq)Q1(Au+vq)+ub+α

Observe que, sendo os autovalores de Q positivos, o mesmo vale obrigatoriamente para Q1. Assim, como a expressão de β envolve (Q1), tal função é fortemente côncava (conforme já era esperado para tal função).

Baseado nestas deduções, o problema dual é

(D){max12(Au+vq)Q1(Au+vq)+ub+αu0;vm

ou seja,

(D){min12(Au+vq)Q1(Au+vq)(ub+α)u0;vm

Usualmente este tipo de problema (D) é resolvido por meio do método do gradiente projetado.

Revisão do método do gradiente projetado

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O método baseia-se na seguinte proposição:

Proposição

Seja f uma função convexa em C, um conjunto convexo e fechado. Se o ponto x¯C é tal que x¯=PC(x¯αf(x¯)), então f(x¯)f(x),xC.

Prova
Esta prova é deixada a cargo do leitor. Sinta-se livre para melhorar a qualidade deste texto, incluindo-a na versão online deste material.

Um algoritmo para o método do gradiente projetado

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Este algoritmo é bastante simples.

Primeiro passo:
  Escolha x0n e fixe α>0.  
Passo iterativo k: Enquanto xkPC(xkαf(xk))
  xk+1=PC(xkαf(xk))

Agora, é interessante observar como se faz para projetar um ponto em C=[0,+)n×m.

Exercício

Dado C=[0,+)n×m, mostre que

PC([xy])=[max{x,0}0]

Resolução
A resolução deste exercício é deixada a cargo do leitor. Sinta-se livre para melhorar a qualidade deste texto, incluindo-a na versão online deste material.

Exemplificando a projeção

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Seja u=[1122334455]. Então a projeção de u sobre C=[0,+)6×4 é :

PC([1122334455])=[1020304455]

Devido a essa simplicidade ao se fazer a projeção de um ponto, o método do gradiente projetado é muito eficiente para resolver o problema (D).

Exemplo concreto

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Seja C={(x,y);x+y=1,x0,y0}.

Este módulo tem a seguinte tarefa pendente: Incluir uma ilustração deste conjunto.

Como calcular a projeção do ponto (1,2) sobre o conjunto C, PC(1,2)?

Resolução
Seja P¯ a projeção de (1,2) sobre C. Então:
P¯(1,2)2(x,y)(1,2)2,(x,y)C

Então:

12P¯(1,2)2=min(x,y)C12(x,y)(1,2)2,(x,y)C

Nota: O leitor deve observar que a inclusão de 12 é válida, e foi feita apenas para simplificar as contas.

Logo o modelo matemático para resolver este problema é

(P){min12[(x1)2+(y2)2]x0;y0x+y=1

A lagrangiana é dada por

l(x,y,u,v,w)=12[(x1)2+(y2)2]uxvy+w(1xy)

Logo,

β(u,v,w)=infxyl(x,y,u,v,w)=infxy[12[(x1)2+(y2)2]uxvy+w(1xy)]=infxy[12[(x1)2+(y2)2](u+w)x(v+w)y+w]

Fazendo (x,y)l(x¯,y¯,u,v,w)=0 tem-se:

[x¯1(u+w)y¯2(v+w)]=[00]

Donde

[x¯y¯]=[u+w+1v+w+2]

Logo,

β(u,v,w)=12[((u+w+1)1)2+((v+w+2)2)2](u+w)(u+w+1)(v+w)(v+w+2)+w=12[(u+w)2+(v+w)2](u+w)(u+w+1)(v+w)(v+w+2)+w=12[(u+w)2+(v+w)2](u+w)2(v+w)+w=12[(u+w)2+(v+w)2]u2v2w

Logo, o problema dual é

(D){maxβ(u,v,w)u0;v0;wm

ou seja,

(D){min12[(u+w)2+(v+w)2]+u+2(v+w)u0;v0;wm

Agora, para a resolução deste problema dual, pode-se usar o método do gradiente projetado.

Para isso, note que o gradiente de β é:

β(u,v,w)=[u+w+1v+w+2u+v+2w+2]
Passo 0

Seja α=12 e escolha x0=[u0v0w0]=[000].

