Civilizações da Antiguidade/Civilização do rio Amarelo

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Civilização do Rio Amarelo


Queda d'água Hukou, rio Amarelo


Localização geográfica[editar | editar código-fonte]

A China é um país de dimensões continentais que está localizado na Ásia Central.

Na parte leste desse grande país, que hoje é um dos mais importantes do mundo, se encontra a grande planície da China. É a neve que derrete das montanhas a oeste, a cordilheira do Himalaia (onde estão algumas das mais altas montanhas do mundo), que formam as cabeceiras dos dois rios mais importantes da China, o rio Amarelo e o Yang Tsé.

O rio Amarelo recebe esse nome por causa da poeira fina e amarela (loess), que o vento carrega desde o norte da China, através das estepes da Ásia Central, e dá à água a cor amarela tão característica.

O Yang Tsé é o rio mais longo da China e terceiro mais longo do mundo, ele irriga as regiões onde há plantações de arroz no sul da China.

Da mesma forma que aconteceu no Egito, na Suméria e no vale do rio Indo, o rio Amarelo foi o responsável pela povoação do local.

História muito, muito antiga[editar | editar código-fonte]

No território onde hoje é a China, foram encontrados vestígios de fósseis do chamado Homem de Pequim, acredita-se que esse antepassado nosso tenha vivido há mais de quatrocentos mil anos.

Ao olharmos o mapa da China podemos observar que, aqui estamos falando apenas de uma pequena porção desse imenso território. Mas, de acordo com a tradição, o povo chinês se originou no vale do rio Amarelo. É possível que as margens do rio Amarelo tenham abrigado apenas uma, das diversas culturas surgidas em tão grande extensão de terras.

Tanto no sudoeste da China, como às margens do rio Yang Tsé, já foram encontrados vestígios de outras culturas que agora estão sendo estudadas. Mas aqui, vamos nos concentrar na história que se desenvolveu nesse pedaço de terra fértil às margens do rio Huang He ou Amarelo.

Diz a tradição que até 1800 a.C. a China era habitada por tribos nômades e a primeira dinastia hereditária foi chamada Hsia ou Hia ou ainda Xia. Não se sabe se isso é lenda, porque, na verdade, a primeira dinastia de que se tem evidências históricas, ou seja, pode ser verificada, é a dinastia Shang também chamada Yin.

Machado de guerra em bronze, dinastia Shang.

Dinastias[editar | editar código-fonte]

Dinastia Shang[editar | editar código-fonte]

Seu local de origem foi a planície norte, aproximadamente 1500-1050 a.C. na bacia inferior do rio Amarelo. Também chamada de Yin, é a primeira dinastia que pode ser documentada.

Tudo o que sabemos sobre a dinastia Shang, foi escrito centenas de anos depois do seu término portanto não se sabe o que existe de real e de imaginação.

Lugares onde foram encontrados vestígios da dinastia Shang.

Durante esta dinastia houve várias capitais, entre elas a mais importante foi Zhengzhou, esta cidade possuía uma muralha com 10 metrôs de altura e 6,4 Km de comprimento, todas as casas das cidades da dinastia Shang eram feitas de terra calcada, algumas sobrevivem até os dias de hoje.

Os imperadores Shang tinham funções cerimoniais e administrativas, sendo ao mesmo tempo chefe de estado e de governo, eles eram apoiados por diversos clãs aristocráticos cujo as relações eram feitas ou pelo parentesco ou pelo matrimônio. O Imperador comandava as celebrações e o exército do país formado pela nobreza.

Os reis Shang eram considerados semi-deuses, de forma que podiam ser contestados mas não superados. Esses semi-deuses abriram diversas campanhas contra povoados vizinhos, expandindo sua autoridade e aumento o território para alem do rio amarelo.

A base económica do estado Shang era a agricultura e a sua colheita mais importante era o painço. O clima da planície do norte chinês era então mais tropical e arborizado, necessitando assim de uma considerável quantidade de mão de obra para a libertar a agricultura. Alguns historiadores marxistas defendem que a mão de obra era feita por escravos, essa ideia é sustentada principalmente por sacrifícios humanos,

Segundo alguns dados foi durante a dinastia Shang que se descobriu o metal na China, fazendo com que os chineses deixassem as técnicas de cerâmica e passassem a manufatura de objetos de bronze.

