História da Europa/Primeira Guerra Mundial

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Kaiser Guilherme II

Fatores que desencadearam a guerra.[editar | editar código-fonte]

Como resultado da união alemã e o crescente nacionalismo alemão, assim como devido a várias outras causas, a Alemanha, como disse o Kaiser Guilherme II começou a trilhar um novo caminho para conseguir seu lugar ao sol. Após 1871, o comércio e a indústria alemãs cresceram vigorosamente ameaçando e em algumas áreas até superando a Grã Bretanha, até então a mais importante nação industrial da Europa.

Uma rivalidade multifacetada se desenvolveu entre Alemanha e Grã Bretanha, ficando mais intensa quando Guilherme II, algumas vezes bastante belicoso, assumiu o poder e começou a preparar uma marinha forte com navios oceânicos. Buscando equilibrar o crescimento do poder alemão, a Grã Bretanha e a França começaram a se aproximar diplomaticamente no início do século 20.

O possível perigo de estar rodeado por nações hostis, começou a brotar na cabeça dos líderes da Alemanha. Todos esses fatores juntos, formaram o pavio que iria inflamar a eclosão da guerra em 1914. É interessante notar, no entanto, que todas as famílias governantes da Europa estavam ligadas de alguma maneira por parentescos.Isso fez com que muitos europeus sentissem que foram arrastados para uma briga familiar e que tinham que suportar aquilo.

Caminhos da Guerra[editar | editar código-fonte]

A Primeira Guerra Mundial é um dos acontecimentos mais contestados na história; a complexidade e o número de causas teóricas são o maior motivo da confusão. Uma das principais razões dessa complexidade, é o longo período de incubação das tensões pré guerra, começando com a unificação da Alemanha por Bismarck e crescendo daí em diante.

Não há dúvida que a política externa equivocada da Alemanha contribuiu para a eclosão da guerra, mas em que extensão ela contribuiu é assunto de discussões. Alguns historiadores sugerem que a Alemanha desejava a guerra e preparou sua eclosão e outros até sugerem que a Alemanha se sentiu obrigada a se engajar na guerra naquele momento.

De qualquer maneira, há opiniões de que a guerra aconteceu devido aos líderes fracos da época, outras acham que a guerra eclodiu por acaso – que a Europa foi levada à guerra devido às tensões causadas pelo sistema de alianças.

Triplice Entente - França, Russia e Grã Bretanha


Finalmente, alguns historiadores argumentam que a 1ª Guerra Mundial foi o ápice dos desenvolvimentos históricos na Europa. Esse argumento se baseia em que a guerra era inevitável entre a Áustria e a Sérvia, que a expansão imperial da Russia era também algo que provocava a guerra e que os franceses ainda estavam furiosos pela perda da Alsácia-Lorena na guerra franco-prussiana.

Havia um surto geral de nacionalismo na Europa, que também teve um papel de destaque no inicio do conflito. A guerra se tornou inevitável quando o imperador austro-húngaro Franz Joseph mandou uma carta ao Kaiser alemão Guilherme II, pedindo colaboração da Alemanha contra a Sérvia. Theobald von Bethmann-Hollweg, o chanceler do Kaiser Guilherme II, telegrafou de volta garantindo que a Áustria-Hungria teria o apoio da Alemanha em qualquer ação que se fizesse necessária contra a Sérvia.

O sistema de alianças[editar | editar código-fonte]

Um fator que colaborou para a escalada do conflito foi o sistema de alianças do final do século 19. Embora os diferentes países da Europa sempre tivessem tido alianças entre si, o modo diplomático em vigor durante o século 19 era ter alianças secretas. Os países então, se comprometendo a ter ações militares defensivas. Isso foi encorajado por Bismarck que, no processo de unificação da Alemanha, procurou pacificar os estados circundantes que poderiam vir a se tornar hostis.

Embora a Alemanha tenha se aliado com os impérios da Áustria e da Russia nessa época, no começo do século 20 as alianças mudaram. A Alemanha se aliou com Áustria-Hungria e Itália, os chamados Poderes Centrais assim esses países formaram o que ficou conhecido como a Tríplice Aliança.

