Civilização romana/Jogos gladiatórios

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Jogos gladiatórios[editar | editar código-fonte]

Os combates de gladiadores foram introduzidos em Roma nos jogos fúnebres de Junio Bruto, em 264 a.e.c. Tratava-se então apenas de um rito funerário, mas os Romanos tornaram-lhe rapidamente o gosto. Enquanto nos jogos de 264 se exibiram apenas três pares de gladiadores, viram vinte e dois cinqüenta anos mais tarde, nos de Emílio Lépido. Com a ajuda da emulação, em breve se enfrentaram na arena centenas de gladiadores. Os grandes senhores quiseram possuir as suas tropas pessoais, que treinavam nos seus domínios, longe da Cidade. Assim, no tempo de César, foi necessário limitar, por uma consulta ao Senado, o número de gladiadores pertencentes ao mesmo particular. Pretendia evitar-se a formação de bandos armados, inteiramente dedicados ao amo e prontos para todos os golpes. A guerra de Spartacus já mostrara a gravidade do perigo, uma vez que foram gladiadores evadidos de uma escola de Cápua que formaram o primeiro núcleo da rebelião. Os principais mentores das guerras civis, Milao e Clódio, um do lado do Senado, o outro do lado dos populares, não se coibiram de empregar gladiadores que lhes serviam de guarda-costas e também de bravi. Mas também existiam empresários profissionais de espetáculos que contratavam bandos de gladiadores que depois alugavam - por vezes a elevado preço - aos magistrados encarregados de organizar jogos. No Império, existiram gladiadores imperiais.

Pertenciam à casa do Príncipe, tal como o resto das suas gentes, e serviam para ilustrar os jogos organizados pelo próprio Imperador.

Nem todos os combatentes da arena eram gladiadores profissionais. Muitas vezes, utilizavam-se condenados a morte que enfrentavam, quase sem armas, adversários armados ou feras. Tratava-se de uma forma de execução praticada durante largos tempos, mas só eram expostos às feras os escravos e os homens livres que não possuíam o direito de cidadania romana. Alguns condenados, escolhidos entre os mais jovens e mais vigorosos, em vez de serem simplesmente conduzidos à morte, eram recrutados para uma escola e submetidos a um treino, tornando-se profissionais. Tinham, assim, o direito, se não de se "resgatarem" pela coragem, pelo menos de escapar ao suplicio se, após três anos desta vida, tivessem tido a habilidade ou a sorte de sobreviver. Recebiam então, como todos os outros gladiadores "reformados", a espada sem ferro que os libertava.

Ao lado dos condenados de direito comum também apareciam muitas vezes na arena prisioneiros de guerra: no reinado de Cláudio, o massacre dos prisioneiros bretões, em 47, tornou-se célebre. Também é sabido, pelo testemunho de Josefo, que Tito se libertou dos prisioneiros judeus no decorrer de vários espetáculos: em Berytus, em Cesareia da Palestina e em várias cidades da Síria. Este costume perpetuou-se por toda Europa, já que vemos Constantino tratar da mesma maneira os Brúcteros vencidos. Veja mais...

Referências Bibliográfias[editar | editar código-fonte]

  • A.FERRUA, Nuove tabulae lusoriae iscritte, in Epigraphica 1964, pp 3-44.
  • A.PIGANIOL, Recherches sur les jeux romains (acima, VIII);
  • G.JENNISON, Animals for Show And Pleasure in Ancient Rome: Manchester, 1937.