Dinastia Zhou.

Dinastia Zhou[editar | editar código-fonte]

Os Zhou eram um clã bem poderoso que consegui derrubar os Shang e fundar sua própria dinastia, a mais longa da história da China. Foi durante a dinastia Zhou que foi introduzido na china a teoria do ``Mandato do Céu´´ segundo o qual o próprio céu escolhia os imperadores chineses, os imperadores então passaram a ter um ar divino. Ainda, segundo essa teoria todos os outros reinos e soberanos eram vassalos do imperador chines, o que serviu de motivo para uma campanha expansionista.

Também foi durante a dinastia Zhou que foi introduzido a política do Fengjian, nesta política a organização do território era feita com base em estados subordinados, governados por homens eleitos pelo rei, geralmente conselheiros e generais de confiança, e por seus herdeiros. Os estados pagavam tributos à capital, onde o Filho do Céu governava como monarca absoluto. Também deviam fornecer soldados em tempo de guerra. Esse modelo se assemelha ao feudalismo europeu, mesmo que os Zhou tenham vindo muito antes da idade média começar.

A dinastia Zhou teve 38 imperadores, porem em 771 A.C a capital foi saqueada por forças leiais ao marquês de Shen, este ataque foi feito por que You Zhao chegou ao poder com 14 anos de idade, substituindo a filha de Shen. A partir deste ataque a dinastia Zhou entrou em declínio,  o poder da corte de Zhou gradualmente diminuiu, e a fragmentação do reino levou à uma calamidade de guerras entre os estados. Desde a morte de You, os reis de Zhou reinavam apenas simbolicamente, e alguns nobres até mesmo deixaram de reconhecer os Zhou como detentores do mandato divino. Os conselheiros que governavam estados subordinados aos reis passaram a de declarar reis do seus territórios, levando ao fim da dinastia Zhou.

Época dos Estados Guerreiro

Após a queda da dinastia Zhou a China se dividiu em diversos reinos, que lutaram entre si para unificar a China e obter poder total. Esses reinos travaram grandes guerras contra os outros, não existiam aliados, era todos contra todos. A atmosfera de guerra constante moldou grandes generais e estrategistas, do qual podemos citar Shun Tzu, que escreveu o livro A Arte da Guerra, considerado um dos melhores manuscritos sobre atividade militar.

Foi em 551 A.C, durante os mais de 200 anos do período dos Reinos Combatentes, que nasceu um homem chamado Confúcio, a cidade onde Confúcio nasceu, chama-se atualmente Shandong. Apesar de ter nascido em uma família pobre, Confúcio estudou e batalhou muito, se transformando em ministro de um dos reis que lutavam pelo poder. Porem, cansado de tanta violência e guerra, Confúcio abandonou o cargo de ministro e se dedicou a andar pela China com o objetivo de encontrar um rei digno de servir. Foi durante essas viagens que Confúcio moldou uma doutrina própria. Seus livros pregam 8 virtudes básicas.

1 - O Respeito.

2 - A tolerância.

3 - O Perdão.

4 - Manter a palavra e não a quebrar nunca.

5 - A Devoção ao imperador.

6 - A Confiança.

7 - Cumprir o dever.

8 - O Culto aos antepassados.

Seus ensinamentos se tornaram tão populares a ponto de influenciar os imperadores, tornando-se uma religião, o Confucionismo.

Império Qin.

Dinastia Qin[editar | editar código-fonte]

Após mais de 200 anos de guerra, o Reino de Qin, também chamado de Chin, conseguiu unificar todos os reinos e fundar o Império da China (o próprio nome China vem da dinastia Chin) Qin Shihuang, o unificador da China, tornou-se então o primeiro imperador.

Durante seu governo, para evitar que o caos do período dos reinos combatentes voltasse a tona, Qin Shihuang e seu primeiro ministro, Li Si, decidiram fazer uma limpa na política chinesa e eliminar o ``feudalismo´´ .

O que eles fizeram foi dividir o império em trinta e seis províncias, governadas cada uma por três governadores, que poderiam ser dispensados de acordo com a vontade do governo central. Poderes civis e militares eram também divididos, para evitar que muito poder caísse nas mãos de uma única pessoa. Assim, cada província era governada por um governador civil, auxiliado por um governador militar, sendo que o poder civil era maior que o poder militar.  governador civil também era redirecionado para uma província diferente em poucos anos para evitar que pudesse construir uma base de poder própria. Um inspetor também governava cada província, sendo responsável de informar o governo central a respeito dos outros dois governantes, e possivelmente evitando conflitos entre estes.

