Judaísmo/Divisões religiosas/Samaritanismo

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Grupo de samaritanos. 1900

Os judeus samaritanos ( em hebraico שומרונים) são um grupo étnico-religioso, descendentes dos antigos habitantes de Samaria antes do exílio babílônico, e seguidores do Samaritanismo, uma ramificação da antiga religião mosaica. Os judeus samaritanos pregam ser a religião original judaica, e por este ponto de vista, geralmente repelem o judaísmo rabínico.

Hoje há cerca de 700 samaritanos, que vivem na cidade de Nablus e Holon, em Israel. Seu idioma de uso comum é o hebraico moderno e o árabe palestino, enquanto para atos litúrgicos utilizam o hebraico samaritano e o aramaico samaritano .

Origem[editar | editar código-fonte]

No ano de 926 a.C., dez das tribos de Israel rebelaram-se contra o rei Roboão, filho de Salomão devido aos encargos tributários impostos por estes reis(Cf. Bíblia, Crônicas 10, 9-19). As dez tribos uniram-se em um reino, Israel, com a capital em Siquém (atual Nablus), enquanto as outras tribos fiéis à linhagem real davídica constituiram o reino de Judá. No ano de 875 a.C., o rei Omri de Israel muda a capital do reino para Samaria.

Monte Gerizim.

Em 722 a.C., os assírios conquistaram o reino de Israel, e deportaram grande parte da população, mesclando-se aos habitantes remanescentes. Os israelitas de Judá passaram pois a desmerecer estes habitantes pois consideravam que não eram mais fiéis às leis da Torá. Segundo as fontes samaritanas, no entanto, a separação entre os israelitas dos dois reinos ocorreu porque o sacerdote Eli decidiu construir em Siló um santuário para rivalizar com o do monte Gerizim, que é o monte santo dos samaritanos. Os sacerdotes de Gerizim teriam também se oposto a designação de Saul como rei, que como monarca destruiu o santuário de Gerizim. Quando o reino de Israel foi destruído, os samaritanos teriam sido deportados e quando regressaram estabeleceram o culto de Gerizim. O seu Templo foi reconstruído no séc. IV a.C., mas foi destruído em 128 a.C. pelo monarca João Hircano.

Era Moderna[editar | editar código-fonte]

Hoje a população samaritana é estimada em cerca de 670 pessoas (2005), que vivem no monte Gerizim e em Holom, comunidade criada pelo segundo presidente de Israel Yitzhak Ben-Zvi em 1954 .

Devido à sua resistência à aceitar convertidos, a comunidade samaritana tem sido reduzida grandemente, além de enfrentar enfermidades genéticas. Apenas em tempos recentes foi aceito que homens da comunidade se casem com mulheres judias não-samaritanas.

Doutrinas[editar | editar código-fonte]

Os judeus samaritanos consideram-se o verdadeiro Israel. São monoteístas, crêem apenas em Moisés como profeta e escolhido por D-us para entregar a Torá, que no caso dos judeus samaritanos tem pontos de diferença com a Torá comumente aceita. Rejeitam a tradição oral rabínica, os profetas e os escritos do Tanakh fora da Torá. Utilizam um código (Hillukh) que trata como aplicar a Torá à vida social.

Aceitam o monte Gerizim como o monte de D-us, conforme sua Torá ( Deuteronômio 27:4), local onde permanecia seu templo, e onde fazem as adorações e fazem seus sacríficios de Pessach.

Sua cidade sagrada é Nablus, chamada no passado de Siquém ou Sicar, onde de acordo com a Bíblia, Jacó teria erguido um altar (Gênesis 34:18-20) e onde teria sido sepultado José (Josué 24:32).

Os samaritanos são educados em sua religião por seus mestres chamados de cohanim. Consideram-se como parte do povo hebreu, mas não do povo judeu.