Curso de termodinâmica/Equação de estado de Van der Waals
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A equação de Van der Waals introduz duas correções na lei dos gases perfeitos:
- as moléculas têm um volume não nulo e incompressível ( volume excluído).
- existem forças de atração entre as moléculas.
Índice |
[editar] Efeito do volume excluido
N moléculas, postas num recipiente de volume V podem se deslocar no volume total V só se o volume ocupado pelas moléculas for nulo. Em realidade, as moléculas ocupam um volume não nulo e existe, no recipiente, um certo volume excluído, não disponível para o deslocamento das moléculas.
Sejam duas moléculas supostamente esféricas e de diâmetro d . O volume excluído para este par de moléculas , (ou o volume inaccessível para cada um dos dois centros de gravidade) , é uma esfera de raio d:



Observamos que o volume excluído representa 4 vezes o volume ocupado pelas moléculas . O volume realmente disponível no recipiente de volume V contendo n mol de gás é :

A equação de estado , baseada sobre a equação dos gases perfeitos , se escreve então :

[editar] Efeito das forças de atração intermoleculares
A pressão P que intervem na equação de estado de um gás é , de forma rigorosa , a pressão que obriga as moléculas a ficar no recipiente de volume V. Na ausência de interações, esta pressão é idêntica à pressão aplicada fora do recipiente, Pext.
As forças de atração entre as moléculas são equivalentes a uma pressão "interna" Pint, que reduz a pressão externa necessária para manter o gás no volume V. A pressão recebida pelo gás mesmo é P = Pext + Pint. Para expressar quantitativamente Pint, escolhe dois pequenos elementos de volume v1 e v2 ao ocase no gás e contendo 1 molécula cada um. A força de atração entrev1 e v2 é f. Juntando uma segunda molécula em v1, a força de atração se torna 2f. Juntando uma terceira molécula em v1 a força de atração fica 3f, etc. O efeito é o mesmo juntando as moléculas em v2. A força de atração entre v1 e v2 é então proporcional a c1, a concentração de moléculas em v1 e a c2, a concentração de moléculas em v2. Em média , a concentração de moléculas no gás é c, idêntica em todo volume . Em conseqüência , a força entre os dois elementos de volume v1 e v2 é proporcional a c2. Da mesma maneira , Pint é proporcional a c2. O coeficiente de proporcionalidade, anotado a, depende da natureza química do gás estudado .
[editar] Equação de Van der Waals
A equação de Van der Waals se obtêm substituindo P por
:

Em prática , escreveremos P no lugar de Pext más lembrando -se que P representa a pressão externa imposta ao gás , tal que um experimentador pode medir-la por meio de um pistão , por exemplo.
Escreveremos igualmente V no lugar de Vrecipiente para representar o volume total do recipiente .
ou ainda :
,
se
é o volume total expresso por mol de gás.
[editar] Avaliação da equação de Van der Waals
[editar] Ponto crítico
As curvas P(V) para CO2 mostram o efeito do equilibrio líquido-vapor sobre a equação de estado do gás. Por exemplo , um aumento da pressão aplicado sobre CO2 a 13°C leva inevitavelmente à liquefação. No aparecimento da primeira gota de líquido , o volume molar diminui muito. A pressão fica constante durante a permanência simultânea do gás e do líquido em equilíbrio apesar da diminuição do volume que passa paulatinamente do volume molar (elevado) do gás ao volume ( menor) do líquido . Durante todo este processo , temos :

É também o caso à temperatura Tc , mesmo se, neste momento, temos volumes molares iguais para o gás e o líquido. Observa-se também que P(V) apresenta um ponto de inflexão à temperatura Tc o que quer dizer :
é negativo e diminui se
e
por conseqüencia,

,no ponto crítico


Para calcular a equação de Van der Waals no ponto crítico , precisa então achar a temperatura Tc, a pressão PcC e o volume Vc tais que :

As soluções destas equações são :

onde Vc/n é o volume molar crítico . Esta equação conduz a um valor constante de Zc

No inverso , podemos calcular , por meio destas equações , um valor dos parâmetros a e b a partir dos parâmetros críticos:

Na equação de estado de Van der Waals , R não é então mais uma constante mas depende do gás. Em prática, porém, conservamos freqüentemente R como constante e calculamos só a e b a partir das condições críticas .
[editar] Tamanho das moléculas
Podemos calcular para cada gás os parâmetros a e b da equação de Van der Waals que reproduz melhor as observações experimentais de P e V em relação a T. Alguns valores são dados nas primeira e a segunda colunas da seguinte tabela :
| Gás | a(atm.L2.mol-2) | b(L.mol-1) | d(A)calculado |
| N2 | 1,39 | 0,0391 | 3041 |
| O2 | 1,36 | 0,0318 | 2,93 |
| CO2 | 3,59 | 0,0427 | 3,23 |
| H2 | 0,244 | 0,0266 | 2,76 |
| He | 0,034 | 0,0237 | 2,66 |
Podemos , a partir de b , calcular o volume de uma molécula de gás e assim estimar o diâmetro da molécula ( supondo que esta molécula seja esférica ).