Enquanto isso, a França, desesperada em busca de aliados após a guerra franco-prussiana, cultivou uma amizade com a Rússia. A Grã Bretanha também se sentia isolada por causa do ambiente europeu cada vez mais dividido em facções e buscou alianças com outros grandes poderes na Europa. Isso levou a Entente Cordial com a França, que depois se tornou a Tríplice Entente entre Grã Bretanha, França e Russia.

Por volta de 1914 a maior parte dos pequenos Estados europeus já tinha sido arrastado para alguma dessas alianças. A Sérvia se aliou à Russia antes sua inimiga. A Bulgária escolheu ficar ao lado da Alemanha. Alguns pequenos Estados mantiveram sua neutralidade nessa rede complicada de alianças. A Bélgica, por exemplo, foi um Estado neutro, sua independência foi garantida pela Grã Bretanha, França e Alemanha.

Triplice Aliança

O inicio da guerra[editar | editar código-fonte]

O Plano Schlieffen foi criado pelo Marechal de Campo Conde Alfred von Schlieffen, que se tornou chefe da Grande Equipe Geral em 1891 e submeteu seu plano em 1905.

Com medo de uma guerra em duas frentes, a qual com certeza, a Alemanha não poderia ganhar, ele imaginou um plano para eliminar uma das frentes, antes que o outro lado pudesse se preparar.

O plano necessitava de uma mobilização rápida da Alemanha, atravessando pela Holanda, Luxemburgo e Bélgica para alcançar a França. Schlieffen necessitava de números esmagadores no flanco à direita, a ponta de lança mais setentrional do exército, apenas com poucas tropas fazendo o braço e o eixo da formação, bem como poucas tropas estacionadas na frente oriental da Russia.

A eliminação rápida da ameaça francesa, iria, em teoria, permitir a Alemanha a se defender melhor contra os russos, ou um exército britânico. De qualquer forma, o envolvimento britânico não era previsto no Plano de Schlieffen, pelo menos, não no inicio da guerra.

Em 1905, o Conde Schlieffen esperava que sua poderosa ala direita se movesse basicamente ao longo da costa através da Holanda. Ele esperava que os holandeses concordassem e garantissem ao exército o direito de cruzarem suas fronteiras.

Schlieffen sabia que navegar ao redor da fortaleza belga de Liege, seria uma maneira de acelerar o avanço e ainda derrotar a fortaleza fazendo o cerco. Schlieffen se aposentou em 1906 e foi substituído por Helmuth von Moltke.

Em 1907 Moltke ajustou o plano, reduzindo a distribuição proporcional dos exércitos, diminuindo a crucial ala direita e optando por uma estratégia mais defensiva. Também, acreditando que possivelmente a Holanda não lhes garantiria a permissão para cruzar as fronteiras, ele direcionou o exército através da Bélgica. Moltke esperava que as forças francesas invadissem a oficialmente neutra Bélgica, dessa forma ele ficaria numa posição vantajosa em Meuse.

A mudança de Moltke esperava a artilharia num assalto a Liege, mas com o poder de fogo inigualável do exército alemão, ele não esperava nenhuma defesa significativa da fortaleza.


Agosto de 1914 – estoura a guerra[editar | editar código-fonte]

Em 28 de junho de 1914, o arquiduque Franz Ferdinand, herdeiro do trono da Áustria-Hungria, foi assassinado em Sarajevo. Como resultado, a Áustria declarou guerra à Sérvia. A Alemanha declarou guerra à Russia e França. Em 4 de agosto, a Alemanha invadiu a neutra Bélgica antes dos franceses. Isso precipitou a declaração de guerra da Grã Bretanha contra a Alemanha.


Ypres, Bélgica – 1ª guerra

Usando a variação de Moltke do Plano Schlieffen, o exército alemão entrou na Bélgica, atacando a fortaleza de Liege.

