História da Europa/Revolução Científica e Iluminismo

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Nova era[editar | editar código-fonte]

Catarina da Rússia em seu traje de coroação

A era da ciência dos anos 1600 e o iluminismo dos anos 1700, ficaram sendo conhecidos como a Era do Iluminismo. Foi uma fase de introdução de novos conceitos na sociedade europeia.

Essas ideias continuam a permear a sociedade moderna, muitas instituições atuais foram fundadas sob os ideais do iluminismo.

Governantes da era do Iluminismo[editar | editar código-fonte]

Uma nova forma de governo começou a substituir o absolutismo através do continente. Enquanto os monarcas estavam relutantes em abrir mão de seus poderes, muitos também reconheciam que suas nações tinham potencial para se beneficiar com a expansão das ideias iluministas.

Os mais importantes desses governantes foram Frederico o Grande, Hohenzollern da Prússia, Joseph II Habsburgo da Áustria e Catarina II a Grande, Romanov da Rússia.

Para compreender as ações dos monarcas europeus desse período, é importante entender suas crenças fundamentais.

Os déspotas esclarecidos rejeitavam o conceito de absolutismo e do direito divino de reinar. Eles justificavam sua posição baseados na sua pouca utilidade para a nação.

Esses governantes baseavam suas decisões na razão, eles salientavam a tolerância religiosa e a importância da educação. Faziam leis igualitárias e reprimiam as autoridades locais, nobres e igreja, e usualmente agiam de modo impulsivo e faziam mudanças de maneira incrivelmente rápida.

Catarina, a Grande 1762-1796 - subiu ao poder porque Pedro III foi morto sem deixar herdeiro homem.

Suas reformas iluministas incluiam as restrições à tortura, tolerância religiosa, educação para as mulheres. Em 1767 ela criou uma comissão legislativa, que reportava a ela o estado do povo russo. Treinou e educou seu neto Alexandre I para que ele progredisse na vida por seu mérito e não por sua linhagem. Ela era amiga de Diderot, Rousseau, Voltaire.

Contudo, Catarina também tomou uma série de decisões totalmente contrárias à filosofia iluminista.

Em 1773 ela suprimiu com violência a Rebelião Pugachev, uma revolta massiva dos camponeses contra a degradação dos servos. Ela concedeu mais poder aos nobres e eliminou o serviço ao Estado. A servidão se tornou equivalente à escravidão sob o governo de Catarina.

Catarina combateu o Império Otomano e em 1774 a Rússia conseguiu seu porto em águas quentes no Mar Negro.

Frederico II

Frederico II, o Grande 1740-1786 - seu nome era Frederico Hohenzollern da Prússia e ele se declarava O primeiro servo da nação, porque acreditava que seu dever era servir ao Estado e fazer o melhor pela nação.

Ele estendeu o ensino de modo a alcançar todas as classes, também criou a burocracia profissional e os funcionários públicos.

Criou um serviço judicial regular e aboliu a tortura. Durante o seu mandato, a Prússia inovou na agricultura usando batatas e nabos para recuperar o solo. Ele também estabeleceu a liberdade religiosa na Prússia.

Joseph II Habsburgo da Áustria 1765-1790 - pode ser considerado talvez, o mais esclarecido dos governantes, ele era totalmente esclarecido, trabalhando apenas para o bem de seu país.

Ele era contra o feudalismo, contra a igreja e contra a nobreza. Sua frase que ficou famosa era: o Estado deve prover o melhor para o maior número de pessoas.

Joseph II criou punições e impostos iguais para todos, independente de classe social. Deu liberdade completa para a imprensa, tolerância para todas as religiões e direitos civis para os judeus.

Sob Joseph II um Código Legal uniforme foi criado e em 1781 ele aboliu a escravidão. Em 1789 ele instituiu uma portaria que criava a educação compulsória para as crianças austríacas.

No entanto foi incompreendido, criou reformas de maneira muito rápida deixando o povo insatisfeito, até mesmo os servos não compreenderam sua liberdade tão repentina.

Na Inglaterra, como resultado da Revolução Gloriosa de 1688, ainda existia um parlamento e o conceito de déspota esclarecido ainda não havia sido adotado.

Na França, após Luís XIV o Rei Sol, quem subiu ao trono foi Luís XV, de 1715 a 1774. Como seu predecessor, ele era um monarca absolutista que governava pela teoria mercantilista.

