Civilização Egípcia/Período greco-romano

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Período Greco-Romano
332 a.C. - 642d.C.
Império Macedônio

Alexandre Magno[editar | editar código-fonte]

Alexandre III da Macedônia já dominava todo o Crescente Fértil quando voltou seus olhos para o Egito.

Sem dúvida, em termos de expansão política e militar ele não poderia deixar de conquistar o Egito. Mas, também é de se imaginar que o filho de Filipe II, educado por Aristóteles, conhecesse e admirasse as tradições e a cultura egípcias.

O faraó era o único governante a ser visto como um deus vivo. Era sem a menor dúvida, uma conquista sem igual e uma legitimação da profecia (segundo Plutarco) que dizia ser Alexandre filho de um deus.

monumento a Alexandre em Shtip, Macedônia

Quando os exércitos de Alexandre Magno entraram no Egito, os persas que foram tão cruéis e opressores já estavam derrotados. Não se sabe se é a verdade, mas conta a história que o povo egípcio recebeu Alexandre de braços abertos.

Alexandre foi visitar o Oráculo de Amon e seja lenda ou verdade, o fato é que ele foi declarado filho de Amon. O grande guerreiro macedônio foi aceito no Egito como um verdadeiro faraó e reverenciado como o foram os faraós divinos das antigas dinastias.

Alexandre iniciou a construção da cidade de Alexandria, mas não viveu para vê-la pronta. Ele deixou no Egito como uma espécie de governador ou Sátrapa, Cleomenes, um banqueiro de Naucrátis e seguiu rumo a Ásia.

Esse Cleomenes parece que era um homem corrupto, culpado de toda a espécie de fraudes e portanto era preciso outra pessoa para ocupar esse cargo. Então, quem foi para o Egito organizar o governo foi Ptolomeu, o mais velho dos companheiros de Alexandre, no cargo de Sátrapa do Rei e Cleomenes foi condenado a morte.

Quando o Alexandre Magno morreu, seus três homens de confiança, Seleuco, Antipater e Ptolomeu dividiram entre si a administração do império que ele tinha conquistado.

Árvore genealógica dos Ptolomeus

Ptolomeu que já estava no Egito, acabou ficando com o governo do país e dando início a uma dinastia chamada de Ptolemaíca.

Os Ptolomeus[editar | editar código-fonte]

Na divisão do império, o Egito ficou com Ptolomeu que era filho de um macedônio de nome Lagos e deu início a uma dinastia de reis de origem grega.

Foi uma mudança radical para o povo do Egito, inclusive a língua oficial passou a ser o grego. Sem dúvida eles defenderam o país, mas esse era seu interesse primeiro, afinal eram os reis.

O povo egípcio foi tratado com dureza, viviam em sua maioria na pobreza, trabalhando na agricultura, morando em povoados e completamente afastados do poder. Os gregos eram obviamente os mais favorecidos, vivendo nas cidades, especialmente em Alexandria que era a bela capital.

Os Ptolomeus em geral, procuraram fixar os soldados estrangeiros no Egito, dando-lhes terras para cultivar em troca do serviço militar. Assim usando a estrutura dos macedônios no exército, conseguiram formar uma máquina militar de respeito e dessa forma conquistaram a Síria-Palestina.

Foi no tempo de Ptolomeu I que um sacerdote chamado Mâneton, escreveu toda a história do Egito, desde a época pré-dinástica até o reinado do próprio Ptolomeu. Mâneton, dividiu os faraós pelas dinastias e hoje é uma fonte indispensável de pesquisa para qualquer historiador.

Representação de Ptolomeu II imitando Alexandre Magno

Com relação a religião, os Ptolomeus introduziram novos deuses mas respeitavam os antigos cultos. Na verdade diversos desses reis construíram templos como os egípcios faziam e as terras dos templos continuaram a produzir para os sacerdotes, como era antes. Isso agradava ao povo e ao clero. Na verdade a população grega era mais influenciada pela religião egípcia do que o contrário. Os Ptolomeus ergueram templos em Edfu, Dendera, Philae, Kom Ombo e outros.

