Bibliologia/Hamartiologia

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Introdução[editar | editar código-fonte]

O PECADO

Está escrito que Deus ao completar a obra da criação, declarou que tudo era "muito bom". Observando, mesmo ligeiramente, chegamos à conclusão de que muitas coisas que agora existem não boas – o mal, a impiedade, a opressão, a luta, a guerra, a morte, e o sofrimento. E, naturalmente surge a pergunta: como entrou o mal no mundo? – pergunta que tem deixado perplexos muitos pensadores. A Bíblia oferece a resposta de Deus; ainda mais, informa-nos o que o pecado realmente é; melhor ainda, apresenta-nos o remédio para o pecado.

O fato do Pecado[editar | editar código-fonte]

Não há necessidade de discutir a questão da realidade do pecado; a história e o próprio conhecimento íntimo do homem oferecem abundante testemunho do fato. Muitas teorias porém apareceram para negar, desculpar ou diminuir a natureza do pecado.

O Ateísmo[editar | editar código-fonte]

Ao negar a Deus nega também o pecado porque, estritamente falando, todo pecado é contra Deus; e se não há Deus, não há pecado.

O Determinismo[editar | editar código-fonte]

É a teoria que afirma ser o livre arbítrio uma ilusão e não uma realidade. Nós imaginamos que somos livres para fazer nossa escolha, porém realmente nossas opções são ditadas por impulsos internos e circunstâncias que escaparam ao nosso domínio. Mas as Escrituras afirmavam invariavelmente que o homem é livre para escolher entre o bem e o mal – uma liberdade implícita em todos os mandamento e exortações. Longe de ser vítima da fatalidade e casualidade, declara-se que o homem é o árbitro do seu próprio destino.

O Hedonismo[editar | editar código-fonte]

Da palavra grega que significa "prazer", é a teoria que sustenta que o melhor ou mais proveitoso que existe na vida é a conquista do prazer e fuga à dor; de modo que a primeira pergunta que se faz não é: "Isto é correto?", mas: "Trará prazer?". É nessa teoria que se baseia o ensino moderno da "auto-expressão". Em linguagem técnica o homem deve "libertar suas inibições"; em linguagem simples "ceder à tentação porque reprimi-la é prejudicial à saúde". Naturalmente isso muitas vezes representa um intento para justificar a imoralidade.

Ciência Cristã[editar | editar código-fonte]

Esta seita nega a realidade do pecado. Declara que o pecado não é algo positivo, mas simplesmente a ausência do bem. Nega que o pecado tenha existência real e afirma que é apenas um “erro moral da mente”.

A Evolução[editar | editar código-fonte]

Considera o pecado como herança do animalismo. Desse modo em lugar de exortar a deixar "homem velho" ou o "antigo Adão", os proponentes dessa teoria deviam admoestá-las a que deixassem o "velho macaco" ou o "velho tigre". Como já vimos, a teoria da evolução é antibíblica.

A Origem do Pecado[editar | editar código-fonte]

O terceiro capítulo de Gênesis oferece os pontos chaves que caracterizam a história espiritual do homem, as quais são: a tentação, a culpa, o juízo e a redenção.

A Tentação: Sua possibilidade, origem e sutileza[editar | editar código-fonte]

