Saara Ocidental/História

Origem: Wikilivros, livros abertos por um mundo aberto.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Ir para o capítulo anterior: Natureza Saara Ocidental Ir para o próximo capítulo: Cultura

Por volta de 38000 a.C., o norte da África era bem mais úmido do que é atualmente. Grandes florestas dominavam a região. Pinturas rupestres desse período na região mostram búfalos, elefantes e girafas. Por volta de 8000 a.C., a pecuária chegou à região, praticada por povos negros. Porém, em 3000 a.C., começou um processo de desertificação da região, determinando a formação do atual deserto do Saara e forçando a migração dos povos negros da região para o sul. O Deserto do Saara passou a ser ocupado pelos tuaregues, povo de língua berbere que sobrevivia através do comércio utilizando os dromedários como meio de transporte.

Gravura rupestre do Deserto do Saara mostrando cena de caça datada entre 12000 a.C. e 100
Cartão-postal de 1907 mostrando um tuaregue com seu dromedário

A partir do século VII, com a invasão árabe ao norte da África, toda a região do Saara tornou-se islâmica. O uso do idioma árabe se difundiu na região. Vários impérios árabe-berberes se sucederam no domínio da região: o Omíada, o Idríssida, o Fatímida, o Almorávida e o Almóada.

Expansão máxima do Império Omíada, o primeiro império muçulmano, no século VII

A partir do século XV, navios portugueses começaram a explorar a costa africana em busca do caminho marítimo para a Índia. No litoral do atual Saara Ocidental, se localizava um importante ponto de referência da costa africana: o Cabo Bojador. Cabo este que foi ultrapassado pela primeira vez, por um europeu, pela expedição liderada pelo navegador português Gil Eanes em 1434. Em 1444, os também portugueses Antão Gonçalves, Diogo Afonso e Gomes Pires atingiram o litoral do Saara Ocidental, batizando a região como Rio do Ouro[1].

No século XIX, com a conferência de Berlim (1884-1885), a região passou para domínio espanhol, com o nome de Saara Espanhol[2]. No princípio da década de 1970, com o processo de descolonização na África, começou um movimento nacionalista em prol da emancipação do Saara Espanhol liderado pela Frente Polisário (Frente Popular de Libertação de Saguia el Hamra e Rio de Oro). Em 1973, a Frente Polisário decretou a autonomia do território.

Selo espanhol de 1924 retratando o Saara Espanhol
Mapa dos territórios pertencentes à Segunda República Espanhola (1931-1939) em amarelo
Foto de 1974 do batalhão de Instrução de Recrutas nº 1, quartel onde os jovens espanhóis realizavam o serviço militar obrigatório no Saara Espanhol. O quartel se localizava a 25 quilômetros de El Aaiún e foi construído na década de 1960, tendo operado até a invasão marroquina de 1975

Em 1975, com a morte do ditador espanhol Franco e a consequente redemocratização do país, a Espanha decidiu abandonar a região. Pelo tratado de Madri, a Espanha cedeu dois terços da região ao Marrocos e um terço à Mauritânia. O Marrocos ocupou sua porção com a invasão militar conhecida como marcha Verde. Porém a Frente Polisário, apoiada pela Argélia e sediada na cidade argelina de Tindouff, se opôs militarmente ao tratado, causando pesadas baixas entre os mauritanos e forçando que a Mauritânia abrisse mão, em 1979, de sua porção do território[3].

Mapa do Saara Espanhol após o tratado de Madri: em vermelho, o território marroquino e, em verde, o território mauritano

O Marrocos, porém, continuou a ocupação e construiu, em 1987, um muro de concreto de 1 800 quilômetros de extensão e mais de 1 000 000 de minas terrestres cortando o interior do país para se proteger contra a Frente Polisário. O Marrocos passou a dominar a região do litoral e a Frente Polisário, o interior[4]. Em 1991, a ONU conseguiu um cessar-fogo na região e a aceitação, por ambas as partes do conflito, de um referendo popular que definisse o futuro da região. Porém não houve acordo quanto aos eleitores aptos para a votação: o Marrocos exigia que toda a população atual, inclusive os imigrantes marroquinos, pudessem votar, enquanto que a Frente Polisário exigia que somente os cidadãos contados pelo recenseamento efetuado em 1974 pudessem votar.

Mapa mostrando a região controlada pelo Marrocos (em amarelo) e a controlada pela Frente Polisário (em laranja). Em rosa, o muro que as divide.
A divisão administrativa atual do Saara Ocidental segundo o governo marroquino
Hospital de Navarra em Tifariti, no território controlado pela Frente Polisário. O hospital foi inaugurado em 1999 com recursos provenientes de associações da comunidade autônoma espanhola de Navarra.

Referências