Civilizações da Antiguidade/Assírios

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Os Assírios
Mapa da Assíria.

Localização geográfica[editar | editar código-fonte]

Ao norte da Mesopotâmia, existe a Assíria que se espalha através de quatro países do presente. Na Síria, se estende a oeste até o rio Eufrates; na Turquia, se espalha ao norte nas regiões de Harran, Edessa, Diyarbakir e no lago Van; no Irã, se estende ao leste até o lago Urmi e no Iraque segue por 100 milhas ao sul até Kirkuk.

Dois grandes rios correm através da Assíria, o Tigre e o Eufrates, e muitos outros rios menores.

Ao norte e leste da Assíria estão as cadeias de montanhas de Taurus e Zagros. A oeste e sul se espalha um grande planalto de pedra calcária.

Locais de interesse arqueológico.

A descoberta[editar | editar código-fonte]

Em 1932, Sir Max Mallowan, o arqueólogo britânico, fez uma escavação profunda no solo intocado de Nínive. Foi assim que descobriu uma série de artefatos de cerâmica que recuavam aos tempos pré-históricos e comprovaram que o local havia sido habitado por volta de 5000 a.C.

Logo depois, duas outras grandes cidades assírias foram localizadas, Ashur e Arbel, embora a data exata não tenha sido ainda determinada. Arbel é a mais velha e sua maior parte ainda não foi escavada, de modo que, seus tesouros arqueológicos ainda não foram todos descobertos. Isso também se aplica a Ashur.

O que se sabe é que essas três cidades, por volta de 2540 a.C. eram metrópoles muito bem estabelecidas.

Esse período da história foi testemunha do desenvolvimento dos fundamentos de nossa civilização: domesticação dos animais, agricultura, cerâmica, o controle do fogo, a fundição, entre tantos outros.

Relevo do palácio de Sargão II, Dur Sharrukin, hoje Khorsabad, Iraque.

Falhas na história[editar | editar código-fonte]

Existe uma enorme dificuldade de reconstruir a história real da Assíria. Embora a biblioteca de Assurbanipal, em Nínive, com mais de 22 mil tabuinhas gravadas, seja um material de inestimável importância, ainda temos muitas peças faltando nesse quebra-cabeças.

As listas assírias de reis, como a de Khorsabad (encontrada em 1932-33) e outras, não são confiáveis. Na verdade são absolutamente inacreditáveis, independente do calendário a que se referem.

Não podemos pensar em dinastias como as egípcias porque na Assíria houve mudanças de localização do poder, muitas vezes a sucessão não era de pai para filho, outras vezes várias dinastias governaram ao mesmo tempo.

O povo assírio e sua linguagem[editar | editar código-fonte]

Os assírios são um povo semítico tribal da Mesopotâmia. Eles são diferentes etnicamente dos árabes e dos judeus.

Através do que conhecemos de sua história, esse povo usou duas línguas: o antigo assírio (acadiano) e o moderno assírio. O acadiano foi escrito no sistema cuneiforme, em tabletes de barro e foi usado desde o início até mais ou menos 750 a.C.

Por volta dessa data surgiu uma nova maneira de escrever em pergaminhos, couro ou papiro. O povo que introduziu essa escrita era chamado arameu, e eles viram sua língua se tornar mais importante do que o antigo assírio. Era a língua aramaica.

O aramaico se tornou a segunda língua oficial do império Assírio em 752 a.C. De qualquer maneira embora os assírios usassem assim o aramaico, o que houve foi uma fusão com palavras em acadiano, de modo que a língua pode ser chamada de assírio-aramaico.

Selo cilíndrico com cena mitológica, Assur atacando um monstro.

Religião[editar | editar código-fonte]

Os assírios praticaram duas religiões ao longo de sua história: o Assurismo e o Cristianismo. O Assurismo foi a primeira religião dos assírios.

A religião assíria era muito parecida com a babilônica e sumeriana. Seus deuses eram antropomórficos, alguns deles eram: Sin, a lua, Chamah, o sol, Nabu, o rio Eufrates, Nibid, o sol nascente, Nergal, o sol do meio-dia, Adad, a tormenta, Enlil, a terra e Ea, a água. O deus principal, o deus supremo era Assur.

A palavra Assírio, na sua forma latina, deriva do nome de Assur. Os assírios praticaram o assurismo até o ano 256, embora nessa época, a maioria do povo já tivesse aceitado o cristianismo.

Um rápido olhar sobre a história[editar | editar código-fonte]

O período de 2400 a.C. até 612 a.C. foi uma fase muito rica da história assíria.

