Marcas nas fotografias de Werner Haberkorn/Vista parcial da Praça da Sé. São Paulo-Sp. 02, Acervo do Museu Paulista da USP

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Vista parcial da Praça da Sé. São Paulo-SP (metadados).

Lista de marcas identificadas[editar | editar código-fonte]

  • Martini
  • Cinzano
  • Bisleri
  • Drago


Martini[editar | editar código-fonte]

Martini é uma marca italiana que surgiu em 1863 a partir da parceria entre Alessandro Martini e Luigi Rossi, a dupla busca representar a qualidade e o estilo italiano através das suas bebidas e a essência da marca é passada de geração para geração. Neste mesmo ano, a parceria deu origem a seu primeiro vermute, conhecido como “The Martini Rosso”, que permanece o mesmo até os dias de hoje. O original de Martini foi criado por Luigi Rossi reunindo uma seleção de ervas regionais e caramelo natural, a bebida se tornou um ícone na Itália.

O lar do vermute Martini e seus aromas fica instalado nos campos de Pessione, no norte da Itália, desde 1864 - ainda sim, a marca continuou com seus escritórios em sua terra natal, localizada em Torino. O sucesso da marca contribuiu diretamente para o desenvolvimento da cidade. A região desenvolveu a tradição de fabricação dos vinhos espumantes desde 1830 e é deste local que as uvas Glera são colhidas para a derivação do Martini Prosecco. A fórmula original da bebida continua sendo a mesma desde que foi criada, com uma combinação de plantas dos solos nativos e de outros países e apenas três pessoas conhecem sua receita, uma delas é Ivano Tonutti, um fisioterapeuta. A marca já está em sua oitava geração de artesãos e a fórmula original da bebida é seguida com o objetivo de manter a qualidade e a integridade que seus criadores deram à Martini.

Os espumantes fizeram sua primeira aparição em 1850, nas colinas ao redor de Asti, Piemont, onde a adega da Martini é localizada, em Santo Stefano Belbo. O mercado local atrai cerca de 300 produtores, muitos dos quais trabalham com a empresa durante gerações e ajudando na coleção de Muscat brancos, os montes de ouro. No noroeste da Itália, assim como a região de Asti, a casa de Pessione é onde se obtém a uva Bianco Moscato presente na bebida Martini Asti. A região do nordeste da península italiana é famosa pela produção de espumante, local de onde vem as uvas Glera, presentes na bebida Martini Prosecco.

Alessandro Martini investiu na popularização da marca inserindo em seus negócios jovens empreendedores italianos, além de familiares, para que pudessem levar a Martini para o mundo todo. As bebidas Martini passaram a ser distribuídas em países como Estados Unidos da América, Argentina, Grécia, Portugal, Brasil, Egito e Bélgica. Em 1885, a marca começou a explorar o ramo publicitário e contratou artistas para a produção de cartazes como meio de divulgação. Um dos convidados para realizar as primeiras produções publicitárias da Martini foi o artista Andy Warhol e o italiano Armando Testa, considerado um dos maiores produtores de cartazes e fundador da publicidade moderna. A partir de 1960, começaram a ser produzidas as propagandas modernas e comerciais contendo celebridades como George Clooney e Charlize Theron anunciando o cardápio diversificado de bebidas Martini.

As bebidas Martini fizeram parte de um círculo de ícones culturais e expressões artísticas de Milão durante as décadas de 50 e 60. O Martini Terrazza era popular em todas as principais cidades da Europa, tornaram lugares mais festivos e excitantes para todo o público. Assim como na cultura, a marca teve suas influências no esporte, sobretudo nas corridas automobilísticas de Fórmula 1. A Williams Racing, se tornou para Martini uma parceira natural que levaria o grupo de volta às pistas de corrida. Os primos Rossi Di Montelera, parentes de Luigi Rossi, eram esportistas por direito próprio que buscavam expressar a paixão familiar tanto nas questões políticas da empresa quanto na velocidade e na intensidade dos automóveis. No ano de 1925, a Martini teve sua primeira parceria na corrida de ciclismo de Turim, na Gran Coppa e, em 1958, foi fundado o Martini International Club.

