Civilização Egípcia/Médio Império/Dinastias do Médio Império 13ª dinastia

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Dinastia 13

Décima-Terceira Dinastia[editar | editar código-fonte]

A 13ª dinastia está dentro do Médio Império mas também poderia pertencer ao Segundo Período Intermediário, porque foi uma fase em que o governo centralizado se despedaçou.

Esta não é uma dinastia tradicional, uma vez que houve diversos reis cada qual governando de um local. Assim também houve muita rivalidade e disputas pelo trono do Egito.

Novamente o poder estava rompido.

A 13ª dinastia durou por volta de 150 anos mas nela houve por volta de 65 reis ou mais. A capital política permaneceu em Itj-tawy mas o governo propriamente dito, estava espalhado por todo lado.

A maior parte dos reis dessa dinastia não está devidamente registrado, alguns podem ter sido estrangeiros ou pessoas sem sangue real. Apenas temos Neferhotep I, seu filho Sit Hathor e seu irmão Sebekhotep IV como reis registrados.

A cronologia desse período é uma mistura difícil de organizar, dezenas de reis são colocados em ordens variadas de acordo com cada tipo de documentação. Muitos são desconhecidos embora seu nome conste do Cânone de Turim.

O Cânone de Turim possui 57 fileiras com nomes e fragmentos de 50 governantes mais 12 possíveis de serem colocados nas fileiras 15-19 e 49-55. A duração para essa dinastia é estimada em 150 anos, de modo que cada reinado teria durado por volta de três anos.

Faraós da Décima-Terceira Dinastia[editar | editar código-fonte]

Conhecidos apenas no Alto Egito e que não estão presentes no Cânone de Turim são:

  • Mentuhotep VI
  • Djehuty
  • Neferhotep III
peitoral feito de ouro, electrum, cornalina e vidro, 13ª dinastia
  • Nebiryraw I
  • Smenre
  • Bebiankh
  • Snaaib
  • Monthemsaf
  • Senwosret IV
  • Nebmaatre
  • Dedumose I-II
  • Wepwawemsaf
  • Pantjeny

Baseado no Cânone de Turim e em outros documentos, o egiptólogo dinamarquês Kim Ryholt publicou em 1997 a sugestão abaixo para a cronologia desta dinastia.

cartucho de Sobekhotep I, Abidos
  • Sobekhotep I

O fundador da dinastia, está registrado como o primeiro rei do sexo masculino a incluir o deus crocodilo no seu nome. Deve ter sido o filho de Amenemhet IV da 12ª dinastia embora no Cânone de Turim conste na 19ª posição.

Seu nome está presente em inscrições em papiros, em algumas pedras de construções e na lâmina de um machado cuja proveniência se desconhece.

  • Sekhemkare Sonbef

É possivel que tenha sido filho de Amenemhet III e existe uma confusão entre ele e Amenhemhet V. São reis efêmeros.

  • Amenemhet Sonbef

Este rei é o número dois do Cânone de Turim e possivelmente sucedeu seu irmão Sobekhotep I.

Foi encontrada uma estela com seus nomes e o deus do Nilo, Hapi. Um cilindro com o selo trazendo seu nome também foi usado durante seu pequeno reinado.

  • Amenemhet V

Existe uma confusão entre esse rei e Sekhemkare Sonbef. De acordo com o Cânone de Turim ele foi o terceiro rei dessa dinastia.

Do período em que reinou não há nada, nem selos, nem monumentos, a única coisa que restou foi o seu nome escrito num papiro e uma estátua quebrada em duas partes, feita de uma pedra dura cinza esverdeada. Ela foi encontrada na área do templo de um antigo forte em Elefantina, Assuã. A identificação positiva foi feita no final dos anos 1990 quando o nome do rei foi descoberto, inscrito em alguns dos muitos fragmentos do corpo da estátua que combinava perfeitamente com a outra parte.

O estilo artístico remonta à 12ª dinastia e sua expressão parece mais alegre do que os rostos de alguns faraós da dinastia anterior.

  • Amenyqemau

Até 1957 este era um rei totalmente desconhecido até que uma equipe americana trabalhando em Dashur, encontrou uma estrutura de tijolos baixa e bastante cheia de entulhos.