Passo 1

x1=[u1v1w1]=P[0,+)2×([000]12[122])=P[0,+)2×([1/211])=[001]

Passo 2

x2=[u2v2w2]=P[0,+)2×([001]12[010])=P[0,+)2×([01/21])=[001]=[u1v1w1]

Logo, a solução dual é

[u¯v¯w¯]=[001]

Agora, substituindo tal solução na lagrangiana, obtem-se o problema:

(Pu¯,v¯,w¯){min12[(x1)2+(y2)2+x+y1]x;y

que é um problema quadrático sem restrições. Neste caso, basta igualar o gradiente a zero para determinar uma solução: [00]=(x,y)l(x¯,y¯,u¯,v¯,w¯)=[(x¯1)+1(y¯2)+1]=[x¯y¯1]

Donde x¯=0 e y¯=1. De acordo com a teoria desenvolvida, a solução [01] do problema é também solução do problema original, pois o produto é igual a zero (ver condições da proposição).

Exercícios resolvidos

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Exercício

Encontrar a solução do seguinte problema de programação linear:

{mincxAx=bx0
sendo
c=[25211]
A=[1211011001]
b=[11]

Resolução
Primeiramente observe que x5, então não é possível obter uma interpretação geométrica do problema. Será usado o esquema de dualidade lagrangiana:
Identificar a lagrangiana l
l:5×5×2
l(x,u,v)=cxux+v(bAx)
Identificar a função β
β:5×5{}
β(u,v)=infx5l(x,u,v)=infx5[cxux+v(bAx)]=infx5bv+(cuAv)x={bv, se cuAv=0, em outros casos
Identificar o problema dual (D)
(D){maxβ(u,v)u0;v2

que equivale a

(D){maxbvcuAv=0u0

ou simplesmente

(D){maxbvAvc

Agora, se tem um problema em 2, e portanto, pode-se ter uma interpretação geométrica para o mesmo:

Este módulo tem a seguinte tarefa pendente: Incluir ilustração do conjunto dos pontos que verificam as restrições do problema dual, bem como algumas curvas de nível da função objetivo (as mais relevantes).

As inequações que definem o conjunto viável são:

{v1+v222v1+v25v12v11v21

Tal conjunto é um pentágono (irregular, mas convexo), logo o valor máximo de bv é assumido quando v=[v1v2] for um dos cinco vértices. Através de simples verificação, comprova-se que o ponto de máximo é v=[13]. Conforme a teoria, este ponto é uma solução do problema dual (D).

Como (D) é um problema diferenciável e convexo (as condições de KKT são necessárias e suficientes), o dual terá solução e as duas juntas compõe um ponto de sela de l.

Considere as condições de KKT:

  1. xl(x¯,u¯,v¯)=cIu¯Av¯=0
  2. u¯0
  3. ul(x¯,u¯,v¯)=x¯0, ou seja, x¯0
  4. u¯ul(x¯,u¯,v¯)=u¯(x¯)=0, ou seja, x¯u¯=0
  5. vl(x¯,u¯,v¯)=bAx¯=0, ou seja, Ax¯=b

Note que, a partir de 2 e 3, conclui-se que 4 só é possível quando x¯iu¯i=0,i.

Para se obter u¯, basta lembrar que em (D) se tem:

cu¯Av¯=0 (comprovando 1)

Logo, u¯=cAv¯=[25211][1121101001][13]=[25211][25113]=[00124]0

comprovando a propriedade (2).

Como valem as propriedades (3) e (5), tem-se:

0=x1u1+x2u2+x3u3+x4u4+x5u5=x3+2x4+4x5

Donde x3=x4=x5=0. Resta usar a informação da propriedade (4) para obter x1 e x2. O sistema Ax¯=b pode ser escrito como:

{x1+2x2=1x1+x2=1+3x2=2

Logo, x2=23 e x1=13.

Se x¯, u¯ e v¯ satisfazem todas as propriedades, então x¯=[1323000] é solução do problema (P), pois todas as condições de KKT são necessárias e suficientes.

