Experiência religiosa/Ponto de vista religioso

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Capítulo 2 - Ponto de vista Religioso[editar | editar código-fonte]

Religiões abraâmicas[editar | editar código-fonte]

Cristianismo místico[editar | editar código-fonte]

Reza e uma pratica comum dentro do misticismo cristão para se alcançar Theoria (Visão de Deus)

A Bíblia possui diversas passagens que se relacionam com o misticismo e seu objetivo máximo: o encontro com Deus e consequentemente consigo mesmo.

No Evangelho de São Mateus, Jesus Cristo nos chama a sermos perfeitos como Deus é perfeito ( Cap. 5, versículo 48). Ele chama toda a humanidade a entrar na senda da evolução e assim encontrar o pai celeste.

Tanto no Novo Testamento (Evangelhos, cartas e Apocalipse) quanto no Antigo Testamento (sobretudo nos cinco primeiros livros, que formam a torá judaica) se encontram comandos, ensinamentos e chaves de imenso valor para a ascensão mística. Cabe a cada pessoa que deseja seguir esse caminho estudar a Bíblia e encontrar nela as chaves e os passos para o encontro com Deus.

São João da Cruz, Teresa de Ávila, Inácio de Loyola, Max Heindel e Thomas Merton são considerados importantes místicos cristãos.

Cabala[editar | editar código-fonte]

Árvore da Vida

Cabala (também chamada kabbalah, qabbala, cabbala, cabbalah, kabala, kabalah ou kabbala) é um sistema religioso-filosófico que investiga a natureza divina. Kabbalah (קבלה QBLH) é uma palavra de origem hebraica que significa recepção. É a vertente mística do judaísmo.

A cabala é uma doutrina esotérica que visa a conhecer Deus e o universo, sendo afirmado que nos chegou como uma revelação reservada apenas a alguns privilegiados.

O zohar propõe que a alma humana possui três elementos: nefesh, ru'ach e neshamah. O nefesh é encontrado em todos os humanos e entra no corpo físico durante o nascimento. É a fonte da natureza física e psicológica do indivíduo. As próximas duas partes da alma não são implantadas durante o nascimento, mas são criadas lentamente com o passar do tempo; seu desenvolvimento depende das ações e crenças do indivíduo. É dito que elas só existem por completo em pessoas espiritualmente despertas. Uma forma comum de explicar as três partes da alma é mostrada a seguir:

  • nefesh - a parte inferior ou animal da alma. Está associada aos instintos e desejos corporais.
  • ruach - a alma mediana, o espírito. Ela contém as virtudes morais e a habilidade de distinguir o bem e o mal.
  • neshamah - a alma superior, ou super-alma. Essa separa o homem de todas as outras formas de vida. Está relacionada ao intelecto, e permite ao homem aproveitar e se beneficiar da pós-vida. Essa parte da alma é fornecida tanto para judeus quanto para não-judeus no nascimento. Ela permite ao indivíduo ter alguma consciência da existência e presença de Deus.

A raaya meheimna, uma adição posterior ao zohar por um autor desconhecido, sugere que haja mais duas partes da alma, a chayyah e a yehidah. Gershom Scholem escreve que essas eram consideradas como representantes dos níveis mais elevados de percepção intuitiva, e estão ao alcance somente de alguns poucos escolhidos.

  • Chayyah - a parte da alma que permite ao homem a percepção da divina força.
  • yehidah - o mais alto nível da alma, pelo qual o homem pode atingir a união máxima com Deus.

Sufismo[editar | editar código-fonte]

Símbolo do sufismo

O sufismo, também conhecido por tasawwuf, é a corrente mística e contemplativa do islamismo. Os praticantes do sufismo, conhecidos como sufis ou sufistas, procuram uma relação direta com Deus através de cânticos, música e danças. É uma filosofia de autoconhecimento e contato com o divino através de práticas meditativas, retiros espirituais, danças, poesia e música. Os sufis acreditam que Deus é amoroso e o contato com ele pode ser alcançado pelos homens através de uma união mística, independente da religião praticada.

Os muçulmanos acreditam que estão no caminho para Deus e que vão ficar perto de Deus no paraíso depois da morte. Os sufistas acreditam que é possível ficar perto de Deus ainda em vida.

Para os sufis a origem histórica da sua religiosidade pode ser encontrada nas práticas meditativas do profeta Maomé. Este tinha por hábito refugiar-se nas cavernas das montanhas de Meca onde se dedicava à meditação e ao jejum. Foi durante um desses retiros que Maomé recebeu a visita do anjo Gabriel, que lhe comunicou a primeira revelação de Deus.

