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A evolução tecnológica/Os primeiros instrumentos e o fogo

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(Pré-história — 3,5 milhões de anos até 4.000 a.C.)

O período da Pré-história compreende do surgimento do homem (3,5 milhões de anos) aos primeiros indícios de registros escritos (4.000 a.C.). Este período é dividido em: Paleolítico (3,5 milhões de anos a 10.000 a.C.)[1]; Mesolítico (10.000 a.C. a 8.000 a.C.); e Neolítico (8.000 a.C. a 4.000 a.C.). Estas datas são tomadas como base, podendo ocorrer alterações de região para região.

O conhecimento sobre este período é incompleto, pois não pode-se chegar a uma conclusão dos objetos utilizados. Objetos deterioráveis (madeira, pele, etc.) já estão decompostos, assim, praticamente, os únicos meios para se estudar o desenvolvimento neste período é através de objetos com demorada decomposição[2]: pedra, sílex[1], osso e restos de animais.[3]

Materiais que não podem ser estudados:

Materiais que podem ser estudados:

A subsistência do homem nesse período era inicialmente conseguida através da caça de animais e coleta de frutos silvestres. Para isto o homem utilizou ferramentas, que eram lascas de pedras ou ossos. Porém, neste período o desenvolvimento consagrado é lento, gradual, e isto é observado, no início, no fato de uma única ferramenta ser utilizada para diversos feitos; e serem provenientes de lascas de pedras.[3]

Para o homem da Pré-história conseguir seus instrumentos, ele lascava pedras. Para produzirem uma lasca preparavam o núcleo da pedra, deixando uma superfície plana, e então golpeavam essa superfície (lugar denominado plataforma de percussão) com um martelo de pedra; abaixo ao lugar onde foram dados os golpes denomina-se ponto de impacto, formando neste lugar uma saliência denominada bulbo de percussão; ao lado desta saliência, apresenta uma marca (marca bulbar), estas são fraturas que se desprendem do resto da pedra, constituindo assim uma lasca. Após isso, fazia-se um processo de lascagem denominado retoque: processo de finalização, onde aplicava-se a lascagem por compressão. Este processo de finalização, porém, constituía uma nova fase, com uma técnica mais evoluída e utilizada para tornar estas lascas com uma lâmina mais afiada.

Os instrumentos deste período podem ser divididos em quatro tipos:

  • Instrumento Biface: machado de mão, feito por golpes dados no núcleo da pedra; possui duas bordas cortantes opostas.
Um biface.
  • Trinchante: instrumento com uma só borda; feitos de seixos (semelhante a um cascalho, porém pouco menor) que são lascados em um lado, ou nos dois lados da borda de corte.
  • Ferramenta de Lasca: instrumentos de corte, grande, alongado e em forma oval; produzidos com martelo de pedra ou madeira.
  • Instrumento Laminado: lascas muito bem preparadas, possuindo uma lâmina muito fina e, por isso, muito afiada.

Período Paleolítico Inferior

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Este é o mais longo período da Pré-história,[4] sendo seus instrumentos encontrados próximo a vales, assim se deduz que o homem vivia, neste período, perto de fontes de água. Inicialmente, a tecnologia utilizada era muito precária. Os primeiros instrumentos feitos pelo homem, constituindo o processo evolutivo Abevilense, eram machados de mão[2] e as lascas de pedra[1]. Esses machados são os mais antigos e rústicos instrumentos, sua forma varia e o lascamento é irregular, assim apresenta a sua borda cortante sinuosa, provavelmente eram feitos por martelos de pedra. Quanto às lascas resultantes é muito provável que não tinham utilidade nenhuma, somente eram provenientes da manufatura dos machados.

Após uma pequena evolução na tecnologia de fabricação desses instrumentos, esta praticamente estagnou-se por um longo período, não apresentando processo evolutivo significativo. Após isso, consistiu-se um novo processo denominado Acheulense, tendo como característica a fabricação do machado de mão, com predominância de formas ovaladas. Depois, neste mesmo processo, passou a apresentar machados de mão com formas ovaladas e acentuada sinuosidade do fio. Em seguida, passa a predominar o machado de mão com forma de lança, onde havia um fio de corte reto ou côncavo, e apresentavam suas superfícies mais planas. Na última fase, apresenta-se machados de mão com fios retos e muito bem polidos, com forma alongada. Em todas essas pequenas evoluções, sempre esteve presente, porém em pequena escala, as trinchantes e os machados de mão com forma triangular.

