Cartilha de conduta no tratamento de travestis, mulheres trans e homens trans

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Questões referentes à gênero e sexualidade ainda são acompanhados de diversos tabus, crenças, mitos e inverdades que geram dúvidas em âmbitos cotidianos, sociais e institucionais. Considerando a informação como uma ferramenta indispensável para a eliminação de preconceitos foi criada essa cartilha.

Esta cartilha tem a intenção de informar sobre o tratamento linguístico diante de questões de gênero, com enfoque na transexualidade. A desinformação sobre o tema pode levar a equívocos que desrespeita a identidade dessas pessoas. As dicas apresentadas neste documento propõem uma forma respeitosa de conduta, principalmente para profissionais da mídia, mas também para qualquer pessoa com interesse sobre o tema.

Auto identificação

Travesti, transexual, transgênero, não-binário são termos que carregam significados diferentes, porém, é uma questão de auto identificação. O termo trans engloba de forma ampla todas essas identidades e seu uso é indicado. No caso do jornalismo, é adequado perguntar com qual desses termos o personagem se identifica para que não haja desrespeito.

Cisgênero e Transgênero

O termo transgênero indica que a pessoa não se identifica com o gênero que lhe foi designado em seu nascimento. Quem se identifica é chamado de cisgênero, que é o termo adequado para se referir a pessoas que não são trans. Termos pejorativos como "normais" ou "mulher/homem de verdade" não devem ser usados para cisgêneros pois desmerecem a identidade trans.

Sexo biológico

Menções ao sexo biológico costumam ser incômodas à trans, pois além de não se identificaram com esse sexo, remete à um caráter biologizante que resume pessoas a seus genitais e reforça um padrão binário onde vaginas só podem ser femininas e pênis só possam ser masculinos. É desnecessário reforçar e revisitar esse termo.

Identidade de gênero

É o gênero com o qual o indivíduo se identifica, podendo ser igual ou diferente ao gênero designado em seu nascimento. Ou ainda não se identificar com nenhum dos gêneros, que é o caso dos não-binários.

Orientação sexual

Deve ser diferenciada da identidade de gênero. Trata-se do gênero(s) que a pessoa se atrai. Uma mulher transexual pode ser lésbica, por exemplo, caso sinta-se atraída por outras mulheres.

Nome civil e nome social

Assim como o gênero designado ao nascer pode ser incômdo, o nome civil também é. Revelá-lo é uma forma de desrespeito à identidade de gênero do indivíduo. O nome social, ou seja, o nome que se adequa a sua identidade de gênero, é o que deve ser utilizado. Não deve se usar “nome de verdade” para falar sobre nome civil, pois descredibiliza o nome social.

Artigos

O artigo a ser utilizado deve sempre ser de acordo com a identidade de gênero da pessoa. Se a identidade de gênero é feminina, o correto é a transexual. Se masculina, o transexual. No caso de travestis, o pronome a ser o utilizado é o feminino. A travesti, e não O travesti. Só se deve usar o pronome masculino caso a pessoa se identifique com essa forma.

Redesignação sexual

Não é adequado fazer questionamentos invasivos sobre o corpo de pessoas transexuais. A genitália ou quais cirurgias já foram feitas só dizem respeito à própria pessoa.

O termo cirurgia de “mudança de sexo” não deve ser utilizado, e sim, cirurgia de redesignação sexual ou transgenitalização.

Essa cirurgia não define se uma pessoa é trans ou não. Costuma-se afirmar que trans não operadas são travestis mas, novamente, a auto identificação é o que define.

Transfobia

Homofobia é um termo que diz respeito à questões de orientação sexual. A transfobia é a intolerância à identidade de gênero de pessoas transexuais.

Transexualismo x Transexualidade

O sufixo “ismo” remete à doenças. Apesar da transexualidade ainda ser considerada uma disforia de gênero pela medicina, é aconselhado utilizar transexualidade, para retirar o caráter patologizante.

Disforia de gênero

Disforia é um termo patologizante pois remete a uma doença mental, por isso o termo não deve ser reforçado. Apesar do que diz a medicina, pessoas trans não sofrem disforia e sim, geralmente, um incômodo com o próprio corpo.

Banheiro

Uma pessoa trans deve usar o banheiro de acordo com o gênero que se identifica. Ou seja, uma mulher trans deve usar o banheiro feminino e o homem trans, o banheiro masculino. Usar o banheiro do gênero oposto ao que se identifica é um desrespeito a sua identidade de gênero, além de ser um ambiente, muitas vezes, inseguro e hostil.


Esta cartilha integra o trabalho de conclusão de curso da Faculdade Cásper Líbero "Transfeminismo e Mídia", escrito por Nathalia Pereira Meneses.