Álgebra linear/Autovetores

Origem: Wikilivros, livros abertos por um mundo aberto.

Seguir para o capítulo anterior: Formas bilineares e quadráticas Álgebra linear Seguir para o próximo capítulo: Teoremas espectrais

Índice

[editar] Autovetores e autovalores

Definição

Seja V um espaço vetorial sobre K, e seja T um operador linear sobre V. Um vetor não nulo v de V é dito um autovetor (ou vector próprio) de T se existir um \lambda \in K tal que T(v) = λv. Neste caso, λ é dito autovalor (ou valor próprio) de T.

Um significado prático:

  • Os autovetores são vetores que, sob a ação de um operador linear, resultam num vetor de mesma direção. Os autovetores estão sempre ligados ao operador linear, ou seja, cada operador linear admite um conjunto específico de autovetores.
  • Para cada autovalor λ, podem existir vários autovetores v tais que T(v) = λv. Dizemos que esses são autovetores associados ao autovalor λ. Haverá infinitos autovetores associados a cada autovalor, exceto no caso do corpo K ser um corpo finito.

Prove:

  • Se v é um autovetor de T associado ao autovalor λ, e a \in K\, é um escalar não-nulo, então av também é um autovetor associado a λ.
  • O conjunto V_\lambda = \{ v \in V | T(v) = \lambda v \} é um subespaço vetorial de V (ele é chamado de autoespaço). Note que Vλ é o conjunto de todos os autovetores associados a λ unido ao vetor nulo.

[editar] Autovetores de uma matriz quadrada

Definição

Um autovalor de uma matriz A_{n\times n} é um escalar \lambda \in K tal que existe um vetor X, com AX = λX, onde X é chamado de autovetor de A associado a λ.

X = \begin{pmatrix}x_1 \\ x_2 \\ \vdots \\ x_n \end{pmatrix}

[editar] Polinômio característico

Definição

Seja A uma matriz quadrada de ordem n. O polinômio p(λ) = det(A − λI) é chamado de polinômio característico de A.

Prove:

  • Seja \alpha = \{v_1, \ldots, v_n\} uma base de V, e v um autovetor de T associado ao autovalor λ. Então [v]α é um autovetor da matriz [T]α associado ao autovalor λ de [T]α
  • Se α e β são duas bases quaisquer de V, então o polinômio característico de [T]α é igual ao polinômio característico de [T]β.

[editar] Operador diagonalizável

Definição

Um operador T é dito diagonalizável se existir uma base \alpha = \{v_1, \ldots, v_n\} de V tal que [T]α é uma matriz diagonal.

Definição

Duas matrizes quadradas de mesma ordem, A e B, são ditas semelhantes se existir uma matriz P, de mesma ordem, inversível, tal que B = P - 1AP.

Definição

Uma matriz An é dita diagonalizável se An for semelhante a uma matriz diagonal D (ou seja, existe uma matriz P, inversível, tal que D = P - 1AP).

Prove:

  • Se \alpha = \{v_1, \ldots, v_n\} são autovetores de T associados, respectivamente, aos autovetores \alpha_1, \ldots, \alpha_n tais que \lambda_i \ne \lambda_j se i \ne j, então α é LI.
  • Seja \alpha = \{v_1, \ldots, v_n\} uma base de V. A matriz [T]α é diagonal \iff \alpha é uma base de V formada por autovetores de T
  • Se T é auto-adjunto e λ é um autovalor de T, então \lambda \in R.
  • Se T é auto-adjunto e v_1, \ldots, v_n são autovetores de T associados aos autovalores \alpha_1, \ldots, \alpha_n (distintos), respectivamente, então v_i \perp v_j, se i \ne j.
  • Se T é unitário e λ é um autovalor de T, então | λ | = 1.
  • Se λ é um autovalor de T e T é normal, então \overline{\lambda} é autovalor de T * .
  • Vλ é T-invariante.
  • V_\lambda^\perp é T * -invariante.
  • Se T é normal e λ é autovalor de T, então V^\perp é T * -invariante.
  • Se T é normal, então V_\lambda^\perp é T-invariante.