Palestina/História

Origem: Wikilivros, livros abertos por um mundo aberto.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Em vermelho, as cinco cidades filisteias da antiguidade: Gaza, Ashdod, Asquelon, Gat e Ekron
Relevo no templo egípcio de Medinet Habu mostrando prisioneiros filisteus
Mapa do reino de Israel no século XI a.C.
Desenho de Gustave Doré retratando a partida do patriarca hebreu Abraão para Canaã
Pintura de Aert van den Bossche retratando o nascimento de Jesus Cristo

No segundo milênio antes de Cristo, a Faixa de Gaza foi invadida por povos de origem creto-micênica, os filisteus. Na mesma época, a Cisjordânia foi invadida por povos de origem suméria, os hebreus. Os dois povos lutaram entre si na disputa por território, porém ambos acabaram suplantados por impérios mais poderosos que dominaram sucessivamente a região: o Império Egípcio, o Império Assírio, o Império Babilônico, o Império Persa, o Império Macedônico e o Império Romano.

Por volta de 8 a.C., nasceu Jesus Cristo na cidade de Belém. Com a divisão do Império Romano em 395, a região da Palestina passou a pertencer à sua porção oriental, que viria a ser conhecida como Império Bizantino. Com o surgimento do islamismo na Península Arábica no século VII, as tribos árabes se uniram e conquistaram largas porções do Império Bizantino, incluindo a Palestina. Nos séculos XII e XIII, os reinos cristãos da Europa Ocidental realizaram várias expedições militares contra o Império Árabe visando à retomada da Palestina. Essas expedições, batizadas de Cruzadas, redundaram na criação de vários reinos cristãos no Oriente Médio. Na Palestina, mais especificamente, foi criado o Reino de Jerusalém. Porém tais reinos foram logo retomados pelos árabes.

No século XVI, o Império Otomano se apropriou da Palestina. Tal domínio foi mantido até a Primeira Guerra Mundial. Com a derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial e o consequente desmantelamento do império, a Palestina ficou sob administração britânica com mandato conferido pela sociedade das Nações. Nessa época, o aumento da imigração de judeus para a Palestina, motivado pela criação do movimento sionista no final do século XIX, começou a gerar atritos entre a comunidade árabe que já residia na região e os judeus recém-chegados. Em 1947, a Organização das Nações Unidas, que havia substituído a Sociedade das Nações como órgão diplomático internacional, determinou a divisão da Palestina em três estados: um estado árabe, um estado judeu e um estado sob administração da Organização das Nações Unidas (a cidade de Jerusalém). Com a eclosão da guerra entre os países árabes fronteiriços e o estado judeu (Israel), o estado árabe perdeu parte de seu território original, assumindo, aproximadamente, seu tamanho atual. A Faixa de Gaza passou para administração egípcia e a Cisjordânia, para administração jordaniana.

Em 1964, 422 autoridades palestinas fundaram a Organização para a Libertação da Palestina, em Jerusalém, visando à fundação de um estado árabe na Palestina. Dentro da organização, a maior facção era a do Fatah, grupamento político de orientação socialista liderado por Yasser Arafat.

Em 1967, ocorreu novo conflito entre Israel e os países árabes vizinhos: a Guerra dos Seis Dias. Com o fim da guerra, Israel anexou a Cisjordânia[1] e a faixa de Gaza.

Grande parte da população dos territórios ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias se refugiou na Jordânia. Temendo a pressão política desses refugiados, o rei Hussein da Jordânia ordenou o massacre dessa população em 1970 no episódio conhecido como Setembro Negro. Os sobreviventes do massacre fugiram para o Líbano. Em 1972, o grupo terrorista palestino Setembro Negro sequestrou e matou onze atletas israelenses na Olimpíada de Munique.

Em 1973, ocorreu novo conflito entre Israel e os países árabes vizinhos: a Guerra do Yom Kippur. Em 1982, o exército israelense invadiu o Líbano visando a dar um fim aos ataques da Organização pela Libertação da Palestina contra o norte de Israel. Como consequência, a organização foi obrigada a transferir seu quartel-general para a Tunísia.

Em 1987, a população palestina do campo de refugiados de Jabaliyah, no norte da Faixa de Gaza, atacou com pedras o exército israelense, desencadeando revoltas semelhantes em todo o território palestino, na revolta que ficou conhecida como a Primeira Intifada (palavra árabe que significa "revolta"). Na ocasião, foi criado, na cidade de Gaza, o Hamas, grupo fundamentalista islâmico palestino.

Em 1988, a Organização pela Libertação da Palestina passou a aceitar a existência de dois estados no território palestino. A organização declarou oficialmente a fundação do estado árabe da Palestina e a adoção da bandeira da revolta árabe contra o Império Otomano durante a Primeira Guerra Mundial como a bandeira oficial do novo estado.

Em 1993, Israel aceitou, através do acordo de Oslo, a criação de um governo independente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Em 1998, foi inaugurado o Aeroporto Internacional de Gaza, na cidade de Rafah, na Faixa de Gaza.

Em 2000, ocorreu a Segunda Intifada, desencadeada pela visita do político israelense Ariel Sharon à esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, ato que foi considerado pelos palestinos como sendo uma provocação. Em represália, Israel ordenou o fechamento do Aeroporto Internacional de Gaza e passou a bombardeá-lo repetidas vezes a partir de então[2].

Em 2002, o governo israelense começou a construir um muro demarcando a fronteira entre a Cisjordânia e Israel, com a finalidade de evitar o ataque de terroristas palestinos.

Em 2004, morreu Yasser Arafat, o histórico líder da Organização pela Libertação da Palestina. O Aeroporto Internacional de Gaza, embora em ruínas e inoperante devido aos seguidos ataques israelenses, mudou seu nome para Aeroporto Internacional Yasser Arafat. Em 2005, Mahmoud Abbas assumiu a presidência da Autoridade Nacional Palestina.

Nas eleições parlamentares de 2006, o Hamas conquistou a maioria das cadeiras no Conselho Legislativo da Palestina. Isto desencadeou protestos de várias nações contrárias à violência do Hamas e fez com que o Fatah destituísse os membros do Hamas dos cargos executivos na Cisjordânia. O Hamas manteve no entanto o controle sobre a Faixa de Gaza. A vitória do Hamas ainda provocou o estabelecimento de um bloqueio egípcio-israelense à Faixa de Gaza. Os dois países passaram a controlar a entrada e a saída de pessoas na região visando a evitar a entrada de armas que poderiam ser utilizadas em ações terroristas contra Israel. Em 2010, um comboio enviando ajuda humanitária à Faixa de Gaza foi atacado por patrulhas israelenses, ocasionando nove mortes.

Referências