A partir de agora, o processo evolutivo é denominado de Clactonense, onde os instrumentos passam a ficar, gradativamente, mais afiados. Predominam os objetos lascados — ou seja, ainda fabrica-se machados de mão —, além também da manufatura das trinchantes. Os objetos lascados são feitos a partir do núcleo de pedras de sílex, tendo formas irregulares; geralmente não são polidos, porém às vezes verifica-se a prática do processo de retoque.

Então, os instrumentos passam a ter um aspecto mais em forma de lança, sendo aperfeiçoados para terem maior poder de corte. São submetidos a um processo especial de preparo do núcleo da pedra: grande avanço dessas ferramentas. De uma forma gradual vão se aperfeiçoando, neste novo processo denominado Lavaloisense. A primeira fase deste processo (Lavaloisense Inferior) caracteriza-se por lascas pesadas e lâminas de forma convexa; suas plataformas de percussão não são polidas. O Período do Paleolítico Inferior passa a ser substituído pelo Paleolítico Médio, onde nesse o processo evolutivo Lavaloisense tem continuidade.


Período Paleolítico Médio

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A partir do Paleolítico Médio o Lavaloisense passa a apresentar consideráveis evoluções na técnica de produção dos instrumentos. Caracterizando a fase do Lavaloisense Médio, tem-se o processo de manufatura das lascas aperfeiçoado: as lascas tornam-se mais leves, finas e mais retocadas; suas lâminas tornam-se mais afiadas; e a sua forma passa a ter aspecto mais triangular. Por seguinte, na fase Lavaloisense Superior, os objetos lascados são manufaturados em formas ovais e alongadas, e espessura mais fina (tem melhor corte); e o processo de retoque é ainda mais aperfeiçoado. No Lavaloisense Final, tem-se a fabricação de lascas com ponta bastante triangular e um aperfeiçoamento no processo de retoque da lâmina, que se torna mais comum.

Esse processo evolutivo não pode ser seguido rigorosamente para designar o desenvolvimento em todas as regiões, pois isso ocorre de diferentes formas de desenvolvimento para cada região. Isso é verificado, por exemplo, pelo fato de que em regiões onde encontra-se o sílex em grandes blocos de pedras foi empregado técnicas para a manufatura do maior tamanho possível de lascas. Já em regiões onde os blocos de pedras eram menores, encontra-se lascas com tamanhos menores. Dependendo da região e da técnica empregada — lascas feitas a partir de blocos maiores ou menores —, as lascas são encontradas em cavernas e abrigos de rocha, ou em lugares abertos.[3]

Como fazer fogo.

Além disso, foi a partir deste período que o homem descobre como fazer fogo. [5] E também, foi quando o homem passa a produzir instrumentos, ou ferramentas, a partir de ossos. A técnica, embora ainda muito primitiva, consistia na fabricação de instrumentos para triturar, que tinham como finalidade, servirem de apoio para cortar. Estas ferramentas foram encontradas em locais fechados, sendo que não foram encontradas em locais abertos devido à decomposição que estas ferramentas sofreram. Assim, não pode-se ter certeza em afirmar de que foi somente a partir deste período onde começou a prática da fabricação de ferramentas de osso. Conclui-se que pode ter havido a prática da técnica de fazer instrumentos de osso no Paleolítico Inferior, porém devido ao fato de eles estarem sujeitos à decomposição — o homem nesta época não vivia em abrigos fechados, somente em lugares abertos — não foram encontradas ferramentas pertencentes ao período do Paleolítico Inferior.[3]


Período Paleolítico Superior

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Esse período é, dentre os períodos paleolíticos, o menos extenso. Porém, é o período onde ocorre o mais significativo progresso evolutivo, no qual os machados de mão e as lascas são substituídos por instrumentos que apresentam uma maior prática de técnicas, a partir deste período são produzidas lâminas com preparo especial e instrumentos diversificados.

Apesar do processo de preparação de lâminas já ter sido utilizado em períodos anteriores, foi no Paleolítico Superior que mais desenvolve-se, pois agora, além de rochas comuns e do sílex, são utilizados o osso, o marfim e chifres. Agora, também, o homem passa a viver em moradias, estas ainda muito simples, de forma ovalada e alongada. O homem começa a ter uma vida social mais complexa, com a pratica de uma caça coletiva.