Referências

1. Martini Global, Site oficial

2. Bartender website, sobre martini & Rossi Vermouth

Cinzano[editar | editar código-fonte]

A marca Cinzano remonta ao século XVIII, quando os irmãos mestres destiladores Carlos Stefano e Giovanni Giacomo Cinzano. A tradicional Casa Cinzano produzia, entre as várias misturas, uma bebida muito semelhante nos Alpes Italianos, que continha 35 ingredientes, que pouco depois viria a ser conhecida como vermute, introduzida oficialmente no mercado em 1786 com o nome de CINZANO ROSSO, em referência a sua cor avermelhada. Foi neste mesmo ano que a pequena empresa foi nomeada fornecedora oficial de bebidas da Casa Real de Savóia. Rapidamente o CINZANO ROSSO se tornou a bebida preferida da classe média de Turim. No entanto, foi somente em 1787, quando o filho de um dos fundadores assumiu a administração da empresa que o produto ganhou fama e passou a ser conhecido como “Vermute de Torino”, tornando-se assim um ícone da cultura italiana.

Em 1840, sendo a primeira empresa a produzir os tradicionais vinhos espumantes italianos, que foram criados para rivalizar com os famosos champagnes franceses. A empresa, continuando sua escalada de inovações, introduziu os rótulos impressos e coloridos em 1853, em substituição aos artesanais tornando suas garrafas mais brilhantes e atraentes. Além de adicionar cor, eles decidiram incorporar os prêmios conquistados por seus produtos nos rótulos. A partir de 1878 CINZANO começou a ser exportado para outros países, como por exemplo, Argentina, Brasil, Índia e Estados Unidos, além de várias partes da Ásia e África.

Atualmente, os produtos que levam a marca CINZANO são comercializados em mais de 130 países ao redor do mundo, tendo 80% de sua produção originária na cidade de Turim. A marca é a segunda mais consumida no mundo na categoria de vermutes e possui boa participação no segmento de espumantes, onde oferece uma completa gama de produtos. Seus principais mercados são Itália, Argentina, Rússia, Brasil, Alemanha, Espanha e Estados Unidos.

Curiosidade

O aperitivo rabo de galo é um dos mais consumidos do Brasil, está ligado à chegada da fábrica da CINZANO a cidade de São Paulo, nos anos de 1950. Sempre mirando a comunidade italiana, a marca rapidamente percebeu que nos balcões dos bares o paulistano bebia cachaça e não vermute. A marca então resolveu estimular a mistura de vermute e cachaça. Fez isso criando um copo exclusivo, com linhas da marcação das doses: “Até aqui, vermute. Daqui pra cima, cachaça”.

Referências

1. Cinzano, site oficial.

2. CampariGroup, sobre Cinzano.

Bisleri[editar | editar código-fonte]

Bisleri é líder na categoria de vendas de água mineral na Índia. Fundada pelo empresário italiano Signor Felice Bisleri, originou-se na cidade de Nocera Umbra, em uma nascente chamada Angelica. Posteriormente, os produtos Bisleri foram lançados em Mumbai no ano de 1965.

Em 1969, a marca foi comprada pelo grupo Parle e começa a fabricar refrigerantes. Em 1971, o grupo lança a bebida gaseificada com sabor de limão chamada Limca. Três anos depois, Maaza, a bebida à base de manga é lançada. Em 1978, a bebida de sabor cola “Thums Up” é criada. No ano de 1991, a Bisleri anuncia o novo produto de 20 litros, a água mineral para casas e escritórios. No ano seguinte apresenta a garrafa de 1,5 litro denominado Bada Bisleri. Em 2006, a marca mudou seu rótulo de azul para verde, tal mudança foi recomendada para diferenciar as embalagens e rótulos de seus produtos da concorrência, que eram em sua maioria na cor azul. A mudança veio de encontro com o conceito ecológico adotado pela empresa. No mesmo ano a Bisleri lança a “Natural Montains”, a água natural vinda do Himalaia.

No ano de 2010, Bisleri lança a edição limitada de garrafas com embalagens especiais, disponíveis em 250 ml e 500 ml. Em 2011, a marca iniciou a campanha “Fique protegido”, com a mensagem “proteja aquele que você ama”. A embalagem era disponível em 15 litros para uso doméstico. No mesmo ano, a Club Soda é lançada e no ano seguinte a água natural das montanhas, Vedica, é reinventada. Em 2013, a marca lança a campanha “Kiss to Drink” (“Beije para beber”) para promover a garrafa de 500 ml e encoraja o consumidor a beijar sua garrafa Bisleri. Em 2014, a bebida energética Urzza é lançada com o slogan “taste the power of Urzza” (“Experimente o poder da Urzza”). Dois anos depois, Bisleri lança quatro refrigerantes efervescentes - Spicy, Limonata, Fonzo e Pina Colada - e a água mineral de 300 ml, a “Rockstar”.

