Álgebra linear/Espaços vetoriais
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Índice |
[editar] Definição
Um espaço vetorial é formado por:
- Um conjunto
cujos elementos serão chamados de vetores; - Um corpo
cujos elementos serão denominados escalares; - Uma operação
conhecida como adição de vetores; - Uma operação
chamada de multiplicação por escalar.
Neste wikilivro, será escrito simplesmente
para denotar 
Normalmente, o corpo K é o corpo dos números racionais, dos números reais ou dos números complexos.
- Definição
Dizemos que
é um espaço vetorial sobre
quando as operações
e
satisfazem as seguintes propriedades:
- Adição
- Para cada
(comutatividade) - Para cada
(associatividade) - Existe um vetor
tal que para cada
(neutro aditivo) - Para cada
existe
tal que
(inverso aditivo)
- Multiplicação por escalar
- Para cada
e cada
(distributividade) - Para cada
e cada
(distributividade) - Para cada
e cada
(associatividade) - Para cada
(neutro multiplicativo)
[editar] Exemplos
e
são espaços vetoriais reais (ou seja, sobre o corpo
).- O conjunto formado pelo único número real 0, ou seja, {0}, é um espaço vetorial sobre

é um espaço vetorial sobre 
- Os exemplos acima são aplicáveis para qualquer corpo K, ou seja, são espaços vetoriais sobre K: {0}, K e Kn.
- Seja
o conjunto dos números inteiros positivos, e S o conjunto de todas as funções de domínio
e contradomínio
Dadas f e g funções e λ um número real, podemos definir
- (f + g) como a função que leva o número inteiro positivo n no número real f(n) + g(n)
- (λ f) como a função que leva o número inteiro positivo n no número real λ f(n).
Ou seja, foram definidas as operações de soma de vetores e produto de um escalar por um vetor em S. Como exercício, podem-se provar os axiomas, mostrando que S é um espaço vetorial. Este espaço vetorial é tão importante que tem um nome: ele é o espaço vetorial das sequências de números reais.
- O exemplo acima pode ser generalizado. Seja K um corpo qualquer, e I um conjunto qualquer (a letra I é porque este conjunto será chamado de conjunto de índices). Então o conjunto KI, das funções de domínio I e contra-domínio K, torna-se naturalmente um espaço vetorial definindo-se para

[editar] Subespaços vetoriais
[editar] Definição
Seja
um espaço vetorial sobre o corpo
Um subespaço vetorial de
é um subconjunto
que também é um espaço vetorial sobre
com as mesmas operações (adição e multiplicação por escalar) de 
Equivalentemente, um subespaço vetorial de
é um subconjunto não-vazio
fechado em relação às operações de adição e multiplicação por escalar, ou seja, um subconjunto tal que
- Para todos
tem-se 
- Para qualquer escalar
e para todo
tem-se 
-
}
[editar] Combinação linear
[editar] Definições
- Definição
Seja
um espaço vetorial sobre um corpo
Um vetor
é dito combinação linear dos vetores
se existem escalares
tais que
Note-se que, pela definição, nem os λ nem os v precisam ser distintos.
- Definição
Seja S um subconjunto do espaço vetorial V. Um vetor
é dito uma combinação linear de elementos de S quando
ou existem:
- um número inteiro positivo n,

- vetores
e - escalares

Deve-se notar que a condição u = 0 é importante para o caso em que S seja o conjunto vazio. Equivalentemente, seria possível definir a soma de zero vetores como o vetor nulo (isto é semelhante à definição do fatorial de 0, igual ao produto de zero fatores, ou seja, é o elemento neutro multiplicativo, 1).
[editar] Propriedades
- Todo elemento x de S é uma combinação linear de elementos de S. Basta escolher n = 1, v1 = x e λ = 1, de forma que x = λ v1
- Se x é uma combinação linear de elementos de S, e λ é um escalar, então λ x também é uma combinação linear de elementos de S. Prova: x = 0 (neste caso, λ x = 0) ou
Então 
- Se x e y são combinações lineares de elementos de S, então x + y também é. A prova é um pouco mais complicada, e será feita com cuidado
- Caso x ou y sejam 0, é imediato que x + y, sendo igual a x ou y, é uma combinação linear de elementos de S.
- No caso geral,
e
Então definindo
e
temos que