O norte do Egito sofreu a forte influencia da cultura grega e Alexandria era uma das mais belas e impressionantes cidades do mundo na época. Os Ptolomeus cuidaram de embelezá-la e como típicos gregos cuidaram das atividades do espírito. O museu e em especial a biblioteca de Alexandria (uma das sete maravilhas do mundo antigo) eram locais onde se reuniam os principais cientistas, poetas, artistas e sábios em geral.

O reinado dos Ptolomeus foi um período de grande desenvolvimento para o Egito, na agricultura, no comércio, na economia. Eles geriam o país como um negócio que deve dar lucro e realmente foi uma fase de prosperidade.

Para a população, os egípcios nativos, esses reis Ptolomeus eram muito mal vistos, a repressão era a política que eles usavam contra as rebeliões constantes. Durante o reinado de Ptolomeu V, uma dinastia egípcia tentou tomar o poder e as rebeliões foram violentas. Nos últimos anos da dinastia ptolemaíca, houve muitas lutas pelo poder entre os próprios governantes, de tal maneira que Roma precisou intervir para recolocar Ptolomeu XII Evergetes no trono. Daí em diante, os romanos passam a cumprir um papel cada vez mais importante na história do Egito.

No reinado de Cleópatra VII, filha de Ptolomeu XII se deu outra intervenção romana. Embora a rainha fosse uma governante capaz politicamente, ela foi envolvida na luta pelo poder entre os romanos Otavio Augusto e Marco Antonio e escolheu ficar do lado errado. Derrotada junto com Marco Antonio na batalha do Accio, Cleópatra cometeu suicídio.

Com a morte de Cleópatra o Egito também morreu, transformou-se em província romana.

Período Romano[editar | editar código-fonte]

Templo de Isis em Philae

O Egito, sob o imperador romano Augustus tornou-se um celeiro, um grande produtor de alimentos que servia Roma.

Sob os romanos, o Egito atravessou um dos períodos mais prósperos, em que foram construídas novas cidades e novos templos. Devido a amplitude do Império Romano, o Egito foi apresentado a novas culturas e novas influências.

O Egito faraônico já tinha desaparecido e o fato de ter se tornado província romana foi responsável pelo golpe final na antiga civilização egípcia. Foi de Roma que veio o catolicismo.

Historicamente, sem fazer juízos religiosos, o catolicismo foi o responsável pelo fechamento dos templos que se transformaram em monastérios ou igrejas. As imagens dos velhos deuses e faraós, consideradas demoníacas foram destruídas. Os papiros mantidos nas bibliotecas dos templos se tornaram combustível para a intolerância, foram queimados.

Quando o Império Romano foi dividido em duas partes, o Egito se tornou parte do Império Bizantino e a maior parte de sua população já estava convertida ao cristianismo.

O único templo que preservava o antigo culto era o Templo de Ísis na ilha de Philae. No inicio do século VI da era cristã, esse magnífico templo foi fechado pelo exército colocando um ponto final na antiga civilização egípcia.

O Egito vivo[editar | editar código-fonte]

Livro dos Mortos do escriba Hunefer 19ª dinastia

A civilização egípcia desde sempre se preocupou com a vida após a morte. Assim sendo, se tornou uma civilização que apesar de todas as invasões, opressões, religiões e principalmente apesar do tempo que tudo apaga e tudo destrói, permaneceu viva.

Essa história não terminou e não terminará, enquanto os arqueólogos forem capazes de encontrar novas peças que encaixem nos vazios que persistem.

Falar o nome do morto é fazê-lo viver de novo!

Era essa a ideia dos egípcios e assim, vivem os faraós e vive uma civilização que criou para a eternidade !