Embora não pudesse impedir a grande força invasora, as tropas belgas lutaram bravamente e o cerco durou 10 dias. Isso atrapalhou o cronograma alemão e permitiu a mobilização das forças expedicionárias da França e Grã Bretanha. Durante a segunda metade do mês de agosto, no entanto, a fraca contra ofensiva francesa em Lorraine sucumbiu frente ao poderoso exército alemão. Os exércitos franceses entraram em colapso enquanto os alemães atravessavam a Bélgica entrando na França numa frente ampla. Mantendo sua aliança com a França, os exércitos russos invadiram a província mais oriental da Alemanha, a Prússia Oriental, ainda em agosto.

O alto comando alemão despachou o general Paul Von Hindenburg para defender a província. Hindenburg tomou o comando e derrotou a Russia na batalha de Tannenberg, acabando com a esperança dos russos de avançar até Berlim. O final de agosto foi marcado pelo quase pânico no norte da França, conforme a ofensiva se dirigia a Paris, parecendo impossível de ser detida.

Do lado alemão, no entanto, um espaço se desenvolveu ente os exércitos ocidentais, e o rápido avanço estava exaurindo as tropas. Os franceses corriam para dar reforço a Paris – até mesmo de taxi. Pela primeira semana de setembro, em meio a intensos combates, os alemães foram parados ao longo do rio Marne. Isso marcou o inicio da linha de trincheiras que definiram a frente da Europa Ocidental durante 4 anos.


1915-1916[editar | editar código-fonte]

Em 4 de fevereiro de 1915, a Alemanha declarou um bloqueio submarino contra a Grã Bretanha, de forma que, qualquer navio que se aproximasse da Inglaterra se tornava um alvo legítimo.

Em 7 de maio de 1915, a Alemanha afundou o navio de passageiros Lusitania, resultando num enorme alvoroço nos Estados Unidos, mais de 100 cidadãos norte americanos morreram no ataque.

Em 30 de agosto a Alemanha respondeu, parando de afundar navios sem aviso. A frente na França se tornou o foco de ataques em massa, que custaram muitas vidas e pouco ganho. A Grã Bretanha se aliou completamente à França, fazendo um enorme recrutamento e levantando um enorme exército pela primeira vez em sua história.

O ano de 1915 assistiu aos primeiros ataques com gás cloro pelos alemães e logo os Aliados responderam da mesma forma. Durante a maior parte do ano de 1916, se deu a mais longa batalha da guerra, a Batalha de Verdun, uma ofensiva alemã contra a França e Grã Bretanha. Foi uma batalha sem vencedores e resultou numa estimativa de um milhão de vítimas.

De 1º de julho até 18 de novembro houve a Batalha de Somme, uma ofensiva francesa e britânica contra os alemães. Novamente o resultado foi por volta de um milhão de vítimas, mas ninguém saiu vencedor.

propaganda de guerra


1917-1918 – fases finais[editar | editar código-fonte]

Em 1º de fevereiro de 1917, a Alemanha novamente declarou um irrestrito estado de guerra submarino. Os alemães acreditavam que era possível derrotar os britânicos em seis meses com essa atitude, e achavam que iria levar pelo menos um ano para que a América se mobilizasse como resultado dessa ação.

Portanto eles bancaram essa aposta na esperança de derrotar a Grã Bretanha antes que a América entrasse na guerra. Uma espécie de desespero cultural estava disseminado pela maior parte da Europa nessa época, uma geração inteira de rapazes foi perdida na fúria dos combates.

Os exércitos franceses estavam próximos de um motim em 1917, eram enviados a ataques que sabiam serem em vão. A Alemanha bloqueava o comércio marítimo, viam a fome e a privação entre a população com greves e o descontentamento político crescente.

Por outro lado, a Russia entrou em colapso, seus exércitos derrotados e o tzar deposto em favor de um regime liberal-socialista.

Em 6 de abril de 1917, os Estados Unidos entraram na guerra, declarando guerra à Alemanha. Isto ocorreu em parte, por causa do afundamento do Lusitania e do Telegrama Zimmerman, que era uma tentativa de convencer o México a atacar os Estados Unidos em troca da devolução do Texas, Novo México e Arizona, caso os Estados Unidos entrassem na guerra.