Qin Shihuang também ordenou que todos os membros das antigas casas reais que ele conquistou se mudassem para a nova capital da China, a cidade de Xianyang, para que estes fossem mantidos sob uma vigilância rígida, evitando assim qualquer tentativa de rebelião. O imperador e Li Si também criaram uma mesma moeda a ser usada por toda a China, criaram um gigantesco código de leis, estradas para unificar o país e é claro, o militarizou.

Para proteger o país dos povos do norte, Qin Shihuang ordenou a construção de uma gigantesca muralha, esta teria que ser tão grande para evitar a passagem dos povos do norte, e tão longa para evitar que estes invadam a China pelas extremidades, Surgia então a Grande Muralha da China. Com 29 Mil metrôs de comprimento, ela é tão grande que pode dividir toda a América do sul em 2 lados diferentes, mais de 2 milhões de Chineses foram mobilizados para essa tarefa, trabalhando como escravos e com um treinamento militar, grande parte deles morreram de exaustão e seus corpos foram enterrados dentro das muralhas, transformando-a no maior cemitério do mundo.

Dinastia Han.

Dinastia Han [editar | editar código-fonte]

Qin Shijuang morreu em 209 A.C, como os chineses achavam que poderiam levar tesouros para oferecerem aos deuses da morte, Qin Shihuang mandou construir um exército de quase 8.000 boneco de terracota, todos moldes de pessoas reais que acompanharam o imperador durante sua vida. Após sua morte o império entrou em crise,

Ao Subir ao trono, Qin Er Shi, sucessor de Qin Shihuang, convocou uma assembleia, alguns dos oficiais que foram para esta assembleia foram os generais Cheng e Wu Guang. Porem eles chegaram atrasados e foram sentenciados a morte, para evitar este destino eles fizeram uma grande rebelião que foi suprimida pelo general Zhang Han.

O Autoritarismo e o regime ditatorial de Qin Shihuang e Qin Er Shi geraram um sentimento de insatisfação no povo, então os nobres Xiang Yu e seu tio Xiang Liang, se uniram ao supervisor da província do Reino de Chu, Liu Bang. Junto com o apoio popular, Liu Bang derrotou os exércitos de Qin Er Shi e assumiu o poder, dando início a Dinastia Han.

Liu Bang reduziu os impostos, concedeu terras a seus parentes, restringiu as despesas, incentivou a produção massiva, de modo que excedesse os limites e o restante fosse dado aos pobres, fez as pazes com o povo Xiongnu, criou diversos principados e grão-ducados, restringiu os impostos e o comércio legal e substituiu a filosofia do Legalismo (pregada na dinastia Quin) pelo Confucionismo, isto ocorreu quase 300 anos após a morte de Confúcio.

Os Han criaram uma política expansionista, expandindo o território imperial chinês, porem, isto consumiu muito esforço e dinheiro da população, e com isso veio a insatisfação popular, como o cenário pronto, o Nobre Wang Mang tomou o trono chinês em um golpe de estado no ano 8 D.C, já no ano 25 D.C, Wang Mang morre e a dinastia Han volta ao poder.

Porem A dinastia Han cairia definitivamente no ano 223. Com a Queda da dinastia Han a china ficou dividida entre 3 reinos, O Reino de Wei, o reino de Han e o Reino de Wu.

Cavalo terracota, dinastia Han.
Bronze, dinastia Zhou.

Saindo da história antiga[editar | editar código-fonte]

Este foi um breve olhar sobre a antiguidade chinesa. Um povo de história riquíssima, que deixou contribuições da maior importância ao pensamento, a ciência e a arte, que deixou uma cultura que até hoje surpreende o mundo ocidental.

Ainda há muito o que aprender e muito o que descobrir, cada notícia sobre pesquisas arqueológicas nos deslumbra, e levanta um pouco o véu do mistério sobre determinados acontecimentos encobertos pela lenda.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Acima os dois sites onde se pode aprender um pouco mais sobre o túmulo do primeiro imperador da dinastia Qin, onde foi encontrado o exército de terracota.