Ao resolver o problema (P), poderia ter sido escolhido Axb em vez de bAx. Será que isso influenciaria o resultado final?

Acompanhe como ficaria a resolução desta maneira:

Resolução
;Identificar a lagrangiana l
l:5×5×2
l(x,u,v)=cxux+v(Axb)
Identificar a função β
β:5×5{}
β(u,v)=infx5l(x,u,v)=infx5[cxux+v(Axb)]=infx5bv+(cu+Av)x={bv, se cu+Av=0, em outros casos
Identificar o problema dual (D)
(D){maxβ(u,v)u0;v2

que equivale a

(D){maxbvcu+Av=0u0

ou simplesmente

(D){minbvAvc

Novamente, chega-se até um problema em 2, que pode ser interpretado de forma geométrica.

Este módulo tem a seguinte tarefa pendente: Incluir ilustração do conjunto dos pontos que verificam as restrições deste problema dual, bem como algumas curvas de nível da função objetivo (as mais relevantes).

As inequações que definem o conjunto viável são:

{v1v222v1v25v12v11v21

Este conjunto também é um pentágono, de modo que o valor mínimo de bv é assumido quando v=[v1v2] for um dos cinco vértices. Através de simples verificação, comprova-se que o ponto de mínimo, ou seja uma solução do problema dual (D), é v=[13].

Nas condições de KKT, a única mudança é na propriedade (1), que se torna:

cu¯+Av¯=0

Resta ainda saber quem é u¯ e quem é x¯:

u¯=c+Av¯=[25211]+[1121101001][13]=[25211]+[25113]=[00124]0

como antes.

Como ao obter u¯ e v¯ chegou-se ao mesmo resultado de antes, o ponto x¯ continuará sendo o mesmo.

Exercício

Formule como um problema de minimização com restrições o problema de projetar ortogonalmente o ponto (5,2) sobre o conjunto C={(x,y):x0,y0}. Depois, calcule explicitamente a função lagrangiana e o problema dual.

Resolução
Matematicamente resolver esse problema é resolver

{min12[(x+5)2+(y2)2]x0 y0

Definimos a lagrangeana como l(x,y,u,v)=12[(x+5)2+(y2)2]+u(x)+v(y)

β(u,v)=infxyl(x,y,u,v)

β(u,v)=infxy[12[(x+5)2+(y2)2]uxvy]

Como a função é quadrática , podemos calcular o gradiente e igualar a zero:

x,yl(x,y,u,v)=[x¯+5uy¯2v] =[00]

Donde, x¯=u5 e y¯=v+2

Substituindo na função β temos:

β(u,v)=12[(u5+5)2+(v+22)2]u(u5)v(v+2)

β(u,v)=12[u2+v2]u2+5uv22v)

β(u,v)=[12(u2+v2)5u+2v)]

O problema dual fica então:

{max[12(u2+v2)5u+2v]u0 v0

Que é equivalente a:

{min 12(u2+v2)5u+2vu0 v0


Exercício

No exercício anterior, se u é a variável dual relacionada a variável primal x e v é a variável dual relacionada a variável primal y, então verifique se (u,v)=(10,0) é solução dual e se a lagrangiana tem pontos de sela. Em caso afirmativo, calcule um ponto de sela, caso contrário, argumente porque a lagrangiana não tem pontos de sela.

Resolução
Olhando o problema

{min 12(u2+v2)5u+2vu0 v0

observamos que é um problema com restrições.

Podemos usar as equações de KKT para resolve-lo.

Definimos a lagrangeana como

L(u,v,a,b)=12(u2+v2)5u+2vaubv

Agora usando o teorema de KKT devemos ter:

  1. u,vL(u,v,a,b)=0
  2. u0
  3. v0
  4. a0
  5. b0
  6. au=0
  7. bv=0

Calculando o gradiente temos

u,vL(u,v,a,b)=[u¯5av¯+2b] =[00]

E portanto u¯=a+5 e v¯=b2.

