Civilização nadene/História

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Pesquisas indicam que 95 por cento dos índios americanos descendem de seis mulheres que viviam na região de Bering, atualmente submersa, mas que antigamente, por volta de 18000 a.C., ligava por via terrestre a Sibéria ao Alasca. As populações descendentes destas seis mulheres teriam descido ao longo do continente americano, formando as diferentes etnias indígenas[1].

Mar de Bering entre a Sibéria e o Alasca
Área de preservação nacional Ponte Terrestre de Bering no Alasca

Dentre as diferentes etnias indígenas formadas, estava a que deu origem ao grupo linguístico nadene. Este ramo se encontra espalhado pelo oeste da América do Norte, do Alasca à fronteira entre o México e os Estados Unidos. É constituída por povos como o eyak, o tlingit, o ahtna, o dena'ina, o hupa, o apache e o navajo.

Existem teorias que apontam semelhanças entre as línguas nadenes, as línguas sino-tibetanas, as línguas ienisseianas da Sibéria Central e a língua basca do sudoeste europeu, o que fortaleceria a ideia de uma origem comum para todos estes povos.

Placa em basco e espanhol, no monastério de Yuso, na Espanha
Livro chinês do século XIX

Por volta de 2000 a.C., um povo de língua nadene, o povo hupa, começou a ocupar o vale Hupa, no noroeste da atual Califórnia.

Índio hupa
Mulher hupa com seu filho, em foto de 1924

No século IX, os apaches, outro povo de língua nadene, começaram a povoar a região central dos atuais Estados Unidos, provavelmente procedentes da região do rio Mackenzie, no norte do Canadá[2]. A palavra "apache" vem de apacu, "inimigo". Porém os apaches chamavam-se a si próprios N'de o Inde, que significa "povo"[3]. Os apaches dividiam-se em vários grupos: jicarilla, mescalero, lipan, chiricahua, apaches ocidentais e apaches da planície e viviam, basicamente, da caça aos bisões-americanos (Bison bison), os quais forneciam carne para alimentação e couro para a confecção de tendas e roupas.

Bacia do rio Mackenzie, em verde, no norte do Canadá. O rio Mackenzie é o segundo maior rio da América do Norte e deságua no oceano Ártico.
Rio Mackenzie
Bisão-americano (Bison bison)

A cultura tlingit surgiu no século XIII, na fronteira entre o Alasca e o Canadá. Era uma cultura baseada na pesca, na caça e na coleta de produtos da floresta. Aos poucos, a língua tlingit se expandiu para o litoral do Alasca, substituindo a língua eyak.

Mapa mostrando a distribuição da língua tinglit, no sul do Alasca
Totem tlingit em Ketchican, no Alasca

No século XVI, os apaches se confrontaram com os colonizadores espanhóis na disputa pela posse de suas terras. Os navajos (ou navahos), que habitavam o sudoeste do atual território estadunidense, também tiveram de se defrontar com os espanhóis, só que um pouco mais tarde: no século XVIII. A palavra "navajo" vem de navahu, "terra fértil"[4]. Além dos confrontos militares, os espanhóis trouxeram também dois importantes elementos que viriam a fazer parte do modo de vida de apaches e navajos: o cavalo e a arma de fogo. Combinando-os, os índios ampliaram tremendamente sua eficiência na caça e na guerra[5].

Batedor apache
Índios navajos
Cavalos selvagens em Utah, nos Estados Unidos. Chamados de mustangs ou mesteños, são descendentes de cavalos trazidos pelos colonizadores espanhóis e que se adaptaram à vida selvagem.

O primeiro contato dos tlingits com europeus se deu no século XVIII, com a chegada de exploradores russos e espanhóis. Junto com os europeus, vieram doenças como a varíola, para as quais os povos indígenas não tinha defesas naturais. Como os rituais de cura dos xamãs indígenas tampouco funcionavam contra essas novas doenças, muitos tlingit passaram a se converter ao Cristianismo Ortodoxo trazido por missionários russos. A essa altura, o Alasca já pertencia ao império russo desde 1741, quando fora descoberto pelo explorador dinamarquês a serviço da Rússia Vitus Bering.

Reconstituição de uma aldeia tlingit do século XVIII
Vitus Bering

A partir do final do século XVIII, a expansão do comércio de peles de animais levou os britânicos e os estadunidenses a terem os primeiros contatos com os tsilhqot'in, povo que habitava o platô Chilcotin, na atual província canadense da Colúmbia Britânica. "Tsilhqot'in" significa, na sua língua, "povo do rio vermelho-ocre".