a) A possibilidade da tentação. O segundo e o terceiro capítulos de Gênesis relatam o fato da queda do homem, informando acerca do primeiro lar do homem, sua inteligência, seu serviço no jardim do Éden, as duas árvores, e o primeiro matrimônio, mencionam especialmente as duas árvores do destino – a árvore da ciência do bem e do mal, e a árvore da vida. Essas duas árvores constituem um sermão em forma de quadro dizendo constantemente à nossos primeiros pais: "Se seguirdes o bem e rejeitardes o mal tereis a vida". E não é esta realmente a essência do Caminho da Vida encontrada através das Escrituras? (Vide Dt. 30.15). Notemos a árvore proibida. Por quê foi colocada ali? Para prover um teste pelo qual o homem pudesse, amorosa e livremente, escolher servir a Deus e dessa maneira desenvolver seu caráter. Sem vontade livre o homem teria sido meramente uma máquina. b) A origem da tentação. "Ora, a serpente era mais astuta que todos os animais do campo que o Senhor Deus tinha feito". É razoável deduzir que a serpente, que naquele tempo deveria ter sido uma criatura formosa, foi o agente empregado por Satanás, o qual já tinha se lançado fora do céu antes da criação do homem. (Ez. 23.13-17; Is. 14.12-15). Por esta razão, Satanás é descrito como "essa antiga serpente, chamada diabo" (Ap. 12.9). Geralmente Satanás trabalha por meio de agentes. Quando Pedro, embora sem má intenção, procurou dissuadir seu Mestre da senda do dever, Jesus olhou além de Pedro e disse "para trás de mim Satanás" (Mt. 16.22-23). Neste caso, Satanás trabalhou por meio de um dos amigos de Jesus; no Éden, Satanás utilizou a serpente, uma criatura da qual Eva não desconfiava. c) A sutileza da tentação. A sutileza é mencionada como característica distinta da serpente. (Vide Mt. 10.16). Com grande astúcia ela oferece sugestões, as quais, ao serem abraçadas, abrem caminho a desejos e atos pecaminosos. Ela começa falando com uma mulher, o vaso mais frágil, que além dessa circunstância, não tinha ouvido diretamente a proibição divina. (Gn. 2.16-17). E ela espera até que Eva esteja só. Note-se a astúcia na aproximação. Ela torce as palavras de Deus (Vide Gn. 3.1; 2.16-17) e então finge surpresa por estarem assim torcidas; dessa maneira ela astutamente semeia dúvida e suspeitas no coração da ingênua mulher, e ao mesmo tempo insinua que está bem qualificada para ser juiz quanto à justiça de tal proibição.

A Culpa[editar | editar código-fonte]

Notemos as evidências de uma consciência culpada: 1. "Então foram abertos os olhos de ambos e conheceram que estavam nus" (Gn. 21.19; 2Rs. 6.17). As palavras da serpente (v. 5) cumpriram-se; porém o conhecimento adquirido foi diferente do que eles esperavam. Em vez de fazê-los semelhantes a Deus, experimentaram um miserável sentimento de culpa que os fez ter medo de Deus. Notemos que a nudez física é um quadro de uma consciência nua ou culpada. Os distúrbios emocionais refletem-se muitas vezes em nossas feições. Alguns comentadores sustentam que antes da queda, Adão e Eva estavam vestidos com auréola ou traje de luz, que era um sinal da comunhão com Deus e do domínio do espírito sobre o corpo. Quando pecaram, essa comunhão foi interrompida; o corpo venceu o espírito e ali começou esse conflito entre a carne e o espírito (Rm. 7.14-24), que tem sido a causa de tanta miséria.

O juízo[editar | editar código-fonte]

a) Sobre a serpente. "Porque fizeste isto, maldita serás mais que toda a besta, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida". Essas palavras implicam que a serpente outrora foi uma criatura formosa e honrada. Depois, porque veio a ser um instrumento para a queda do homem, tornou-se maldita e degradada na escala da criação animal. Uma vez que a serpente foi simplesmente o instrumento de Satanás, por quê deveria ser ela punida? Porque é vontade de Deus fazer da maldição da serpente um tipo de profecia da maldição sobre o diabo e sobre todos os poderes do mal. b) Sobre a Mulher. "E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor e tua concepção; com dor terás filhos; e o teu desejo será para teu marido, e ele te dominará (Gn. 3:16). Assim disse certo escritor: A presença do pecado tem sido a causa de muito sofrimento, precisamente do modo indicado acima. Não há dúvida que dar à luz filhos constituiu um momento critico e penoso na vida da mulher. O sentimento de faltas passadas pesa de uma maneira particular sobre ela, e também a crueldade e loucura do homem contribuíram para fazer o processo mais doloroso e perigoso para a mulher do que para os animais. c) Sobre o homem. (versos 17-19) O trabalho para o homem já tinha sido designado (2:15). O castigo consiste no afã, nas decepções e aflições que muitas vezes acompanham o trabalho. A agricultura é especificada em particular, porque sempre tem sido um dos empregos humanos mais necessários. De alguma maneira misteriosa, a terra e a criação em geral têm participação da maldição e da queda do seu senhor (o homem) porém estão destinadas a participar da sua redenção.