Olhando nas equações acima obtemos u¯=5 , v¯=0, b=2 e a=0.

Portanto (5,0) é a solução dual.

Voltando na lagrangiana do problema original e substituindo os multiplicadores de Lagrange obtemos um problema sem restrições:

{min 12[(x+5)2+(y2)2]+5(x)x,y

Calculando o gradiente temos:

l(x,y,5,0)=[x¯+55y¯2] =[00]

Portanto (0,2) é a solução primal.

Logo (0,2,5,0) é um candidato a ponto de sela.

Para verificar que ele é ponto de sela, basta ver se não há salto de dualidade. Mas isso não ocorre já que o valor ótimo do primal é 252 e o valor ótimo do dual também é 252.

Método da lagrangiana aumentada


O problema a ser resolvido é:

{minf(x)hj(x)=0;j=1,,q

Sabe-se que se for aplicado o método da lagrangiana, será considerada a função:

l:n×q dada por
l(x,v)=f(x)+j=1qvjhj(x).

e também

β:q{}, dada por
β(v)=infxnl(x,v)

A grande dificuldade seria saber quando o valor de β é finito. Uma idéia seria modificar um pouco a lagrangiana (aumentando-a, com um termo extra), da seguinte maneira:

l(x,v)=f(x)+j=1qvjhj(x)+rj=1q(hj(x))2

Com isso, seria necessário garantir que a idéia de fato resolve o problema. Por este motivo, é preciso desenvolver alguns resultados teóricos. Para fazer a análise deste método, um primeiro resultado importante é o seguinte:

Lema  (Finsler-Debreu)

Seja An×n uma matriz simétrica e Bp×n. As seguintes afirmações são equivalentes:

  1. Se Bx=0, com x0, então Ax,x>0;
  2. Existe r>0 tal que a matriz A+rBB é definida positiva;
  3. Existe s>0 tal que a matriz A+rBB é definida positiva para todo r>s.

Demonstração
Primeiramente, será mostrado que a afirmação (2) é equivalente à afirmação (3).

Obviamente, (3) implica em (2).

Por outro lado, supondo que se tem (2), existe algum s>0, tal que a matriz A+sBB é definida positiva. Logo, para concluir a outra implicação, basta notar que para qualquer x0 vale:

(A+rBB)x,x=Ax,x+rBBx,x=Ax,x+rBx,Bx=Ax,x+rBx2>Ax,x+sBx2,r>s=(A+sBB)x,x>0

Assim, (2) também implica (3).

Agora, será mostrado que de (2) se conclui (1). De fato, se Bx=0, para algum x0, então:

Ax,x=Ax,x+rBx2=(A+rBB)x,x>0

Finalmente, será garantido que se vale (1) então vale (3) (ver também página 25, de Izmailov & Solodov (2007)). Isso será mostrado por contradição, ou seja, supondo que vale (1) e que mesmo assim, não seja válido (3). Se disso seguir uma contradição, a implicação desejada é verdadeira.

Supondo que para todo x0 tal que Bx=0, tem-se Ax,x>0, e que fosse falsa a afirmação (3), existiria para cada s>0 algum r>s e algum x0 de modo que

Ax,x+rBx20

Neste caso, dividindo por x2, e denotando u=xx, segue que para cada k, existe algum rk>k e algum ukn, com uk=1, tais que

Auk,uk+rkBuk20

Como todos os uk estão na esfera unitária, que é compacta, a sequência {uk} tem algum ponto de acumulação, por exemplo u¯. Passando o limite em k, e considerando apenas a subsequência de {uk} que converge para u¯, tem-se

  • rk+ (pois rk>k)
  • Auk,ukAu¯,u¯ e
  • Buk2Bu¯20

Neste caso,

limk+Auk,uk+rkBuk20

só é possível se Bu¯2=0, ou seja, se Bu¯=0. Logo,

Au¯,u¯0

contradizendo a hipótese (1).


