Civilização Egípcia/Antigo império

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falsa porta de Shespy, sexta dinastia
Antigo Império


2650-2150 a.C

Dinastias 3-6[editar | editar código-fonte]

O início do Antigo Império é demarcado pela quarta dinastia. Esta foi uma fase de grande prosperidade para o Egito. Foram por volta de duzentos anos de paz e segurança, pois os faraós dessas dinastias, de modo geral, governaram de maneira firme e o governo se manteve forte pelo menos até a quarta dinastia. Essa foi a fase das pirâmides,onde se incluiu que em todos os campos de conhecimento houve um salto sem igual e que a economia ia mal.

Expansão[editar | editar código-fonte]

O Egito estava dividido em províncias e os faraós colocaram como governadores dessas províncias, seus parentes ou pessoas de máxima confiança. Desse modo garantiam a fidelidade dos súditos, a paz e a união firme do país.

O que ocorre quando tudo caminha mal dentro de um país é o desejo natural de expansão. E foi o que aconteceu com o Egito, os olhos dos faraós se voltaram para outras terras, onde poderia haver riquezas para aumentar seu poder.

Ao norte estava a Núbia (atual Sudão) onde havia minas de ouro e que não resistiu ao assalto egípcio.

O Sinai, que fica ao sul do mar Vermelho, foi outro dos objetivos expansionistas porque lá havia turquesas e pedras preciosas que os egípcios apreciavam, e também o ferro para fazer armas.

Dominando o Sinai, os egípcios criaram portos no Mar Vermelho de onde saíram para outras expedições. Tendo o ferro, puderam fazer armas mais sofisticadas de modo que o poderio do exército aumentou.

Mapa do Antigo Egito

O Egito possuía um exército regular, os homens recebiam treinamento militar e era assim que partiam para as expedições de conquista. Pelo que se sabe da história, os faraós (que eram praticamente deuses) eram os comandantes das tropas, o que inspirava os homens a lutar com mais disposição.

Além da Núbia e do Sinai, a outra região que estava próxima era a Líbia. Essas regiões não possuíam um governo organizado como o egípcio, então se tornavam presas fáceis para um povo tão avançado.

Também era importante aumentar o comércio, criando assentamentos e rotas seguras para as caravanas. O Egito já possuía contatos com a Fenícia porque precisava do cedro, que não possuía e era básico para construir os barcos, além de outras utilidades. Para isso era necessário pacificar os nômades e ocupar os oásis, tornando as estradas seguras e foi isso que foi feito.

Existem relatos de que na sexta dinastia o Egito fazia comércio até com Creta, o que nos faz presumir que a navegação estava bem adiantada.

Pelo que pudemos estudar até aqui, o Egito não anexou territórios formando um grande império. Mas, usou as riquezas conquistadas, fez contato com outros povos cujos homens acabaram se incorporando ao exército egípcio, se dedicou à defesa de seu território, armou seus soldados com artefatos de cobre e inclusive formou um verdadeiro exército.

Religiosidade[editar | editar código-fonte]

Deus-sol, Ra

No inicio do antigo império havia muitos deuses, cada cidade queria fazer valer o seu deus como o mais importante. Os sacerdotes, nessa época começaram a organizar e desenvolver teologias individuais, sendo que cada uma delas colocava seu deus como o criador do universo.

A sociedade estava mudando, aos poucos ficava para trás a vida tribal, a vida de comunidades e o Egito se transformava num país governado por um rei absoluto, um sistema teocrático, onde o deus vivia na pessoa do rei.

Para organizar todos aqueles deuses, de cada cidade, do norte, do sul, os sacerdotes passaram a agrupá-los em Eneadas (grupos de nove) e Ogdoadas (grupos de oito) e os apresentavam como famílias.

Em Iunu (Heliópolis) o deus mais importante era Atum que misturado a Re ou Ra, aparecia como Ra-Atum e Re-Horakhte (homem com cabeça de falcão). Os mitos da criação mais importantes vinham de Iunu, assim como os Textos das Pirâmides.

O mito da criação de Iunu possui nove deuses – a Grande Eneada (Pesdjet): Atum, Shu, Tefnut, Geb, Nut, Osiris, Isis Neftis e Seth.

O culto a Ra-Atum cresceu a partir da 2ª dinastia e alcançou seu ápice na 5ª dinastia. Foi o período em que o poder dos sacerdotes cresceu enquanto o do rei diminuía, embora o faraó fosse ainda divino e sendo herdeiro dos deuses representasse, na terra, o Ma´at, que seria uma mistura de ética, moral e da lei que deveria se manter equilibrada. Na realidade, parece que o faraó deixou de ser o deus para se tornar o filho do deus.

