Civilização romana/Geografia do Lácio

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Geografia do Lácio[editar | editar código-fonte]

A característica mais importante da geografia histórica da Itália é a estreita interação entre planície, piemonte e montanha. Somente cerca de um quinto da superfície total da Itália é considerada oficialmente como planície (quer dizer, terras que não superam Os 300 metros de altura); dela, mais de 70% se encontra no Vale do Pó. O restante, cerca de dois quintos, é classificado como montanha (acima de 1.000 metros de altura), e as demais partes do território como piemonte (entre 300 e 1.000 metros de altura). A alternância desses tipos de relevo e sua distribuição por todo o país criam uma grande diversidade de condições climáticas e grandes contrastes paisagísticos entre uma região e outra.

A Itália é separada da Europa central pela grande barreira dos Alpes. Apesar de sua altura, essas montanhas não a mantiveram isolada do restante do continente. Embora as neves invernais os tenha tornado impraticáveis durante mais da metade do ano, a maioria das passagens de montanha era conhecida desde os tempos mais remotos. Durante toda a história, tiveram lugar movimentos de povos através dos Alpes, as vezes em grande escala, como, por exemplo, as incursões dos celtas e dos cimbrios no período republicano e as invasões bárbaras dos séculos V e VI da nossa era.

Ainda que não haja nenhuma dúvida quanto à unidade geográfica do território italiano ao sul dos Alpes, é conveniente fazer uma distinção entre a "Itália continental", formada pelo Vale do Pou e suas hordas montanhosas (os Alpes no Norte, as Apeninos no Sul), e a "Itália peninsular", que compreende o restante do país a exceção das ilhas. Essas duas regiões são diferentes em clima e em topografia, bem como em seu desenvolvimento cultural e econômico.

A Itália peninsular desfruta de um clima tipicamente mediterrâneo, caracterizado por invernos temperados, verões quentes e uma pluviosidade anual moderada; essa, no entanto, se concentra em fortes precipitações durante os meses de inverno, enquanto em junho, julho e agosto se experimenta uma seca extrema. A Itália continental, em contrapartida, pertence climaticamente à Europa central. Tem temperaturas extremas mais acentuadas; o frio do inverno contrasta com o intenso calor do verão, em que as temperaturas são tão altas quanto as da Península. A pluviosidade anual não é mais elevada que em algumas partes da Itália peninsular, mas é mais equitativamente distribuída entre todas as estações. O exemplo mais evidente do contraste entre as duas regiões é a oliveira, que cresce em quase toda a Itália peninsular e ao longo da costa liguriana, enquanto não se encontra ao norte dos Apeninos.

Na atualidade, o Vale do Pou é a região agrícola mais produtiva da Itália. Seu predomínio econômico remonta a tempos antigos; escritores como Estrabão falam de sua fertilidade, da importância de sua população e da prosperidade de suas cidades. As comunicações eram feitas com facilidade através do próprio rio, então como na atualidade navegável até Turim. Na Antiguidade, a região era cheia de bosques, e suas abundantes bolotas alimentavam os rebanhos de porcos, que proporcionavam a maior parte da carne consumida na cidade de Roma. No entanto, o curso inferior do Pan corre por uma vasta planície sujeita a freqüentes e extensas inundações que só puderam ser evitadas mediante canais e diques. É evidente que na época pré-romana a parte inferior do Vale do Pou era pantanosa e estava freqüentemente inundada, especialmente na Emília e no Vêneto; os pântanos do lado sul do rio implicaram um sério obstáculo ao exército invasor de Aníbal em 218 a.e.c. Depois da conquista romana, as terras foram dessecadas mediante um sistema de canais e diques que o censor M. Emilio Escauro construiu em 109 a.e.c. na área situada entre Parma e Módena. Outros trabalhos de dessecação foram levados a cabo par Augusto e seus sucessores, e durante o século I de nossa era a Itália setentrional foi uma das regiões mais prósperas do Império. Veja mais...

Referências Bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • C.McEVEDY Penguin Atlas of Ancient History: Harmondswoth, 1976;
  • H.KIEPERT, O Atlas of the Classical World: Berlín, 1882;
  • M. e R. BECKINSALE, Southern Europe: The Mediterranean and Alpine Lands: Londes, 1975.