O período do Paleolítico Superior é subdividido em Perigordense, Aurignacense, Solutrense e Magdalenense. Cada subdivisão compreende um ou mais instrumentos que a caracteriza: buris, raspadeiras, pontas, perfuradores, etc. O buril tem grande importância para com o trabalho em ossos, possibilitando também a maior facilidade no desenvolvimento da arte. As pontas, como, por exemplo, a ponta com espigão (ferramenta semelhante a um martelo), possibilitou a fabricação de projéteis com cabo e agulhas com orifício, que implicaram na costura de roupas. Desenvolvem-se também a arte de desenhos nas paredes de cavernas, e gravações e esculturas em pedras e ossos.

Na subdivisão do Paleolítico Superior, há uma certa complexidade em relação ao Perigordense e Aurignacense. A sequência adotada designa que o Perigordense, compreende Aurignacense Inferior e Aurignacense Superior; e que o Aurignacense, compreende o Aurignacense Médio. Em ordem cronológica a evolução tecnológica da ferramentas se deu da seguinte maneira: tanto no Perigordense quanto no Aurignacense, temos como característica principal as lâminas de fio e costas bem retocadas.

O período Aurignacense Inferior caracteriza-se por lâminas com longas pontas curvas, sendo que as costas desta ferramenta não apresentam corte (pontas de Chatelperron). Por seguinte, temos o Aurignacense Médio, onde desenvolve-se todos os instrumentos característicos do Paleolítico Superior (buril, pontas, raspadeiras). Nesse etapa temos, também, uma larga utilização de ossos, para a fabricação de dardos de arremesso, instrumento que servia de apoio para lançamento de setas. Surgem também as técnicas de criação de enfeites pessoais, usados como colares e feitos de dentes ou de marfim perfurados. Já no Aurignacense Superior, temos a produção de lâminas com pontas retas e costas sem corte (pontas de Gravette). Após uma pequena evolução da tecnologia, temos o buril (com pontas bastante angulares); e as pontas de espigão, que apresentam forma de lâminas.

Compreendendo uma outra subdivisão do Paleolítico Superior, a Solutrense, temos grandes aperfeiçoamentos de trabalho em sílex, com o desenvolvimento de lascas chatas, regulares e fios de corte paralelos. Este desenvolvimento já vinha acontecendo no final do período anterior, mas é a partir do Solutrense que ocorre um aperfeiçoamento real: lascas laminadas com formas simétricas — denominadas, pela sua forma, folhas de louro — e pontas com ressaltos. Compreendendo um desenvolvimento dos instrumentos característicos do Paleolítico Superior, temos o desenvolvimento de perfuradores, uns com aparamento delicado e outros com aparamento bastante rude. A manufatura de ossos para serem utilizados como instrumento ocorre de uma forma secundária, embora mais intensiva do que em períodos anteriores.

O Solutrense Inferior tem como instrumentos característicos, as pontas retocadas, principalmente em sua parte superior, sendo que parte inferior era aparada para ficar com uma base lisa (processo de retoque) e com pontas afiadas, pontas denominadas folhas de protolouros, ou pontas protosolutrenses. No Solutrense Médio realmente aparecem as folhas de louro, lâminas bifaceadas, sendo que as primeiras eram rudes e grossas, e as últimas tiveram forma fina e regular, submetidas a um processo de retoque. Na subdivisão do Solutrense Superior, temos como característica as pontas chanfradas (com chanframento único em sua base), bem como folhas de louro pequenas (submetidas a um bom processo de retoque).

Chegando à última fase do Paleolítico Superior, temos o Magdalenense, este se destaca pelo grande desenvolvimento das técnicas de utilização de osso e chifres para a produção de ferramentas. Esta técnica atingiu seu auge a partir do Magdalenense Médio.

Os instrumentos característicos desta fase Magdalenense são os feitos de ossos, sendo: pontas de azagaia (lança curta de arremesso) com base chanfrada ou bifurcada; arpões (lança longa para caçar); agulhas (instrumentos finos e com um orifício em uma das extremidades), apoios-guias para o lançamento de setas, perfuradores, arremessadores de lança, cinzéis (instrumento cortante em uma das extremidades); etc.

