História de Niterói/Fusão

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Em 1975, desapareceu o estado da Guanabara, que se incorporou ao estado do Rio de Janeiro. Era a chamada fusão, que provocou o esvaziamento econômico-cultural-político de Niterói, que perdeu a condição de capital para a cidade do Rio de Janeiro. Os órgãos públicos estaduais se transferiram para a cidade do Rio de Janeiro, inclusive a assembleia legislativa estadual, cujo prédio na Praça da República passou a abrigar a câmara dos vereadores. Em 1976, foi criado, no Morro da Viração, o parque da Cidade, uma reserva florestal municipal.[1]

A partir de 1976, as margens da Lagoa de Itaipu começam a ser aterradas e se abriu um canal ligando a lagoa ao mar, de modo a permitir a entrada de barcos na lagoa.[2] Em 1977, o Palácio do Ingá, que, antes da fusão, era sede do poder executivo fluminense, passou a abrigar o Museu Histórico do Estado do Rio de Janeiro, visando a armazenar dados referentes ao estado do Rio de Janeiro de antes da fusão de 1975. Em 1983, o antigo Paço Municipal, na Rua Visconde de Uruguai, 414, no Centro, passou a abrigar a secretaria municipal de educação. Em 1986, foi construído o Centro Administrativo de Niterói, na Rua Barão de Sepetiba. O centro passou a abrigar a prefeitura de Niterói. O anterior prédio da prefeitura, o Palácio Arariboia, passou a abrigar somente a secretaria de finanças e desenvolvimento econômico e a de esporte e lazer.[3]

A Lei 4 895, de 8 de novembro de 1986, transformou o morro do Estado em um bairro. No final da década de 1980, o prédio que estava sendo construído na Praça da República foi implodido pelo governo estadual, após muitos anos com obras paralisadas. A Praça da República foi, então, reconstruída com base em seu desenho original.[4]

Niterói começou a se recuperar da perda de sua condição de capital somente na década de 1990, quando ficou famosa no país inteiro como uma das cidades com melhor qualidade de vida do país. Neste período, a preocupação com a conservação da natureza ganhou destaque no mundo inteiro. Em 1991, foi criado o Parque Estadual da Serra da Tiririca, na divisa de Niterói com Maricá, visando a proteger uma grande área ainda preservada de mata atlântica.[5] Em 1991, o Museu Histórico do Estado do Rio de Janeiro incorporou o Museu de Artes e Tradições Populares e passou a se chamar Museu de História e Arte do Estado do Rio de Janeiro.[6] No mesmo ano, a praia do Sossego, pouco conhecida praia localizada entre as praias de Piratininga e Camboinhas, foi tombada devido a seu valor como um dos últimos refúgios da típica vegetação de restinga na cidade.[7]

Praia do Sossego

Em 1993, um ano após a conferência mundial sobre meio ambiente que havia sido realizada na cidade do Rio de Janeiro, foi criada uma área de proteção ambiental no entorno da lagoa de Itaipu, na região oceânica da cidade. Em 1995, o teatro municipal de Niterói, antigo teatro Santa Teresa, foi reinaugurado após restauração[8]. Como símbolo deste momento benéfico para a cidade, foi inaugurado, em 1996, o museu de Arte Contemporânea, obra de Oscar Niemeyer que passou a ser um dos principais símbolos da cidade, conhecido até mesmo em outros países.

Museu de Arte Contemporânea
Museu de Arte Contemporânea

No início dos anos 2000, o Estádio Caio Martins foi renomeado como estádio Mestre Ziza, em homenagem ao famoso jogador de futebol. Em 2001, o solar do Jambeiro, antiga residência do século XIX no bairro do Ingá, transformou-se em centro cultural[9]. Em 2002, uma lei municipal declarou a praia do Sossego monumento natural[10]. Dando prosseguimento ao projeto do Caminho Niemeyer, que visa a remodelar a orla de Niterói com construções modernas sob a orientação do arquiteto Oscar Niemeyer, foi inaugurado, em 2004, o terminal hidroviário de Charitas e, em 2007, o teatro Popular.

Teatro Popular de Niterói

Em 2008, índios guaranis embiás ocuparam um terreno no final da Praia de Camboinhas, na Região Oceânica, afirmando terem direito à área devido ao fato de a mesma ser um cemitério indígena. Eles construíram várias cabanas no local, mas as mesmas foram, pouco depois, queimadas em um incêndio criminoso. A aldeia foi, então ,reconstruída e reinaugurada, com apoio de vários artistas famosos e de moradores locais, com o nome de tekoá mboy-ty, ou "aldeia semente", em guarani.[11] Em 2009, o edifício histórico localizado na Avenida Jansen de Melo número três, o primeiro arranha-céus da cidade, foi adquirido pelo Tribunal de Contas do Estado e tornou-se a sede da Escola de Contas e Gestão, que pretende tornar-se referência em matéria de administração pública.

Índio guarani

Ao longo do início do século XXI, cresceu o número de favelas na cidade[12]. Tal fenômeno causou, em abril de 2010, aproximadamente 150 mortes em razão de fortes chuvas e consequente desabamento de encostas de morros, especialmente o Morro do Bumba, formado por uma antiga área de depósito de lixo[13].

Morro do Bumba após os desabamentos de abril de 2010

No final do mesmo ano, foi inaugurado o prédio da fundação Oscar Niemeyer, no novo centro cívico da cidade.[14]

Novo Centro Cívico: à esquerda, a fundação Oscar Niemeyer e, à direita, o teatro Popular

Em junho de 2013, os índios guaranis de Camboinhas se mudaram para o município vizinho, Maricá.[15]

Referências