De acordo com a teologia de Mênfis, Ptah criou o universo usando seu coração e sua língua. Foi dizendo o nome de cada coisa que elas tomaram vida, porque os egípcios acreditavam que a essência de cada ser ou de cada coisa, estava no seu nome. Assim sendo, ele teria criado inclusive os outros deuses de modo que, havia grande rivalidade entre o culto a Ptah e o culto a Ra-Atum.

Pirâmides e Templos[editar | editar código-fonte]

Alguns estudiosos acreditam que as pirâmides, que surgiram logo no início da terceira dinastia, com a chamada Pirâmide de Degraus tenham sido criadas com o simbolismo de uma escada para o céu. Isso está sendo mencionado porque essas construções maravilhosas surgiram dentro de um contexto religioso muito forte.

Na verdade há muitas especulações e com relação às pirâmides vamos nos ater ao que diz a história tradicional.

Na fase das pirâmides, a capital do Egito era Mênfis e seu patrono o deus Ptah, ele era o patrono da realeza. Por volta da quarta dinastia, vamos observar modificações, porque a influência de Heliopolis (lunu ou Annu ou On) se tornou dominante tanto religiosa como politicamente.

Naturalmente essas obras portentosas são decorrência da paz reinante no país, das riquezas trazidas pela sua expansão e sem a menor dúvida, da capacidade de seus arquitetos.

O segundo faraó da terceira dinastia, Djoser (ou Zózer) mandou que seu vizir Imhotep construísse para ele um túmulo que fosse superior àquelas mastabas que já existiam. Conta a lenda que Imhotep era, além de arquiteto, escritor e médico. Sem dúvida ele foi um homem a frente do seu tempo, o que o tornou tão famoso quanto o faraó imortalizado pela sua obra. Nessa fase, os egípcios já estavam construindo em pedra e o que Imhotep fez, foi construir de inicio, uma mastaba superposta a outra de modo que a obra se transformou na Pirâmide de Degraus de Saqqara.

Ela foi construída em Saqqara numa elevação perto de Mênfis e era um monumento gigantesco perto das mastabas já existentes. Além de câmaras subterrâneas, tinha ainda pátios e capelas externos. Toda decorada, das paredes ao teto, foi um monumento marcante.

A Pirâmide de Djoser

Como uma idéia puxa outra, depois que surgiu a primeira pirâmide, vários outros faraós fizeram construir túmulos mais e mais grandiosos, porém nada tão sensacional quanto a pirâmide de Imhotep para Djoser. Temos então diversas construções a guisa de pirâmides, num prenúncio do que viria a acontecer.

Ao lado da construção das pirâmides, temos a Esfinge de Gizé, um monumento tão fabuloso e grandioso, quanto belo. Há muitas controvérsias a respeito de sua data e sua construção, portanto, na versão dos arqueólogos, ela representa o faraó Quefrém.

O primeiro faraó da quarta dinastia, Snefru, foi um dos grandes construtores de pirâmides. Durante seu reinado, mandou erguer duas enormes pirâmides, em Dashur, que chamou de Pirâmide Refulgente do Sul e Pirâmide Refulgente. Elas estão lá até hoje. A primeira delas é conhecida pelo fato de ter ficado torta, de modo que é chamada de pirâmide inclinada ou pirâmide torta e a segunda é conhecida como pirâmide vermelha.

A pirâmide torta de Snefru

Esse faraó foi o responsável pela construção de templos com calçadas e pirâmides menores junto das principais.

A construção de pirâmides atingiu o seu ápice com as três mais famosas, dos três faraós: Keóps (Khufu), Quefrém (Kafre) e Miquerinos (Menkaure). A grandiosidade e a fama dessas pirâmides dispensam mais explicações.

O fato é que essas construções foram o reflexo do poder e da riqueza dos faraós durante a terceira e quarta dinastias.

Depois das três grandes pirâmides, outros faraós ainda ergueram esse tipo de estrutura mas, na quinta dinastia elas foram construídas em menor escala porque começaram as construções de templos dedicados ao deus-sol.

Na verdade esses templos começaram a ser construídos na quarta dinastia com o faraó Djedefre se intitulando Filho de Ra, mas, essa tendência aumentou durante a quinta dinastia quando o culto ao deus-sol ficou mais forte. Userkaf, o primeiro faraó da quinta dinastia, construiu o primeiro templo do sol em Abusir.