De 31 de julho até 10 de novembro de 1917, a Terceira Batalha de Ypres também chamada de Passchendaele, resultou em pequenas vitórias para os britânicos, mas ainda não havia enfraquecimento das defesas bem armadas da Alemanha.

Durante esse tempo, em 7 de novembro, os bolcheviques liderados por Lenin, derrubaram o governo recém formado. Como resultado, em março de 1918, o novo governo da Russia, representado por Leon Trotsky, assinou um tratado de armistício com a Alemanha, se retirando da frente oriental da Alemanha.

Em 21 de março, a Alemanha lançou a chamada ofensiva Ludendorff na esperança de ganhar a guerra antes que as tropas norte americanas chegassem. No entanto, o esforço alemão não resultou, como os anteriores; os alemães se aproximaram de Paris mas no final do verão eles estavam exaustos de lutar contra as defesas Aliadas, que agora incluíam os descansados exércitos norte americanos.

Em 29 de setembro de 1918, as tropas Aliadas invadiram a linha Hindenberg, a fortificação alemã, assim o final da guerra se aproximava. Em 9 de novembro de 1918 o Kaiser Guilherme II abdicou e em 10 de novembro foi fundada a Republica Alemã de Weimar.

Em 11 de novembro de 1918, as 11 horas do 11º dia do 11º mês de 1918 a guerra terminou, quando a Alemanha e os Aliados assinaram um tratado de armísticio.

presidente Woodrow Wilson

A guerra na Itália[editar | editar código-fonte]

A Itália foi aliada dos alemães e do Império Austro-Húngaro desde 1882 como parte da Tríplice Aliança. Ainda que, a nação tivesse seus próprios interesses nos territórios austríacos, nas províncias de Trento, Istria e Dalmácia. Roma tinha um pacto secreto de 1902 com a França, o que tornava efetivamente nula a aliança.

No inicio das hostilidades, a Itália se recusou a enviar tropas, alegando que a Tríplice Aliança era defensiva por natureza e que a Áustria- Hungria era a agressora. O governo austro-húngaro começou as negociações para garantir a neutralidade da Itália, oferecendo a colônia francesa da Tunísia em troca.

Os Aliados fizeram uma contra oferta, na qual a Itália iria receber a província alpina do Tirol do sul e territórios na costa da Dalmácia após a derrota da Austria-Hungria. Isso foi formalizado pelo Tratado de Londres.

Mais tarde, encorajada pela invasão dos Aliados na Turquia em abril de 1915, a Itália entrou na Tríplice Entente e declarou guerra a Austria-Hungria em 23 de maio. Quinze meses mais tarde a Itália declarou guerra a Alemanha.

Luigi Cadorna

Militarmente os italianos tinham superioridade numérica. Essa vantagem, no entanto, foi perdida, não apenas pela dificuldade do terreno no qual se desenvolvia a luta, mas também por causa das estratégias e táticas empregadas. O marechal de campo Luigi Cadorna, um ferrenho defensor do ataque frontal, tinha sonhos de penetrar no platô esloveno, tomando Ljubljana e ameaçando Viena. Era um plano napoleônico, que não tinha chances reais de sucesso numa época de arame farpado, metralhadoras e artilharia indireta, combinado com o terreno montanhoso.

Na frente de Trentino os austro-húngaros levavam vantagem por causa do terreno montanhoso, que favorecia a defesa. Após a retirada estratégica inicial, o fronte permanecia sem mudanças. Os austro-húngaros contra atacaram em Asiago na direção de Verona e Padua, na primavera de 1916, mas fizeram pouco progresso.

No inicio de 1915, os italianos comandados por Cadorna fizeram onze ofensivas na frente de Isonzo ao longo do rio Isonzo, a nordeste de Trieste. Todas as onze ofensivas foram repelidas pelos austro-húngaros, que mantinham a posição.

No verão de 1916, os italianos capturaram a cidade de Gorizia. Após essa pequena vitória, a frente permaneceu estática por um ano, apesar das muitas ofensivas italianas. No outono de 1917, graças a situação na frente ocidental, os austríacos receberam grandes reforços, incluindo tropas de assalto alemãs, a elite Alpenkorps.