Durante todo o século XIX, a expansão britânica e estadunidense em direção ao oeste levou a uma série de conflitos militares com os povos indígenas locais. Esses conflitos ficaram conhecidos como guerras Indígenas. Com a independência mexicana, em 1821, os navajos tiveram de enfrentar incursões militares mexicanas. Em seguida, com a anexação da região pelos estadunidenses, estes impuseram aos navajos dolorosas migrações forçadas. Quanto aos apaches, o governo estadunidense iniciou uma política de extermínio visando a ocupar seu território tradicional, no sudoeste dos atuais Estados Unidos. Neste período, surgiram famosos chefes apaches como Mangas Coloridas, Cochise e Geronimo. Mais sorte tiveram os hupa: em 1864, o governo estadunidense concedeu-lhes a posse de suas terras tradicionais, formando a reserva indígena do Vale Hupa.

Placa no forte Sumner, no Novo México, nos Estados Unidos, lembrando o período em que os navajos estiveram exilados no local
Geronimo, à direita e seus guerreiros apaches

Em 1867, a Rússia vendeu o Alasca aos Estados Unidos por 7 200 000 de dólares, visando a se recuperar financeiramente após os gastos com a guerra da Crimeia (1853-1856), guerra na qual o império Russo do czar Nicolau I tentara inutilmente expandir-se para o sul.

Em 1868, o governo estadunidense concedeu aos navajos a posse de suas terras tradicionais.

No final do século XIX e início do século XX, as tribos apaches aceitaram as reservas apaches criadas pelo governo dos Estados Unidos nos estados do Arizona e Novo México.

Na Segunda Guerra Mundial, muitos índios navajos lutaram no exército dos Estados Unidos. Eles ajudaram na criação e no uso de uma linguagem criptografada baseada na língua navajo. Tal linguagem jamais conseguiu ser decifrada pelos militares japoneses e foi uma das principais responsáveis pela vitória dos Estados Unidos sobre o Japão nas batalhas travadas no oceano Pacífico.

Reportagem de jornal mostrando o encontro do general estadunidense Douglas MacArthur com cinco soldados estadunidenses navajos durante a Segunda Guerra Mundial

Em 19 de abril de 1940, índios de todo o continente americano se reuniram na cidade mexicana de Pátzcuaro para debater a situação dos povos indígenas americanos. Desde então, a data passou a ser comemorada como o dia do índio[6].

Praça de Gertrudis Bocanegra, em Pátzcuaro, em Michoacán, no México

Em 1989, foi estabelecido o governo nacional tsilhqot'in, representando as comunidades tsilhqot'in de Tlet'inqox, Esdilagh, Yunesit'in, Tsi Del Del e Xeni Gwet'in, na província canadense da Colúmbia Britânica[7].

Em 1993, foi lançado o filme estadunidense Geronimo, narrando a vida do famoso líder apache.

Em 2002, o filme estadunidense Windtalkers narrou a participação de soldados navajos no exército dos Estados Unidos na segunda guerra mundial transmitindo e recebendo mensagens criptografadas baseadas na língua navajo. No mesmo ano, a banda de rock estadunidense Audioslave lançou a música Cochise homenageando o famoso líder apache.

Aparelho de rádio utilizado pelos soldados navajos durante a segunda guerra mundial
Chris Cornell, vocalista da banda Audioslave
Chefe apache Eskiminzin, também chamado Cochise

Em 2004, foi criada a versão da Wikipédia em língua navajo (idioma conhecido pelos próprios navajos como diné bizaad).

Logotipo da Wikipédia em língua navajo

Em 2008, morreu Marie Smith Jones, a última falante da língua eyak. No mesmo ano, foi inaugurado o View Hotel, um hotel instalado dentro de uma reserva navajo estadunidense no vale Monumento, administrado pelos próprios navajos[8]. O hotel faz parte da tendência atual do "turismo tribal", que procura oferecer aos visitantes a experiência de vivenciar as culturas indígenas[9].


Atualmente, a reserva navajo é a segunda maior reserva indígena dos Estados Unidos, com 220 000 pessoas distribuídas em 6 000 000 de hectares entre os estados do Arizona, Novo México e Utah. Ou seja, é do tamanho da Irlanda.

Distribuição atual das reservas apaches e da reserva navajo nos Estados Unidos

Referências