Iniciação à Pesquisa Científica em Saúde /REPOSITÓRIO DE EXERCÍCIOS RESOLVIDOS/ Exercício 8: Insuficiência renal II

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Questão 8: Insuficiência renal II[editar | editar código-fonte]

Em um estudo científico, os autores afirmam que de 217 pacientes, 188 (86,6%) estavam cadastrados no programa de hemodiálise e que 29 pacientes (13%) estavam no programa de diálise peritoneal. Estas informações, plotadas em uma tabela de contingência 2 x 2, foi exibida abaixo. Analise e escolha a opção VERDADEIRA:

Programa de hemodiálise
Hemodiálise Diálise peritoneal Total
Sexo feminino 79 9 88
Sexo masculino 109 20 129
Total 188 29 217

(dados fictícios)

a) A frequência de diálise peritoneal no sexo masculino corresponde a probabilidade simultânea de ser do sexo masculino e estar neste programa de diálise.

b) A frequência observada de indivíduos do sexo feminino em hemodiálise foi 36,4%, superior à frequência esperada ao acaso.

c) A maioria dos casos de hemodiálise é realizada em mulheres, pelo menos nesta amostra.

d) Os dados apresentados não permitem calcular se a ocorrência de hemodiálise é estatisticamente maior no sexo masculino.

Resposta da questão:[editar | editar código-fonte]

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A resposta é a LETRA A.

Para responder a questão, é preciso avaliar a relação existente entre o tipo de diálise e o sexo.Deve-se, pois, estabelecer a existência, ou não, de dependência entre as duas variáveis, ditas categóricas.

PROCEDIMENTOS

→ Hipóteses a serem testadas:

Hipótese nula, H0: Não há associação entre sexo e tipo de diálise. As variáveis são independentes.

Hipótese alternativa, Ha: Há associação entre sexo e tipo de diálise. As variáveis são dependentes.

→ Cálculo dos Esperados:

As frequências observadas são obtidas diretamente dos dados das amostras. E as frequências esperadas são calculadas para cada casela a partir da multiplicação do total de sua coluna, pelo total de sua linha, dividindo-se o produto pelo total geral da tabela (217).

         E = (total marginal da linha x total marginal da coluna) / total (N) 


Logo, se obtém a tabela 1 de frequências esperadas (em anexo).

→ Cálculo do qui-quadrado (X²):

Agora é necessário obter as duas estatísticas denominadas x² calculado e x² tabelado.

O x² calculado é obtido a partir dos dados experimentais, levando-se em consideração as frequências observadas e as esperadas. E é dado pela fórmula:

         x² = [(o - e) ² /e]

Em que:

o = frequência observada para cada grupo,

e = frequência esperada para aquele grupo.

Calculando as parcelas de x² referentes a cada casela, se obtém a tabela 2 com os valores de x² parciais (em anexo).

Ao final, somam-se as parcelas:

x² calculado = ∑ x² parciais = 0.1028 + 0.6477 + 0.0681 + 0.4418 = 1.2604

Já o x² tabelado depende do número de graus de liberdade e do nível de significância adotado:

- O número de graus de liberdade, quando os dados estão em tabela de contingência, é:

          G.L. = (número de linhas – 1) x (número de colunas – 1) 
          G.L. = (2 – 1) x (2 – 1) 
          G.L. = 1

- O nível de significância (alfa) é a máxima probabilidade de erro ao rejeitar uma hipótese.

Portanto, é um limite determinado para afirmar que certo desvio é devido ao acaso ou não. Na prática, geralmente é aceito o limite de 5% de probabilidade de erro, logo, uma probabilidade acima desse limite não é uma diferença significativa.

→ Para consultar a tabela qui-quadrado:

A tabela de qui-quadrado relaciona o número de Graus de liberdade nas linhas com o valor da probabilidade nas colunas. Para a coluna que mostra alfa = 5% encontra-se o valor crítico de qui-quadrado de 3.841.

→ Conclusão:

Finalmente, a tomada de decisão é feita comparando-se os dois valores de x² encontrados:

       Se x² calculado ≥ x² tabelado: Se rejeita Ho.
       Se x² calculado < x² tabelado: Se aceita Ho.

Sendo, x² calculado = 1.2604 e x² tabelado = 3.841

Como 1.2604 < 3.841, aceita Ho. Assim, pode-se concluir que as variáveis não estão associadas e o tipo de diálise INDEPENDE do sexo da pessoa.

ANALISANDO AS AFIRMATIVAS

a) A frequência de diálise peritoneal no sexo masculino corresponde à probabilidade simultânea de ser do sexo masculino e estar neste programa de diálise.

VERDADEIRA. Essa frequência corresponde ao ponto de interseção entre ambas as categorias, sexo masculino e diálise peritoneal. Corresponde, pois, aos indivíduos pertencentes a ambos os grupos, cuja casela é representativa dessa probabilidade simultânea.


b) A frequência observada de indivíduos do sexo feminino em hemodiálise foi 36,4%, superior à frequência esperada ao acaso.