Foi lançada uma ofensiva maciça em 26 de outubro de 1917, comandada pelos alemães. Eles foram vitoriosos em Caporetto. O exército italiano foi derrotado e recuou mais de 100 quilometros para se reorganizar, estabelecendo uma frente no rio Piave.

Em 1918 os austro-húngaros não conseguiram vencer uma série de batalhas no platô Asiago, finalmente sendo derrotados definitivamente na batalha Vittorio Veneto em outubro do mesmo ano.

A Áustria Hungria se rendeu em novembro de 1918.

A guerra no mar[editar | editar código-fonte]

No início da guerra, o Império Alemão possuía cruzadores espalhados ao redor do globo, alguns que costumavam atacar os navios mercantes dos Aliados. A Marinha Real Britânica os caçava sistematicamente, embora não sem um certo embaraço por causa da sua inabilidade de proteger os navios Aliados.

Por exemplo, o cruzador leve alemão SMS Emden, parte do esquadrão da Ásia oriental, estacionado em Tsingtao, atacou ou destruiu 15 navios mercantes, assim como afundou um cruzador russo e um destróier francês. Embora o grosso da frota alemã na Ásia oriental – que consistia de cruzadores armados SMS Scharnhorst e SMS Gneisenau, cruzadores leves SMS Nürnberg e SMS Leipzig e dois navios de transporte – não tivessem ordens para atacar navios, no entanto era sob discretas ordens alemãs que o faziam ao encontrar elementos da frota britânica.

A frota alemã da qual fazia parte o SMS Dresden, afundou dois cruzadores armadas na Batalha de Coronel, mas foi quase completamente destruída na Batalha das Ilhas Falklands em dezembro de 1914. Apenas Dresden e poucos auxiliares escaparam, mas na Batalha de Más a Tierra foram ambos destruídos.

Logo que as hostilidades tiveram uma pausa, a Grã Bretanha iniciou um bloqueio naval à Alemanha. A estratégia se provou efetiva, cortando os suprimentos vitais, militares e civis, embora esse bloqueio violasse os tratados internacionais dos últimos dois séculos.

A Grã Bretanha minou águas internacionais para impedir qualquer navio de entrar em partes inteiras do oceano, causando perigo para qualquer navio neutro. A Batalha de Jutland em 1916 (em alemão: Skagerrakschlacht, ou "Batalha de Skagerrak") se tornou a maior batalha naval da guerra, o único enfrentamento em grande escala dos navios de guerra, ocorreu de 31 de maio a 1 de junho no Mar do Norte próximo a Jutland.

o rei falando às tropas – HMS Warspite ao fundo - 1916

A Frota Marítima Imperial comandada pelo Vice Almirante Reinhard Scheer, sufocou a Grande Frota Marítima Real, comandada pelo Almirante Sir John Jellicoe.O encontro foi um impasse, os alemães sobrepujados pela frota britânica, maior, conseguiram escapar e inflingir mais danos do que receber.

No entanto, estrategicamente, os britânicos confirmavam seu controle do mar e o grosso da frota alemã que sobreviveu permaneceu confinada no porto durante o resto da guerra.

Os U-boats alemães tentaram cortar a linha de suprimentos entre a América do Norte e a Grã Bretanha. O esquema da guerra submarina era que os ataques sempre chegavam sem aviso, portanto as tripulações dos navios mercantes tinham pouca chance de sobreviver. Os Estados Unidos fizeram um protesto e a Alemanha modificou as regras da luta. Após o famoso afundamento do RMS Lusitania em 1915, a Alemanha prometeu não tomar como alvos os navios de passageiros, enquanto os britânicos tinham seus navios mercantes armados, sob a proteção das regras de cruzeiro que envolvia avisar e colocar a tripulação num local de segurança (um padrão cujos barcos salva-vidas não cumpriam).