Exercício

Prove a seguinte variante do lema anterior:

Seja An×n uma matriz simétrica e semi-definida positiva, e Bp×n. As seguintes afirmações são equivalentes:
  1. Se Bx=0, com x0, então Ax,x>0;
  2. Existe r>0 tal que a matriz A+rBB é definida positiva;
  3. Para todo r>0, a matriz A+rBB é definida positiva.

A partir de agora, o problema será:

{minf(x)hj(x)=0;j=1,,q

onde se supõe que f,hi:n são funções de classe 𝒞2(n) e que para todo λ, o conjunto {xn;f(x)λ} é compacto (em inglês costuma-se usar a expressão inf-compact para descrever tais funções).

Sabe-se que a lagrangiana associada ao problema (P) é:

l:n×q dada por
l(x,v)=f(x)+j=1qvjhj(x).

e ainda, em uma notação mais sintética, considerando a função H dada por:

H:nq definida por
H(x)=[h1(x)hq(x)]

tem-se a lagrangiana expressa da seguinte maneira:

l(x,v)=f(x)+H(x)v

Para o método da lagrangiana aumentada serão assumidas as seguintes hipóteses:

  1. Se x¯ é solução, então existe u¯q tal que xl(x¯,u¯)=0;
  2. Para todo d0, o jacobiano de H satizfaz:
JH(x)d=0dHx2l(x¯,u¯)d>0

Note que a segunda hipótese tem exatamente a mesma forma de uma das condições que aparece no lema de Finsler-Debreu.

Definição

Dado ρ>0, se define a lagrangiana aumentada para o problema (P) como:

lρ:n×q dada por
lρ(x,v)=f(x)+H(x)v+ρ2H(x)H(x)=l(x,v)+ρ2H(x)H(x)

Observe que é justamente a aparição do termo ρ2H(x)H(x) sendo somado à lagrangiana que justifica o nome lagrangiana aumentada.

Esse conceito possui algumas interpretações:

Exercício

Verifique que a lagrangiana aumentada lρ é justamente a lagrangiana do problema (P) penalizado, ou seja, de

{minf(x)+ρ2H(x)H(x)H(x)=0

Demonstração
Basta notar que dentro do conjunto viável as funções objetivos são iguais.
Exercício

Verifique que a função dual βρ (o ínfimo da lagrangiana aumentada em relação à primeira componente), dada por

βρ:q{}, com
βρ(v)=infxnlρ(x,v)
para 0<ρ<δ satisfaz
βρ(v)βδ(v)f(x¯)
onde x¯ é solução de (P)

Demonstração
βρ(v)=infxnlρ(x,v)=infxn[f(x)+H(x)v+ρ2H(x)H(x)]infxn[f(x)+H(x)v+δ2H(x)H(x)]=infxnlδ(x,v)=βδ(v)

E a segunda desigualdade

βδ(v)=infxnlδ(x,v)lδ(x¯,v)=f(x¯).


Exercício

Verifique que {xn;lρ(x,v)λ} é compacto, qualquer que seja λ e vq.

Resolução
A resolução deste exercício é deixada a cargo do leitor. Sinta-se livre para melhorar a qualidade deste texto, incluindo-a na versão online deste material.
Proposição

Se x¯ é solução de (P), então existe algum ρ0>0, algum δ0>0 e alguma vizinhança X0 de x¯ tais que lρ0(,v¯) é fortemente convexa com parâmetro δ0.

Demonstração
Conforme o lema de Finsler-Debreu, a hipótese (2), segundo a qual para todo d0, o jacobiano de H satizfaz:
JH(x)d=0dHx2l(x¯,u¯)d>0

equivale a dizer que existe algum ρ0>0 tal que xl(x¯,v¯)+ρ0(JH(x))(JH(x)) é definida positiva.

Mas a Hessiana de lρ0 é dada por x2lρ0(x¯,v¯)=x2l(x¯,v¯)+(JH(x))(JH(x)). Logo, a hipótese equivale a dizer que x2lρ0(x¯,v¯) é definida positiva.

