Utilizador:Econhecimento

Origem: Wikilivros, livros abertos por um mundo aberto.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

Econhecimento é um livro de crônicas desenvolvido por alunos do Curso de Licenciatura plena em Ciências Biológicas, turno noite, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, como proposta pedagógica da disciplina Prática em Ecologia (código 02267) cursada por estes no período de 2019.2. Esta disciplina é ministrada pela professora Carmem Roselaine de Oliveira Farias (http://lattes.cnpq.br/9470714866674296) e pelo seu aluno de mestrado Raí de Amorim Freire  (http://lattes.cnpq.br/7767850810905777), que cumpre estágio a docência. O livro foi desenvolvido dentro da ideia do Movimento Cartonero, ou seja de forma artesanal e com a reutilização de papelão para as capas. O título do livro foi escolhido por meio de votação realizada pelos discentes e faz referência à temática ambiental e aos conhecimentos adquiridos no decorrer da disciplina.

O Movimento Cartonero e a Olho D’água[editar | editar código-fonte]

O Movimento Cartonero surgiu em 2003 na Argentina como reflexo da crise econômica, social e política que o afetava. Washington Cucurto, Javier Barilaro e Hernán Bravo haviam comprado papelão em grande quantidade, já que a venda deste material se tornou comum pela população em meio a crise que assolava o país. A partir de então começaram a  confeccionar livros utilizando esses papelões para as capas, culminando também na Eloísa Cartonera. Durante a 27ª Bienal do Livro em São Paulo, em 2007, Lúcia Rosa e Peterson Emboava encontraram os criadores da Eloísa Cartonera e, somando forças, criaram a Dulcineia Catadora, a primeira editora cartonera no Brasil. Atualmente, Pernambuco é o estado com o maior número de editores deste gênero. E no cenário de sustentabilidade, com apoio da Mariposa Cartonera, a Cartonera Olho D’água é lançada. A Cartonera Olho D’água  é um projeto de extensão encabeçado pela professora Carmen Farias com a meta de articular pessoas e seus saberes, reconhecer diferentes formas de construção de conhecimentos, despertar aprendizagens a partir da leitura e da escrita, produzir e difundir conhecimentos inovadores para o campo educativo em geral, com ênfase na educação ambiental (Siqueira & Farias, 2018).

Sobre o livro Econhecimento[editar | editar código-fonte]

Possui 42 páginas e é constituído de 29 crônicas que relatam experiências cotidianas dos discentes vinculados à disciplina. No geral, as crônicas trazem críticas e reflexões sobre a destinação dos resíduos domésticos, o consumo compulsivo, o uso abusivo de plástico, os crimes ambientais que aconteceram no nosso país (O caso Brumadinho e as manchas de óleo nas praias do Nordeste, além da liberação descabida de agrotóxicos altamente tóxicos para uso no controle de pragas agrícolas), a poluição dos rios, a modificação da paisagem natural e de habitats devido ao desenvolvimento urbano acelerado, a crise hídrica no sertão do nordeste e o desperdício de água, dentre outras críticas e reflexões que o leitor está livre a fazer no ato da leitura. As crônicas estão organizadas em ordem alfabética de acordo com o nome dos autores, sendo elas:

  • O coral dos anfíbios
  • Para onde o vento lhe soprou
  • Desmatamento florestal: chega!
  • O caso ambiental no Nordeste do Brasil
  • A janela do ônibus não é lixeira
  • Garanto que pode ser diferente
  • Mocinho ou vilão?
  • Envenenamento crônico
  • O terrível consumismo
  • O quintal de vovô
  • Salvar o planeta inconscientemente
  • Água e óleo não se misturam
  • Para quê (e para quem) tanto plástico?
  • Rios de Recife: uma situação lastimável
  • Lixo: de quem é a culpa?
  • Mancha preta
  • Brumadinho
  • O quintal: meu pedacinho ecológico
  • Óleo no mar
  • Biodiversidade Urbana
  • Vivamos o Capibaribe!
  • Mãe, fecha a torneira!
  • Qual a sua pegada?
  • Recife urbano e selvagem
  • Água
  • Desenvolvimento Econômico versus Desenvolvimento Ecologicamente Sustentável
  • O pet aquático
  • Desenvolver
  • Coleta Urbana

Além das crônicas, os alunos também fizeram registros fotográficos que representassem a temática abordada em suas crônicas. Cada autor confeccionou uma capa de papelão para o seu livro, utilizando tinta e pincel.

Evento de lançamento do livro Econhecimento[editar | editar código-fonte]

A data marcada para o lançamento do livro foi dia 04 de dezembro de 2019, das 16:00 às 20:00 horas, no estacionamento do Departamento de Biologia (em frente ao Laboratório de Ecofisiologia e Comportamento Animal - LECA). No dia do evento teve: Oficina de livro cartonero, roda de diálogo - A ecologia do cotidiano para uma leitura mais sensível da realidade, Coffee Break, Cerimônia de Lançamento e Apresentação cultura. Como convidados, tivemos Carmen Farias (professora da UFRPE, coordenadora da disciplina de Prática de Ecologia e do Projeto de Extensão Cartonera Olho D’água), Paula Braga (http://lattes.cnpq.br/3289333472399959) e Ricardo Braga (http://lattes.cnpq.br/9657574677954584), autor do livro “Crônicas ambientais para a disciplina prática de ecologia”, trabalhado em sala de aula durante a disciplina.

O evento foi divulgado nas redes sociais Instagram©, Twitter©, Facebook© e Youtube© com os localizadores @livroeconhecimento, @Leconhecimento, //livroeconhecimento e econhecimento, respectivamente.