Finalmente, no inicio de 1917 a Alemanha adotou a politica de guerra submarina irrestrita, imaginando que os norte americanos provavelmente entrariam na guerra. A Alemanha procurou estrangular as rotas Aliadas antes de os Estados Unidos pudessem transportar um grande exército através do mar.

A ameaça dos U-boat diminuiu em 1917, quando navios mercantes passaram a navegar em comboios escoltados por destróieres. Essa tática tornava difícil para os U-boats encontrar os alvos, o que significava bem menos perdas. Com a introdução de novas tecnologias de detecção, os destroieres já conseguiam atacar um submarino com algum sucesso.

HMS Furious com os Sopwith Camels no deque. Julho 1918 para atacar Tondern

O sistema de comboios atrasou a chegada de suprimentos, uma vez que os navios tinham que esperar para que os comboios fossem formados. A solução era construir novos cargueiros. Os navios de tropas eram muito rápidos para os submarinos e não viajavam no Atlântico Norte em comboios. Os U-boats afundaram quase 5000 dos Aliados e perderam 178 submarinos.

A Primeira Guerra Mundial viu pela primeira vez o uso de porta aviões em combate, com o HMS Furious lançando Sopwith Camels em raides bem sucedidos contra os hangares dos Zeppelins em Tondern, em julho de 1918.

Ciência e tecnologia – novas técnicas militares[editar | editar código-fonte]

A Primeira Guerra Mundial foi um acontecimento em que, pela primeira vez houve uma mobilização total, ou seja, toda a sociedade das nações participantes se envolveu profundamente.

Além disso, o fato marcou o fim da visão de guerra como uma ocupação glamurosa e mostrou que coisa terrível e brutal a guerra pode ser quando disputada por nações que produzem armas em quantidade e enormes exércitos retirados do seio das populações.

A Primeira Guerra Mundial também introduziu um grande número de novas tecnologias e técnicas. A explosão da guerra tirou o mundo da era do carvão para um novo tempo em que a energia passou a ser derivada do petróleo, um combustível muito superior usado em muitas máquinas de guerra e sistemas de transporte por terra e por mar.

O produto mais letal da nova indústria foi a guerra química, com inúmeros soldados sofrendo e morrendo nos ataques com gás. Também os submarinos foram usados efetivamente, levando ao advento de meios de escanear o fundo do mar e os sonares. Tanques rudimentares e apetrechos destinados aos militares também chegaram ao campo de batalha perto do fim da guerra. Finalmente, a metralhadora fez sua estreia na Primeira Guerra Mundial. Tudo isso visava ao avanço na guerra de trincheiras, na qual, ambos os lados cavavam trincheiras fundas, e tentavam atacar o outro lado em geral com pouco ou nenhum sucesso.

bateria anti-aérea 1916

A revolução de março de 1917[editar | editar código-fonte]

A revolução russa marcou o primeiro surto de comunismo na Europa. Ao contrário da crença popular, no entanto, houve de fato duas únicas e especificas revoluções que ocorreram durante 1917 – a verdadeira revolução marxista assim como a revolução liderada por Lênin, que não era a verdadeira revolução marxista.

Em março de 1917 os camponeses estavam descontentes com o tzar, por causa do resultado das perdas na Primeira Guerra Mundial, a falta de representação real e a dissolução da Duma, a influência de Rasputin sobre Alexandra, a fome, a escassez de alimentos e as condições de trabalho na indústria.

O resultado disso foi que em 8 de março de 1917, protestos acerca da falta de alimentos estouraram em São Petersburgo; e os soldados se recusaram a abrir fogo sobre os manifestantes. Nesse momento, duas forças estavam competindo pelo controle da revolução. Membros do comitê executivo da Duma pediam um governo constitucional moderado, enquanto Sovietes, membros dos conselhos de trabalhadores, queriam a revolução e reforma industrial.

Em 15 de março de 1917, o Tzar tentou voltar à Russia de trem, mas foi parado pelas tropas e forçado a abdicar. De março até novembro, houve um governo provisório liderado por Aleksandr Kerensky, um socialista e o príncipe Lvov. No entanto, esse governo estava destinado a não funcionar porque não tomou medidas para a distribuição de terras, continuou a lutar na guerra e falhou na distribuição de alimentos.