Para consumar uma aliança entre a França e a Áustria, Maria Teresa da Áustria deu sua filha, Maria Antonieta, em casamento ao herdeiro da coroa francesa, Luís XVI. Ao assumir o trono, Luís XVI sabia que o absolutismo estava desmoronando e sua frase mais famosa é : Aprés moi, le déluge! ou Depois de mim, o dilúvio.

Maria Teresa da Áustria

A Europa devastada pela guerra[editar | editar código-fonte]

A Guerra de sucessão austríaca - ocorreu de 1740 a 1748 e opôs a Áustria, Inglaterra e a Holanda contra a Prússia, França e Espanha.

Depois que Maria Teresa subiu ao trono da Áustria, Frederico o Grande, da Prússia atacou a Silésia e estourou a guerra. A paz chegou em 1748 com o tratado de Aix La Chapelle.

O tratado preservava a balança do poder e o status quo ante bellum. (O estado de coisas pacífico) A Áustria sobreviveu mas perdeu a Silésia e isso começou o chamado Dualismo Germânico ou, a disputa entre a Prússia e a Áustria para ver quem dominaria e eventualmente uniria a Alemanha.

A Guerra dos Sete Anos - A paz de 1748 foi reconhecida por todos temporariamente, e em 1756, a Áustria e a França se aliaram no que ficou conhecido como Revolução Diplomática.

O oposto da situação tradicional que era França contra Áustria, ocorreu como resultado do medo de ambas as nações, do poder militar crescente da Prússia. Foi esse o motivo do casamento de Luís XVI com Maria Antonieta.

A Guerra dos Sete Anos envolveu a Áustria, França, Rússia, Espanha, Suécia e Saxônia, contra a Prússia e Inglaterra. O propósito da guerra era aniquilar a Prússia e tomar um bom número de frentes, na Europa, na América (que os cidadãos americanos conhecem como guerra francesa e da Índia) e na Índia.

Com a Paz de Paris em 1763, terminou a guerra e a Prússia reteve todo o seu território, incluindo a Silésia. A França cedeu o Canadá para a Inglaterra e o interior da América do Norte para a Espanha, além de remover seus exércitos da Índia. No entanto ainda manteve suas colônias nas Índias Orientais.

Foi nessa altura que a Grã Bretanha se tornou o supremo poder naval e começou sua dominação da Índia.

A Partilha da Polônia - em 19 de fevereiro de 1772, a Polônia foi dividida pela primeira vez entre a Rússia, Áustria e Prússia, como um contrato para ganhar mais terras e poder na Europa.

A Polônia podia ser partilhada porque era fraca e não tinha condições de enfrentar as nações mais poderosas. A França e a Inglaterra não levaram isso em consideração porque não perturbava os grandes poderes na Europa.

Polônia após a segunda divisão

A segunda partilha envolveu a Rússia e a Prússia tomando um pouco mais de terras da Polônia. Depois da segunda partilha, que ocorreu em 21 de janeiro de 1792, a maioria das terras que ainda sobravam, foi perdida para a Prússia e a Rússia.

A terceira partilha da Polônia ocorreu em outubro de 1795 dando à Rússia, Prússia e Áustria os restos das terras polonesas. A Rússia terminou com 120,000 quilômetros quadrados, a Áustria com 47,000 quilômetros quadrados, e a Prússia com 55,000 quilômetros quadrados. Assim a Polônia sumiu do mapa.

Ciência e Tecnologia[editar | editar código-fonte]

O Iluminismo foi notável por sua revolução científica, que mudou a maneira como o povo europeu se aproximava tanto da ciência como da tecnologia.

Esse foi o resultado direto da investigação filosófica sobre como a ciência deveria ser encarada. As figuras mais importantes nessa mudança foram Descartes e Bacon.

O filósofo René Descartes apresentou a noção do raciocínio dedutivo – que é começar com uma premissa e então descartar as evidências que não apoiam aquela premissa.

Sir Francis Bacon também introduziu um novo método de pensamento. Ele sugeriu que ao invés de usar o raciocínio dedutivo, as pessoas deveriam usar o raciocínio indutivo – em outras palavras, deveriam juntar evidências e então chegar às conclusões baseadas nas evidências. Essa linha de pensamento ficou conhecida como Método Científico.