Sargão da Acádia foi o primeiro rei a assumir o controle fora de sua cidade-estado. Seu modelo foi seguido por todos os impérios que o sucederam até os nossos tempos.

De sua base Acad, ao sul de Bagdá, Sargão começou a controlar os territórios se estendendo para o norte até Ashur e oeste até o Mediterrâneo.

Puzur-Assur III foi o primeiro monarca que, livre de opressão suméria, empreendeu a expansão do reino.

Tiglat-Pileser III.

Depois dele, Shamshi-Adad I uniu para sempre as três cidades, Ashur, Nínive e Arbel e trouxe Arrapkha para a esfera de influência assíria. Desse modo, essas quatro cidades e Nimrod se tornaram o verdadeiro coração da Assíria.

Sob Shamshi-Adad I as colônias de mercadores assírios, há muito estabelecidas na Capadócia, respiraram uma nova atividade. Ele foi um governante de grande eficiência administrativa e de grande habilidade política.

Por volta de 1472 a.C. um rei de Mitani anexou a Assíria e isso durou mais ou menos setenta anos.

Finalmente os mitanianos foram derrotados por Assur-ubalit, que lançou as bases para a fundação do primeiro império assírio.

Bases firmes, o rei Adad-Nirari (1307 a.C.) pode estabelecer de fato o primeiro império que durou até 1248 a.C.

Nessa época, um povo chamado elamita, vindo do sudoeste do Irã, tomou o controle da Babilônia durante 30 anos e isso teve efeitos sobre a Assíria, que atravessou uma fase de guerras contra hititas e babilônios.

Após uma revolução interna Salmanasar I chega ao poder.

Tukulti-Ninurta I foi o rei mais importante do império médio, porque foi poderoso e incorporou a Babilônia, que ficou dependente do rei assírio. Suas conquistas estenderam o império assírio da Síria ao golfo pérsico.

Depois desse reinado, novamente a Assíria atravessa um período de invasões e guerras, desta vez contra os gurritas e mitânicos.

Finalmente surge um rei importante, Tiglat-Pileser I, mas novamente a Assíria é dominada, desta vez pelos arameus. E o rei dizia: eu cruzei o Eufrates vinte e oito vezes... em perseguição aos arameus.

Depois dele temos outro rei libertador, Adad-Nirari II. E depois ainda, Tukulti Ninurta II.

Após esses reis temos Assurbanipal conhecido por sua violência e crueldade, assim como seu filho Salmanasar III conquistador da Síria.

Baixo relevo no palácio de Dur Sharrukin, hoje Khorsabad, Iraque chamado Lamassu

Os últimos reis assírios foram Tiglat-Pileser III que dominou definitivamente a Mesopotâmia. Salmanasar IV e Salmanasar V mantiveram o poderio da Assíria. Senaquerib que teve que enfrentar revoltas internas, principalmente na Babilônia. Esarhaddon ou Assaradon, que reconstruiu a Babilônia e atacou o Egito e Assurbanipal que conquistou o Egito.

Embora o Egito fosse retomado pelo faraó Psamético I, com Assurbanipal, a Assíria se tornou o centro cultural do mundo na época.

Política[editar | editar código-fonte]

As classes dominantes na Assíria eram formadas pelos comandantes militares que enriqueceram com os espólios de guerras. A Assíria era um país guerreiro, até por necessidade de sobrevivência.

Os conquistadores assírios inventaram uma nova política com relação aos povos conquistados; para prevenir revoltas nacionalistas os assírios obrigavam o povo conquistado a migrar em grande quantidade para outras áreas do império.

Isso, além de garantir a segurança do império construído sobre povos de culturas e línguas diferentes, tornou a região, com essa deportação em massa, num caldeirão de diversas culturas, religiões e línguas.

Embora houvesse pouco contato cultural entre conquistados e conquistadores no início da história da Mesopotâmia sob os assírios, todo o território se transformou numa grande mistura cultural.

Foi o rei assírio Sargão II que obrigou os hebreus a mudar de lugar após a conquista de Israel, Embora essa tenha sido, comparativamente, uma pequena deportação e estivesse de acordo com a política assíria, ela marca o início histórico da diáspora judaica.

O exército assírio era gigante, jamais visto no Oriente Médio ou no Mediterrâneo. As exigências da guerra criavam inovações tecnológicas e isso fazia dos assírios um povo praticamente imbatível: espadas de ferro, longas lanças, armaduras de metal e machados de guerra, aríetes, escudos, os tornavam inimigos temidos nas batalhas.

