Civilizações da Antiguidade/Civilização Suméria

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Civilização Suméria


Estandarte de guerra de Ur, 2600-2400 a.C.

A Descoberta[editar | editar código-fonte]

No início do século XX, mesmo os grandes estudiosos da região que pesquisavam as tabuinhas assírias e babilônicas, não conheciam o povo Sumério. Com a publicação, em 1905, da obra do grande assiriólogo francês François Thureau-Dangin, não restou dúvida alguma de que houve de fato uma brilhante civilização no local, que era desconhecida até então, e tomou o nome de Suméria. Essa descoberta veio confirmar a influência dessa civilização nos povos que tiveram contato com eles, nas áreas da escrita, religiões, artes, cultura, ciências,comércio, agricultura, arquitetura, leis e esses povos copiaram o que os Sumérios tinham de melhor,pois foi a primeira e a mais brilhante civilização da antiguidade.

Origem[editar | editar código-fonte]

Acredita-se que antes dos Sumérios chegarem, a baixa Mesopotâmia foi ocupada pelos Ubaidas, um povo que não pertencia ao grupo semita.

Para quem tem interesse em pesquisar, esse povo ubaidiano foi muito importante e com certeza foi responsável pelo alicerce da civilização Suméria.

O povo conhecido como Sumério, veio provavelmente da Anatólia, mas também pode ter vindo da Pérsia, e chegou à Mesopotâmia por volta de 3300 a.C. Deveriam ser nômades vagando pelo planalto do Irã e pelos Montes Zagros. Fatos mais recentes como utensílios encontrados apontam para a existência deles na área por volta de 20.000 A.C

Suméria.

Localização geográfica[editar | editar código-fonte]

A área da Mesopotâmia, sendo cercada por cadeias montanhosas ao norte e a oeste, pelo Golfo Pérsico ao sudoeste e pelo deserto da Síria ao sul e a leste, se tornava um local protegido contra a invasão de outros povos. Os rios Tigre e Eufrates tornavam a terra fértil sem depender de chuvas.

Distribuída em territórios a região de Sumer possuía diversas cidades-estado. As distâncias entre as cidades eram pequenas, separadas por faixas de terras cultivadas. Vamos dizer que a Suméria não era maior do que a Bélgica atual.

Idioma e escrita[editar | editar código-fonte]

Não se conhece relação entre o idioma Sumério e qualquer outro. O nome Suméria, é derivado do nome babilônico para o sul da Babilônia. Em seu idioma, os Sumérios se denominavam cabeças escuras e chamavam seu país de terra civilizada.

Se não foram os Sumérios que inventaram a escrita, porque é a língua mais antiga de que se tem testemunhos gráficos, pelo menos foram eles os responsáveis pela sua difusão.

Tablete com escrita cuneiforme 2050 a.C.

Na cidade de Nipur, que fica 150 km ao sul de Bagdá, foi encontrada uma biblioteca sumeriana inteira. Lá havia mais de 50 000 tabuinhas com inscrições cuneiformes feitas no Terceiro Milênio a.C. e uma biblioteca com 20 000 volumes, que incluem obras sobre direito, ciência, religião.

O alfabeto sumério só foi decifrado no século 19, o principal dialeto Sumério foi o emergir ou língua principesca, embora outros tipos fossem usados pelas mulheres e pelos eunucos.

Lista dos reis sumérios[editar | editar código-fonte]

Existe um documento, escrito quase mil anos após a morte do rei Etana (3º Milênio a.C.) que registra o nome da maioria dos governantes da Suméria. Desta lista também consta o nome de Gilgamesh, herói mitológico, como o quinto rei da primeira dinastia a ter o poder em Uruk, depois do dilúvio.

Reis sumérios[editar | editar código-fonte]

Na região de Sumer, por volta do terceiro milênio, havia pelo menos doze importantes cidades-estado, cada qual murada e com seus deuses e seu rei. As mais conhecidas são Ur, Eridu, Lagash, Uma, Adab, Kish, Sipar, Larak, Nipur, Larsa.