Os instrumentos característicos do Paleolítico Superior — estes são instrumentos de pedra — presenciam esta última fase, porém não apresentam grandes sofisticações, com exceção do buril com bico de papagaio (tem esse nome pois apresentam uma ponta com a forma de um bico de papagaio). Os instrumentos desta fase teve, durante ela, pequenos aperfeiçoamentos, como o manufaturamento em forma alongada, com lados paralelos e com dupla função: perfuradores-raspadeiras, raspadeiras de duas pontas e raspadeiras-cinzéis.

Este período (Magdalenense) se caracteriza essencialmente pela utilização de ossos para a fabricação de instrumentos, sendo assim esta fase apresenta seus processos evolutivos relacionados com a utilização do osso. O Magdalenense Inferior caracteriza-se por pontas de azagaia com base chata, chanfradas ou em forma de cone. O Magdalenense Médio apresenta arpões de osso e chifre com uma de suas laterais farpadas. O Magdalenense Superior tem como instrumentos característicos arpões com a suas duas laterais farpadas.


Período Mesolítico

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O Período Mesolítico está compreendido entre o período Paleolítico e Neolítico (ou Idade da Pedra Polida), porém não pode ser definido como uma fase de transição entre estes dois períodos. Isso porque apresenta características próprias em sua cultura, porém, em relação ao desenvolvimento dos instrumentos, ocorreu que alguns instrumentos ainda continuaram sendo utilizados, já outros foram aprimorados.[3]

O período Mesolítico tem grande influência da técnica dos micrólitos, já iniciada superficialmente no Paleolítico Superior. Os micrólitos eram instrumentos característicos do Paleolítico Superior — como buris, raspadeiras, pontas e perfuradores, etc. — de forma pequena, geométrica e feitos de sílex.

Este período, caracteriza-se essencialmente por arpões planos (feitos de chifre de veado e base perfurada); por instrumentos de pedra, com aspecto de micrólitos, compreendendo raspadeiras redondas, pontas, lâminas de cinzéis; e por instrumentos de ossos, como pontas de ossos e chifres, porém em quantidades mínimas de fabricação.

Durante esse período aperfeiçoou-se vários instrumentos, além de novas invenções, sendo uma delas muito especial, trata-se do microburil (buril com forma pequena). Em tempos mais medianos deste período, encontra-se a manufatura de instrumentos mais pesados, provavelmente utilizados para o trabalho em madeira. Dentre os instrumentos pesados incluem lascas, lâminas, perfuradores, cutelos (instrumento cortante e semicircular), raspadeiras côncavas e picaretas — este período é caracterizado por um tipo especial de picareta. Além disso encontram-se rudes machados, raspadeiras de quartzo e picaretas simples. Estes instrumentos, para serem aprimorados, sofreram influências da mudança de alimentação destes homens então presentes.

Em uma fase mais avançada, após passado da metade deste período, aparecem maiores quantidades de implementos de madeira: cabos, remos, pirogas (embarcação comprida, estreita e veloz), etc. Além desses, os instrumentos mais importantes que aparecem são os feitos de ossos: pontas de ossos (muitas vezes apresentando farpas), estas colocadas em lanças, arpões de pesca e de caça. Tem-se também machados de sílex, machados de chifre e perfuradores.

Na fase final do Paleolítico Médio, apresenta-se machados de chifre com cabos; raspadeiras — de extremidades arredondadas e longas lâminas, ou raspadeiras pequenas, largas e ovais; buris; e setas, que implicam no uso do arco.

A partir desta fase final do Mesolítico ocorrem alterações geológicas de uma forma gradual — a Era Glacial chegava ao seu fim, consequentemente, as geleiras começara a derreter, fazendo com que ocorressem transformações geológicas —, esta transformação levaram milhares de anos para se estabilizarem: a mudanças foram no clima (temperatura, umidade, etc.), no índice pluviométrico, no nível dos mares, na flora (formações de florestas que se alastraram, ou a formação de desertos com o esgotamento de algumas extensões de florestas), na fauna (ocorreram mudanças na forma de vida dos animais), e ocorrem transbordamento dos rios — em fases posteriores foram importantes para que ocorresse a fertilização das terras e sua utilização agrícola —, etc.[6]

Ainda no final do período Mesolítico ocorreram, em algumas regiões em especial, o desenvolvimento de comunidades menos nômades do que as de períodos anteriores e que praticavam mais intensamente agricultura. Estas comunidades eram menos nômades pois passavam mais tempo em uma determinada região, sendo que estas regiões eram principalmente aquelas que lhes forneciam maior quantidade de alimentos. Os instrumentos desenvolvidos nessas regiões especiais eram inovadores, e consequência de maior intensidade da prática agrícola: ferramentas de carpintaria. Estas ferramentas de carpintaria eram: enxós, ferramentas de carpinteiro para desbastar madeira e que tinha cabo curto e lâmina cortante; goiva, instrumento de carpinteiro, sendo que tinha cabo de madeira e lâmina convexa; seta com ponta de osso, instrumento que servia para matar animais de pêlos, e que preservava a pele do animal para sua posterior utilização.