Considere agora a função δ:n×n definida por

δ(d,x)=dx2lρ(x,u¯)d

Logo, para qualquer d0, tomando x=x¯, tem-se

δ(d,x)=δ(d,x¯)=dx2lρ(x¯,u¯)d>0

Pela continuidade da função δ, existe uma vizinhança X0 de x¯ tal que δ(d,x)>0 para todo ponto xX0, e qualquer que seja d0. Além disso, tal vizinhança pode ser tomada aberta, convexa e suficientemente pequena para que δ(d,x)ϵ>0.

Assim, tomando o ínfimo, pode-se definir δ0 como

δ0=infxX0d=1δ(d,x)

Então

δ(dd,x)=(dd)x2lρ0(x,u¯)(dd)δ0

quaisquer que sejam d0 e xX0.

Portanto,

d[x2lρ0(x,u¯)]dδ0d2

ou seja, os auto-valores de x2lρ0(x,u¯) são todos positivos.

Para concluir que lρ0(,u¯) é fortemente convexa, basta recordar-se de dois fatos:

  1. Uma função f de classe 𝒞2 é convexa se, e somente se, 2f é semidefinida positiva;
  2. Uma função f é fortemente convexa se, e somente se, existe uma constante α>0 tal que f(x)α2x2 é convexa, ou seja, d2f(x)dαx20.

Com isso, lρ0(,u¯) é fortemente convexa pois

d[x2lρ0(x,u¯)]dδ0d20

Isso significa que há um único mínimo local para tal função, e que consequentemente ele é um mínimo global. Das hipóteses 1 e 2 colocadas no início da discussão sobre a lagrangiana aumentada, segue que lρ0 é fortemente convexa em X0.

Com essas condições, mostrou-se que em um ponto que seja solução, a lagrangiana aumentada é fortemente convexa.

Antes de apresentar o algoritmo, será fixada mais uma notação:

(Pρ,u){minlρ(x,u)xn

Algoritmo da lagrangiana aumentada

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Dados ρ>0 e ϵ(0,ρ).

Início: Tome u0q e k=0.

Iteração: Calcule xk, solução de (Pρ,uk).
     Se H(xk)=0, pare: x¯=xk.
     Senão, faça
           uk+1=uk+ϵH(xk)
           k=k+1


Este é um dos algoritmos mais usados e mais eficientes para problemas de programação não linear. A garantia de convergência segue dos próximos teoremas.

Teorema

Sejam ρ0, δ0 e X0 como na proposição anterior. Se U é uma vizinhança de u¯, existe algum ρU>ρ0 tal que:

  1. X(ρ,u)X0,uU
  2. X(ρ,u¯)={x¯} e βρ(u¯)=f(x¯)

Observações:

  • X(ρ,u) denota as soluções do problema;
  • A igualdade βρ(u¯)=f(x¯) significa que não há salto de dualidade.
  • Já foi mostrado que a função é fortemente convexa em uma vizinhança. Logo, os minimizadores devem estar em tal vizinhança.
  • A prova é um pouco técnica, e usa as condições de KKT, mostrando que o cone linearizado é igual ao cone tangente.
Prova
Esta prova é deixada a cargo do leitor. Sinta-se livre para melhorar a qualidade deste texto, incluindo-a na versão online deste material.

O segundo teorema é:

Teorema

Se ρ é suficientemente grande e δ suficientemente pequeno, então:

  1. xkx¯
  2. lρ(xk,uk)f(x¯)
  3. {uk} é limitada

Observações:

  • A propriedade 2 praticamente segue do fato de não haver salto de dualidade.
Justificativa
Fica a cargo do leitor justificar este fato. Sinta-se livre para melhorar a qualidade deste texto, incluindo a justificativa na versão online deste material.

Com esses resultados, tem-se a garantia de que o algoritmo realmente converge para uma solução, desde que os parâmetros sejam tomados adequadamente. A questão que ainda permanece é como identificar os valores adequados de ρ e de δ para que tal convergência ocorra.