Embaixo havia uma outra estrutura que determinava que ali havia uma pirâmide ainda desconhecida. O proprietário era o rei Ameny Kemau identificado pelos fragmentos de seus jarros canopos, um ilustre desconhecido da 13ª dinastia e difícil de ser colocado na longa lista de reis efêmeros deste inicio do segundo período intermediário.

No Cânone de Turim aparece um rei cujo nome Se-hotep-ib-Re, que reinou durante um ano, pode ser este rei de que tratamos. Há também a possibilidade que seja o filho de Amenemhet V.

Em 1968 houve outras escavações para melhor documentar essa pirâmide, mas hoje ela está completamente destruída e os visitantes de Dashur sequer se dão conta de que ali houve uma pirâmide.

Nota - descoberta maio 2017

  • Sobekhotep II

Talvez tenha sido o filho de Sobekhotep I. Ele foi o segundo homem de uma lista de sete reis a usar o nome Sobekhotep, homenageando o deus crocodilo.

Sobekhotep II é identificado no Cânone de Turim entre o pouco conhecido Amenemhet VII (Sedjefkare) e o mais conhecido Khendjer.

Em seu governo, fez acréscimos no templo de Mentuhotep I em Tebas e Medamud. Há uma estátua de granito vermelho, que o mostra sentado no trono. Seu nome também foi registrado num bloco de pedra do altar de uma capela em Abidos e numa coluna que está no Museu Petrie. Nada se sabe sobre sua tumba.

  • Hor I
estátua de Hor

Este é um rei bastante registrado. Em Hawara, no lado norte da pirâmide de Amenemhat III existe uma pequena tumba onde Hor I foi sepultado.

Entre outras coisas foi encontrada uma estátua de madeira do rei em tamanho natural. Hoje ela está no Museu do Cairo e é considerada uma obra prima.

Esta estátua representa o Ka do rei, um companheiro invisível que caminha com cada ser humano durante a vida assim como na morte. Acredita-se que tomava posse do corpo mumificado e era simbolizado como nos hieróglifos, dois braços erguidos sobre a cabeça.

Os olhos são feitos de vidro branco e azul, uma cor rara para os olhos dos egípcios.

A tumba estava intocada e continha a múmia com o sarcófago de madeira e alguns equipamentos funerários, incluindo uma arca também de madeira.

  • Wegaf

Em algumas listas este rei consta como o primeiro da dinastia, o Cânone de Turim diz que ele reinou durante dois anos, três meses e vinte e sete dias.

Wegaf deve ter reinado a partir de Itj-tawy e foi um dos primeiros de uns dez reis a tentar estabelecer regras para governar o país.

Poucas coisas sobraram de Wegaf e apenas um selo escaravelho, registra esse rei como comandante do exército do Egito antes de governar. Há também duas estelas em Karnak e na Núbia perto da segunda catarata, uma estatueta e uma estela no Museu de Kartum no Sudão.

Uma ostraca da ilha de Elefantina em Assuã mostra o nome de Wegaf junto do nome do rei Senwosret (não se sabe de qual deles) além disso há uma estátua do rei no Museu do Cairo.

  • Khendjer
reconstrução livre do complexo de Khendjer

Seu complexo mortuário com a pirâmide foi descoberto bem ao sul da necrópole de Saqqara em 1929 mas só foi identificado dois anos depois. Não fosse isso nada mais se saberia sobre este rei.

Quando seu nome foi encontrado numa estela houve uma confusão acerca do seu nome, pois foi usado outro nome de trono. Depois os estudiosos chegaram a conclusão de que ambos os nomes, pertenciam ao mesmo rei da estela encontrada em Saqqara e mencionado no Cânone de Turim.

Do seu templo mortuário restam partes de relevos e do piso da entrada. Felizmente fragmentos de colunas inscritos com seu nome permitiram identificar o dono da construção.

Muitos pedaços de granito negro que formavam o piramidion (topo da pirâmide) foram encontrados razoavelmente preservados e foram reconstruídos. Estão inscritos com o nome de trono do rei, Userkare.

Há também uma capela na parte norte construída contra a lateral da pirâmide, onde há fragmentos de relevos, cenas de oferendas e outras. A noroeste há restos de uma pequena pirâmide auxiliar subterrânea talvez construída para sua primeira rainha, além de outras tumbas para membros da família.

Tudo isso foi encontrado interminado em finais de 1920, talvez esse local nunca tenha sido usado para sepultamentos.

