Bibliologia/Antigo Testamento

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Aliança[editar | editar código-fonte]

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Aliança (acordo)

A Bíblia descreve o relacionamento entre Deus e seu povo em termos de aliança (acordo, pacto, concerto). Este tipo de palavra aparece pela primeira vez em Gênesis 6.18. Aliança é um acordo solene, negociado ou imposto unilateralmente, que ligam as partes umas às outras em relações permanentes, definidas, com promessas específicas, com reivindicações e obrigações de ambos os lados. Exemplo: a aliança do casamento.


Conforme a Bíblia, Deus sempre procurou fazer aliança desde o primeiro homem, Adão, depois deste a ter quebrado, seus filhos Abel e Sete voltaram a procurar a Deus. Depois, Deus fez novamente aliança com Noé, prometendo-lhe não mais destruir a terra com água. Em seguida, Deus fez um concerto com Abraão e o renovou com seu filho Isaque, e seu neto Jacó (Israel), e às suas gerações seguintes, os israelitas, também conhecido como povo hebreu (geração de Abraão).


Deuteronômio 29.1 “Estas são as palavras do concerto que o SENHOR ordenou a Moisés, na terra de Moabe, que fizesse com os filhos de Israel, além do concerto que fizera com eles em Horebe.”


Era hábito dos copistas do Antigo Testamento ao chegar na palavra referente ao nome de Deus - Javé (Jeová) trocar esta palavra pela palavra traduzida por Deus, ou SENHOR, por medo de infringirem o primeiro mandamento - tomar o santo nome de Deus em vão. Dizem ainda alguns historiadores que além disso, os copistas mais religiosos ainda tomavam banho, lavavam as mãos, e trocavam as roupas por outras limpas toda vez que iam copiar o nome de Deus. O termo Senhor vem da época medieval europeia, onde tínhamos o senhor e o servo, assim como o rei e o súdito. Veja com mais detalhes no capítulo sobre Deus.


O princípio básico tratados no Velho Testamento é o a Aliança (concerto) de Deus com os israelitas, feito ao sopé do monte Sinai (ver Êxodo 19.1), onde, Deus estabelece as promessas e compromissos do seu concerto, e aos israelitas cabe aceitá-los com fé obediente. (Êxodo 24.1-8).

Veremos agora as alianças de Deus com os homens no Velho Testamento.

Aliança com Adão[editar | editar código-fonte]

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Adão
Adão e Eva. Mabuse, Século XVI

A história bíblica começa contando como Deus criou todas as coisas, cada qual com seu devido propósito. Ao criar o homem, Deus o colocou para lavrar e proteger o jardim do Éden, e fez com ele um teste moral: não comer de um fruto específico do jardim, Adão foi advertido que morreria se falhasse, isto o colocou diante de uma escolha consciente de crer e obedecer, ou de descrer e desobedecer à vontade do seu Criador. Enquanto Adão cresse na palavra de Deus e a obedecesse, viveria em comunhão com Deus. Se pecasse e desobedecesse, colheria a separação com seu criador, que é a fonte de vida, consequentemente morreria. Gênesis 2.16.


Desde o início da história, a raça humana tem estado vinculada a Deus, mediante a fé na sua palavra e a obediência à mesma, como a verdade absoluta. A vida por meio da fé e obediência foi o princípio da comunhão que Adão tinha com Deus no Éden.


Aliança das obras

Deus fez do primeiro homem o representante de toda sua posteridade, isto fez com que Adão envolvesse seus representados no resultado de sua ação pessoal, quer para o bem, quer para o mal.


A questão moral no teste de Adão era se ele aceitaria Deus determinar o que era bom e mal, ou se ele decidiria isso por si mesmo, independentemente do que Deus lhe tinha dito. Isto implicava confiar em Deus ou não.

Os filhos de Adão, herdaram a vida que este recebera do criador, mas também a morte como responsabilidade de sua falha. Na vida teriam a oportunidade de buscar novamente a Deus, e na morte não perpetuariam seus desejos para o mal.


