Sexo/O lado social

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Ao longo da história, as diferentes culturas ao redor do planeta constataram que o sexo, apesar de prazeroso e necessário à preservação da espécie, podia ocasionar graves problemas, como por exemplo:

  • doenças sexualmente transmissíveis (sífilis, blenorragia, AIDS etc.);
Estatueta representando um sifilítico com as lesões de pele típicas da doença
  • o nascimento de crianças sem uma estrutura familiar que pudesse se responsabilizar por sua criação;
Criança vendendo balas em um sinal de trânsito no Brasil
  • estupros;
Grupo de mulheres violentadas na República Democrática do Congo
  • disputas violentas em torno da posse de parceiros sexuais;
Duelo de pistolas no século XIX
  • superpopulação, gerando escassez de terra, alimento e demais recursos naturais, gerando, por sua vez, conflitos pela posse dos recursos naturais e problemas ecológicos como desmatamento e ocupação de terrenos impróprios para construção de moradias[1].
Favela em pântano perto de um depósito de lixo em Jacarta, na Indonésia. A escassez de moradias motivada pela superpopulação leva à construção de moradias em locais impróprios.

Visando a evitar estes efeitos negativos do sexo, as diferentes culturas criaram formas de controle da atividade sexual, como por exemplo:

  • a criação da instituição do casamento, a qual evitaria disputas pela posse de parceiros, ao mesmo tempo em que providenciaria, às crianças, uma estrutura familiar que pudesse cuidar de sua segurança, alimentação e educação até a idade adulta;
Um casamento judaico, quadro de 1903 de Jozef Israëls
  • a obrigatoriedade da monogamia (cada pessoa ter no máximo um parceiro sexual) ou a limitação da poligamia (fixação de número máximo de esposas que um homem poderia ter);
  • a exigência de se cobrir o corpo, reduzindo os estímulos sexuais (por exemplo, as exigências islâmicas de se orar com o corpo coberto do umbigo até o joelho, no caso dos homens e apenas com pés, mãos e cabeça descobertos, no caso das mulheres[2]). Segundo a filosofia islâmica, tal procedimento impede que as pessoas sejam vistas meramente como objetos sexuais e passem, então, a serem vistas como seres plenos, dotados de sentimentos, pensamentos e personalidade e carentes de atenção, respeito e carinho. Isso melhoraria as relações entre as pessoas, segundo a doutrina islâmica. Além de reduzir a possibilidade de adultério ou estupro.
  • A exigência da virgindade até o casamento;
  • a glorificação do celibato, expressa por exemplo na existência de diferentes ordens monásticas em várias religiões;
  • a proibição de comportamentos sexuais heterodoxos, como por exemplo: o homossexualismo, o bissexualismo, a relação sexual com animais, a masturbação, o sexo anal, a pedofilia etc., por parte de importantes religiões como, por exemplo, o cristianismo[3][4] e o islamismo [5];
  • a criação de métodos anticoncepcionais, como por exemplo a camisinha (também chamada camisa-de-vênus ou preservativo masculino. Existe também a camisinha feminina.), a pílula anticoncepcional, o DIU, o diafragma, a ligadura de trompas, a vasectomia, o método da tabelinha etc.;
  • a criminalização da prostituição em países como Estados Unidos e Austrália, o combate ao aliciamento à prostituição em países como Brasil e a restrição da prostituição a maiores de dezoito anos em países como Alemanha, Países Baixos e Nova Zelândia[6];
  • a adoção de políticas governamentais de controle demográfico, como a esterilização forçada na Índia na década de 1970[7] e a política do filho único na China a partir de 1979[8].

Vale lembrar que a criação da pílula anticoncepcional, na década de 1950, revolucionou o comportamento sexual da humanidade, ao permitir o sexo com vários parceiros sexuais sem o risco de gravidez. A partir de então, ocorreu a chamada revolução sexual, que se caracterizou pela reivindicação de se ter quantos parceiros sexuais quanto se quisesse. Dentro deste contexto, se inseriram: o movimento hippie, que pregava o "amor livre", isto é, o sexo liberado das amarras do casamento; a criação de revistas mostrando fotos de mulheres nuas, como a revista Playboy em 1953, nos Estados Unidos[9]; o movimento feminista, que pregava a libertação da mulher frente ao domínio masculino [10]; a publicação de vários estudos científicos relativos ao comportamento sexual humano, como os relatórios Kinsey, Masters & Johnson e Hite [11]; a criação das sex shops (lojas especializadas em artigos eróticos), a primeira das quais tendo sido fundada em meados da década de 1950, em Berlim, na Alemanha e a criação de vários museus do sexo pelo mundo, visando a popularizar o conhecimento sobre o sexo, sendo que o primeiro museu aberto foi o templo de Vênus, em Amsterdã, nos Países Baixos, em 1985[12]. Também concorreu para a atmosfera de liberação sexual o trabalho de Sigmund Freud, no final do século XIX e início do século XX, que apontava a repressão sexual como causa de neuroses [13].

Juntamente com o advento do cinema, no início do século XX, também surgiram os filmes eróticos. Atualmente, os filmes pornôs movimentam dezenas de bilhões de dólares por ano no mundo [14].

Um gênero especializado dentro da indústria de filmes e desenhos pornô é o hentai, que se utiliza de personagens desenhados segundo o estilo japonês.

O surgimento da AIDS, na década de 1980, veio frear o processo de liberação sexual que vinha desde a criação da pílula anticoncepcional, na década de 1950. As pessoas com muitos parceiros sexuais se tornaram grupo de risco para a nova doença. Os governos nacionais passaram então a estimular o uso da camisinha, como meio de impedir a disseminação da doença, que não tinha cura. Porém a igreja católica se posicionou contrária ao uso da camisinha[15], por julgá-la contrária a sua doutrina e incentivadora de um comportamento sexual desregrado.