A realeza surgiu da necessidade de enfrentar o inimigo, ou seja, cada cidade escolhia o homem mais destemido e corajoso para comandá-los. Esse homem era chamado lugal, que significa grande homem, essa é a palavra Suméria para rei.

Puzur Ishtar, governador de Mari, entre 2100-2000 a.C.

No início a função de lugal era passageira, ele apenas liderava sua cidade num determinado momento, quando acabasse o conflito, voltava para a vida de cidadão comum. Acontece, que os conflitos foram se tornando constantes e o lugal passou a ocupar o poder de maneira permanente e hereditária. Isso ocorreu por volta de 3000 a.C.

Foi uma fase de lutas sem fim na história da Suméria, reis guerreiros comandando seus exércitos, cidades contra cidades.

Entre essas lutas, a Suméria se viu subjugada pelo domínio estrangeiro, por diversas vezes.

O primeiro rei ou lugal a estabelecer controle sobre a totalidade da Suméria foi Etana da cidade de Kish (suas ruínas ficam a 90 km. da atual Bagdá), de acordo com a Lista dos Reis Sumerianos. A Lista cita Etana como, aquele que estabilizou todas as terras.

Depois de Etana, temos Meskiaggasher da cidade de Uruk, a Lista diz que ele invadiu o mar, galgou as montanhas. Ainda na cidade de Uruk, temos Dumuzi, que foi deificado na Mesopotâmia como o deus da fertilidade.

Detalhe da Estela dos Abutres.

Mas, o mais famoso rei de Uruk foi Gilgamesh. Ele é praticamente um mito, seus feitos foram narrados em diversas línguas e talvez tenha sido ele o inspirador da figura de Héracles, o herói grego. Não há descobertas conclusivas sobre ele, mas é citado na Lista e documentos atestam sua vitória sobre as cidades de Kish e Ur.

Depois disso, a Suméria se tornou vassala dos elamitas, povo que habitava o que hoje é o sudoeste do Irã.

Só um século depois de Gilgamesh é que os Sumérios voltaram a ser livres. O grande responsável por isso foi Lugalannemundu, rei da cidade de Adab, descrito como aquele que obrigou todas as terras estrangeiras a lhe pagarem pesado tributo.

Nova fase de guerras entre as cidades.

Hegemonia de Lagash sob Eannatum, Subjugador das Terras Inimigas, terceiro rei da primeira dinastia da cidade. Derrotou Umma, com quem lutava por direitos de irrigação e mandou erguer a Estela dos Abutres entre as duas cidades. Esse é o mais antigo tratado diplomático conhecido, pois ali estão escritos os termos da paz.

Gudea de Lagash.

Depois dele podemos citar Urukagina, Lugalzaggesi e finalmente Sargão, o Grande. Sargão reuniu a Suméria e a metade setentrional da Mesopotâmia numa única nação.

Após a morte de Sargão, temos seu neto Naram-Sin, ainda governando até a invasão dos gutianos. Sob os gutianos aparece apenas um governante sumeriano, de Lagash, que foi Gudea.

Depois de um século de opressão, surge novamente um libertador, Utuhegal, em Uruk. Ele foi deposto por Ur-Nammu da cidade de Ur.

Este foi um rei usurpador, mas forte e capaz e ficou famoso como o primeiro legislador da História, ele morreu em batalha. Seu filho Shulgi então passou a reinar e foi registrado como sábio, guerreiro, construtor de templos, diplomata e patrono das artes. Durante seu longo reinado, a Suméria voltou a ser um grande império.

Quando o quinto e último rei da dinastia de Ur-Nammu, subiu ao trono em Ur, o império já estava ameaçado. Esse rei, Ibbi-Sin foi abandonado por seus generais e o poder foi dividido.

Por volta do ano 2000 a.C. os elamitas voltaram a atacar, destruíram Ur e prenderam o rei. A queda de Ur assinalou o fim da Sumeria.

Localização dos povos.

Economia[editar | editar código-fonte]

A agricultura era a base da economia do país, a cevada sua principal cultura. Além dela, havia o cultivo de cebola, nabo e tâmaras. Criavam animais, fabricavam queijo e manteiga. A pesca também era importante, tanto nos canais, como no Golfo Pérsico.

