Civilizações da Antiguidade/Caldeus

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Os Caldeus



fragmentos da alameda de procissão do portão de Ishtar

Quem eram os caldeus?[editar | editar código-fonte]

Eram um povo semita, de origem árabe, que ocupou o território correspondente à Mesopotâmia meridional, na primeira fase do primeiro milênio a.C. Eles surgiram nesse local mais ou menos ao mesmo tempo que os arameus e os shutu.

É provável que sua língua, assim que se estabeleceram na Babilônia, fosse o acádio, da linguagem assíria de Nínive. Ao final do império assírio, passaram a falar o aramaico.

Esse povo formou um reino independente ao redor da cidade suméria de Ur. Portanto, ocupava parte da Babilônia.

Existem muitos povos relacionados a esse local, na mesma fase histórica, de modo que o povo caldeu ficou mais conhecido através da 11ª dinastia de reis da Babilônia, a chamada Dinastia Caldéia.

O nome Caldéia foi usado (em especial na Bíblia), para nomear toda Babilônia logo que foi ocupada pelos caldeus.

Território caldeu[editar | editar código-fonte]

os impérios por volta de 600 a.C

Na cabeceira do rio Eufrates e adjacente ao Golfo Pérsico, na porção sul da Babilônia, ficavam as terras ocupadas pelo povo caldeu.

Essa terra era chamada de mat Kaldi pelos assírios, ou terra de Caldéia. Eles também usavam a expressão mat Bit Yakin e o rei da Caldéia era chamado de rei de Bit Yakin, logo toda Babilônia sob o império dos caldeus passou a se chamar Caldéia. Mas, o fato da dinastia caldéia governar a Babilônia durante 87 anos, não deve ser visto como se os babilônios tivessem se tornado caldeus.

Após os assírios[editar | editar código-fonte]

Grandes guerreiros que formaram um poderoso império, os assírios não foram bem sucedidos para administrar tão grande território e as rebeliões se sucederam.

O rei dos caldeus, Nabopolassar e o rei da Média, Ciaxares se uniram e derrotaram os assírios, destruindo Nínive e Assur.

Esse é o inicio do Império Caldeu ou 2º Império Babilônico. O império dos caldeus ficou sendo chamado babilônico, pelo fato desse povo ter assimilado a cultura e estar ligado de maneira definitiva à Babilônia.

É claro que a herança assíria era muito valiosa e os vencedores tomaram o espólio assírio. Portanto, a queda dos assírios não significou a independência dos territórios que pertenciam ao império assírio. Eles apenas passaram para o domínio de outros conquistadores.

objeto ritual de Kültepe, Anatolia

Nessa fase, esses povos ficaram imprensados entre dois grandes impérios que lutaram 40 anos pelo domínio desses territórios, os babilônios e os egípcios. Esses babilônios já tinham como rei Nabopolassar e eram os caldeus.

Os governantes do império caldeu foram:

  • Nabopolassar 632-605 a.C.
  • Nabucodonosor II 605-562 a.C.
  • Nabônidus 556-539 a.C.


Nabucodonosor II[editar | editar código-fonte]

efígie de Nabucodonossor


Por volta de 605 a.C. morre o rei Nabopolassar e seu filho e sucessor Nabucodonosor, que estava lutando já quase na fronteira do Egito, retorna à Babilônia para ser coroado.

Nabucodonosor II foi de fato, o grande personagem desse período e como todos os grandes conquistadores, foi um rei de decisões controversas.

Ele já era um guerreiro e seu objetivo era formar um grande império. Primeiro expulsou os egípcios da região da Síria-Palestina e continuou durante 30 anos lutando contra outros povos e anexando territórios.

Seu nome está ligado a todas as grandes conquistas do império babilônico governado pelos caldeus.

Política[editar | editar código-fonte]

Sob Nabucodonosor II e seus sucessores, os caldeus, ou novos babilônios, seguiram o modelo assírio com muito mais firmeza (ou violência), a cada conquista grandes deportações.

império neo-babilonico em 540 a.C.

Essa política impedia revoltas porque obrigava os povos dominados a se espalharem, cortava os vínculos com a terra e com os compatriotas. Obrigados a longas marchas, aqueles que sobreviviam eram empregados nas lavouras e já não tinham forças morais e físicas para fazer oposição aos dominadores.

Assim foi feito com os hebreus de Judá (cativeiro da Babilônia), com os soldados egípcios feitos prisioneiros na batalha de Karkemish, com os habitantes de Tiro (fenícios) e também com os de Gaza.

Essa era a mão-de-obra que garantia a riqueza e ao mesmo tempo a paz. Um povo disperso acaba assimilando os costumes, os deuses e até mesmo a linguagem dos outros e não causa problemas aos dominadores se apegando a suas raízes e lutando por elas.

