República Popular da China/História

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Em amarelo, a extensão aproximada do Império Xia, a primeira dinastia chinesa. Em preto, o atual território da República Popular da China.
Em amarelo, a extensão aproximada do Império Chang, que sucedeu à dinastia Xia.
Antigos caracteres chineses inscritos em ossos
Gravura representando o filósofo Confúcio
Em amarelo, a China sob a dinastia Quin

No atual território da República Popular da China, os primeiros representantes do Homo sapiens surgiram por volta de 38000 a.C.. Sobreviviam da pesca, da caça e da coleta. A partir de 10000 a.C., aproximadamente, esses primeiros chineses, que eram nômades, passaram a ser sedentários e a praticar a agricultura, a pecuária e a cerâmica. Os principais produtos agrícolas cultivados eram o milhete, no norte e o arroz, no sul[1].

Por volta de 2000 a.C., teria surgido, no vale do Rio Amarelo, no norte do país, o primeiro reino chinês. Era governado pela dinastia Xia. Essa dinastia foi sucedida, entre os séculos XVI e XI a.C., pela dinastia Chang[2]. Durante a dinastia Chang, surgiu a escrita chinesa: inicialmente, uma forma de os sacerdotes se comunicarem com o mundo dos mortos através de inscrições em ossos[3].

Em 1045 a.C., a Batalha de Muye determinou o fim da dinastia Chang e a ascenção da dinastia Zhou. Os zhous eram um povo procedente do oeste. O reinado Zhou durou até 771, quando foram derrotados pelos quanrongues. Esses últimos, porém, não foram capazes de manter a unidade política do vale do Rio Amarelo, que passou a ser disputado por vários pequenos reinos. Nesse período, surgiram importantes pensadores, como Confúcio, Lao-Tsé, Mêncio, Chuang-tsé, Mozi e Sun-tzu. Finalmente, em 221 a.C., um desses pequenos reinos, o de Quin, alcançou a supremacia. A nova dinastia, porém, não conseguiria sobreviver à morte de seu fundador, Huang-ti, o chamado Imperador Amarelo, em 210 a.C. e acabou por se extinguir em 206 a.C., com a ascensão da dinastia Han. Porém o imperador Huang-ti deixaria sua marca na história, com a construção da Muralha da China, ao longo da fronteira norte do império e com a construção de seu monumental mausoléu, protegido por milhares de soldados de barro[4].

Os monarcas da dinastia Han estabeleceram sua capital na cidade de Xian e criaram a Rota da Seda, que propiciou um grande intercâmbio cultural e comercial com o ocidente. Essa rota favoreceu a difusão da religião indiana do budismo no país. No entanto, a religião oficial adotada pelos monarcas Han foi o confucionismo.

A dinastia Han acabou em 220 por conflitos políticos internos, gerando um vazio de poder que propiciou a invasão de povos estrangeiros do norte e do oeste. Como consequência, a população chinesa emigrou em grande número para o sul.

Dinastias efêmeras se revezaram no poder, até o advento da dinastia Tang, que reinou de 618 a 907. Por volta do século IX, o Império Tibetano atingiu sua máxima extensão territorial, dominando desde a Mongólia, ao norte, até o Golfo de Bengala, ao sul. Data dessa época a introdução do budismo no Tibete. Na mesma época, os uigures, povo de língua uralo-altaica procedente do norte, ocuparam a região da atual província chinesa de Xinjiang. À dinastia Tang chinesa, seguiu-se a dinastia Sung (960-1279), que estabeleceu sua capital na cidade de Caifeng. Essa dinastia foi subjugada pelos mongóis, que estabeleceram o império com a maior extensão territorial do mundo até hoje[5]. O Império Mongol foi o primeiro a adotar a cidade de Pequim como capital. Na guerra dos mongóis contra a dinastia Sung, foram, pela primeira vez, utilizadas armas de fogo em uma guerra. O neto do líder mongol Gengis Cã, Cublai Cã, fundou a dinastia Yuan. Cublai, durante o período em que reinou, recebeu a visita do viajante italiano Marco Polo, que o serviu como embaixador durante vinte anos. Quando retornou à sua cidade de origem, Veneza, Marco ditou para um escritor as narrativas de suas viagens pelo oriente, tornando mais conhecida essa região do mundo para os europeus.

Em 1368, os chineses conseguiram expulsar os mongóis e instaurar uma dinastia nativa, a dinastia Ming. Entre 1406 e 1420, a dinastia Ming construiu um conjunto de palácios em Pequim que ficou conhecido como a Cidade Proibida, pois somente a família imperial e os seus servidores podiam nela entrar.