No ano de 2017, a Bisleri lançou rótulos em idiomas regionais em toda Índia, incluindo Hindi, Marathi, Guajarati, Punjabi, Tâmil, Telegu, Assamês, Malaiala, Kannada e Bengali. O país é multilíngue e a marca foi a primeira na categoria a ter a iniciativa com o objetivo de estabelecer uma relação mais próxima com as pessoas do território indiano em diferentes mercados, dialogando com os consumidores em idiomas que eles entendem. A fácil acessibilidade à marca também permite que o consumidor reconheça as garrafas genuínas da Bisleri para evitar a compra de produtos falsificados. Ainda que se assemelhe ao produto original, é preciso evitar o consumo do não autêntico. Em 2018, a marca lança uma bebida com uma combinação de suco de manga e um aspecto de refrescância.

Bisleri oferece um rigoroso processo de 10 etapas e mais de 100 testes para garantir a qualidade dos produtos, prezando por altos padrões de higiene. Os laboratórios de teste de qualidade, equipados com tecnologias de última geração, asseguram que os produtos sejam fabricados de acordo com as normas de qualidade estabelecidas pela Bureau of Indian Standards (BIS) antes de serem distribuídos para toda a Índia e para os outros países inclusos em sua rede de exportações. A Bisleri reconhece seu papel social nas questões ambientais ao adotar práticas sustentáveis e que tenham um impacto positivo na natureza. Para isso, a marca tomou iniciativas como a reciclagem de plástico, coleta de água da chuva e tratamentos de ozônio. A marca também promove diversas campanhas de conscientização para envolver a população em programas de proteção ao meio ambiente.

Referências

1. Bisleri, site oficial.

Drago[editar | editar código-fonte]

Em 1935, o imigrante italiano Giuseppe Michelangelo Drago decidiu, em uma simples oficina de marcenaria, criar e introduzir no mercado uma mobília que se ajustasse ao espaço moderno dos novos edifícios, que enfrentavam dificuldades devido ao seu tamanho reduzido durante o processo de verticalização do Rio de Janeiro na década de 30. Um modelo de sofás-cama foi criado para que fosse econômico e estético e assim suprir a necessidade de aproveitamento desses pequenos espaços de forma funcional. Assim surgiu as Indústrias Reunidas Sofá-Cama Drago S.A. Os sofás-cama Drago se baseiam no conceito de sofás retráteis, conversíveis, podendo ser usado de formas diferentes no espaço em determinados períodos do dia. A venda de móveis Drago era direcionada para um público específico, a classe média da época, não muito abastado, e com o tempo desenvolveu diversos outros modelos criativos de mobília. Além de sofás-cama e poltronas, passou a produzir conjuntos para a decoração completa de dormitórios e salas de jantar, o que inclui criado-mudo, camas, armários, cadeiras e mesa.

Rubem Fonseca publicou em sua obra “Agosto” referências sobre a trajetória das Indústrias Reunidas Sofá-Cama na década de 50 dentro de seu contexto histórico. Em 8 de dezembro de 1985, os sofás Drago foram pauta de uma publicação na Revista Nacional e posteriormente publicada na obra que reúne crônicas de Rubem Braga.

Referências

1. Correio da Manhã (RJ), Ano 1956\Edição 19255

2. PUC-Rio, Certificação digital Nº 1113334/CA

3. FONSECA, Rubem. "Agosto" (2011). Versão digital disponível em Google Livros.

4. Autores: Rubem Braga, André Seffrin, Bernardo Buarque de Hollanda, Carlos Didier. "Combo Rubem Braga", crônicas (2017). Versão digital disponível em Google Livros

Comentários sobre a fotografia[editar | editar código-fonte]

O texto “Como pensam as imagens” (2012), de Ettiénne Samain, apresenta uma complexa teoria de que mais que ilustrações e documentos, as imagens formulam questões acerca das nuances do mundo em que vivemos, estimulando a reflexões no que se refere a sua importância delas em nossas vidas. Exposto não somente como circunstâncias e veracidade, mas como um território de “descoberta” e de indagação sobre nossas sociedades e nossas culturas, esse prisma não pretere outras formas de contemplar as imagens, no entanto, institui o homem contemporâneo a internar as imagens e a decodifica-las analiticamente. As pessoas têm ciência que a imagem tem magnitude e que ela é esclarecedora, contudo, ela pode ocultar o que pensa. Abrangendo seu profuso enunciado em torno dela. A imagem é prolixa, desconcertantemente proposital, da mesma maneira o viés contrário da imagem, é soturno aflorando características de omissão.