Artes[editar | editar código-fonte]

A escultura é rígida, sempre com o modelo de frente. O faraó tem uma postura imponente. Os faraós, nessa fase, vistos como deuses, eram sempre representados fisicamente jovens e musculosos, seus rostos serenos e confiantes.

É do final da sexta dinastia a estátua de metal mais antiga que se conhece no Egito, uma imagem de cobre de Pepi I.

Estátua de cobre de Pepi I

A arte de um modo geral, permanecia voltada para a glorificação do faraó, a vida após a morte e os deuses.

Antes da quarta dinastia, os egípcios combinavam pintura e escultura nas paredes. Pintavam, às vezes, com pressa, sobre reboco, porque era preciso finalizar um túmulo com rapidez, deixando de usar o alto relevo. Usavam as cores com sabedoria, representavam peles com pontilhados, tudo isso usando uma mistura de pigmento e água, com cera ou cola.

Se havia um limite imposto pela tradição para retratar o faraó, sua família e os deuses, isso não existia com relação às figuras comuns. Então, os artistas aproveitavam para pintar em movimento as dançarinas, os pescadores, os músicos. De modo que, deixaram cenas de caçadas, trabalho nos campos, jogos e dança. São trabalhos que permanecem até hoje encantando estudiosos e leigos, com cores ainda vivas e cenas que nos permitem apreciar um pouco da vida no Antigo Egito.

Também há que se mencionar a fabricação de vasos e tigelas de calcário, alabastro, basalto, diorito, obsidiana e quartzo. Algumas dessas pedras são incrivelmente duras e é curioso imaginar como eles as trabalhavam.

Na literatura temos a figura do escriba. De suma importância, muito admirado e respeitado, era indispensável para anotar os impostos, os tesouros, as mensagens, as orações dos templos. A literatura dessa época mostra comentários mundanos, além de conselhos. A obra A Instrução do Vizir Ptahhotep é um exemplo.

Escriba sentado, quinta dinastia, Saqara

Mais importante é o conjunto de Textos das Pirâmides, datado do final da quinta dinastia. Eles foram escritos para assegurar ao faraó ou à rainha, uma vida feliz depois da morte. São constituídos por 759 fórmulas mágicas, hinos, rituais e listas de oferendas mescladas com histórias mitológicas.

Nenhuma pirâmide contém o conjunto completo dos 2291 parágrafos que formam os Textos das Pirâmides.

Na cerâmica, as peças possuem a superfície lisa, várias formas ou modelos, e são feitas para servirem no dia a dia.

As jóias, de ouro e pedras preciosas, imitavam o desenho de animais e vegetais.

Conhecimento[editar | editar código-fonte]

Os egípcios eram um povo mais prático do que científico, portanto desenvolveram as ciências de acordo com sua necessidade.

Já vimos que, na arquitetura fizeram obras que, além de absolutamente inovadoras se tornaram eternas.

Na astronomia, fizeram um mapa do céu, com estrelas fixas e sabiam calcular o movimento das outras. Determinavam a localização dos templos e mesmo das pirâmides pelas estrelas. Usavam a observação das estrelas também para a navegação.

Médico egípcio

Criaram o calendário solar com 365 dias.

Sabiam misturar pigmentos para pintura, assim como fazer poções variadas que serviam como remédios, isso é química.

Na medicina não havia povo tão avançado. O estudo do corpo humano avançou de maneira espetacular até pelo uso da mumificação.

Através de estudos já se sabe que antes dos primeiros médicos gregos, havia uma medicina avançada no Egito, desligada das crenças religiosas. Duas das receitas incluídas no,papiro de Georg Ebers remontam à sexta dinastia.

Na época do Antigo Império, o faraó já tinha em seu palácio, um corpo de médicos até mesmo especialistas em determinadas doenças. Também usavam plantas medicinais e sabiam dosá-las.

Final do Antigo Império[editar | editar código-fonte]

Depois da quarta dinastia, os faraós já não controlavam como antes os governadores das províncias, que se tornavam cada vez mais poderosos. A economia passava por uma recessão por causa dos gastos absurdos para se construir e manter as pirâmides e os templos. Os sacerdotes também, se libertaram do pagamento de impostos e já não obedeciam ao faraó como antes.

No início da quinta dinastia começou uma inquietação generalizada.

No reinado de Pepi II, o último faraó da sexta dinastia, a tensão estava no auge e, com a morte deste faraó, o governo centralizado se dissolveu, levando junto a paz e a prosperidade.

E assim termina a fase das pirâmides, chamada de Antigo Império.