Civilização Egípcia/Terceiro Período Intermediário/Dinastias do Terceiro Período Intermediário/22ª Dinastia

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Dinastia 22

22ª Dinastia[editar | editar código-fonte]

  • Shoshenq I
Livro dos Mortos em hierático de Padiamenet, chefe cozinheiro dos domínios de Amon, 22ª dinastia
  • Osorkon I
  • Takelot
  • Shoshenq II
  • Osorkon II
  • Takelot II
  • Shoshenq III
  • Pami
  • Shoshenq IV
  • Osorkon IV
  • Shoshenq I

Os reis dessa dinastia foram listados por Mâneton como sendo de Bubastis, cidade localizada a nordeste do Delta. Pelo nome de seu fundador, Shoshenq parece claro que foram reis líbios.

Ocorre que, os líbios já faziam parte da população do Egito há muito tempo, inclusive na época do Novo Império, a maioria dos soldados do exército egípcio eram líbios. Eles ganharam terras e se adaptaram à vida no país, se tornando influentes e até mesmo, em algumas cidades, sendo maioria da população.

O fato é que certas famílias de origem líbia, já viviam no Egito durante muitas gerações e já se consideravam egípcias, até mesmo tendo muitos integrantes nascidos no país, embora respeitando suas raízes.

Shoshenq era parente de Psusennes II e sobrinho de Osorkon, o Velho. Antes mesmo de subir ao trono, ele era chefe de todos os exércitos e conselheiro de Psusennes II.


estátua de Sekhemet que traz o cartucho de Shoshenq I

Nos registros de Tebas, ele é mencionado como Grande Chefe do Meshwesh, que funcionava como uma força policial interna, sempre recrutada entre as tribos líbias.

Como os reis que governaram antes dele, Shoshenq adotou os títulos reais egípcios e decidiu se associar ao rei Smendes I, ao escolher seus títulos.

Seu nome de nascimento Shoshenq I, como epíteto meryamun, fica assim - Shoshenq Amado de Amon. Seu nome de trono era Hedj-kheper-re Setep-en-re, significando Brilhantes são as manifestações de Ra, Escolhido de Ra.

Este foi um governante forte em meio à fase um tanto confusa desse terceiro período intermediário. Ele conseguiu unir o Egito e colocou seus filhos em diversos cargos importantes para governar as regiões e assegurar o poder.

O filho Iuput se tornou governador do Alto Egito, Alto-Sacerdote de Amon e comandante-em-chefe do exército. O outro filho Djedptahaufankh se tornou Terceiro Profeta de Amon, enquanto o filho de nome Nimlot se tornou comandante militar de Heracleópolis. Um de seus bons aliados líbios, Nesy se tornou Quarto Profeta de Amon.

Essa foi uma maneira inteligente de assegurar lealdade ao trono.

Shoshenq I fez guerra contra Judá e Israel e é conhecido na Bíblia pelo nome Shishak. Desde Ramsés III não havia uma campanha militar vitoriosa como essa no Egito.

O rei capturou as principais cidades de Judá antes de chegar às muralhas de Jerusalém. Depois voltou sua atenção para Israel, forçando Jeroboão a fugir. Finalmente parou em Megido, que havia sido conquistada por Thutmose III, quinhentos anos antes. Ali erigiu uma Estela da vitória antes de marchar para o sul e retornar ao Egito por Ashkelon e Gaza.

Também mandou inscrever no Templo de Amon em Tebas, como os outros grandes faraós, suas vitórias. Reabriu as pedreiras de Gebel el-Silsila para que seu filho Iuput mandasse construir um portal em Karnak (o portal Bubastita). Pelas inscrições em Karnak se pode estudar toda a campanha militar de Shoshenq, pois ali constam os nomes das cidades no Levante.

Uma estátua de Shoshenq I foi encontrada no santuário da deusa Baalat-Gebal em Biblos. Isto é muito interessante porque prova que havia boas relações entre os dois povos. Aliás, parece que muito mais pelas relações comerciais e diplomáticas do que pelas guerras, o Egito fez boas ligações no Levante.

Infelizmente, logo após suas campanhas vitoriosas na Palestina, Shoshenq I faleceu.

As informações são de que sua múmia foi envolvida em cartonagem e colocada num sarcófago de prata, ambos contendo as cabeças do Hórus falcão, que identificavam o rei com o Osíris-Sokar.