Em tempos atuais, há uma saturação de imagens. Somos intensamente esmagados por elas massivamente, entretanto, muitas imagens estão sem contemplação expressiva. Dessa forma, temos de escolher ou criar imagens que são expressivas para com o ser humano. Não se trata de gerar um objeto simpático, mas de uma imagem com peso desafiador, de detenção de atitude. Apurar não pontualmente o que elas ponderam, e sim como as tencionam e profundamente, o que e declina em dizer.

As imagens, como figuras inanimadas, não pensam. Elas veiculam pensamentos, porém, não necessariamente os mesmos que deram origem à sua existência. São, por natureza, poços de de memórias e focos de emoções, sensações e lugares precisamente carregados de humanidade. Mais importante do que é revelado por elas, é pensar no que as imagens não mostram e as deduções feitas a partir de seus indícios. Neste momento, a imagem se torna algo que nos provocou a pensar. O fotógrafo tinha um propósito, transformar suas fotos em cartões postais, fazendo da imagem um símbolo da cidade e vender a imagem de um polo de indústrias, de alto poder econômico e acúmulo de capital enquanto símbolo.

É possível acompanhar o processo de urbanização vivido pela capital sob o olhar de um fotógrafo em meados do século XX. O formato vertical das construções enfatiza o formato horizontal que é apresentado na fotografia. A perspectiva apresentada dimensiona a paisagem na altura dos indivíduos e veículos que por lá se movimentam. Os edifícios delimitam a avenida e avançam para além da linha do horizonte nas laterais, mostrando a valorização do mobiliário urbano e da edificação através do enquadramento da imagem. O fotógrafo Werner Haberkorn busca mostrar em sua fotografia da vista parcial da praça da Sé o processo de desenvolvimento urbano da cidade de São Paulo. O contexto histórico da região pode ser compreendido pela relação entre edifícios, o trânsito de pessoas e veículos, as marcas em outdoors e grandes placas e como suas influências afetaram diretamente no processo de expansão de São Paulo.

As mudanças significativas da capital criaram um ambiente propício para que São Paulo se tornasse um centro de influências social e economicamente, sobretudo na região do quadrante Sudoeste da cidade. O centro de uma cidade é palco de conflitos econômicos e de concentração e movimento de pessoas com motivações e interesses diferenciados entre si. O mesmo segue uma lógica de movimento, o centro financeiro é direcionado pelo capital e quem o movimenta é a elite. A cidade moderna em pleno desenvolvimento apresentou maior crescimento horizontalmente. Sob o ângulo do mundo dos negócios, o importante é mostrar nas fotografias a área que melhor promove as questões relacionadas às vendas, assim como os grandes anúncios que enriquecem a imagem de detalhes e, ao mesmo tempo, ocupam o topo de arranha-céus da capital.

A expansão da cidade determinou padrões de moradia perceptivelmente representados pelas distintas modalidades de edifícios, influenciando diretamente nas inusitadas formas de convivência urbana que se originaram a partir desse processo. Tais transformações definiram um padrão de vida para os moradores e pessoas que se deslocavam para o centro urbano a trabalho. Os chamados edifícios mistos tinham como propósito reunir as residências, os escritórios e o comércio em uma determinada limitação de espaço e cederam a esses locais maior uso e sentido às vias que os interligam nas vinte e quatro horas do dia. A verticalização e a horizontalização da capital representadas na fotografia tematizam o crescimento e a modernidade, elas aparecem não só no planejamento urbano, como também nos setores econômico, automobilístico e publicitário apresentados na fotografia de Werner Haberkorn.


Referências

1. SAMAIN, Etienne. Como Pensam as Imagens. 1ª edição. Editora Unicamp, 2012.

2. LIMA, Solange. A Cultura Metropolitana nas Fotografias de Werner Haberkorn, 2014.