Em 1557, os portugueses se instalaram na cidade de Macau, criando o primeiro entreposto comercial europeu na China.

Em 1644, a dinastia Ming foi derrotada por invasores manchus, um povo do norte da China, que instaurou a dinastia Qing. Os quingues mantiveram seu império sem problemas até o século XIX, quando tiveram de enfrentar várias guerras. Algumas, motivadas pela ação de potências estrangeiras, como a Inglaterra nas duas Guerras do Ópio (1839-1842 e 1856-1860), que foram conflitos nos quais a Inglaterra obrigou o governo chinês a liberar o comércio de ópio no país. Outros conflitos foram internos, com motivação religiosa, como a Rebelião Taiping (1851-1864), que procurou derrubar a dinastia Qing e instaurar um novo regime político-religioso baseado nas ideias do seu líder Hong Xiuquan. Houve também a Revolta dos Boxers (1899-1900), que foi uma rebelião popular contra a influência estrangeira e cristã na China, bem como contra a dinastia Qing. O nome boxer vem do fato de os rebeldes usarem artes marciais tradicionais chinesas em seus ataques.

A dinastia Qing conseguiu manter-se no poder, porém teve sua autoridade grandemente enfraquecida. Potências estrangeiras conseguiram conquistar regiões chinesas, como o Vietnã, que passou para o controle francês e a Manchúria e a Coreia, que passaram para o controle japonês. A ilha de Hong Kong passou para controle inglês. A cidade de Macau, no sul do país, passou a ser, oficialmente, colônia de Portugal. Diversas cidades do leste do país passaram a ter bairros estrangeiros, onde eram seguidas as leis desses países. A fragilidade do regime imperial chinês motivou a criação de dois movimentos políticos internos: a do republicanismo, liderada por Sun Yat-sen e a do comunismo. Sun Yat-sen proclamou a república chinesa em 1912, pondo fim à dinastia Qing. A república recém-fundada passou a combater os comunistas. Em 1949, porém, os republicanos, liderados então por Chiang Kai-shek, tiveram de abandonar a China continental e se refugiar na ilha de Formosa, devido ao avanço dos comunistas liderados por Mao Tsé-tung.

No ano seguinte, o exército da República Popular da China (o nome oficial do regime comunista da China) invadiu o Tibete, anexando-o.

Em 1966, visando a combater a crescente oposição interna diante do fracasso dos planos econômicos do governo comunista, Mao Tsé-tung lançou a Grande Revolução Cultural Proletária, que perseguiu os elementos opositores ao regime comunista, especialmente os intelectuais. O processo resultou no virtual fim do ensino superior no país.

Em 1971, a República Popular da China foi reconhecida na Organização das Nações Unidas como o governo legítimo da China, substituindo a República da China, sediada oficialmente na cidade de Nanquim mas governando de fato a partir da cidade de Taipé, na ilha de Formosa.

Em 1976, com a morte de Mao Tsé-tung, Deng Xiaoping assumiu a liderança do país e flexibilizou o comunismo no país, permitindo a iniciativa privada em pequena escala. Tal medida estimulou a economia do país, que passou a apresentar espetaculares taxas de crescimento[6].

Em 1989, protestos populares por democracia e reformas econômicas, desencadeados pela morte por ataque cardíaco do líder reformista Hu Yaobang, foram reprimidos violentamente pelo exército na Praça da Paz Celestial, em Pequim, causando um número indeterminado de mortes. No mesmo ano, o dalai lama Tenzin Gyatso ganhou o prêmio nobel da paz, por sua luta pela independência do Tibete[7].

Em 1997, a colônia inglesa de Hong Kong passou a pertencer à República Popular da China através de acordo bilateral. Em 1999, foi a vez de a colônia portuguesa de Macau passar para controle da República Popular da China. Ambas as ex-colônias, porém, mantiveram autonomia política interna até 2049.

Em 2008, a cidade de Pequim sediou os jogos olímpicos de verão.

O crescimento contínuo e intenso do produto interno bruto do país desde a década de 1980 levou à conquista, em 2010, do posto de segundo maior produto interno bruto do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos[8]. Nesse mesmo ano, o escritor chinês Liu Xiabo ganhou o prêmio nobel da paz, por sua luta pela liberdade de expressão em seu país natal. Porém Liu não pôde receber o prêmio, por estar preso, acusado de subversão contra o estado chinês.

Referências