O general Kornilov tentou um golpe, mas Kerensky usou os Sovietes e os Bolcheviques para derrubar o golpe. Isso demonstrou a fraqueza de Kerensky.

A revolução de março marcou a primeira luta entre classes que havia sido predita por Karl Marx. Na realidade, a revolução de março foi uma verdadeira revolução Marxista, baseada nas teorias de Marx no Manifesto Comunista.

carro com soldados armados e oficiais da polícia da cidade (Petrogrado, fevereiro de 1917)

A revolução de novembro de 1917[editar | editar código-fonte]

Vladimir Lênin percebeu que era chegada a hora de detonar a revolução. Ele foi o autor das Teses de Abril nas quais prometia paz com os Poderes Centrais, redistribuição de terras, transferência das fábricas para os donos e reconhecimento dos Sovietes como supremo poder na Russia.

Nesse sentido, a revolução de novembro foi liderada por Lênin, ao invés de ter sido um golpe de estado geral dado pelos trabalhadores. Por esse motivo, a revolução de novembro não pode ser rotulada como uma verdadeira revolução marxista.

A revolução talvez nunca acontecesse, se o primeiro ministro da época, Aleksandr Kerensky, não tivesse destruído sua autoridade sobre o exército e a marinha, permitindo que os Bolcheviques e Mencheviques se munissem de grandes poderes.

Kerensky, efetivamente, desarmou o homem que poderia ter evitado a revolução. O homem em questão era o Comandante-em-chefe, general Lavr Kornilov, que tentou colocar um freio no governo populista de Kerensky e introduzir um pouco de autoridade de volta ao Estado e ao exército.

Kerensky aproveitou a oportunidade de destituir Kornilov de seu posto e deu, efetivamente o poder aos bolcheviques. Nomeou-os Guarda Vermelha junto com os marinheiros de Petrogrado, lhes deu Carta Branca para pegar em armas na chamada defesa do Governo Provisório. O exército perdeu seu comandante e as ruas foram tomadas pelos bolcheviques. Em março de 1918 Lênin estabeleceu a ditadura do proletariado adotou o nome de Partido Comunista e assinou o tratado de Brest-Litovsk retirando a Russia da Primeira Guerra Mundial.

A guerra civil na Russia explodiu de 1918 a 1922, colocando os Vermelhos (bolcheviques liderados por Trotsky) contra os Brancos, que eram os tzaristas, liberais, os burgueses, mencheviques, os Estados Unidos, Grã Bretanha e França.

Os bolcheviques, vitoriosos trataram de eliminar a oposição usando grupos da polícia secreta, como a Cheka, a NKVD e a KGB. Lênin tentou manter o marxismo, no intuito de alcançar um Estado sem propriedades, a utopia de não existir classes. De qualquer forma essa busca pelo comunismo geral, fracassou e a economia declinou. Por isso, Lênin criou a Nova Política Econômica em março de 1921, que se comprometia com muitos aspectos do comunismo para benefícios capitalistas.

exemplo de pintura cubista - autor Philip Absolon


Arte moderna[editar | editar código-fonte]

A década de 1900 assistiu à criação de um novo e moderno movimento artístico. O Fauvismo era um tipo de arte moderna que enfatizava o selvagem, as cores extremas, abstração, linhas simples, frescor e espontaneidade.

O cubismo é outra forma de arte moderna que utiliza uma representação geométrica dos objetos com planos e ângulos.

O movimento de arte moderna surgiu por causa do advento da fotografia, motivos artísticos não precisavam ter uma representação realista. Talvez o mais famoso artista moderno seja Pablo Picasso, um pintor, escultor e desenhista espanhol. Ele foi um dos mestres da arte do século XX e o co-fundador do cubismo junto com Georges Braque.

Georges Braque começou a expor no estilo fauvista, de formas simples e cores puras. Depois, ao voltar ferido da Primeira Guerra Mundial, recomeçou a pintar em 1917 se dedicando a naturezas-mortas e pinturas figurativas dentro do estilo cubista.