Estátua com o cartucho do rei Osorkon I e uma inscrição fenícia com o nome Elibaal rei de Biblos

Há uma certa confusão sobre o local exato do sepultamento de Shoshenq I. O único item funerário encontrado foi uma arca para jarros canopos, que é o único exemplo desse tipo que data da 22ª Dinastia (outros reis desse período usaram arcas de madeira). Parece que ela foi modelada na 18ª ou 19ª Dinastia. Infelizmente essa arca apareceu no Mercado de Antiguidades e portanto não há pistas de onde ela foi encontrada primordialmente.

Na tumba de Shoshenq III, em Tanis há fragmentos de duas jarras canópicas que trazem o nome de Shoshenq I, o problema é que elas são muito grandes para caber na arca. Também não se sabe onde Shoshenq foi sepultado, pode ter sido em Tanis ou mesmo em Bubastis.

  • Osorkon I

Não sabemos muito sobre ele, apenas, parece que prosseguiu com a política de comércio e diplomacia de seu pai. Entre os reinados de Osorkon I e Takelot I, aparece um rei de nome Shoshenq II como co-regente por um breve período.

  • Takelot I

Foi o sucessor de Osorkon I mas, parece que teve como co-regente Shoshenq II durante um pequeno período antes do início de seu governo.

  • Shoshenq II

Com esse rei ocorreu algo parecido com o faraó Tutankhamon.

Shoshenq II foi um rei obscuro em termos históricos e só foi parar no imaginário popular por circunstâncias interessantes.

A Europa estava à beira da Segunda Guerra Mundial quando o egiptólogo Pierre Montet descobriu em Tanis, no Delta, uma série de tumbas reais muito ricas da 21ª e da 22ª Dinastias.

Por causa da situação política, o mundo não prestou atenção na incrível descoberta. Pierre Montet topou, sem querer, com uma necrópole dos reis do Terceiro Período Intermediário. Ele chamou o dia 17 de março de 1939, de um dia de maravilhas do quilate das Mil e Uma Noites.

máscara funerária do rei Shoshenq II

Ele entrou pelo teto da câmara decorada da tumba do rei Psusennes I. Lá dentro havia verdadeiros amontoados de equipamentos funerários, inclusive alguns com o nome de Heqakheperre Shoshenq (II).

Mesmo assim, pouco se sabe sobre esse rei, além de que foi membro da dinastia Líbia ou Bubastita, seu nome junto com o epíteto Shoshenq meryamun significa Amado de Amon, e seu nome de trono, Heqa-kheper-re Setep-en-re, Quem governa é a manifestação de Ra, Escolhido de Ra.

É dito que ele era filho de Osorkon I e portanto se tornou Alto-Sacerdote de Amon antes de ter se tornado co-regente de seu pai. Sua mãe talvez fosse Maatkare, de acordo com a Personificação da Inundação que foi dedicada a Shoshenq II.

Ficheiro:Sheshonq II bracelet.jpg
bracelete de lápis lazuli, Shoshenq II

Nesitanebetashru e Nesitaudjatakhet poderiam ter sido suas esposas. Ao que parece o filho deste rei foi Horsiese, embora alguns estudiosos acreditem que ele também teve um filho de nome Osorkon.

A múmia de Shoshenq II foi encontrada em sua tumba junto com relíquias maravilhosas, incluindo um sarcófago de prata, jóias, como belíssimos peitorais e alguns outros itens. (JE 72170 - JE 72172 - JE 72184 B - JE 72171 - Cairo Antiquities Museum).

O sarcófago era similar ao de Tutankhamon (o de ouro), mas ao invés do rosto do rei, trazia uma cabeça de falcão. Dentro do sarcófago, a múmia usava uma máscara de ouro. Havia também quatro sarcófagos de prata em miniatura para guardar os órgãos internos do rei.

A múmia estava em mau estado porque entrou água dentro do sarcófago. Parece que a causa da morte foi infecção generalizada, por causa de um ferimento na cabeça.

Infelizmente a umidade destruiu quase tudo que não fosse metal ou osso na tumba onde Shoshenq II foi encontrado.

  • Osorkon II

Também era líbio e se tornou o quinto governante da 22ª Dinastia, em Tanis. Osorkon era o nome de nascimento do rei que, junto com o epíteto meryamun, significa Osorkon, amado de Amon. Seu nome de trono era User-maaat-re Setepen-amun, que significa Poderosa é a justiça de Ra, Escolhido de Amon.