Uma inscrição no sarcófago encontrado na tumba abaixo da pirâmide da rainha indica a duração do pequeno reinado de Khendjer – quatro anos.

Além de sua tumba o que sobrou deste rei foram três estatuetas, três selos cilíndricos com seu nome, alguns selos escaravelhos e uma estela.

coluna papiriforme com o nome de Sobekhotep III, templo de Montu, Medamud

Se conforme seu nome indica, Khendjer veio de fora do Egito (seu nome é semítico), ele talvez tenha sido reconhecido como o primeiro rei de origem não-egípcia.

  • Sobekhotep III

Este rei está listado no Cânone de Turim no número 19 de uma grande lista de governantes.

Ele não tinha sangue real e seus pais (registrados numa inscrição num templo) eram pessoas comuns.

Embora tenha governado por pouco tempo existem muitos artefatos de seu reinado, entre eles mais de 30 selos escaravelhos.

Sua família ficou registrada embora não fosse real e os nomes de duas de suas rainhas são conhecidos, Senebhenas e Neni. Mais tarde ele teve uma filha de nome Jewetibaw cujo nome foi encontrado num cartucho.

Restos de seus monumentos foram encontrados em el Kab e Lisht. Há um altar na ilha Sehel em Assuã com seu nome, também um cabo de machado e uma pequenina conta de ouro. Há uma representação de Sobekhotep III como esfinge de pedra (Museu Egípcio) e uma estátua dedicada ao deus criador Khnum no Museu de Estocolmo.

Neferhotep I, Museu de Bolonha
  • Neferhotep I

É o primeiro rei de uma série de muitos usando esse nome que significa beleza e satisfação. Ele era o irmão mais velho do próximo rei, Sobekhotep IV.

O hieróglifo que significa satisfação é um pedaço de pão sobre uma esteira o que indica a seriedade com que os egípcios viam sua comida.

Ele está listado como número 27 no Cânone de Turim.

Neferhotep I descendia de uma família de militares sem nenhum sangue real e possivelmente originária de Tebas. O nome de sua rainha era Senebsen e parece que eles moravam na capital de onde o rei governava o país, Itjtawy perto de Lisht, no Fayum, médio Egito.

Na ilha de Sehel, Assuã, o nome de Neferhotep I foi gravado na rocha em sete oportunidades. Ele deixou duas estelas em Abidos e outra foi encontrada em Biblos, Líbano. Seus selos escaravelhos são mais de 60 e há também dois selos cilíndricos.

Deste rei temos três estátuas, uma em Elefantina, Assuã e duas no templo de Karnak, Tebas.

Seu sucessor foi o irmão mais novo Sobekhotep IV e talvez eles tenham governado juntos por um período, porque há muitos monumentos trazendo inscritos os nomes dos dois.

estátua de Sobekhotep IV, Louvre
  • Sobekhotep IV

No Cânone de Turim ele está colocado na posição 21.

Sobekhotep IV foi um dos reis mais poderosos desta dinastia e é conhecido por ter enviado tropas para a Núbia a fim de proteger as fronteiras ao sul.

Do seu reinado existe uma bela estátua em que se pode observar a aparência de Sobekhotep IV, no estilo do Império Médio, com orelhas grandes, está hoje no Museu do Louvre.

Diz a história que ele era o irmão mais novo de Neferhotep I ao qual ele sucedeu. Talvez seu pai fosse um sacerdote e há uma chance de que sua mãe fosse neta de Amenemhet III da 12ª dinastia.

Sua rainha era Tjan e após a morte de Sobekhotep IV, ela deixou uma inscrição onde conta como foi para Heliópolis e estudou os velhos textos e como levou a estátua do deus Osíris numa procissão. A história termina na antiga capital, em Abidos, na chamada Tumba de Osíris onde os sacerdotes fizeram uma encenação religiosa.

Importante citar que foi durante o reinado de Sobekhotep IV que os hicsos aparecem na história, tomando o controle de Avaris, no Delta. A partir daí eles conquistam o trono e despedaçam o país.

Sobekhotep V
  • Sobekhotep V

Este rei era um governante de Tebas e provavelmente filho do rei anterior, usando o mesmo nome (e o número 5). É dito que ele teve um filho que também usou o mesmo nome.

O Cânone de Turim o registra como número 25, reinando um período de quatro anos.

