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FORÇAS QUE NOS SUSTÊM

Francisco Miguel de Moura*

Queremos com esta página, iniciar um debate filosófico. Pensar é não se agarrar à cultura passada, ao que já foi dito, porém encontrar formas e conteúdos diferentes para o mundo, de forma que se possa viver sem parasitismo intelectual, racional. Só existem três forças que sustêm o homem nos seus propósitos de vida e nos seus despropósitos. Essas três forças não são realmente ficção. Nos parágrafos seguintes, enumeremo-las em seqüência. Deus, ou o princípio criador de tudo, é a primeira força. Qualquer outro nome que se lhe venha dar será logo identificado, nesta ou noutra língua, neste ou em qualquer país. As diferenças de concepção são muitas, de acordo a índole de cada um e com os vários tipos de credos abraçados, mas todas se resumem, em verdade, no princípio criador e não num ente ou figura que não sabemos como é ou como poderá ser. O homem, ser finito, não teria a menor condição de bosquejar, desenhar, pintar a Deus, que é o infinito. A natureza é a segunda. Essa é a mãe de onde nos erguemos e aonde nos vamos deitar. Vida e morte, leis naturais. Da observação da natureza veio a medicina, todas as ciências e artes. Desobediência às leis da natureza é fatal. Dela vêm o corpo e a mente. Dizem, entretanto, que a alma vem de Deus. Pelo que sabemos, a alma é gênese. Se imortal ou não, é um problema de fé, de religião. A sociedade, a sociedade dos homens, em termos bem amplo, eis que tocamos agora a terceira força, o mundo que habitamos; a humanidade onde nos tornamos sociais: artesãos, comerciantes, industriais, agricultores, religiosos, filósofos, psicólogos, psiquiatras, poetas... Ou não. Mundo que as mais das vezes nos domina, quando pensamos que o dominamos. Nesse mundo brigam o “eu” e o “nós” por uma convivência nem sempre pacífica, mas necessária. Fica claro, para mim pelo menos, porque a religião é um dos assuntos dominantes e um esteio da sociedade. Religião: religare, tentativa de volta às origens, religar-se à força criadora. Não é necessário que se faça parte de um credo estabelecido, basta ser gente. Mas, no mundo do conhecimento do mundo vem, em primeiro lugar, a ciência, o aprendizado da natureza. Daí porque as profissões que mexem com as ciências naturais (medicina, engenharia e suas inúmeras variações – biólogos, farmacêuticos, pesquisadores, etc. ¬) são as mais procuradas e mais valorizadas. As chamadas ciências sociais, não sei se contraditoriamente, ficam para segundo plano. Assim, o mundo dos intelectuais, sábios, filósofos, tem pouca vez; mais chances de sobrepor-se têm os economistas, administradores, construtores e inventores. Na arte, a chamada literatura de “auto-ajuda”, simpática mas repetitiva, nem sempre sincera (em tudo há charlatães), mistura com religião crendices, sabedoria com chavões, tendo por finalidade vender, vender e vender. Resta aos leigos (nem religiosos, nem doutores, nem cientistas) a arte da literatura (poesia). Mas, como? Vai nos seus calos a literatura de massa, fácil de ser feita, repetição e repetição do mesmo mundo e das mesmas idéias e sentimentos, sem nenhum propósito que não seja o de vender e vender, e para isto se lança como “arte”, mas sempre pregando, poder, religião, crime, droga, sexo – justo porque tem apelo popular. À verdadeira arte – tanto nas letras como no teatro, no cinema, etc. – não se dispensa o menor respeito. Justa aquela que trata do homem, sua mente, sua alma, seu mundo, descobrindo o que não aparece à flor da pele, o que se esconde nas camadas mais profundas do humano, participando de todos os conhecimentos da história e da vida moderna, na busca de entendê-los e melhorar os problemas tanto da educação quanto da vida em comum, na rua, em família, e também das individualidades de per si. Arte é auto-ajuda bem melhorada, leiga, contestadora, humana, bela, criadora na sua dialética. Enfim, o homem perdido na solidão do planeta, olhando as estrelas e pensando se souber aproveitar dessa maravilha e de tudo o que há, não deve sentir-se desamparado, quer acredite apenas no universo tridimensional, quer pense em outros planos além, onde a alma passa flutuar e existir. ______________________

  • Francisco Miguel de Moura, escritor, mora em Teresina. E-mail: franciscomigueldemoura@superig.com.br Consulte na internet http:// pt.wikipedia.org www.usinadeletras, jornaldepoesia e o site antonimiranda.com. br