Hallaj (séc. X), um dos grandes representantes do sufismo, foi executado, pois ensinou, em estado de êxtase, que Deus e ele eram um; que havia atingido a identidade suprema.

Quase um século e meio depois, Ghazali, um dos maiores pensadores do mundo e seguidor sufi, disseminava a ideia de que a verdade mística não pode ser aprendida, mas sim experimentada por meio do êxtase.

Algumas ordens do sufismo depositam ampla confiança numa prática chamada dhikr, que é, segundo eles, um método para se removerem os véus do coração e atingir o amor divino. Foi originado por Riaz Ahmed Gohar Shahi. Esta prática de dhikr é chamada dhikr-e-qulb (recordação de Deus por batidas do coração).

Quaker[editar | editar código-fonte]

George Fox teve um importante papel na fundação da Sociedade Religiosa dos Amigos.

Quaker é o nome dado a um membro de um grupo religioso de tradição protestante, chamado Sociedade Religiosa dos Amigos (Religious Society of Friends). Criada em 1652, pelo inglês George Fox, a Sociedade dos Amigos reagiu contra os abusos da igreja anglicana, colocando-se sob a inspiração direta do Espírito Santo.

Os quakers acreditam que todo indivíduo é capaz de sentir Deus diretamente, sem intermediário algum. Todos têm uma luz interior: o Espírito Santo, que guia o indivíduo quando este se converte e aceita essa voz.

Os quakers privilegiam a ideia de grupo em vez de focarem no indivíduo, como ocorre em outras tradições místicas.

Hesicasmo[editar | editar código-fonte]

Hesychasm e uma eremita tradição de reza da igreja ortodoxa. Baseada na injunção de cristo no gospel de Mateus "vá para seu quarto e reze”, Hesychasm na tradição e o processo de retiro interno , com a intenção alcançar conhecimento experimental de deus (theoria). Sendo este conhecimento experimental de deus a maior meta do praticante do Hesychast. A pratica hesychastic tem algumas semelhanças com reza mística ou meditação em religiões orientais (budismo, hinduísmo, Janaísmo e Sufismo).

A prática pode envolver especificas posturas corporais e pode ser acompanhada de padrões de respiração, também envolve a técnica de ignorar os sentidos.

Hesychasm mostra raízes em Evagrius Pontikos e também em tradições gregas com o asceticismo, indo até Platão.

Gnosticismo[editar | editar código-fonte]

Gnosticismo

Gnosticismo designa o movimento histórico e religioso cristão que floresceu durante os séculos II e III, cujas bases filosóficas eram as da antiga gnose (palavra grega que significa conhecimento), com influências do neoplatonismo e dos pitagóricos.

Os gnósticos ensinam que humanos são almas divinas aprisionadas num mundo material criado por um deus imperfeito, o Demiurgo (PAGELS, E. The gnostic gospels. Vintage Press, 1989. p. 18, 37, 42).

Para se libertar desse mundo material inferior é preciso gnose, ou seja, conhecimento espiritual conseguido pela experiência direta de Deus.

Em vários sistemas gnósticos, a causa da salvação é o conhecimento do divino. Isto é comumente identificado como um processo de conhecimento interior ou exploração própria, comparável com o encorajado por Plotinus (205-270 AD).

Para os gnósticos, a gnose é um conhecimento que brota do coração de forma misteriosa e intuitiva. É a busca do conhecimento, não o conhecimento intelectual, mas aquele que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado, porque permite o encontro do homem com sua essência eterna.

O objeto do conhecimento da gnose seria Deus, ou tudo o que deriva d'Ele. Para seus seguidores, toda gnose parte da aceitação firme da existência de um Deus absolutamente transcendente, existência que não necessita ser demonstrada. "Conhecer" significa ser e atuar (na medida do possível ao ser humano) no âmbito do divino.

Religiões Asiáticas[editar | editar código-fonte]

Budismo[editar | editar código-fonte]

Buda

No budismo, nirvana , literalmente "extinção", é o culminar da busca budista pela libertação. De acordo com a concepção budista, o nirvana seria uma superação do apego aos sentidos, da ignorância e da existência, que é pura ilusão. É o ápice, ou seja, é o ponto mais alto de meditação, no qual, acreditam seus praticantes, o espírito se liberta do corpo temporariamente. Alcançar o nirvana é como dissolver o ego, deixar de existir como uma entidade separada do resto do mundo e com isso quebrar a roda do carma, interrompendo o processo de contínuos renascimentos.