Caim, primeiro filho de Adão, matou Abel, segundo filho, por inveja do relacionamento deste com Deus. Repreendido, Caim desafiou a Deus: seu pecado era tão grande que ninguém poderia perdoar. Então Deus colocou nele um sinal, para que não fosse tocado, assim teria o resto de sua vida para se arrepender do seu feito. Gênesis 4.8


Deus havia prometido um salvador (Messias) da linhagem de Adão, mas seu primeiro filho havia matado o segundo. Então lhe nasce Sete, e de Sete Enos, começa assim novamente o homem a invocar o nome de Deus. Gênesis 4.26


Aliança com Noé[editar | editar código-fonte]

A Arca de Noé segundo Edward Hicks.

Os homens se multiplicam na terra, mas também se multiplica a violência, até os filhos de Deus - gerações de Adão que invocavam a Deus, procuravam as filhas dos homens malignos, corrompendo assim o futuro das suas gerações. Então, quando Deus viu isto, se arrependeu de ter feito o homem, mas, devido à sua promessa de um salvador na descendência de Adão, resgatou uma família da descendência dos filhos de Sete e não do assassino Caim, era a família de Noé.

Com Noé Deus também fez uma aliança de confiança, em que Noé teria de trabalhar na construção de um grande barco com mantimentos para sobreviver a uma inundação, caso Noé confiasse em Deus dedicando anos de sua vida na construção de um grande barco, e nele recolhesse mantimentos e animais, seria salvo juntamente com sua família, se não, morreria juntamente com os outros. Veja que se estes outros seguissem o exemplo de Noé também seriam salvos.

"Assim fez Noé conforme a tudo o que Deus lhe ordenara". Gênesis 6.22

Pela obediência de Noé foi salva sua família, e Deus promete não mais destruir a terra com água, usando o sinal do arco-íris como memorial. Gênesis 8 e Gênesis 9

Aliança com Abraão[editar | editar código-fonte]

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Abraão
Abraão e os três Anjos que iam destruir Sodoma e Gomorra

Deus havia ordenado aos filhos de Noé que repovoassem a terra, mas gerações seguintes começaram a se unir em cidades, e intentaram em construir torres para alcançarem o céu, a chamada torre de Babel, que deu origem a cidade Babilônia. Então Deus confundiu a sua linguagem para espalhar o homem na superfície da terra. Gênesis 11.1-9


Da geração se Sem, filho de Noé, nasce Abrão, que é chamado por Deus para sair do meio de sua parentela e peregrinar para uma terra prometida. Gênesis 12


Deus promete a Abrão o que os habitantes de Babilônia buscavam, ter um grande nome e ser pai de grandes nações. Apesar de sua idade e de sua mulher Sara serem avançadas, confiou Abrão em Deus e partiu com sua mulher e seu sobrinho Ló.


Deus muda o nome de Abrão que significa pai exaltado - provavelmente seu pai "Tera" fosse muito rico, para Abraão, que significa pai de muitas nações. Também o nome de sua mulher Sarai é mudado para Sara, ambos são variantes significando princesa.


Ló separa-se de Abraão e vai morar em Sodoma. Deus visita Abraão através de 3 anjos, e lhe avisa da devassidão desta cidade, e que pretende destruí-la (Gênesis 18.16) juntamente com a cidade de Gomorra. Abraão suplica a Deus pelos justos desta cidade, e Deus livra a família de Ló. Novamente Deus faz um acordo do confiança com Ló, este ao fugir da cidade não poderia olhar para trás, mas sua esposa duvida, e ao olhar para trás se torna uma estátua de sal. Gênesis 19