Artes[editar | editar código-fonte]

A arquitetura tem seu momento mais importante com Assurbanipal II que, transformou a cidade de Nimrod em uma capital militar. Temos grandes muralhas, e em seu interior ficava a cidadela com as construções reais. Os palácios eram construídos, em geral sobre uma plataforma, suas portas eram ladeadas por colossais esculturas de pedra e aposentos decorados com relevos. Entre eles, vale citar os de Nimrod, Khorsabad e Nínive.

As esculturas mencionadas acima eram guardiães dos portais, figuras enormes, geralmente representando touros ou leões com cabeça humana, ficavam uma de cada lado dos portais arqueados. São chamadas Lamassu.

Louvre, reconstituição de pátio em Khorsabad.

Os templos e zigurates sofreram grande influência da cultura suméria.

Ainda na arquitetura é preciso mencionar a cidade criada por Sargão II, atual Khorsabad, rodeada por uma muralha com sete portas três delas decoradas com relevos e tijolos vitrificados. No interior da muralha estava o palácio de Sargão II, um grande templo, as residências e os templos menores. Seu filho e sucessor, Senaqueribe, mudou a capital para Nínive, onde construiu seu próprio palácio, chamado de palácio sem rival.

Nos relevos podemos observar cenas de conquistas e de caça. Os animais são desenhados com muitos detalhes e as cenas mostram vitalidade.

Outra demonstração da arte refinada dos assírios são os entalhes de selos e esculturas em marfim. Em Nimrod foram encontradas milhares de pequenas figuras de elefantes. Nos entalhes aparecem símbolos dos deuses.

A cultura babilônica exerceu grande influência na literatura assíria. Assurbanipal guardava em sua biblioteca, cópias de exemplares da literatura babilônica.

Legados assírios[editar | editar código-fonte]

Coisas pequenas e grandes, simples e complexas, que fazemos e usamos sem pensar duas vezes, surgiram há tanto tempo atrás em terras tão distantes.

Ninguém imagina sair de casa sem trancar a porta; foi na Assíria que tanto as fechaduras como as chaves foram usadas pela primeira vez.

Não há como viver sem saber que horas são, e foi na Assíria que o sistema sexagesimal de contar o tempo foi desenvolvido.

Como imaginar dirigir em ruas não pavimentadas? Foi na Assíria que primeiro se usou a pavimentação.

E a lista continua: o primeiro sistema postal, o primeiro uso do ferro, os primeiros óculos de aumento, as primeiras bibliotecas, as primeiras privadas com descarga, as primeiras pilhas, as primeiras guitarras, os primeiros aquedutos, os primeiros arcos, e por aí afora.

Não se pode deixar de mencionar a importância da biblioteca deixada por Assurbanipal, porque é através do estudo das tabuinhas que se pode reconstituir muito da história da Assíria. Esse é um legado inestimável.

Mas, na Assíria não surgiram apenas coisas materiais, surgiram idéias, idéias que iriam moldar o mundo futuro.

Por exemplo, a idéia de uma administração imperial, dividindo as terras em territórios, administrados por governadores locais, que se reportavam a uma autoridade central, o rei da Assíria. Esse modelo de administração sobrevive até hoje.

Relíquias assírias.

Os fundamentos do antigo e do novo testamentos são encontrados na Assíria, mitologicamente.

Foi lá que a história do dilúvio universal se originou dois mil anos antes do velho testamento ser escrito. Foi lá que o primeiro épico foi escrito, o Épico de Gilgamesh (ou Epopéia de Gilgamesh), com seu tema universal e eterno das lutas e objetivos da humanidade.

Foi lá que a própria civilização se desenvolveu e deixou frutos para as futuras gerações.

Na Assíria foram dados os primeiros passos rumo a unificação cultural do Oriente Médio, trazendo para a esfera de poder assírio grupos diversos do Irã ao Egito, quebrando barreiras étnicas e nacionais e preparando caminho para uma unificação cultural, que facilitou a expansão do Helenismo, Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.

Declínio[editar | editar código-fonte]

Embora Assurbanipal tivesse conquistado o Egito, não conseguiu impedir que o país voltasse a ser independente. Após o Egito houve rebeliões na Fenícia, Babilônia e no Elam. Começava assim o declínio da Assíria.

Em 625 a.C. os caldeus conquistaram sua independência e tomaram a Babilônia.

Em 612 a.C. o rei assírio era Assur-Uballit II e seu exército não resistiu à aliança entre o rei da Média, Ciáxares, e o rei dos caldeus, Nabopolassar.

Os assírios foram derrotados em Harran e os dois povos aliados destruíram Nínive e Assur.

Tudo isso é mais um pouco foram motivos que levaram a queda da Assíria.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

João e Maria