Português/Escolas literárias/Brasil/Barroco

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Cristo no Horto das Oliveiras de Aleijadinho

O Barroco é o movimento marcado pela oposição,dualidade, pessimismo e contradição, presente nas artes, incluindo a literatura. Tendencia à ilusão (fuga à realidade objetiva, subjetiva), tendência a alusão (descrição indireta), religiosidade, cultismo (busca por meio do rebuscamento convencer o leitor), teocentrismo. Entre os seus principais pensadores, temos Padre Antônio Vieira e Gregório de Matos e Guerra.

Contexto histórico[editar | editar código-fonte]

O Barroco, como o quinhentismo, sofreu influência da reforma protestante e da contrarreforma. Porém, este movimento tem ligação com renascimento. Este tenta estabelecer uma união entre humanismo e a tradição cristã.

No Brasil, temos que destacar a presença de estrangeirismo, principalmente o holandês, que trouxe consigo um grupo de intelectuais desde pintores a naturalistas para documentar a América Holandesa, assim conseguindo patrocínio na Europa para a produção de açúcar.

Características[editar | editar código-fonte]

O barroco tem como principais características:

  • Fusionismo: conflito, dúvida, dilema, indecisão e contaste.
As ideias barrocas são derivados do antropocentrismo renascentista e teocentrismo.
Teocentrismo Antropocentrismo
Espiritismo Materialismo
Misticismo Realismo
Deus Homem
Alma Corpo
Morte Vida
Religiosidade Sensualidade

Isso gerou o fusionismo que é a base do barroco.

  • Contradição: as ideias estão, na maioria das vezes, em confronto com outras. Exemplo: a submissão e a vida recatada proposta pela religião e a acessão material.
  • Conceptismo: valorização da ideia do texto.
  • Cultismo: valorização da expressividade do texto. Uso de figuras de sintaxe e linguagem, valorização de detalhes com uso de jogos de palavras e dos significantes, sequência sonora.

Influências[editar | editar código-fonte]


Principais representantes[editar | editar código-fonte]

Leia o exemplo abaixo e observe as características indo ao encontro do barroco.

O todo sem a parte não é todo

Gregório de Matos

"O todo sem a parte não é todo;
A parte sem o todo não é parte;
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo o todo.

Em todo o sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em qualquer parte sempre fica o todo.

O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo,
Assiste cada parte em sua parte.

Não se sabendo parte deste todo,
Um braço que lhe acharam, sendo parte,
Nos diz as partes todas deste todo."

Gregório de Matos, O todo sem a parte não é todo. In Crônica do Viver Baiano Seiscentista.
É importante destacar o cultismo, o jogo de palavras e o uso de figuras de linguagens (no caso a antítese entre a parte e todo). Além disso, o tema religioso pode ser claramente percebido a partir da segundo estrófe.

Padre Antônio Vieira[editar | editar código-fonte]

Gregório de Matos e Guerra[editar | editar código-fonte]

Poesia satírica[editar | editar código-fonte]

Citação: A história da imprensa no Brasil tem seu início em 1808 com a chegada da família real portuguesa ao Brasil, sendo até então proibida toda e qualquer atividade de imprensa — fosse a publicação de jornais, livros ou panfletos. escreveu: «Wikipédia». Nesse contexto, escrevia Gregório de Matos. Observe o soneto a seguir:

Cquote1.png

A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha;
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um bem frequente olheiro,
Que a vida do vizinho e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
Para o levar à praça e ao terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados,
Trazidos sob os pés os homens nobres,
Posta nas palmas toda a picardia,

Estupendas usuras nos mercados,
Todos os que não furtam muito pobres:
E eis aqui a cidade da Bahia.

Cquote2.png
Soneto,Gregório de Matos
1.Cite dos versos que fazem críticas no poema.


Resposta questão 1
*Os fofoqueiros: "Em cada porta um bem frequente olheiro,/Que a vida do vizinho e da vizinha/Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,";
  • A malandragem: "Posta nas palmas toda a picardia" (há um grau de dificuldade de saber o que é wikt:picardia);
  • O financeiro: "Estupendas usuras nos mercados";
  • O sentimento de superioridade da elite: "Muitos mulatos desavergonhados,/Trazidos sob os pés os homens nobres".
Poesia lírica: sacra e amorosa[editar | editar código-fonte]
Poesia lírica filosófica[editar | editar código-fonte]
Wikipedia
A Wikipédia tem mais sobre este assunto:
Barroco no Brasil