Otimização/Métodos de penalidades
Os métodos que recebem este nome fazem parte de uma família de métodos baseados em:
- Simplicidade conceitual;
- Eficiência prática;
Algumas das primeiras funções de penalidade foram desenvolvidas por:
- Courant (1943)
- Ablate Brighham (1955) (qual o artigo?)
- AV Fiacco, GP McCormick (1968) (qual o artigo?)
Para compreender este tipo de método, será considerado o seguinte problema:

Adicionalmente, se for considerado o conjunto de pontos
, o problema (P) se escreve ainda como

Uma primeira idéia para a resolução desse tipo de problema é fazer uso de funções indicadoras, conforme é definido a seguir:
- Definição
Dado um conjunto não vazio
, define-se a função indicadora
por:
Notas: A função indicadora
é às vezes denotada por
.
Para transformar um conjunto (P) em um problema sem restrições, pode-se proceder da seguinte maneira: Considerar o problema (PD), dado por:

Considerando
definida por:
Tem-se ainda o problema (PP), dado por:

Comentários:
- A grande vantagem desta idéia é que ela transforma um problema com restrições em um problema irrestrito.
- A principal desvantagem é que a função
definida a seguir é descontínua em cada ponto
:
Índice |
[editar] Método de penalidade exterior
Para contornar a desvantagem da descontinuidade da função apresentada anteriormente, surgem outras funções, como por exemplo:
- Definição
Dada uma função
, definida em um conjunto arbitrário
, define-se a parte positiva de
, como:
Um dos autores deste material sugeriu a adição de uma imagem para comparar uma função e sua correspondente . |
- Exercício
Verifique que para cada
tem-se, para cada
, a igualdade
, onde
é a parte positiva de
e
é a função definida no exemplo anterior.
| Resolução |
|---|
De fato, dada qualquer função , segue da própria definição de que
Mas implica que Portanto, |
- Exercício
Verifique que para cada
tem-se, para cada
, a igualdade
.
Um dos autores deste material sugeriu conferir o enunciado do exercício anterior. A afirmação parece ser falsa nos casos em que . |
A idéia de aplicar penalizações aos pontos que não pertencem ao conjunto viável é formalizada na seguinte definição:
- Definição
Seja
. A função
é chamada de função de penalidade exterior se possui as seguintes propriedades:


é contínua
Nota: Lembre-se que
é o conjunto viável do problema (P).
Em particular, as funções
são funções de penalidade exterior.
- Definição
Seja
. A função
é dita coerciva se 
| Um dos autores deste material sugeriu a adição de exemplos de funções de penalidade, juntamente com algumas imagens ilustrando os seus gráficos. |
Nota: Conforme o Wikcionário, o termo coercivo significa: que coage; que reprime; que impõe pena; coercitivo. Nesse sentido, esse é um termo adequado ao tratar do conceito anterior, no contexto dos métodos de penalidade.
- Exercício
Verifique que
é uma função coerciva se, e somente se,
é limitado para todo
.
| Resolução |
|---|
| Pela definição de limite, a afirmação
é equivalente a dizer que
Esta última implicação, é equivalente à
Pela definição de conjunto de nível, isso equivale à |
| Um dos autores deste material sugeriu a adição de uma imagem que ilustre geometricamente a relação entre coercividade e conjuntos de nível. |
- Exercício
Verifique que
definida por
é uma função de penalidade exterior, onde conforme anteriormente,
é a parte positiva de
.
| Resolução |
|---|
Primeiramente, é uma função não negativa, pois o quadrado de qualquer número real é não negativo, assim como a soma de números reais não negativos.
Em segundo lugar, tem-se Finalmente, como a soma e o produto de funções contínuas resulta em uma função contínua, segue que |
- Exercício
Verifique que se
é uma função contínua coerciva, então existe
tal que
.
| Resolução |
|---|
Considere um ponto arbitrário . Tome . Nestas condições, é limitado (conforme um dos exercícios anteriores) e fechado (pois é pré-imagem de um conjunto fechado por uma função contínua), portanto compacto. Neste caso, conforme o teorema de Weierstrass, a função possui algum ponto de mínimo no conjunto , ou seja, existe tal que .
Ne verdade, tal ponto |
| Um dos autores deste material sugeriu a adição de uma imagem ilustrando a existência de minimizadores globais para funções coercivas. |
[editar] Alguns conceitos da topologia
Em algumas situações, é interessante ter em mente que certos conceitos definidos no contexto da Otimização são, na verdade, instanciações de conceitos mais gerais, muitos deles provenientes da topologia. Alguns exemplos são apresentados a seguir.
- Definição
Dado um conjunto
, uma coleção
de subconjuntos de
é chamada de topologia se:
- Exemplos
- Topologia euclidiana:
Em outras palavras, a topologia euclideana é a coleção de todos os conjuntos abertos contidos em
. Pode-se verificar com facilidade que de fato são satizfeitas as três propriedades que definem uma topologia.
Outro exemplo muito comum é o seguinte:
- Topologia euclideana estendida:
Em geral, a noção de limite seria caracterizada topologicamente da seguinte forma:
- Definição