Apesar de ser um eficiente meio de impedir o contágio e a disseminação do vírus HIV, a camisinha enfrenta, muitas vezes, um problema de rejeição pelos homens, por diminuir a sensibilidade peniana e, consequentemente, diminuir o prazer sexual[16].

Atualmente, têm obtido destaque junto à mídia as campanhas contra o abuso sexual de crianças (também chamado "pedofilia"), pois foi comprovado que pode provocar sérios danos psicológicos às crianças[17].

Também têm sido bastante veiculados nos meios de comunicação os atos de violência contra os homossexuais. Isto tem gerado uma reação através de marchas em favor dos direitos dos homossexuais. Um dos direitos conquistados tem sido, em alguns países, o direito ao casamento homossexual. Outro direito conquistado tem sido a criminalização da discriminação contra os homossexuais.

Estudos recentes indicam que as crianças deveriam receber aulas de educação sexual desde cedo, pois assim elas poderiam decidir começar a sua vida sexual somente quando estivessem devidamente preparadas[18].

Outros estudos indicam que uma possível vantagem evolutiva do homossexualismo para as espécies seria um maior cuidado que os homossexuais dedicariam à prole de seus parentes. Como os homossexuais tendem a não ter relações com o sexo oposto, eles tendem a não gerar descendentes, o que, teoricamente, faria com que o homossexualismo diminuísse na sociedade ao longo do tempo. Mas isso não ocorre. Uma possível explicação para este fato é a de que os homossexuais, por não deixarem prole, dedicam mais tempo ao cuidado da prole de seus parentes, numa espécie de "altruísmo genético" que aumenta as chances de perpetuação dos genes da sua família. E a prole de seus parentes tenderia a ter genes homossexuais latentes, propiciando a continuação dos genes homossexuais ao longo do tempo[19].

A ampla difusão dos métodos anticonceptivos a partir da segunda metade do século XX tem gerado, na Europa, um decréscimo na taxa de natalidade, levando alguns governos a estabelecer políticas públicas de incentivos ao aumento da taxa de natalidade[20].

A proliferação de denúncias de abusos sexuais de crianças por parte de padres no final do século XX e início do século XXI tem levado a um questionamento da exigência do celibato para os padres católicos, celibato este apontado por alguns como estando diretamente relacionado aos casos de pedofilia de padres[21]. Em 2011, um grupo formado por expressiva quantidade de teólogos alemães, austríacos e suíços divulgou um manifesto defendendo o fim da exigência do celibato para os padres, argumentando que tal exigência não tem fundamento bíblico[22].

No início do século XXI, já existem robôs com aparência humana feitos especialmente para o sexo com humanos. Especialistas afirmam que, até 2050, o sexo com robôs já terá se tornado uma coisa comum, o que poderá suscitar grandes debates éticos.[23]

Em 2015, a revista Playboy dos Estados Unidos anunciou a decisão de não mais mostrar fotos de mulheres nuas. A decisão foi motivada pela concorrência com a internet, que mostra pornografia de forma gratuita e muito mais acessível do que a revista. O que, segundo o presidente da revista, significa de certa forma uma vitória da revista na sua histórica luta pela liberação sexual da sociedade.[24]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070716183719AAKsbUw
  2. http://www.masnavi.org/jerrahi/Oracao_Islamica/oracao_islamica.html
  3. http://www.lepanto.com.br/dados/DChomo.html
  4. http://blog.cancaonova.com/padrereinaldo/2008/04/22/por-que-a-masturbacao-e-pecado/
  5. http://www.edeus.org/edeus/resposta14.htm
  6. http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/imprescindivel/semana/gd210703a270703.htm
  7. http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/449/artigo164016-3.htm
  8. http://pessoas.hsw.uol.com.br/controle-populacional-na-china1.htm
  9. Veja também a História da Playboy
  10. The Women's Liberation Front
  11. Os relatórios Shere Hite: Sexualidades, Gênero e os Discursos Confessionais
  12. http://jahmusic.vilabol.uol.com.br/jornalismo/07052007sexmuseu.htm
  13. Conforme Millot (1899), página 27.
  14. Ela é diretora de filmes pornôs!
  15. O uso do preservativo e a posição da igreja católica
  16. http://www.fen.ufg.br/revista/v9/n3/v9n3a14.htm
  17. Abuso Sexual
  18. http://noticias.terra.com.br/educacao/noticias/0,,OI4502555-EI8266,00-Estudo+criancas+de+anos+deveriam+aprender+sobre+sexo.html
  19. http://andreafreitas.wordpress.com/2010/07/02/homossexualidade-esta-no-gene/
  20. http://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESSO/Edicoes/13/artigo65886-3.asp
  21. http://almanaquedehistoria.blogspot.com/2010/03/vaticano-e-pedofilia-errado-vaticano.html
  22. http://reporterdecristo.com/teologos-catolicos-pedem-fim-do-celibato-e-ordenacao-de-mulheres/
  23. http://canaltech.com.br/noticia/robo/sexo-com-robos-ja-e-uma-realidade-e-voce-vai-fazer-isso-nos-proximos-anos-54047/
  24. http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/10/1693305-revista-playboy-deixara-de-publicar-fotos-de-mulheres-nuas-diz-jornal.shtml
  25. WILKINSON, P. O livro ilustrado das religiões. Primeira edição. São Paulo: Publifolha, 2001. p.107.