Nos mercados havia o comércio de cereais, frutas, licores e vinhos, tecidos e outros. O comércio com outros locais era feito sempre em caravanas por causa dos perigos nos caminhos. Navegando pelos rios Tigre e Eufrates, eles comerciavam com a costa mediterrânea e no Golfo Pérsico, principalmente armas, feitas de cobre e bronze.

Todo o tipo de comércio era muito bem documentado, desde que a mercadoria deixava o local de origem até que chegasse ao destinatário. Um exemplo disso é um contrato de transporte de prata, que Dadaya confiou a Kukkulanum e deveria ser entregue a Enlil-bani, feito em presença de testemunhas citadas.

As artes[editar | editar código-fonte]

Entre os Sumérios assim como entre os Egípcios, as artes foram inspiradas pela religião. Os templos foram basicamente o traço principal da arquitetura sumeriana. Os zigurates (torres em degraus) foram construídos para que o deus habitasse com seu povo. Em Ur, o deus-lua, Nanna, era o patrono, ainda hoje as ruínas de seu zigurate se elevam a uns vinte metros de altura. A seus pés havia um templo para a deusa Nigal, esposa do deus-lua, um entreposto, talvez um palácio e tumbas reais.

Contrato de venda de terras e uma casa, 2600 a.C.

Infelizmente, as construções Sumérias, feitas de tijolo cru ou cozido, não se conservaram e foram destruídas pelo tempo.

Hoje, as ruínas de Uruk atestam que havia na Suméria cidades com grandes edifícios mas, dela são conhecidas apenas as edificações centrais, não se sabe seu tamanho e nem o número de habitantes.

Outras manifestações artísticas foram as estátuas e o mobiliário refinado encontrado nos túmulos. As estátuas mais antigas são de cerca de 2400 a.C. No Museu do Louvre existe um conjunto de estátuas e fragmentos delas, inclusive algumas feitas de pedra negra. Desta pedra, não se conhece a fonte, uma inscrição na estátua do rei Manishtusu, diz, que ele trouxe a pedra negra de uma campanha vitoriosa das montanhas do outro lado do mar inferior.

Os Sumérios trabalhavam o ouro, o cobre, o bronze e a prata. A arte da marchetaria nasceu na metade do 3º Milênio, na Suméria. Esses mosaicos eram feitos de pedras coloridas e preciosas, como o lápis-lázuli e a cornalina (ambas originarias da Índia). O povo Sumério também usava o nácar das conchas encontradas no Golfo Pérsico, do Mar Vermelho e até do Mediterrâneo.

Até hoje se encontra, nas portas das mesquitas de peregrinação, rosários de cornalina e nácar de conchas do oceano Índico e madeira de sândalo importado do Extremo Oriente.

As ciências[editar | editar código-fonte]

Pelo fato da região ter sido habitada por grandes culturas e haver uma ligação e às vezes, continuidade entre elas, vamos citar apenas algumas invenções creditadas aos Sumérios.

Esse povo criou um sistema completo de medidas de capacidade, superfície e peso. Eles inventaram o sistema sexagesimal, usado com a numeração decimal. Possuíam réguas graduadas e tábuas de cálculo. Dividiam o dia em 24 horas iguais.

Zigurate de Ur.

Talvez o sistema de astronomia tenha se originado na Suméria, porque eles reconheciam três paralelos principais: equatorial ou caminho das estrelas de Anu; tropicais, caminhos de Enlil (Câncer) e de Ea (Capricórnio).

Acredita-se que também a medicina era bem desenvolvida, há documentos que mencionam cirurgias, além disso eles preparavam drogas medicinais.

Literatura e Direito[editar | editar código-fonte]

Na Suméria havia um sistema de ensino freqüentado por escribas. Eles compunham e copiavam obras de interesse histórico, hinos religiosos, contos, códigos de leis, fábulas, poesia e outros.

A criação mais famosa e interessante desse povo é a Epopéia de Gilgamesh, mas também se pode citar os mitos de Tamuz e da deusa Nana Ishtar e do pastor Etana.