O hinduísmo também usa o nirvana como um sinônimo para suas ideias de moksha. Fala-se a respeito em vários textos hindus tântricos, bem como no bhagavad gita. Os conceitos hindus e budistas de nirvana não são todavia completamente equivalentes.

O budismo zen incentiva a prática da sabedoria experimental e o alcançar a iluminação.

O budismo zen minimiza a importância de conhecimento teórico e estudo de textos religiosos em favor da experiência direta. O budismo zen desenvolveu um modo de se concentrar diretamente na experiência em vez de credos ou revelações em escrituras (SUZUKI, D.T. Essays in Zen Buddhism'. 1949).

Vedanta[editar | editar código-fonte]

OM

Vedanta é uma tradição espiritual explicada nos Upanixades, que se preocupa principalmente com a auto-realização, através da qual se pode compreender qual a real natureza da realidade (Brâman). O Vedanta - que significa "o fim de todo o conhecimento" - por definição não se restringe ou está confinada a um único livro, e não é a única fonte da filosofia vedântica. O Vedanta se baseia nas leis espirituais imutáveis que são comuns às tradições religiosas e espirituais ao redor do mundo, onde o "fim do conhecimento" se referiria a um estado de auto-realização ou de consciência cósmica. Historicamente, o Vedanta tem sido compreendido como um estado de transcendência, e não como um conceito que pode ser compreendido apenas pelo intelecto.

Iôga[editar | editar código-fonte]

Dois sadhus ascetas praticantes de yôga.

O iôga (ou yoga) é um caminho espiritual que tem a meta de atingir a união com a consciência suprema. Fora da Índia, o iôga está mais associado ao hatha yoga, que é a prática de exercícios físicos de postura e respiração.

Jainismo[editar | editar código-fonte]

O jainismo ou jinismo é uma das religiões mais antigas da Índia, juntamente com o hinduísmo e o budismo, compartilhando com este último a ausência da necessidade de Deus como criador ou figura central.

O jainismo também acredita no moksha (sânscrito: मोक्ष, liberação), o qual refere-se, em termos gerais, à libertação do ciclo do renascimento e morte. Na mais alta filosofia hindu, é visto como a transcendência do fenômeno de existir, de qualquer senso de consciência do tempo, espaço e causa (karma). Significa a dissolução do senso do ser individual, ou ego, e a avaria total do nama-roopa (nome-forma). No hinduísmo, é visto como uma analogia ao nirvana.

Tantra[editar | editar código-fonte]

Tantra (sânscrito: tratado sobre ritual, meditação e disciplina), yoga tântrico ou tantrismo é uma filosofia comportamental de características matriarcais, sensoriais e desrepressoras. Essencialmente, a prática tem por objetivo o desenvolvimento integral do ser humano nos seus aspectos físico, mental e espiritual.

Está centrado no desenvolvimento e despertar da kundaliní, a "serpente" de energia ígnea, de natureza biológica e manifestação sexual, situada na base da espinha que ascende através dos chakras até se obter a união entre Shiva e Shakti, também conhecida como samadhi.

No tantra, ao contrário da maioria das filosofias espiritualistas, se vê o corpo não como um obstáculo mas como um meio para o conhecimento. Para o tantra, todo o complexo humano é vivo e possui consciência independente da consciência central e por isso mesmo é merecedor de atenção, respeito e reconhecimento. Para tanto, usa mantras (vocalização de sons e ultra sons em sânscrito), yantras (figuras geométricas, desde simples a complexas, como mandalas, por exemplo, que representam as diversas formas de shakti) e rituais que incluem formas de meditação de grande complexidade (realizadas apenas com apoio de um guru experiente, pois podem ser fatais).

Taoismo[editar | editar código-fonte]

Confucianismo[editar | editar código-fonte]

Xinto[editar | editar código-fonte]

Zoroastrismo[editar | editar código-fonte]

Religiões Antigas e Indígenas[editar | editar código-fonte]

Xamanismo[editar | editar código-fonte]

O xamanismo é um termo genericamente usado em referência a práticas etnomédicas, mágicas, religiosas (animista, primitiva) e filosóficas (metafísica), envolvendo cura, transe, metamorfose e contato direto entre corpos e espíritos de outros xamãs, de seres míticos, de animais, dos mortos.

Animismo[editar | editar código-fonte]

Paganismo[editar | editar código-fonte]