Construção de conceitos durante a disciplina para culminação no livro Econhecimento[editar | editar código-fonte]

A disciplina Prática em Ecologia é, atualmente, semi-presencial, sendo 50% de sua carga horária computada com atividades presenciais, realizadas em encontros semanais durante as quartas-feiras, das 18:30 às 20:10 horas, e 50% de sua carga horária cumprida por atividades disponibilizadas no AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem). Durante a disciplina algumas bibliografias foram discutidas e geradoras de pensamentos que tecessem as crônicas. Dentre elas estão:

  • A articulação entre os conhecimentos de Ecologia: noções de professores em formação (Brando et al., 2011)
  • Os paradigmas da ciência e suas influências na constituição do sujeito: a intersubjetividade na construção conhecimento (Araujo, R. R., 2010)
  • Crônicas ambientais para a disciplina prática de ecologia (Braga, R. A. P. 2013)
  • As ecologias nas pesquisas em educação ambiental - Dissertações e teses (Bonfim, V. L. 2015)
  • Você sabe o que é paradigma? (Vídeo disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=f_zTkwbIDrY)
  • A importância dos lugares na educação ambiental (Grün, M. 2008)
  • Narradores de Javé (Filme disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Trm-CyihYs8)
  • Educação para sociedades sustentáveis e ambientalmente justas (Carvalho, I. C. M. 2008)
  • Desenvolvimento e natureza: estudos para uma sociedade sustentável (Cavalcanti, C. et al. 1994)
  • TÃO PERTO E TÃO LONGE: escolas próximas a unidades de conservação e os desafios para a ambientalização do currículo (Frizzo, T. C. E. & Carvalho, I. C. M. 2018)

A sustentabilidade e o livro cartonero[editar | editar código-fonte]

O conceito “sustentabilidade” surge quando a relação homem-natureza passa a ser compreendida, além da compreensão de que os recursos naturais não são infinitos (Montenegro, 2018). O conceito mundialmente aceito é de que “desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem as suas próprias necessidades” (CMMAD, 1988, p. 46). O maior conflito gerado acerca da sustentabilidade é de que os maiores causadores de danos ambientais são as populações marginalizadas e vulneráveis. O ato de educar a população para nos tornarmos uma sociedade sustentável provém de movimentos sociais que lutam pela mudança de comportamento insustentável no mundo, como o próprio Movimento Cartonero (Carvalho, 2008). A prática pedagógica deste movimento permite ao educador transmitir a ideia de sustentabilidade e, com certa amplitude, alcançar um público máximo para chamar a atenção às mudanças de comportamento. Geralmente escolas periféricas são vulneráveis à atitudes insustentáveis devido a fator político, social e cultural.   Considerado a interdisciplinaridade dos temas aqui tratados, é esperado que a correlação entre sustentabilidade e movimento cartonero seja capaz de estimular mudança de comportamento dos estudantes (Montenegro, 2018).


REFERÊNCIAS

Araujo, R. R. Os paradigmas da ciência e suas influências na constituição do sujeito: a intersubjetividade na construção conhecimento. In: CAMARGO, M. R. R. M., org., SANTOS, V. C. C., collab. Leitura e escrita como espaços autobiográficos de formação [online]. São Paulo: Editora UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica, p. 140, 2010. ISBN 978-85-7983-126-3.

Bonfim, V. L. As "Ecologias" as pesquisas em educação ambiental - Dissertações e teses. 195 f. Dissertação de Mestrado (Mestrado em Educação), Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto - SP, 2015.

Braga, R. A. P. Crônicas ambientais para a disciplina prática de Ecologia / Ricardo Augusto Pessoa Braga; organizadora Carmen Roselaine de Oliveira Farias. – Recife : EDUFRPE, p. 80, 2013, ISBN 978-85-7946-136-1.

Brando et al. A articulação entre os conhecimentos de Ecologia: noções de professores em formação. Disponível em: http://www.nutes.ufrj.br/abrapec/viiienpec/resumos/R1258-1.pdf.

Carvalho, I. C. M. Educação para sociedades sustentáveis e ambientalmente justas. Rev. eletrônica Mestr. Educ. Ambient., v. especial, 2008, ISSN 1517-1256.

Cavalcanti, C. et al. Desenvolvimento e natureza: estudos para uma sociedade sustentável. INPSO/FUNDAJ, Instituto de Pesquisas Sociais, Fundação Joaquim Nabuco, Ministério de Educação, Governo Federal, Recife, Brasil. p. 262. 1994. Disponible en la World Wide Web: http://168.96.200.17/ar/libros/brasil/pesqui/cavalcanti.rtf

Frizzo, T. C. E.; Carvalho, I. C. M. TÃO PERTO E TÃO LONGE: escolas próximas a unidades de conservação e os desafios para a ambientalização do currículo. Rev. Espaço do Currículo (online), João Pessoa, v.11, n.3, p. 311-324, 2018.

Grün, M. A importância dos lugares na educação ambiental. Rev. eletrônica Mestr. Educ. Ambient., v. especial, 2008, ISSN 1517-1256.

Montenegro, L. A. Educação para a sustentabilidade em escolas públicas localizadas em vulnerabilidade socioambiental. 118 f. Tese de Doutorado (Doutorado em Desenvolvimento e Meio Ambiente), Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2018.

Siqueira, J. J.; Farias, C. R. de O. O MOVIMENTO CARTONERO NO DESENVOLVIMENTO DE APRENDIZAGENS E PRÁTICAS SOCIOAMBIENTAIS. Disponvível em: https://editorarealize.com.br/revistas/conapesc/trabalhos/TRABALHO_EV126_MD1_SA19_ID1314_01072019170005.pdf