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Utilizador:Miguel Anjos/Logística/Embalagem/Funções da Embalagem

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Uma embalagem tem como obrigação cumprir quatro funções vitais que são a protecção, a conservação, a informação e a função associada ao serviço ou à conveniência na utilização.


Protecção

A embalagem deve acima de tudo oferecer protecção contra danos físico-mecânicos que ocorrem no circuito de transporte e distribuição, como choques, humidade e impactos, vibração e compressão fruto do empilhamento das embalagens. Normalmente estes factores físicos põem em causa mais a qualidade do produto e não tanto a segurança, na medida em que quando a protecção que a embalagem oferece não é adequada, há perda parcial ou mesmo total de produto que não chega assim a ser consumido representando uma grade despesa para o produtor.


Fig.5 - Grupagem de contentores num cais

A embalagem desempenha assim um papel fulcral na segurança do produto na medida em que previne ou evidencia a abertura ou intrusão, o que pode significar adulteração ou perda de integridade do produto. Esta perda de integridade pode ocorrer acidentalmente, fruto de erros ou defeitos considerados normais nos processos de embalagens, ou provocada pelas razões mais variadas como vingança em relação a uma loja, um produto ou uma pessoa, extorsão ou outra forma de ganho de dinheiro, publicidade, pura malvadez, etc. A adulteração provocada ou violação de produtos não é confinada a um grupo específico de produtos tendo-se registado casos em produtos de higiene e médico–farmaceuticos, como comprimidos analgésicos, gotas oftalmológicas, sprays nasais, pasta dos dentes, e produtos alimentares, como pacotes de açúcar, chocolates, “baby food”, snacks, bebidas refrigerantes,produtos electrónicos, etc.

A alteração provocada ou violação de produtos é um problema que existe há bastante tempo, conhecendo-se casos desde os anos vinte, mas o problema ganhou outra dimensão desde o caso ocorrido em 1982 nos USA em que várias pessoas morreram como consequência da ingestão de comprimidos Tylenol que tinham sido adulterados. A partir dessa data o número de casos registados, falsos alarmes e ameaças de adulteração/violação de produto não parou de crescer e provocou uma mudança na forma como o consumidor vê a embalagem e na importância que lhe atribui. Hoje, a FDA (food and drug administration) requer que certos produtos, nomeadamente os medicamentos de venda livre, tenham um sistema de embalagem “à prova de intrusão” ou com “evidência de abertura”. No sector alimentar e de bebidas, há uma tendência crescente para a utilização generalizada de sistemas de embalagem com evidência de abertura para protecção da integridade do produto e da imagem do próprio produto e da empresa do produto.

A FDA (food and drug administration) define sistema de embalagem com evidência da abertura da seguinte maneira : Packaging having an indicator or barrier to entry which, if breached or missing, can reasonably be expected to provide visible or audible evidence to consumers that tampering has occurred (A embalagem deve ter um indicador ou barreira, que se quebrada ou estando em falta, deve se esperar de uma forma razoável deve alertar o consumidor que a embalagem já foi aberta). Existem hoje em dia no mercado diversos sistemas como as típicas bandas de plástico termo-retrácteis para garrafas e frascos, embalagens tipo blister, tampas metálicas com botão indicador de vácuo, bisnagas com orifício fechado, selos interiores para frascos de vidro e plásticos, fitas gomadas especiais para caixas de transporte, etc.


Conservação


A embalagem deve manter como obrigação a qualidade e a segurança do produtos, prolongando a sua vida-útil e diminuindo as perdas de produto por deterioração. Para isso, a embalagem deve controlar factores ambientais como a humidade, o oxigénio, a luz e ser uma barreira eficaz aos microorganismos presentes na atmosfera que rodeia a embalgem impedindo assim o seu desenvolvimento no produto. A embalagem deve também sem constituída por materiais e substâncias que não migrem para o produto, em quantidades que não possam por em risco a segurança dos consumidores ou alterar as características organolépticas do produto sendo por isso os materiais utilizados na embalagem no produto um passo muito importante na elaboração da embalagem.


A embalagem faz muitas vezes parte integrante do processo de preparação e conservação do alimento. A embalagem é desenhada e adaptada a uma certa tecnologia (função tecnológica e industrial) para a qual é absolutamente indispensável, desempenhando assim um papel activo, como por exemplo no processamento térmico, no acondicionamento asséptico e na atmosfera modificada:

- PROCESSAMENTO TÉRMICO: as embalagens devem ser perfeitamente herméticas, resistentes a temperatura do processo e permitir as variações de volume do produto durante o processo, sem perigo de deformação permanente e sem comprometer a recontaminação pós-processo da embalagem.