Então, a partir do fim deste período, passa a predominar um período — Período Neolítico — centralizado no desenvolvimentos de vários objetos e instrumentos que são fabricados a partir de ossos. Porém a transição do período Mesolítico para o Paleolítico compreendeu muitos séculos, através de um complexo processo.


Período Neolítico (ou Idade da Pedra Polida)

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O Período Neolítico é caracterizado pelo cultivo de alimento e pela criação de gado (de abate ou para fornecimento de alimento). Ou seja, isso gera mais independência do homem quanto à sua alimentação, isso por que o homem não limitava-se mais a um lugar para obter seu alimento, ele mesmo poderia produzi-lo, além de ser o quanto necessitava — em período anteriores o homem dependia das condições de alimentação de uma região, e quando estas esgotavam-se deveriam partir para outro lugar (processo nômade).

Assim o homem neolítico passa a caracterizar um novo processo de modo de vida: processo de sedentarização. Isso era necessário, pois havia um crescimento populacional, e, com o controle da produção de alimentos e da criação de gado, poderia-se aumentar essa produção para suprir as necessidades. A produção de alimentos baseava-se no cultivo de cereais — inicialmente trigo e cevada —, e a criação de gado baseava-se em animais com chifres e em caprinos, além de carneiros. Esse processo ocorrido — transição de caça e pesca para um processo de cultivo de alimento e criação de gado — chama-se Revolução Neolítica.[7][1]

Além disso, o fogo passa a ter uma maior utilização, sendo utilizado para amolecer os alimentos (cozinhar) e endurecer lanças. A utilização do fogo é de difícil compreensão quanto ao fato de como começaram a produzi-lo. Sua utilização tem raízes no Paleolítico Médio, porém nessa fase é restrito somente a algumas regiões mais desenvolvidas e encontrados somente poucos indícios, assim sendo a sua utilização mais intensiva foi neste último período da Pré-história. Sua produção provavelmente foi a partir de faísca geradas por raios que caíam em folhagem seca, assim isso fez acender fogueiras de onde o homem pôde ter pegado algo em chamas (galhos, por exemplo), para fazerem pequenas fogueiras. Esta possibilidade pode ter incentivado o homem a produzir por ele mesmo o fogo, através do atrito que faz surgir faíscas e acender folhagem seca. O que também motivou o homem a produzir fogo foi o amolecimento dos alimentos — não é muito provável pois não havia necessidade de os homens quererem alimentos amolecidos, levando em consideração que tinham seus dentes e maxilares adaptados para isso —, ou, e possivelmente, a alteração do sabor dos alimentos, que melhorou.[6]

Para o cultivo das terras produtivas, que precisavam ser revolvidas, foram inventados instrumentos apropriados: plantador, bastão empregado como cavadeira em algumas regiões, e em outras regiões a enxada (lâminas feitas de pedra ou chifre, e, posteriormente, de madeira). Devido ao excedente de produção, surgiram locais apropriados para o armazenamento desse excedente: celeiros e silos (locais que mantém conservado, por um certo período de tempo, os alimentos); estes eram, respectivamente, casa para armazenagem construída sobre o solo e local de armazenamento subterrâneo.

Para a colheita dos cereais e sua posterior transformação em farinha, foram inventados implementos (ou seja, instrumentos fundamentais, indispensáveis). Estes implementos eram a ceifadora, esta consistem em pedaços retos de madeira com uma pequena fileira de pedras constituídas por serras; a foice curva feitas de madeira, ou de ossos (especialmente maxilares de animais), com pontas de sílex; para a trituração dos grãos, tinha-se o conjunto pilão e almofariz, ou mesmo eram triturados com pedras de forma arredondada, e este último meio (pedras arredondadas) por ser mais usual passou por transformações até chega ao modelo padrão do moinho de mão.

