Iniciação à Pesquisa Científica em Saúde /REPOSITÓRIO DE EXERCÍCIOS RESOLVIDOS/ Exercício 73: Alcool e adolescência

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Questão 73 - Álcool e adolescência[editar | editar código-fonte]

Para resolver esse desafio você deve primeiro ler o artigo científico: Álcool e adolescentes: estudo para implementar políticas municipais,

Recipiente para cachaça.JPG

Vieira et al. Acessível em: link

Faça uma análise crítica da metodologia cientifica utilizada, seguindo o roteiro:

a) Qual foi a questão da pesquisa a ser respondida, ou seja, o objetivo do estudo?

b) Como os autores planejaram o estudo: delineamento da pesquisa e critérios de inclusão dos sujeitos da pesquisa. A amostra foi aleatória?

c) Analise a Tabela 3 da seção Resultados desse artigo: Forma de aquisição de álcool na última ocasião que menores de 18 anos beberam. Paulínia, SP, 2004. (N=1.075). Qual é o significado do intervalo de confiança de 95% apresentado para a frequência das diferentes formas de adolescentes adquirir alcool?

d) Suponha que os pesquisadores resolvam repetir a pesquisa em uma outra cidade do estado de SP. Calcule uma amostra para o estudo tomando como base na prevalência de uso de álcool de 62,2% encontrada no estudo de Paulínea, aceitando-se um erro de 2% e 95% de confiança.

Sugestão: n = [Zalfa/2]2 pq / E2

Fundamente as suas respostas com referências bibliográficas.

Resposta da questão:[editar | editar código-fonte]

a) O principal objetivo do estudo foi traçar um perfil de estudantes em relação a disponibilidade e facilidade de acesso ao álcool; ao padrão de consumo de bebida alcoólica, circunstancias e contexto do consumo de álcool; e consequências do comportamento do beber.

b) No delineamento da pesquisa, tem de ser explicitado a população de interesse, o fenômeno a ser estudado, a questão da pesquisa, a amostra, quais as variáveis, a viabilidade do estudo. No estudo, pode-se avaliar todos os elementos da população (geralmente inviável) ou uma parte representativa dela ( amostra). O importante para garantir a representatividade da amostra seria a seleção aleatória desses elementos, para que cada participante tenha a mesma probabilidade de ser escolhido. Alem disso, seria ideal que a seleção fosse mascarada, para que não haja interferência do pesquisador..

O presente estudo é do tipo transversal com amostra randomizada (aleatória) com estudantes da quinta serie do ensino fundamental a terceira serie do ensino médio do curso regular dos períodos da manha, tarde e noite, de escolas publicas e privadas de Paulínia (SP). Os dados foram coletados entre outubro e novembro de 2004. A seleção da amostra foi probabilística e com nível de confiança de 97,5%. Todos os estudantes das salas selecionadas no momento da coleta fizeram parte da amostra, com participação voluntaria e anônima. Os alunos responderam individualmente um questionário de auto-preenchimento, sem a presença do professor. Nomes de drogas fictícias foram introduzidos numa questão para verificar inconsistências nas respostas. Sessões de aplicações com duração de 20 - 90 minutos. O sorteio de amostragem foi realizado com base na lista de alunos matriculados. Foram excluídos os questionários em branco e aqueles em que os estudantes deram resposta positiva para as drogas fictícias.

c) A tabela 3 mostra diferentes formas de aquisição de álcool por menores, com frequências e intervalo de confiança para cada uma delas.

Intervalo de confiança (IC) define os limites de um conjunto de valores que tem certa probabilidade de conter em seu interior o valor POPULACIONAL verdadeiro. E quanto mais estreito for o IC, mais confiável é, pois a região de incerteza quanto ao verdadeiro valor é menor.

Tomando como exemplo a primeira linha da Tabela 3: 272 adolescentes afirmaram já ter comprado álcool sem apresentar documento de identidade. Esse dado corresponde a 25,4% e tem IC=95% para um intervalo entre 22,7% e 28,0%. Esse dado pode ser lido da seguinte maneira: ha 95% de probabilidade do valor real PARA ESSA RESPOSTA DO QUESTIONÁRIO NA POPULAÇÃO DE ONDE A AMOSTRA FOI EXTRAÍDA encontrar-se dentro deste intervalo.

Como as pesquisas usam uma fração da população (amostra), o IC deve ser calculado. Por isso, existe um grau de incerteza sobre o real valor na população total.

d) Amostra é um subconjunto da população. O processo de escolha da amostra chama-se amostragem. O pesquisador busca generalizar conclusões referentes a amostra estendendo-as para toda a população da qual esta amostra foi extraída.

Métodos de amostragem probabilísticas são os que selecionam os indivíduos da população de forma que todos tenham as mesmas chances de participar da amostra.

Erro amostral é a diferença entre um resultado amostral e o verdadeiro resultado populacional; tais erros resultam de flutuações amostrais aleatórias. Não é possível evitar erros amostrais, porem e possível limitar este valor através da escolha de uma amostra de tamanho adequado. Por isso, erro amostral e tamanho da amostra seguem sentidos contrários: quanto maior o tamanho da amostra, menor o erro cometido e vice-versa.

Para o calculo da amostra, pode-se usar a seguinte equação:

onde:

n: tamanho da amostra ( o que se procura)

z: valor critico que corresponde ao grau de confiança desejado. Para IC= 95% z = 1,96 DP

p: proporção populacional de indivíduos que pertence a categoria que estamos interessados em estudar 62,2%

E: margem de erro ou erro máximo de estimativa E = 2%

Substituindo os valores na formula, temos:

pessoas

Indexadores do tema deste exercício[editar | editar código-fonte]

Planejamento de estudos científicos em saúde

Noções de cálculo da amostra

Noções sobre Intervalo de confiança

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

BONITA, R; BEAGLEHOLE, R; KJELLSTROM, T. Epidemiologia básica. 2 ed. Sao Paulo, Santos. 2010.

COUTINHO, Evandro S. F.; CUNHA, Geraldo Marcelo. Conceitos Básicos de Epidemiologia e Estatística para a leitura de ensaios clínicos controlados. Scielo. Revista Brasileira de Psiquiatria. 2015: 27 (2): 146-51.

LEVIN, Jack. Estatística Aplicada a Ciências Humanas. 2 ed. Sao Paulo: Editora Harbra Ltda, 1987.

MEDRONHO, R; BLOCH, K. V.; LUIZ, R. R.; WERNECK, G. L. Epidemiologia. 2ed. Sao Paulo. Atheneu, 2009.

TRIOLA, Mario F. Introdução a Estatística. 7 ed. Rio de Janeiro: LTC, 1999.

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