René Descartes (direita) com a rainha Cristina da Suécia

Mudanças nas ciências[editar | editar código-fonte]

Na astronomia, a revolução científica trouxe grandes descobertas e a mais importante foi a relação com o conceito de sistema solar. Foram descobertas que geraram controvérsias e alguns foram forçados pelas autoridades eclesiásticas a voltar atrás em suas teorias.

A visão geocêntrica do universo havia sido ensinada desde os dias de Aristóteles. O Almagesto, era um tratado de astronomia escrito no século II pelo astrônomo Claudius Ptolomaeus, era o texto básico usado para ensinar estudantes de astronomia durante centenas de anos.

As teorias de Ptolomaeus são uma mistura de ciência e religião e os leitores modernos, ao acharem que os textos são estranhos, devem recordar que ele escrevia sobre obras de astrônomos anteriores a ele.

Um filósofo grego, de nome Aristarco sugeriu que a terra se movia em volta do sol e na época, milhares de anos atrás, era um conceito espantoso.

A igreja católica adotou o sistema de Ptolomaeus, uma vez que estava de acordo com o ensino bíblico. Um universo sem a Terra em seu centro, negaria o propósito divino e a ideia de Ptolomaeus, de esferas em harmonia reforçavam o argumento creacionista.

O iluminismo também é chamado de Idade da Razão, foi um período em que os filósofos europeus enfatizaram que o uso da razão era o melhor método de aprender a verdade.

Nicolau Copernico (1473-1543) - durante o renascimento, o estudo da astronomia começou a ser ministrado nas universidades. Regiomontanus e Nicolas de Cusa desenvolveram a matemática e os métodos de cálculo.

Copernico, embora devoto da igreja católica, duvidava que as teorias de Aristóteles e Ptolomaeus estivessem totalmente corretas. Usando a matemática e observações visuais a olho nu, ele desenvolveu o Heliocentrismo ou Teoria do Universo, afirmando que a Terra gira em torno do sol.


Tycho Brahe (1546-1601) - criou uma quantidade de dados científicos durante sua vida; embora não tenha feito contribuições maiores para a ciência, ele preparou o caminho para as descobertas de Kepler.


Johannes Kepler (1571-1630) - foi aluno de Brahe. Usou a base das teorias de Brahe para escrever As três leis do movimento planetário de Kepler, cuja nota mais significativa era assinalar que as órbitas dos planetas são elípticas ao invés de circulares.

Galileu Galilei (1564-1642) - ele sempre recebe o crédito de inventor do telescópio, porém o instrumento propriamente dito não é criação de Galileu, ele foi sim, o primeiro a usá-lo na astronomia. Usando esse instrumento, ele provou a Teoria de Copérnico sobre o universo.

Galileu espalhou as novidades sobre o seu trabalho em cartas aos amigos e colegas. Embora a igreja o tivesse obrigado a renegar suas teorias e com isso ele tivesse passado o resto da vida sob prisão domiciliar, seus trabalhos foram publicados e nunca perderam seu valor.

William Harvey


Isaac Newton (1642-1727) - foi sempre considerado a maior mente cientifica da história. Seu Principia Mathematica (1687) inclui a Lei de Newton da Gravidade, um estudo incrivelmente inovador. O trabalho de Newton destruiu definitivamente a velha noção de que a Terra era o centro do universo. Newton também teve grande influência fora da ciência, por exemplo, ele se tornou o herói de Thomas Jefferson.

Na medicina, também os novos ares trouxeram grandes estudos e descobertas.

Andreas Vesalius (1514-1564) - ele estudou cadáveres humanos, uma prática proibida pela doutrina da igreja. Seu trabalho escrito A estrutura do corpo humano em 1543 renovou e modernizou o estudo do corpo humano.

William Harvey (1578-1657) - foi médico e era estudioso da anatomia. Escreveu em 1628 Sobre o movimento do coração e do sangue.

Sociedade e cultura[editar | editar código-fonte]

Como resultado dos novos conhecimentos vindos através da revolução científica, o mundo se tornou um lugar menos místico, a medida em que fenômenos naturais se tornavam mais e mais explicáveis através da ciência.