Praticamente nada se sabe sobre Sobekhotep V e o que sobrou foram 10 selos escaravelhos e um cilindro e uma estatueta encontrada em Kerma, na Núbia hoje no Museu de Berlim. Isso indica que embora o Egito estivesse enfraquecido, ainda possuía influencia e talvez o controle sobre regiões remotas da Núbia.

  • Wahibre

Temos para este rei dois outros nomes, Iaib ou Ib-iaw, como foi encontrado em seu cartucho.

No Cânone de Turim ele está em 29ª posição, e existe uma parte muito estragada do papiro, que poderia conter outros quatro reis antes dele. Pode ser que ele tenha reinado como o número 33.

Wahibre e seu sucessor são os últimos reis que são bem registrados e reinaram durante um certo tempo.

O que restou para confirmar a existência desse rei foram nove selos escaravelhos, um dos quais encontrado em Biblos no Líbano; três selos cilíndricos; uma conta e um selo com seu nome encontrados em Lisht; uma caneca de Kahun e uma estela que está hoje no Museu Britânico.

estátua do portador do selo real, Gebu, 13ª dinastia
  • Aya (Ay, Ai)

Nos cartuchos esse rei aparece com o nome Merneferre . No Cânone de Turim ele está na posição 33 e foi o rei cujo governo foi mais longo, é citado como 24 anos.

A história conta que os governantes hicsos começaram a se expandir em direção ao sul e tomaram Mênfis. Assim, Aya fugiu de sua capital Itj-twy em direção ao sul. Ainda hoje (2009) não foi encontrada com certeza a cidade de Itj-twy.

Aya deixou muitos registros, mais de 60 selos escaravelhos, um selo cilindrico, uma jarra de pedra com seu nome e a ponta de sua pirâmide (piramidion) que foi encontrada em Khatana (a nordeste do Delta).

Não se sabe o local de sua tumba, só existem suposições.

  • Dedumose I

No cartucho temos seu nome Djedhotep-Re.

Sua fama não é agradável e nos vem através do trabalho histórico de Mâneton. Em sua crônica ele conta que foi esse rei quem entregou o país aos hicsos e o cita com seu nome grego, Totemaios.

Não se sabe o motivo de seu nome não constar no Cânone de Turim e apenas estar registrado em fragmentos do Alto Egito.

O egiptólogo Kim Ryholt em 1997 o colocou na 16ª dinastia. Mas, a dificuldade de situar esses reis, se deve ao fato de haver pelo menos três (alguns dizem que foram cinco) dinastias governando ao mesmo tempo, num Egito despedaçado.

É possível que Dedumose tenha se rendido aos hicsos e a partir daí seus seguidores foram marionetes, reis apenas no titulo, sem nenhum poder.

De Dedumose, foram encontradas apenas inscrições com seus nomes e títulos, uma estela foi descoberta em Edfu erigida por um oficial que se intitula filho do rei e manda gravar todos os títulos de Dedumose inclusive seu nome de Hórus dentro de um serekh. Essa estela está no Museu do Cairo.

A verdade é que o Egito enfrenta de agora em diante um período politicamente conturbado, que vamos ver no próximo capítulo.

Outra lista de reis da 13ª dinastia[editar | editar código-fonte]

  • Wegaf
  • Amenemhet-senebef
  • Sekhemre-Khutawi
  • Amenemhet V
  • Sehetepibre I
  • Iufni
  • Amenemhat VI
  • Semenkare
  • Sehetepibre II
mesa de oferendas, 13ª dinastia
  • Sweadjkare
  • Nedjemibre
  • Sobekhotep I
  • Reniseneb
  • Hor I
  • Amenemhet VII
  • Sobekhotep II
  • Khendjer
  • Imira-mesha
  • Inyotef IV
  • Seth
  • Sobekhotep III
  • Neferhotep I
  • Sihathor
  • Sobekhotep IV
  • Sobekhotep V
  • Iaib
  • Ay
  • Sewadjtu
  • Ined
  • Hori
  • Sobekhotep VI
  • Neferhotep II
  • Sobekhotep VII
  • Senwosret IV
  • Montuhotep V
  • Mentuemsaf
  • Dedumes I
  • Neferhotep III
  • Sobekhotep VIII
  • Ibi II
  • Hor II
  • Senebmiu
  • Sekhanre I
  • Merkheperre
  • Merikare