[editar] De volta ao método
Uma vez apresentados os conceitos iniciais, pode-se provar o seguinte teorema:
- Teorema
Considere:
uma função de penalidade exterior;
uma função contínua;
um conjunto fechado;
uma sequência de termos positivos tal que
.
é coerciva.
é limitado e
é coerciva.
, for escolhido
,então:
possui algum ponto de acumulação;- Todo ponto de acumulação de
é solução do problema (P);
.
| Um dos autores deste material sugeriu a adição de uma imagem que ilustre geometricamente o significado do teorema acima. |
| Demonstração |
|---|
Se (1) acontece, então é coerciva, pois
A desigualdade é válida pois , para qualquer Mas Por outro lado, se vale (2), então Em ambos os casos, dada uma sequência Sendo que a primeira desigualdade se deve ao fato de Além disso, tem-se as seguintes desigualdades: Logo, somando os membros correspondentes, obtem-se: ou seja, Portanto, Por outro lado, Se a primeira das hipóteses acontece, segue da coercividade e dessa última desigualdade que Se ocorre a segunda, então Portanto, em qualquer caso, Seja A sequência Como Logo, |
- Exercício
Dado o problema (P), considere
(isso não quer dizer que o problema tenha solução). suponha-se que
e
são funções contínuas e que
seja não vazio, ou seja, que
é factível. Tome
como
, onde
denota a parte positiva de
, como de costume. Considere ainda
dada por
e, para cada
, seja
Nessas condições, provar que:
é uma função de penalidade exterior

- Se
então 
- Se
são covexas, então
é convexa. - Se
são diferenciáveis, então
é diferenciável em
, e 
- Se
e
e se
é uma sequência tal que
e
então
é solução de (P).
[editar] Algoritmo de penalidade exterior
Primeiro passo: Escolha,
e
Passo iterativo
: Calcular
, solução global de
Escolha
tal que
![]()
Nota: Neste algoritmo,
é uma função de penalidade exterior.
- Exercício
Sejam
e
. Considere o problema:
Utilize o método de penalidade exterior para determinar o ponto de mínimo da função
sobre o conjunto
.
| Resolução |
|---|
Esboço: Pode-se tomar , onde:
Tem-se então o problema irrestrito: |
[editar] Implementação do algoritmo de penalidade exterior em SciLab
Considerando o problema
com
uma função quadrática,
simétrica positiva definida,
lineares, e a função de penalidade,
, dada por:
Pode-se usar o método dos gradientes conjugados para resolver o seguinte problema:
onde
terá sua matriz Hessiana definida positiva.
| Incluir o código para uma implementação do método em SciLab. |
[editar] Método de penalidade interior
Este método também é conhecido como método de barreira. Ele consiste em trabalhar com funções de penalidade tais que
e qualquer que seja a sequência
para a qual
, se tem que a função de penalidade tende a
.
Mas como conseguir esse tipo de função?
[editar] Exemplos
Considere o caso em que
. Lembrando que a função logarítmica tem a propriedade:
pode-se tomar
, pois
implica que
Analogamente, tem-se
então, uma outra função com a propriedade desejada é
.
O problema a ser resolvido quando se quer aplicar o método de barreira é o seguinte:
onde
é tal que 
Observação:
não é necessariamente igual ao interior do conjunto
. Por exemplo:
| Um dos autores deste material sugeriu a adição de uma imagem para ilustrar um conjunto C cujo correspondente C0 seja diferente do interior de C. |
- Definição
Se diz que uma função
é uma função de barreira se ela possui as seguintes propriedades:
é limitada inferiormente em
.- Para qualquer sequência
tal que
vale 
é contínua
[editar] Algoritmo de barreira
Primeiro passo: Escolha,
e
Passo iterativo
: Calcular
, solução global de
Escolha
tal que
![]()
Observação: Neste método os termos da sequência
estão sempre em
.
[editar] Implementação do algoritmo de barreira em SciLab
Considerando o problema
pode-se usar o método de barreira no conjunto:
Pode-se usar qualquer das funções de penalidade interior apresentadas, por exemplo:
ou ainda
Como
, o problema passa a ser:
Observação: Note que é necessário conhecer um ponto inicial
, para servir de primeira aproximação, ou ponto de partida para o algoritmo.


definida a seguir é descontínua em cada ponto
:




e sua correspondente 


. Como
.

tal que
tem-se
.
(sua contrapositiva).
. A existência de um número
com tal propriedade significa que
é um conjunto limitado, donde conclui-se a equivalência entre coercividade e limitação dos conjuntos de níveis
é uma função não negativa, pois o quadrado de qualquer número real é não negativo, assim como a soma de números reais não negativos.
se, e somente se, para cada índice
e
. Como
, tem-se 
. Tome
. Nestas condições,
é limitado (conforme um dos exercícios anteriores) e fechado (pois é pré-imagem de um conjunto fechado por uma função contínua), portanto compacto. Neste caso, conforme o
tal que
.
é também um minimizador global da função
então
(pela definição do conjunto 





![\Gamma = \Gamma_1 \cup \left\{ A \subset \mathbb{R} \cup \{ \infty \}: \exists a \in \mathbb{R}, A = \left] a, \infty \right]\right\}](http://upload.wikimedia.org/wikibooks/pt/math/8/6/1/8615a9c333bc79ed8a96ac31c19d24be.png)
uma função contínua;
uma sequência de termos positivos tal que
.
possui algum ponto de acumulação;
.
é coerciva, pois


tal que
tal que
e
, defina-se
por 
ser um minimizador, por construção, e a segunda segue por que
é decrescente. Portanto,
.




, sendo primeira desigualdade válida por
positivo, e a segunda devida à própria definição de
.
. Então
é uma sequência limitada.
, consequentemente
. Sendo
tal que
. Logicamente,
. Pela continuidade de
. Mas já havia sido verificado que
.
é crescente. Seja
(por que razão ele existe?). Como
, tem-se
. Portanto,
. Logo
, ou seja,
.
, e este valor é nulo se, e somente se,
.
, donde
, ou seja, 

então 
são covexas, então
é convexa.
, e 
é uma sequência tal que
e
então
,
Passo iterativo
, solução global de
Escolha
, onde:



, onde pode ser aplicado o método de gradientes conjugados.






é limitada inferiormente em
tal que
vale 
Passo iterativo
, solução global de
Escolha
tal que