Exercício

Argumente porque as hipóteses 1, 2 e 3 garantem que a iteração do algoritmo da Lagrangiana aumentada para problemas de minimização com restrições de igualdade tem uma única solução, sendo:

  1. Todas as funções são de classe 𝒞2 e a função objetivo tem todos os seus subníveis compactos.
  2. Se x¯ é solução do problema, então existe u¯ tal que o gradiente da Lagrangiana não aumentada com respeito a variável primal se anula em (x¯,u¯).
  3. A hessiana da Lagrangiana não aumentada com respeito a variável primal é definida positiva sob a variedade ortogonal de todos os gradientes no ponto x¯ das restrições.

Estilo


Nesta página estarão indicadas as convenções adotadas neste wikilivro sobre otimização, no que diz respeito a sua formatação. Recomenda-se a leitura do mesmo, por todos que pretendem contribuir com a melhoria desde texto.

Definições

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Definição

As definições aparecem em caixas com essa aparência.

Observações
  • Geralmente um termo importante aparece pela primeira vez em uma definição.
  • Devido à sua importância, é bom destacar a definição do restante do texto.
  • No momento, a forma de destacar uma definição neste wikilivro é a inclusão de bordas duplas em torno do texto da definição, como no exemplo acima. Para facilitar essa tarefa, utiliza-se a predefinição {{Definição}}.
  • O conceito que está sendo definido costuma ser colocado em negrito, sendo que o texto da explicação tem sido alinhado a esquerda.

Propriedades

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Teorema

Sempre que uma propriedade importante dos objetos tratados no texto precisa ser destacada, isto deve ser feito em uma caixa como essa.

Observações
  • Os principais tipos de propriedades a ser destacados são: teoremas, proposições, corolários e pequenos lemas.
  • Para conseguir a formatação acima, utiliza-se a predefinição {{Teorema}}.

Exercícios

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Exercício

Aqui vai o enunciado de um exercício.

  1. Pode-se colocar vários itens;
  2. Cada um com a numeração adequada;

Demonstrações e resolução de exercícios

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Resolução
É interessante destacar a resolução de um exercício, ou a demonstração de alguma propriedade em um espaço como este.


Tarefas pendentes

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Um dos autores deste material sugeriu que as tarefas pendentes, como a inclusão de figuras, sejam indicadas em caixas como esta.

Índice remissivo



Faltam capítulos neste índice.
Ampliando-o você ajudará a melhorar o Wikilivros.

Nesta página estão listados os conceitos abordados neste livro em ordem alfabética.

O nome de cada conceito possui um link para a página onde o mesmo é definido. Outras ocorrências importantes do conceito são indicadas pelos links numerados, logo após o link principal.


  • Brecha de dualidade
  • Busca linear
  • Condição
suficiente de segunda ordem
  • Condições de otimalidade
  • Condições de otimalidade
de Karush-Kuhn-Tucker
necessárias
de primeira ordem
de segunda ordem
suficientes
de segunda ordem
  • Condições de qualificação das restrições
de independência linear dos gradientes das restrições ativas
de linearidade
de Mangasarian-Fromovitz
de Slater
  • Cone
tangente
tangente linearizado
  • Conjunto
convexo
de nível
viável
  • Convexidade
  • Direção
de descida
viável
  • Direções
conjugadas
  • Dualidade
  • Função
coerciva
côncava
convexa
de barreira
de penalidade
exterior
interior
fortemente
côncava
convexa
objetivo
  • Funções em dualidade
  • Hessiana
  • Lagrangiana
aumentada
  • Lema
de Finsler-Debreu
  • Método
dos gradientes conjugados
da Lagrangiana aumentada
de barreira
de descida
de direções conjugadas
de Newton
de penalidade
interior
exterior
das regiões de confiança
do gradiente
conjugado
projetado
  • Minimizador
global
local
  • Multiplicadores de Lagrange
  • Penalidade
exterior
interior
  • Ponto
crítico
de mínimo
  • Problema
de minimização
de programação
linear
quadrática
dual
irrestrito
primal
  • Projeção
  • Região de confiança
  • Regra
de Armijo
  • Restrições ativas
  • Sistema
de Lagrange
  • Solução
  • Teorema
de Wolfe
  • Wolfe, teorema

Bibliografia

Livros e artigos

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Páginas da internet

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Material complementar

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