Pela quantidade de tabuinhas ou tabletes encontradas, parece que os Sumérios tinham uma grande atividade literária e uma rica literatura.

Essas tabuinhas eram feitas de argila, sobre as quais se escrevia com estiletes em forma de cunha, depois ela era endurecida ao sol ou em fornos. Além dessas tábulas, foram encontradas estelas e cilindros gravados, que eram usados como selos.

No campo do Direito, foram encontradas tabuinhas com todo tipo de ordem jurídica, contratos, testamentos, recibos, etc... Em épocas anteriores ao famoso Hamurabi, já havia na Suméria, Códigos de Leis bastante avançados. O divórcio era admitido, o adultério considerado delito e admitia-se a adoção. As leis penais eram bem menos violentas do que as vigentes em outros locais, na época.

Hino a Iddin-Dagan rei de Larsa.

Religião[editar | editar código-fonte]

Os Sumérios eram politeístas e, segundo ele , universo se originou da seguinte maneira:

No início, existia o mar primordial que "luarua" produziu da montanha cósmica composta do céu (An) e da terra (Ki). Estes que consumaram o ato sexual . Nasceu então, o deus do ar Enlil, que separou o céu da terra, levando o céu consigo. Uma nova união entre Enlil e sua mãe com uma relação incestuosa, produziu o homem, os animais, as plantas e a civilização.

Os deuses Sumérios tinham a forma humana, mas eram imortais e possuíam poderes sobrenaturais. Eram seres invisíveis que a tudo governavam.

An era o deus do céu; Ki era a deusa da terra; Enlil, o deus do ar e Enki o deus da água. Além desses podemos citar Nanna deus da lua, Utu o deus sol e Inanna a rainha dos céus e rainha do amor e da guerra.

Os deuses se manifestavam através de sonhos e dos oráculos. Parece que o povo Sumério acreditava em alguma espécie de existência após a morte, porque foram encontradas oferendas nos túmulos. Cientistas pesquisadores, encontraram indícios que grupos de Sumérios tinham religião própria e acreditavam no Deus único invisível, e não acreditavam em vida ápós a morte, sendo copiados e imitados por outros povos que tiveram contáto com eles neste tipo de crença e assimilaram esse tipo de religião.

Declínio da civilização de Suméria[editar | editar código-fonte]

As cidades-estado viviam em lutas constantes entre si e isso gerou crises graves em seus governos, como enfraquecimento de todas, tanto economicamente quanto militarmente.

A Suméria não era como o Egito, onde havia um forte poder central. Na Suméria, as cidades-estado mais importantes, que eram governadas por líderes chamados ensis, controlavam o exército e o abastecimento de água vindo dos rios Tigre e Eufrates, sendo seus afluentes vistos como estratégicos e portanto de interesse militar.

Por causa das lutas e falta de união entre as cidades, o povo Sumério ficou sempre muito vulnerável, e o povo Acadio aproveitou-se para dominar a baixa Mesopotâmia.

Taça de ouro, 2600-2400 a.C. encontrada no cemitério real de Ur.

Legado Sumério[editar | editar código-fonte]

Foram uma das primeiras civilizações conhecidas. A eles são atribuídas a invenção da escrita e da roda, há 6 000 anos atrás.

Além das contribuições citadas acima, em artes, literatura, ciências e mais, na área militar, desenvolveram os carros de combate puxados por cavalos, porque já conheciam a roda, usavam lanças, dardos e armaduras feitas de bronze, arco e flecha.

Aprenderam a arte de dominar a água dos rios, criando diques e barragens, canalizavam a água para as lavouras.

Infelizmente pouco sobrou de sua arquitetura mas, os zigurates são uma bela demonstração do que podem ter sido suas cidades. A sua contribuição nas leis dos povos antigos que incorporaram estas nas suas culturas é notável. Assim como a idéia do Deus único invsível que era religião de alguns grupos Sumérios, entre os outros vários tipos de religiões existente na época.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


  • Mesopotâmia, o berço da civilização.
  • História da Antiguidade Oriental.
  • História Viva - Grandes Temas - Mesopotâmia, o berço da civilização.