- ACONDICIONAMENTO ASSÉPTICO: o produto é esterilizado separadamente e introduzido assepticamente numa embalagem também estéril. A embalagem deve ser desenhada de acordo com o processo de esterilização e permitir o enchimento do produto processado e o fecho em condições perfeitamente assépticas, mantendo a integridade e hermeticidade do material e das soldas realizadas.


- EMBALAGEM EM ATMOSFERA MODIFICADA: consiste no acondicionamento sob uma atmosfera cuja composição é diferente da do ar normal, usando-se normalmente uma mistura de oxigénio, dióxido de carbono e azoto, ou em alguns casos, apenas azoto como gás inerte. Na maioria dos produtos a conservação é também feita sob refrigeração. Esta tecnologia de processamento requer máquinas de acondicionamento eficientes e materiais de embalagem com permeabilidade selectiva e controlada, que permitem manter na atmosfera gasosa interna da embalagem, proporções constantes ou dentro de determinados limites dos diferentes gases, não obstante o metabolismo activo dos produtos embalados.

Visto que na industria alimentar a boa qualidade do produto é essencial, e tendo em conta que a embalagem pode ser simultaneamente uma fonte de risco/perigo para a segurança e qualidade do produto, podendo originar contaminação física, química e mesmo microbiológica.

Tendo em vista a aplicação do conceito ou da abordagem HACCP ao fornecimento de materiais e sistemas de embalagem, diversas entidades como associações sectoriais têm elaborado referenciais como Códigos de Boas Práticas adequados às especificidades da sua indústria, como forma de prevenir perigos associados à embalagem e garantir a segurança do produto acondicionado.

- Guidelines for the Hygienic Production of Plastic Food Packaging” elaboradas por European Plastics Converters;

- CEPI Guide for Good Manufacturing Practice for Paper and Board for Food Contact” elaborado pelo Conselho da Europa;

- Technical Standard and Protocol for Companies Manufacturing and Supplying Food Packaging Materials for Retailer Branded Products elaborado pelo British Retail Consortium (BRC) e pelo Institute of Packaging (IOP).

Este último documento surgiu da necessidade dos Comerciantes e Retalhistas do Reino Unido cumprirem com requisitos de higiene e segurança dos produtos de marca própria e consequentemente dos requisitos para a embalagem desses produtos. Surge assim, através de um protocolo entre o BRC e o IOP, reunindo representantes dos vários intervenientes da cadeia de embalagem (desde as matérias-primas até ao enchimento do produto), um referencial comum para auditorias de higiene e segurança aos fornecedores de embalagens. Este referencial tem o formato de norma técnica que apresenta como requisitos de base:

- Sistema de análise de perigos/riscos.

- Sistema documentado de gestão da qualidade.

- Controlo de requisitos específicos a nível de ambiente, produto, processo e pessoal.

A norma estabelece procedimentos de gestão de higiene a serem usados pelos produtores e fornecedores de materiais e sistemas de embalagem e é aplicável:

- à produção e fornecimento de embalagens para serem usadas no enchimento e acondicionamento de produtos alimentares.

- a materiais/embalagens descartáveis (exemplo: pratos e copos para máquinas tipo self-service).

- para demonstração da implementação de procedimentos para garantia da higiene e segurança e controlo do processo a produtores de embalagem, enchedores e embaladores dos produtos alimentares e retalhistas.


Informação

A embalagem é o principal suporte de informação sobre o produto quer a nível da distribuição e venda, quer a nível do consumidor. No primeiro caso a informação tem maior incidência sobre a gestão de stocks, preço, identificação e rastreabilidade do produto, instruções de armazenamento e manuseamento. A nível da informação para o do consumidor é incluída a informação requerida pela legislação da rotulagem alimentar, como a designação e tipo do produto, o responsável pela colocação no mercado, a lista de ingredientes e a quantidade líquida, a data de consumo, a identificação do lote, as condições de conservação e de preparação ou utilização.

Em termos da segurança alimentar é importante salientar os aspectos da informação sobre as condições de armazenamento, conservação e emprego que contribuem para a utilização do produto no prazo e em condições onde a sua qualidade e segurança é em princípio garantida. Há também a ter em conta a informação incluída na embalagem para rastreabilidade do produto (como o nº do lote) que permite, no caso de ocorrência de problemas com matérias-primas, processo, ou outros, localizar, limitar e recolher produto defeituoso ou que possa pôr em risco a segurança do consumidor.


Caixa de medicamento.