FALSA. Frequência observada = 79 e frequência esperada = 76.24, a diferença é, portanto, de 3,54%.


c) A maioria dos casos de hemodiálise é realizada em mulheres, pelo menos nesta amostra.

FALSA. Nessa amostra, o número de casos de hemodiálise foi 188, sendo que deste total, 79 eram mulheres e 109 homens. Logo, o sexo feminino corresponde a 42% do total, sendo a maioria representada pelo sexo masculino. Entretanto, como pelo cálculo de x² concluiu-se que as variáveis são independentes, não pode ser feita esse tipo de associação para qualquer amostra.


d) Os dados apresentados não permitem calcular se a ocorrência de hemodiálise é estatisticamente maior no sexo masculino.

FALSA. Pelos dados apresentados foi possível calcular que a ocorrência de hemodiálise não difere estatisticamente entre os sexos. Além disso, os dados obedecem aos requisitos de aplicação do teste x²:

I. Os dados amostrais são aleatórios;

II. Ho afirma que há independência entre as variáveis;

III. Cada observação pertence a somente uma categoria;

IV. Para toda casela, a frequência esperada é no mínimo 5;



.

Tabelas[editar | editar código-fonte]

Tabela 1: Frequências Esperadas do tipo de Diálise de acordo com sexo.
Tabela 2: Valores de x² parciais para tipo de diálise de acordo com sexo.

Para consultar a Tabela Qui-Quadrado clique aqui: http://www.sestatnet.ufsc.br/data/downloads/2/Tabela_Dist_Qui_quadrado.pdf

Conceitos Importantes[editar | editar código-fonte]

As tabelas de contingência são usadas para registrar observações independentes de duas ou mais variáveis aleatórias, normalmente qualitativas. Elas permitem uma apresentação organizada de um conjunto de dados ou observações que modelam matematicamente a realidade a ser analisada.

Uma tabela de contingência cruzada possui r linhas e c colunas e é denominada tabela cruzada r x c. Ela é elaborada a partir dos dados levantados de N elementos selecionados aleatoriamente de uma população e classificados em categorias.

No caso do exercício apresentado, foi construída uma tabela cruzada 2x2, bidimensional, pois temos dois critérios de classificação. Sendo o objetivo verificar se há dependência ou associação entre as variáveis sexo e programa de diálise.

Para poder avaliar a associação existente entre as variáveis qualitativas – relacionadas na tabela de contingência – aplica-se o teste estatístico do qui-quadrado (χ2) de Pearson. O teste compara as frequências observadas com as esperadas, em cada uma das caselas de contingência. E é um dos testes não paramétricos mais conhecidos e de larga aplicação nas ciências biomédicas. Este teste baseia-se na possibilidade da hipótese nula de que a distribuição dos eventos observados na amostra segue uma distribuição teórica. Em outras palavras, verifica o grau de discordância entre o real e o esperado, se fossem independentes.

Indexadores do tema deste exercício[editar | editar código-fonte]

Apresentação de dados científicos

Preparação e análise de tabelas sobre dados de saúde

Comparação entre grupos amostrais

Conceitos básicos e fundamentos

Testes Qui-quadrado

Bibliografia utilizada[editar | editar código-fonte]

R. Bonita, R. Beaglehole, T. Kjellström. Epidemiologia básica. [tradução e revisão científica Juraci A. Cesar]. - 2.ed. - São Paulo, Santos. 2010 213p. Tradução de: Basic epidemiology, 2nd. ed. World Health Organization, 2006

Ayres M., Ayres Junior M., Ayres D.L. & Santos A.S. 2007. Bioestat: Aplicações estatísticas nas áreas das ciências biomédicas. Disponível em: ftp://ftp.mct.gov.br/Biblioteca/55459-Manual-BioEstat_5.pdf. Acesso em: 19 de jun. 2016.

Beiguelman, B. Curso Prático de Bioestatística - 4a ed. 1996: Biometria. Disponível em: http://www.ufpa.br/dicas/biome/bioqui.htm. Acesso em: 19 de jun. 2016.

Lorí Viali, Dr. DESTAT/FAMAT/PUCRS. Cruzamento de Dados. Disponível em: http://www.pucrs.br/famat/viali/mestrado/mqp/material/laminaspi/Educem_2.pdf. Acesso em: 19 de jun. 2016.

Estatcamp e DIGUP. Portal Action. Disponível em: http://www.portalaction.com.br/tabela-de-contingencia/introducao-tabelas-de-contingencia. Acesso em: 19 de jun. 2016.

Compreendendo o valor de p na análise estatística. Pós-graduando. Disponível em: http://posgraduando.com/compreendendo-o-valor-de-p/. Acesso em: 19 de jun. 2016.

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