A criação de gado implicou na utilização de novos instrumentos de cultivo. O gado podia ser facilmente transportado, sendo assim era facilmente concebido a troca, ou até mesmo eram roubados. Este último permitiu o desenvolvimento de instrumentos de guerra, pois estes instrumentos eram um meio pelo qual proprietários de gado poderiam garantir que seu gado não fosse roubado. Além disso, leva-se em consideração a competição por terras cultiváveis para contribuir com o desenvolvimento de instrumentos.[3]

Nesse período desenvolveu-se técnicas para que fossem manufaturados produtos têxteis. Estes precisavam de matérias-primas, a lã ou o linho, que precisavam ser cultivadas — talvez utilizavam a lã de carneiros, porém não há certeza quanto a isso. As fibras deveriam ser enroladas para serem transformadas em fios, compreendendo assim um fuso (instrumento roliço onde os fios são enrolados). Máquinas de tear não existiam nesse período, foram invenções posteriores, assim os tecidos eram manufaturados.

Parede de adobe.

Quanto às moradias do Neolítico, caracterizam-se, em geral, por serem mais sólidas e cômodas do que as de períodos anteriores; outras caracterizavam-se como casas retangulares e muito compridas. Porém, em algumas regiões, as moradias utilizadas eram ainda cavernas e abrigos. O materiais utilizados para a construção eram diversos, sendo que o mais utilizado era o adobe; algumas regiões compreendiam a utilização de galhos sobrepostos, recobertos por barro. Para a construção do telhado utilizava-se, geralmente, folhas. Essas moradias possivelmente tinham móveis feitos de madeira, porém esta afirmação não é consistente, já que a madeira se deteriorou e não há como provar. Todavia, os móveis de madeira foram substituídos por móveis de pedra, sendo sua existência mais consistentes devidos aos indícios encontrados. Dentre os móveis, havia: camas, armários e prateleiras para se guardar utensílios. A iluminação e o calor eram provenientes de lareiras, estas serviam também para cozinhar, porém para isso estas lareiras eram complementadas com fornos de argila; o tamanho destas lareiras estava relacionado com as temperaturas das diversas regiões.

As evoluções mais significativas deram-se na Europa, sendo também o lugar que constituía as aldeias mais completas. Poucas aldeias apresentavam desenvolvimentos de instrumentos de defesa até a fase final deste período, sendo que as poucas aldeias que apresentavam esse desenvolvimento utilizavam como objetos de defesa, ao redor das aldeias, os fossos (cavidades no solo) e as paliçadas (estacas de defesa). Então, a partir da fase final do Neolítico, praticamente todas aldeias apresentavam objetos defensivos, ou de guerras, tais como machados de guerra (em pedra) e objetos de sílex.

Ocorreu em sepulcros do Neolítico, a construção de tumbas gigantescas de pedras extraordinariamente grandes e pesadas — estas tumbas são chamadas de megálitos. Outras tumbas, menores, porém com as mesmas funções e, além disso, com maior aplicação de tecnologia, eram feitas de pedras pequenas e teto feito por modilhões (projetos arquitetônicos nos quais apresentavam formas sinuosas).

Os desenvolvimentos em cada região, porém, se deram em diferentes tempos. Todavia, os instrumentos produzidos e desenvolvidos eram, em geral, os mesmos ou muito semelhantes. Nesse período, o que também contribuiu para o desenvolvimento foi o intercâmbio existente entre as regiões, permitindo, assim, que técnicas fossem permutadas, consequentemente, ocorreu um maior desenvolvimento devido a isso.[3]

Referências

  1. 1,0 1,1 1,2 1,3 InfoEscola - Período Paleolítico, acessado em 1 de outubro de 2010.
  2. 2,0 2,1 paijulioesteio, acessado em 1 de outubro de 2010.
  3. 3,0 3,1 3,2 3,3 3,4 3,5 3,6 Shapiro, Harry L. Homem. Cultura e Sociedade. Rio de JaneiroFundo de Cultura, 1972. 80;95;96;107;137;141 p.
  4. Brasil Escola - Paleolítico, acessado em 1 de outubro de 2010.
  5. Mundo Educação - Período Paleolítico, acessado em 1 de outubro de 2010.
  6. 6,0 6,1 Moraes, José Geraldo Vinci. Caminhos das civilizações: História integrada: Geral e Brasil. São PauloAtual, 1999. 8;12 p.
  7. Mundo Educação - Revolução Neolítica, acessado em 1 de outubro de 2010.