Nos últimos tempos, a embalagem pode adicionalmente Providenciar informação sobre as condições de temperatura (perfil de temperatura e tempo) que ocorreram no percurso para distribuição do produto se tiver associado um indicador/integrador de tempo/temperatura (TTI). Estes indicadores são particularmente úteis nos produtos distribuídos e comercializados sob refrigeração ou congelação, e consistem em sensores que evidenciam uma mudança física (normalmente de cor, de forma ou de imagem) como resposta à história de temperatura a que o sensor esteve sujeito. O sensor pode ter a forma de etiqueta ou ser incorporado na própria embalagem de forma a monitorar as condições de temperatura a que o produto acondicionado está sujeito durante o transporte, distribuição e armazenamento. Os TTI's podem ser divididos em três grandes grupos de acordo com o tipo de resposta que exibem à temperatura:

- história total: quando respondem à temperatura em função do tempo logo após activação.

- história parcial: quando respondem à temperatura em função do tempo mas só a partir do ponto em que determinada temperatura é atingida

- abuso: quando respondem só à temperatura, exibindo resposta quando determinado valor é atingido independentemente do tempo que o produto permanece a essa temperatura.

O princípio de funcionamento dos TTI´s baseia-se em mecanismos de natureza físico-química como reacções de fusão ou de polimerização, de natureza enzimática ou microbiológica. Os principais requisitos dos TTI´s são os seguintes:

- facilidade de activação;

- resposta exacta, rápida e irreversível à temperatura ou ao efeito cumulativo e combinado do tempo e da temperatura;

- resposta correlacionada com o mecanismo de deterioração do alimento;

- resposta correlacionada com o perfil tempo/temperatura da cadeia de distribuição e condições de armazenamento


Estes sensores podem, efectivamente, constituir uma ferramenta ao serviço da segurança dos produtos, na medida em que ao exibir uma mudança visível quando determinada temperatura foi atingida, ou quando determinada temperatura se manteve durante um determinado período de tempo, o consumidor é informado do estado do produto. Apesar das vantagens e benefícios que o uso dos TTI´s podem trazer, há aspectos que ainda não se encontram solucionados e que de alguma forma têm impedido a sua utilização mais generalizada, como o custo e a relação entre a informação que o indicador dá com a indicação legal da data de consumo.


O projecto da embalagem de consumo deve ser direccionado para a conveniência do consumidor, ter apelo de mercado, boa arrumação nas prateleiras dos supermercados. A embalagem dos produtos de consumo precisa chamar a atenção no ponto de venda, informar as características e atributos do produto e despertar o desejo de compra no consumidor. Se ela falhar nesta função o produto corre o risco de desaparecer do mercado. Pesquisa da AC Nielsem apresentada no Congresso Brasileiro de Embalagem mostrou que cerca de 80% dos produtos lançados no Brasil acabavam por sair do mercado em apenas dois anos. A embalagem é uma poderosa ferramenta de marketing que pode ajudar o produto a conquistar a preferência do consumidor e garantir seu lugar no mercado. http://pt.wikipedia.org/wiki/Embalagem

Conveniência ou serviço


A embalagem também tem uma grande importância na utilização e consumo final do produto. Neste aspecto, no entanto, além de contribuir para a segurança do produto, a embalagem deve ser concebida de forma a não ser ela própria um risco para o consumidor. Exemplos de questões ligadas à função de serviço da embalagem são:

-a abertura-fácil (como os tampos metálicos das latas de conservas);

- o fecho entre utilizações (que permite uma melhor conservação do produto quando ele não é consumido de uma vez só);

- a possibilidade de aquecer ou mesmo cozinhar o produto na própria embalagem e a utilização em fornos microondas (que levanta questões adicionais a nível dos materiais em contacto com os produtos, dado as elevadas temperaturas);

- a eventual ruptura de uma embalagem com a elevada pressão interna (como as garrafas em vidro de bebidas carbonatadas) podendo provocar ferimentos no utilizador (a este respeito importa referir a importância dos rótulos tipo manga plástica que são usados em algumas garrafas também para protecção em caso de quebra com propagação de estilhaços);

- a reutilização de embalagens (com os problemas potenciais de contaminação química e microbiológica das embalagens usadas);

- etc.


Referencias[editar | editar código-fonte]

Technical Standard and Protocol for Companies Manufacturing and Supplying Food Packaging Materials for Retailer Branded Products. The Stationery Office, London. October 2001.[em linha]. [consult. em 5 de MARÇO de 2010]. Disponível em http://www.esb.ucp.pt/twt/embalagem/


Anyadike, N - Embalagens Flexíveis: São Paulo: Editora Blucher 2009 [em linha]. [consult. em 8 de MARÇO de 2010]. Disponível em [em linha]. [consult. em 5 de MARÇO de 2010]. Disponível em http://www.esb.ucp.pt/twt/embalagem/


Bibliografia[editar | editar código-fonte]

http://www.esb.ucp.pt/twt/embalagem/