- Os últimos resultados mostram que o conjunto formado por todas as combinações lineares de elementos de S é um espaço vetorial - o capítulo seguinte estudará este espaço
[editar] Dependência e Independência linear
- Definição
Seja
um subconjunto de
Dizemos que
é linearmente dependente se existem vetores distintos
e escalares
não todos nulos, tais que
é linearmente dependente se alguma combinação linear não-trivial de alguns de seus vetores resulta no vetor nulo. Quando
não é linearmente dependente, ou seja, quando a única combinação linear de vetores de
que resulta no vetor nulo é a trivial (com todos os coeficientes nulos), dizemos que
é linearmente independente.
Quando temos um número finito de vetores
é comum dizer que os vetores
são linearmente dependentes (ou independentes), em vez de dizer que o conjunto
é linearmente dependente (ou independente).
[editar] Propriedades
- Pela definição, o conjunto vazio é linearmente independente.
- Todo conjunto que contém o vetor nulo é linearmente dependente.
- Todo conjunto que tem um subconjunto linearmente dependente é linearmente dependente.
- Todo subconjunto de um conjunto linearmente independente é linearmente independente.
- Se um vetor de um conjunto é combinação linear de outros vetores desse conjunto, então o conjunto é linearmente dependente.
- A interseção de dois conjuntos linearmente independentes é linearmente independente - podendo ser o conjunto vazio.
- A interseção de um número qualquer de conjuntos linearmente independentes é linearmente independente.
- A união de conjuntos linearmente independentes, normalmente, não será linearmente independente. Porém quando um conjunto é subconjunto de outro, a sua união (sendo igual ao maior conjunto) é linearmente independente. Uma extensão não-trivial desta propriedade é a seguinte: seja K um conjunto formado por conjuntos linearmente independentes, de modo que dados quaisquer dois elementos de K, um deles é subconjunto do outro. Então a união de todos os elementos de K também é linearmente independente.
[editar] Espaço gerado
[editar] Definição
- Definição
Seja
um subconjunto de um espaço vetorial
O conjunto de todas as combinações lineares finitas de elementos de
é um subespaço
de
e é dito o subespaço gerado por
Quando
é um conjunto finito
dizemos que
é o subespaço gerado pelos vetores 
[editar] Exemplos
| Este módulo tem a seguinte tarefa pendente: Elaborar e incluir uma imagem para ilustrar este conceito. |
- Em qualquer espaço vetorial V, o espaço vetorial gerado pelo conjunto vazio é o subespaço vetorial { 0 }. Analogamente, o espaço vetorial gerado pelo conjunto V é o próprio V
- Em
o espaço vetorial gerado por um vetor não-nulo é uma reta que passa pela origem - Em
o espaço vetorial gerado por um vetor não-nulo também é uma reta que passa pela origem - Em
o espaço vetorial gerado por dois vetores não-nulos, em que um deles não é múltiplo do outro, é todo o 
- Em
o espaço vetorial gerado por dois vetores não-nulos, em que um deles não é múltiplo do outro, é um plano que passa pela origem
[editar] Definição através de conjuntos
Seja S um conjunto de vetores de V. Pode-se perguntar qual é o menor subespaço vetorial de V que contém S. Para ser mais preciso, temos o seguinte:
- V é um subespaço vetorial de V que contém S
- A interseção de subespaços vetoriais de V que contém S também é um subespaço vetorial de V
Ou seja, seja K o conjunto (não vazio, porque
) definido por:
e seja
definido por:
[editar] Teorema
Nas condições definidas acima,
é o subespaço vetorial gerado por S.
[editar] Bases
- Definição
Seja
um subconjunto de um espaço vetorial
é uma base do espaço vetorial
quando o subespaço de
gerado por
é o próprio
e
é um conjunto linearmente independente. Quando uma base
é um conjunto finito
de
elementos, dizemos que
tem dimensão
.
Seja V um espaço vetorial e B uma base de V. Suponha que um vetor
seja escrito como combinação linear de vetores de B de duas formas diferentes:
O que pode ser dito a respeito dos λ e μ? O que pode ser dito a respeito dos ui e wj? A resposta é que, de certa maneira, eles são únicos.
[editar] Coordenadas
- Definição
Seja B uma base de um espaço vetorial V. Se existe
então para todo vetor
se expressarmos v como uma combinação linear de elementos de B que inclua b, o coeficiente do termo b será constante. Em outras palavras, para toda base B do espaço vetorial V existe uma função que associa a cada par
um escalar. Esta função é chamada de a coordenada de v na base B
conhecida como adição de vetores;
chamada de multiplicação por escalar.
(
(
tal que para cada
(
tal que
(
e cada
(
e cada
(
(
(
e
são espaços vetoriais reais (ou seja, sobre o corpo
).
o conjunto dos números inteiros positivos, e S o conjunto de todas as funções de domínio



tem-se 
e para todo
tem-se 


e
Então 
e
Então definindo
e
temos que

o espaço vetorial gerado por um vetor não-nulo é uma reta que passa pela origem
o espaço vetorial gerado por um vetor não-nulo também é uma reta que passa pela origem