A redenção[editar | editar código-fonte]

Os três primeiros capítulos de Gênesis contém as três revelações de Deus, que por toda a Bíblia figuram em todas as relações de Deus com o homem. O Criador, que trouxe tudo à existência (cap. 1), o Deus do Pacto que entra em relações pessoais com o homem (cap. 2); o Redentor, que faz provisão para a restauração do homem (cap. 3). a) Prometida. (Vide Gn. 3:15) (1) A serpente procurou fazer aliança com Eva contra Deus, mas Deus porá fim a essa aliança. "E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente (descendentes) e a sua semente". Em outras palavras, haverá uma luta constante entre o homem e o poder maligno que causou a sua queda. (2) Qual será o resultado desse conflito? Primeiro, vitória para a humanidade, por meio do Representante do homem, a Se-mente da mulher. "Ela (a semente da mulher) te ferirá a cabeça”. Cristo, a Semente da mulher, veio ao mundo para esmagar o poder do diabo. (Mt, 1:23;25; Is. 1:31-36,76; Is. 7:14; Gl. 4:4; Rm. 16:20; Cl. 2:15; Hb. 2:14,15; 1 João 3:8;5:5; Ap.12:7,8,17; 20:1-3,30). (3) Porém, a vitória não será sem sofrimento. "E tu (a serpente) lhe ferirás o calcanhar. No Calvário a Serpente feriu o calcanhar da Semente da mulher; mas este ferimento trouxe a cura para a humanidade. (Vide Is. 53:3,4, 12; Dn. 9:26; Mt. 4:1-10: Lc. 22:39-44;53; João. 12:31-33; 14:30,31: Hb. 2:18; 5:7; Ap. 2:10). b) Prefigura. (verso 21.) Deus matou um animal, uma criatura inocente, para poder vestir aqueles que se sentiam nus ante a sua vista por causa do pecado. Do mesmo modo, o Pai deu seu Filho, o Inocente, à morte, a fim de prover uma cobertura expiatória para as almas dos homens.

A Natureza Do Pecado[editar | editar código-fonte]

Que é pecado? A Bíblia usa uma variedade de termos para expressar o mal de ordem moral, os quais nos explicam algo de sua natureza. Um estudo desses termos, nos originais hebraico e grego, proporcionará a definição bíblica do pecado.

Errar o alvo[editar | editar código-fonte]

A palavra mais comumente usada para o pecado significa "errar o alvo". Reúne as seguintes idéias:"(l) Errar o alvo, como um arqueiro que atira mas erra, do mesmo modo, o pecador erra o alvo final da vida. (2) Errar o caminho, com um viajante que sai do caminho certo. (3) Ser achado em falta ao ser pesado na balança de Deus.

Tortuosidade[editar | editar código-fonte]

Outra palavra significa literalmente "tortuosidade", e é muitas vezes traduzida por "perversidade". O Novo Testamento descreve o pecado como:

a) Errar o alvo, que expressa a mesma idéia que a conhecida palavra do Antigo Testamento.
b) Dívida. (Mt. 6:12). O homem deve (a palavra "deve" vem de dívida) a Deus a guarda dos seus mandamentos; todo pecado cometido é contração de uma dívida. Incapaz de pagá-la, a única esperança do homem é ser perdoado, ou obter remissão da divida.
c) Desordem. "O pecado é iniquidade" (Literalmente "desordem", 1 João 3;4).
d) Desobediência. Literalmente, "ouvir mal"; ouvir com falta de atenção. (Hb. 2:2) "Vide pois como ouvis" (Lc. 8:18).
e) Transgressão. Literalmente, "Ir além do limite" (Rm. 4:15). Os mandamentos de Deus são cercas, por assim dizer, que impedem ao homem entrar em território perigoso e dessa maneira sofrer prejuízo para sua alma.
f) Queda, ou Falta, ou cair para um lado (Ef. 1:7) no grego donde a conhecida expressão, cair no pecado. Pecar é cair de um padrão de conduta.
g) Derrota é o significado literal da palavra "queda" em Rom. 11:12. Ao rejeitar a Cristo, a Nação judaica sofreu uma der¬rota e perdeu o propósito de Deus.
h) Impiedade, de uma palavra que significa "sem adoração, ou reverência". (Rm. 1.12; 2 Tm. 2:16). O homem ímpio é o que dá pouca ou nenhuma importância a Deus e às coisas sagradas. Estas não produzem nele nenhum sentimento de temor e reverência. Ele está sem Deus porque não quer saber de Deus.
i) O Erro (Hb. 9:17). Descreve aqueles pecados cometidos como fruto da ignorância, e dessa maneira se diferenciam daqueles pecados cometidos presunçosamente, apesar da luz esclarecedora. O homem que desafiadoramente decida fazer o mal, incorre em maior grau de culpa do que aquele que é apanhado em falta, a que foi levado por sua debilidade.