A aliança com Abraão incluía sua descendência, se uma parte falhasse pagaria com a morte, então Deus cobrou a morte do filho de Abraão para provar se este cumpriria o acordo. Abraão assim o fez, crendo que como sua mulher gerara um filho na sua velhice, Deus poderia devolvê-lo dos mortos. Deus impediu que Abraão sacrificasse seu filho substituindo-o por um cordeiro. Temos aqui o precedente à substituição na morte do culpado por animais, na lei de Moisés, e também no sacrifício do Cristo no Novo Testamento, como substituição na Nova Aliança (Novo Testamento). Gênesis 22


Deus visitou Jacó, neto de Abraão, cujo nome significa enganador - pois enganara seu irmão Esaú pela bênção do patriarca. Deus mudou seu nome para Israel, que significa aquele que luta com Deus - devido a ele ter lutado com um anjo exigindo sua bênção no lugar de seu irmão que havia vendido o direito da bênção por um prato de comida. Gênesis 32.22

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Israel

Jacó, agora chamado Israel, teve 12 filhos, dos quais saíram as 12 tribos de Israel, Deus cumpriu a sua parte do acordo. Gênesis 39.31

Aliança com Moisés e as tribos de Israel[editar | editar código-fonte]

Devido a uma grande fome, as tribos de Israel vão para o Egito, onde José, filho mais novo de Jacó (Israel), é cogovernante do Egito. Gênesis 46

Depois da morte de Jacó e José, sobe ao poder um novo faraó que escraviza as famílias de Israel, e ainda manda matar seus recém-nascidos. É quando nasce Moisés, cujo nome significa nascido das águas, pois para salvá-lo ele foi colocado num cesto que foi levado pela correnteza do rio Nilo, onde uma filha do faraó se banhava, e encontrando-o criou-o como filho. Êxodo 2


Quando cresceu, Moisés defendeu um escravo israelita e tirou a vida de um egípcio que lhe maltratava, então fugiu errante para o deserto, onde passou a trabalhar como pastor. Deus aparece a Moisés no monte Sinai (Horebe) e lhe chama para ser o libertador do povo de Israel de seu cativeiro. Como um um deus era invocado por seu nome, Moisés pergunta o nome de Deus, que lhe responde: primeiro se identifica como o Deus da aliança com seus pais, segundo como "Eu Sou o que Sou", que depois abreviou para "Eu Sou", em hebraico Javé. Para mais detalhes leia o capítulo sobre Deus. Êxodo 3


Deus usa Moisés como seu porta-voz, e pede a faraó que liberte os escravos hebreus (tribo de Abraão, israelitas), como o faraó não os liberta, Deus castiga o Egito com muitas pragas até que este os liberte. Êxodo 7 a 12


Então Moisés conduz as tribos de Israel ao monte Sinai, onde Deus faz uma aliança com todo povo, prometendo que se estes obedecessem a suas leis seria o seu Deus, senão, deixaria de protegê-los e voltariam a ser escravizados pelas nações. Êxodo 19 e 20

Aliança com Davi[editar | editar código-fonte]

Quando as tribos de Israel se apossaram da terra de Canaã, fora dirigidas por líderes militares e tribais, sacerdotes, juízes e reis. Ao se misturarem com os povos buscaram a idolatria e o modo de vida desses povos, desobedecendo assim a aliança feita com Deus no monte Sinai. Antes do povo ser escravizado novamente (cativeiro), Deus lhes tinha dado oportunidade de se redimirem através de sacrifícios de animais. Mas para isso era necessário que pessoas de autoridade tivessem comprometimento em ensinar ao povo sobre Deus e suas leis.


Davi, o segundo rei de Israel, resolveu construir um templo para que o nome de Deus fosse lembrado e adorado, pois seus símbolos, como a arca e utensílios de adoração, ainda eram guardados em tendas. Deus se agradou disto e prometeu guardar o nome e a geração de Davi, assim como este intentou guardar e preservar o nome de Deus. Disto vem que o salvador (Messias) prometido a Adão viria da linhagem de Davi. 2 Samuel 7