De acordo com os filósofos iluministas:

  • o universo era um lugar totalmente concreto, governado por forças naturais (nada de sobrenatural),
  • a aplicação rigorosa do método científico pode responder às questões fundamentais em todas as áreas do conhecimento,
  • a raça humana pode ser educada para melhorar infinitamente.

Talvez o mais importante, é o conceito dos filósofos de que todos nós somos iguais porque todos possuímos razão.

Adam Smith

Existem muitos precursores do iluminismo, um dos mais importantes foi a Era da Ciência dos anos 1600, que apresentou o pensamento indutivo, e usava a evidência para alcançar a conclusão.

As idéias de Locke e Hobbes e a noção do contrato social sacudiu o pensamento tradicional e também contribuiu para o movimento. O ceticismo, que questionava a autoridade tradicional e as ideias também deu grande contribuição. Finalmente a ideia do relativismo moral surgiu - atacando as pessoas que julgavam outras pessoas por serem diferentes.

O iluminismo começou na França como resultado da melhoria de vida – cidade mais desenvolvida e vida urbana, assim como o fato de sua grande classe média desejar aprender, conhecer novas ideias.

O iluminismo promoveu o uso da razão ao invés de aceitar apenas a tradição. Rejeitava as atitudes tradicionais da igreja católica. Muitos filósofos, ou pessoas que pensavam sobre as coisas, que se perguntavam, usavam o modo indutivo, se tornaram famosas. As mulheres da classe mais alta, que queriam discutir os tópicos do dia, como política, abriam seus salões para fazer reuniões.

A base do iluminismo era enfatizar que nós somos produtos da experiência e do meio ambiente, que devemos ter confiança na ilimitada capacidade da mente humana. Assim, salientava o progresso ilimitado dos humanos e das ideias de ateísmo e deísmo que se tornaram especialmente importantes.

Na economia, os conceitos de Adam Smith de mercado livre e capitalismo enviaram a economia europeia para trilhar um novo caminho. Déspotas esclarecidos como Catarina, a Grande e Joseph II que tomaram o lugar dos monarcas absolutistas, usaram essas ideias como agentes de progresso.

A educação e a instrução se espalharam pelos países, porque as pessoas passaram a reconhecer a importância da liberdade intelectual de falar, pensar e da imprensa.


Pensadores e suas idéias[editar | editar código-fonte]

Madame de Pompadour por Boucher

Embora as idéias do iluminismo se chocassem com os dogmas da igreja, ele não era um movimento contra a igreja. Muitos filósofos iluministas se consideravam seguidores do deísmo, acreditando que Deus criou um universo absolutamente impecável, alguns descreviam Deus como o divino relojoeiro.

Thomas Hobbes (1588-1679) - morreu antes do iluminismo, sua visão política foi moldada pela Revolução Inglesa. Em sua obra Leviatã (1651), a vida é desagradável, brutal e curta as pessoas são naturalmente ruins e precisam de um governo forte, as que controle.

Pode ser considerado o pai do iluminismo por conta de toda oposição que gerou.


John Locke (1632-1704) - refutou especificamente Hobbes. A humanidade é somente governada pelas leis da natureza, o homem tem direito à vida, liberdade e propriedade.

Há um contrato social natural que liga as pessoas e seus governos; as pessoas têm responsabilidade para com seus governos e os governos por outro lado, têm responsabilidade para com seu povo.

Voltaire (1694-1776) - era filósofo e dá ênfase à tolerância religiosa. Baron de Montesquieu (1689-1755) - No Espírito das Leis ele checa e avalia os governos, nenhum grupo tem direito sozinho ao poder.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) - criou o Contrato Social e defendia o desejo geral, ou seja, os atos dos governos deveriam ser para a maioria.

Saindo dos homens de ideias e entrando nas artes da época, vamos ao movimento Rococó.

Foi o movimento artístico dos anos 1700 que valorizava ao arte elaborada, decorativa, frivola e aristocrata. Normalmente retratando cenas onde se percebe a intriga, amor e o namoro ou a corte.

O uso de pinceladas ralas e em tons pastéis era comum na arte rococó. Esse tipo de arte é especialmente associada ao reinado de Luís XV Bourbon na França. O artista francês Boucher pintou para Madame Pompadour, a amante de Luís XV.

Dentre as pínturas mais famosas de Boucher estão diversas cenas mitológicas e pastorais.