A restauração[editar | editar código-fonte]

painéis em relevo do portão da Babilonia, atual Hilah

Sob Nabopolassar e depois dele Nabucodonosor II, a Babilônia passou para o controle dos caldeus, que assimilaram a cultura e formaram um império que se estendia da Cilícia anatólica ao norte, até as margens da península arábica ao sul. Do mar Mediterrãneo a oeste aos Montes Zagros no leste. Este era o império dos caldeus do rei Nabucodonosor II.

Mas, independente de todas as guerras e conquistas a prioridade que Nabucodonosor II herdara de seu pai, Nabopolassar, era reconstruir a cidade de Babilônia.

Para remodelar a cidade era preciso de mão-de-obra e matéria prima. Os deportados formavam a mão-de-obra barata e prática, que enquanto trabalhava não tinha tempo de insuflar rebeliões.

As cidades conquistadas pagavam tributos com riquezas como a madeira de cedro fenícia e outras, além das matérias primas locais e isso permitiu tornar realidade as ambições do rei.

Primeiro, abrir canais de irrigação, cultivar as terras, cuidar dos rebanhos, prover a alimentação. Depois restabelecer as vias de comunicação, cuidar da defesa da cidade. Então, começar as obras de embelezamento.

A magnífica Babilônia[editar | editar código-fonte]

A cidade idealizada e tornada real pelos dois grandes reis caldeus, Nabopolassar e Nabucodonosor II era a capital do império, portanto, além de bela era inexpugnável.

Protegida por uma dupla muralha, um fosso, além de muros externos que serviam de diques para protegê-la das enchentes em tempos de paz. Em tempos de guerra, bastava que os diques fossem destruídos para que a planície ficasse inundada, impedindo o acesso à cidade.

projeto da Babilônia

Tudo o que havia de mais belo nos territórios conquistados foi levado para a capital do império. Um exemplo foi a tomada de Jerusalém, quando os babilônios levaram as colunas da entrada do Templo e as bases do Mar de Bronze (bacia de purificação), além de outros objetos rituais.

Na entrada da cidade está a Porta de Ishtar, a deusa do amor, a protetora da cidade. Existem 7 outras portas nas muralhas mas esta é deslumbrante. Decorada com frisos e fileiras de animais, seus tijolos são esmaltados em azul e causam grande impressão.

Para homenagear Marduk, o deus tutelar do país, Nabucodonosor II manda restaurar o Esagil, templo do deus, e a Etemenanki que era uma espécie de zigurate em andares, que chega a mais de 90 metros de altura. No topo, há uma camara onde o deus encarna sempre que vem à Terra. Talvez tenha vindo daí a inspiração para o conto da Torre de Babel.

Babilônia possui um belíssimo palácio real, palácio de verão, 53 templos e 600 santuários.

Os tão famosos Jardins Suspensos, até hoje (2009) não foram encontrados. É possível que tenham existido, mas a despeito de todas as pesquisas arqueológicas nada foi encontrado que prove a sua existência.

A Babilônia no tempo dos reis caldeus foi a jóia do Oriente, uma cidade magnífica.

Queda do império caldeu[editar | editar código-fonte]

cilindro com inscrição de Nabônidas

O quarto sucessor de Nabucodonosor II, Nabônidas, tentou impor o culto a Sin (deus da lua) que era adorado entre os arameus do oeste.

Já vimos em outras civilizações que a religião é uma das partes mais sensíveis de um povo. Então, não se sabe ao certo o motivo, mas Nabônidas abandona a capital e vai viver no oásis de Tema, deixando o príncipe herdeiro Baltazar (Bel-Shar-Usur) no comando do império.

Na ausência do rei, o clero de Marduk não podia pedir as bênçãos na festa do Ano Novo, com isso o império perderia as graças do deus.

Marduk e seu dragão

Quando Ciro II, o Grande, da Pérsia, toma o reino de Judá, Nabônidas volta para defender sua capital, mas era tarde demais.

Os persas foram bem recebidos graças à sua tolerância religiosa e ao fato de permitirem que os deportados retornassem às suas terras de origem.

Ao conquistar a Babilônia, os persas descobriram que os caldeus eram um povo de grande conhecimento, especialmente na leitura, na escrita e em todas as formas de artes mágicas.

A astronomia era a sua principal ciência, eles conheciam os planetas e os diferenciavam das estrelas, podiam inclusive prever eclipses.

Desde então, caldeu em grego, passou a significar astrólogo.


Caldeus ainda hoje[editar | editar código-fonte]

Historicamente os caldeus foram os últimos governantes da Babilônia e seus descendentes ainda hoje vivem no mesmo local por onde passaram tantos povos que deixaram uma herança inigualável.

Os caldeus de Beth Nahreen que hoje é Iraque, leste da Síria e sudeste da Turquia, são descendentes dos povos nativos da Mesopotâmia, dos sumérios, acadianos, assírios, caldeus e outros.

Eles usam o aramaico clássico na liturgia e falam aramaico caldeu. O aramaico é a língua mãe da qual derivaram o árabe e o hebreu.


Referências[editar | editar código-fonte]