É provável que Horsiese, filho do rei anterior e que poderia ter sido primo de Osorkon II, viria a causar problemas mais tarde. Este Horsiese se declarou rei do sul do Egito ele deve ter sido escolhido como Alto-Sacerdote de Amon por Osorkon II ou por seu pai anteriormente, uma má escolha.

Na verdade, se Shoshenq II tivesse tido tempo, é possível que Horsiese se tornasse mesmo o rei, mas não foi isso que ocorreu.

Pendante com o nome do rei Osorkon II

Embora sem muito poder, ele limitou o governo de Osorkon II, enquanto viveu embora fosse muito doente.

Após a morte de Horsiese é que Osorkon II consolidou seu reinado, declarando um de seus filhos Nimlot C, como Alto-Sacerdote de Amon em Karnak, outro, Shoshenq D como Alto-Sacerdote de Ptah em Mênfis e seu filho mais novo, com apenas dez anos Harnakhte, Alto-Sacerdote de Amon em Tanis, a capital da dinastia. Dessa forma, além dos títulos religiosos, seus filhos traziam outros títulos que confirmavam o poder da família.

Osorkon II fez muitas obras, como o templo da deusa gata Bastet em Bubastis, um belo salão monumental de granito que foi decorado com relevos seus e de sua esposa Karomama I. Também deixou obras em Mênfis, Tanis, Leontópolis e Tebas.

Não se sabe muito sobre o final de seu reinado, mas, parece que o Egito precisou mandar tropas para lutarem ao lado de Israel, Biblos e outros reinos vizinhos, contra a Assíria.

Durante os dois últimos anos de governo de Osorkon II houve nova tentativa dos tebanos de se tornarem independentes, na pessoa de Takelot II.

Osorkon II foi sepultado em Tanis, na tumba NRT 1, num pesado sarcófago cuja tampa foi entalhada com restos de estátuas do período ramessida. Em sua câmara mortuária estava também seu filho Harnakhte. Como tantos outros, seu túmulo foi saqueado e só sobraram pedaços do sarcófago com cabeça de falcão e vasos canopos.

  • Takelot II

Deve ter sido o sexto rei da 22ª Dinastia. Imagina-se que tenha sido o pai do Alto-Sacerdote de Amon, Osorkon. Este Osorkon foi o responsável por uma longa inscrição no Portão Bubastita.

Estela doando terras ao templo e amaldiçoando quem dessas terras se apossar

Ali ele conta que durante o décimo quinto ano do reinado de Takelot II, houve uma grande convulsão no Egito, possivelmente a guerra civil entre o norte e o sul.

De Takelot II foi encontrado o sarcófago usurpado do Médio Império em Tanis, assim como seus vasos canopos e ushabits.

Shoshenq III

Alguns historiadores dizem que Osorkon II foi sucedido por seu filho Shoshenq III mas não há evidências e entre os dois consta Takelot II.

Acredita-se que ele reinou por cinqüenta e dois anos. Durante o vigésimo oitavo ano de seu reinado, nasceu um boi Ápis. Um sacerdote de nome Pediese registrou isso numa Estela no Serapeum.

Escudo com cabeça de leão com o nome do rei Osorkon IV

A tumba de Shoshenq III foi encontrada em Tanis.

  • Pami

Seu nome Usermare-Setepenre Pimay significa Aquele que pertence a Bastet, a Gata. O nome de trono Usermaatre Setepenre Setepenamun, Poderosa é a justiça de Ra, Escolhido de Amon.

Nada temos desse rei além de poucas estátuas de Sais, e notas registrando que ele era o Governador dos líbios - Meshwesh.

  • Shoshenq IV

No seu governo houve ataques dos assírios aos países vizinhos. O rei assírio tomou Damasco e muitas cidades ao norte de Israel. Parece que as tropas egípcias chegaram a se juntar às forças de Damasco e Israel, mas não há mais nenhuma indicação de que Shoshenq IV tenha feito maiores esforços em ajudar seus aliados.

  • Osorkon IV

Foi o último governante da 22ª Dinastia. Durante seu reinado, Hoshea o rei de Israel pediu ajuda contra o rei assírio Shalmaneser V, mas não foi atendido, os israelitas foram capturados. Osorkon IV preferiu mandar presentes para evitar ser atacado e parece que foi bem sucedido.