Marcas nas fotografias de Werner Haberkorn/Viaduto do Chá - São Paulo Fotolabor 69

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Viaduto do Chá - São Paulo Fotolabor 69 (metadados).

Lista de marcas identificadas[editar | editar código-fonte]

  • GULF
  • Guaraina (Remédio)

Pesquisa sobre marcas[editar | editar código-fonte]

GULF[editar | editar código-fonte]

A "Gulf Oil", mais conhecida como Gulf, era uma empresa americana do ramo petrolífero que foi fundada em 1901 e que fez parte das “Sete Irmãs”, nome do grupo que representava as setes maiores empresas que dominavam o ramo até os anos 60.

A Gulf operou por 23 anos no Brasil (de 1936 até 1959) e teve mais de 400 postos espalhados pelo país, sendo sua grande maioria sediada nas regiões Sul e Sudeste.

A marca foi retirada do Brasil em 1959, logo após ser adquirida pelo grupo Ipiranga.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. THE SECRET OF THE SEVEN SISTERS. Disponível em: <https://www.aljazeera.com/programmes/specialseries/2013/04/201344105231487582.html>. Acesso em: 17 de setembro de 2018.
  2. GULF - MARCA DE SORTE E SUCESSO. Disponível em: <http://www.gulfdobrasil.com.br/conheca/gulf-marca-de-sorte-e-sucesso/>. Acesso em: 17 de setembro de 2018.
  3. GULF NO BRASIL: DEIXOU SAUDADES. Disponível em: <http://www.gulfdobrasil.com.br/conheca/gulf-no-brasil-deixou-saudades/>. Acesso em: 18 de setembro de 2018.

Guaraina[editar | editar código-fonte]

A marca de remédio Guaraína foi comercializada na década de 1936, pelo Laboratório Raul Leite S/A, que pertencia a firma Dr. Raul Leite & Cia na cidade do Rio de Janeiro. Por Raul Barreto de Sá, Rodrigo dos Santos Capella e Dr. Mario Gonçalves, que foram os organizadores na fabricação do remédio. A Guaraína surgiu pelo Sport Club que nada mais era, um agrupamento de jogadores de futebol. O nome do remédio “Guaraína” não tem uma definição certa. Mas sua especialidade era para praticantes de esportes, especificamente no futebol, sendo muito forte na época. A medicação foi composta por ácido acetil salicílico que tem como referência a cura da dor de cabeça, gripe e resfriado, não atacando o coração.

A Guaraína foi considerada o orgulho químico da indústria, participou do Torneio Aberto de Football de 1937, organizado pela Liga Carioca de Football (LCF). Naquele ano o Raul de Sá além da função de presidente era jogador do clube, tendo uma tarefa em dose dupla, afinal, o treinador deveria ficar em uma saia justa, sendo seu aluno, mas ao mesmo tempo seu chefe.

No ano de 1938, o clube diminuiu a sua atividade e ficou alguns meses sem jogos, só retornando no ano seguinte. Porém, ao seu retorno o empreendimento do grupo não foi aceito como antes e, com isso acabou sendo fechado. Em dezembro de 1940, a agremiação foi reaberta com o nome de Clube Guaraína, no qual passa a ser eventos sociais ao invés do esporte.

As divulgações do remédio eram feitas pelo Dr. Raul Leite e Cia, o qual, ainda em 1941, publicava um folheto informativo chamado Almanaque Guaraína, que fazia os cartazes publicitários com o seguinte slogan “Dor, Gripe, Resfriados... GUARAÍNA” sempre voltando os cartazes para esse sentido de “Dor, Guaraína”. Vendia-se em tubos e envelopes. Possuíam um concorrente, o Melhoral, que também havia os mesmos efeitos colaterais para o tratamento de dores, redução da febre e dor de cabeça. Hoje em dia, esses folhetos podem ser encontrados e comprados em sites, dando uma ênfase para marcar um período histórico do país.

A comercialização ocorreu até os anos 1950, quando o Brasil seria dirigido por Getúlio Vargas, o laboratório passou por um declínio, onde os quatrocentos empregados não recebiam seus salários a oito meses e dando ao início do falimento do laboratório, saindo em manchetes de jornais, na qual o jornal Correio da Manhã publicava as notícias semanário mente, anunciando o acontecimento dos funcionários por não receberem seu pagamento, tornando-se um escândalo.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Jornal Memoria - Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=149322&pagfis=1752&url=http://memoria.bn.br/docreader#
  2. Jornais: Correio da Manhã – Jornal dos Sports – O Suburbano
  3. Biblioteca Nacional Digital Brasil - Disponível em: http://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital/ Acesso em: 17 de outubro de 2018.

Comentários sobre a fotografia[editar | editar código-fonte]

Atual Viaduto do Chá

Para entendermos o efeito da fotografia como um fator histórico, precisamos analisar a maneira de como a imagem constitui a produção visual da cidade urbanizada e automobilizada, que foi vivenciado na capital paulista, em meados do século XX.  

Haberkorn busca em sua fotografia encontrar simbolismo dentro da cidade de São Paulo que pudesse garantir o sucesso das vendas. A partir disso, é possível acompanhar a urbanização presente em São Paulo durante as décadas de 1940 e 1950, por exemplo, na foto temos Viaduto do Chá, embaixo o Vale do Anhangabaú, sendo uma região que demostrava todos os elementos de uma capital moderna e cosmopolita com os seus edifícios comerciais e representativos do poder econômico, viadutos expressando a rapidez e alto mobilização e a convivência de traços estilísticos vindo de uma cultura europeia junto ao concreto representado a modernidade.

A fotografia acima mostra o Viaduto do Chá- Centro- São Paulo, sendo apresentado como cartão postal, buscando-se o entendimento de como a cidade se constitui como imagem urbana, enquanto o fato histórico é possível acompanhar os processos de urbanização da capital paulista através do confronto de centenas de imagens da cidade, nesta vemos a expansão para o oeste de forma a qual a cidade não crescia só no plano horizontal, mas também no vertical demostrando um novo modelo de crescimento urbano.

O pensamento urbanístico que amadureceu nas primeiras décadas do século XX, busca entender a cidade como organismo vivo e trazem referencias metafóricas ao associar a cidade ao corpo urbano “as vias e a artérias por onde escoam mercadorias e transitam pessoas e a ideia de parques e área verde como pulmões da cidade capaz de arejar espaços e mentes.” -Solange Ferraz de Lima.

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