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O estado de São Paulo/História

Origem: Wikilivros, livros abertos por um mundo aberto.
Tibiriçá, líder tupiniquim
Família tupinambá em gravura de John White
Martim Afonso de Souza
Monumento às Bandeiras, na cidade de São Paulo
Imigrantes europeus no pátio da Hospedaria dos Imigrantes, na cidade de São Paulo, no final do século XIX
Cartão-postal mostrando o Kasato Maru, o navio que trouxe os primeiros imigrantes japoneses para o estado de São Paulo, atracado no cais do porto de Santos, em 1908

A região do atual estado de São Paulo já era habitada por povos indígenas desde aproximadamente 12000 a.C.[1] Até aproximadamente o ano 1000, a região do atual estado de São Paulo era ocupada inteiramente por tribos indígenas que falavam línguas pertencentes ao tronco linguístico macro-jê. A partir dessa época, tribos falantes de idiomas do tronco linguístico tupi procedentes do sul da Amazônia começaram a ocupar o litoral brasileiro. Como resultado, quando os navegadores europeus começaram a frequentar o litoral paulista, a partir do século XVI, encontraram somente tribos falantes de idiomas do tronco linguístico tupi: os carijós (que falavam guarani), ao sul; os tupiniquins, no litoral central e os tupinambás, no litoral norte (estes dois últimos grupos étnicos falavam tupi)[2].

Em 1501 e em 1503, o navegador português Gonçalo Coelho comandou duas expedições de reconhecimento do litoral brasileiro que passaram pelo litoral paulista, aportando nas regiões das atuais cidades de São Vicente e Cananeia. Nesta última região, teria deixado, como degredado, o cristão-novo Cosme Fernandes. Cosme veio a ser acolhido pelos índios carijós locais e passou a ser referido pelos europeus que aportavam à região como "o bacharel de Cananeia"[3]. Como, porém, a região não deu sinais de possuir ouro ou outros metais preciosos, Portugal desinteressou-se pela sua ocupação, limitando-se a adquirir madeira de pau-brasil dos indígenas, bem como a patrulhar o litoral contra a presença de comerciantes franceses de pau-brasil.

Por volta de 1513, naufragou no litoral paulista, na altura da atual cidade de São Vicente, um barco português. Desse naufrágio, sobreviveu o português João Ramalho, que foi acolhido pelos índios locais, os tupiniquins, vindo a se casar com a filha do chefe da aldeia. O nome do chefe era Tibiriçá e o de sua filha, Bartira. A colonização portuguesa da região somente iniciou-se com a expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza, que fundou a cidade de São Vicente em 22 de janeiro de 1532[4].

Em março de 1532, o rei português dom João III decidiu delegar a administração do Brasil para particulares, através das chamadas "capitanias hereditárias". A região do atual estado de São Paulo ficou, desta forma, dividida entre três capitanias: Rio de Janeiro, Santo Amaro e São Vicente[5]. Em 25 de janeiro de 1554, por ordem do Padre Manoel da Nóbrega, um grupo de 12 jesuítas, entre eles os padres Manoel de Paiva e José de Anchieta, fundaram o Real Colégio de Piratininga, evento este que é considerado o marco de fundação da atual cidade de São Paulo[6].

Partindo das cidades de São Paulo e de São Vicente, os exploradores conhecidos como "bandeirantes" passaram a desbravar o interior do país, em busca de pedras preciosas e de escravos índios. Nesse processo, acabaram anexando grande parte do atual território brasileiro, mesmo regiões que ficavam além da linha do Tratado de Tordesilhas e que, portanto, não pertenciam teoricamente a Portugal.

Em 1709, a coroa portuguesa comprou a Capitania de São Vicente e a transformou na Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Em 2 de dezembro de 1720, a região das Minas Gerais se separou da capitania, o que fez com que esta mudasse seu nome para Capitania Real de São Paulo. Com a proclamação da independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, por dom Pedro I, às margens do Rio Ipiranga, na cidade de São Paulo, a Capitania de São Paulo se transformou na Província de São Paulo.

Ao longo do século XIX, o cultivo do café se espalhou pelo vale do Rio Paraíba do Sul e, em seguida, pelo oeste paulista. Nesse processo, foi dizimada a população indígena caingangue que ocupava o oeste do estado[7]. Com a abolição da escravidão, em 13 de maio de 1888, imigrantes europeus assalariados, em sua maior parte procedentes da Itália, passaram a ser trazidos para substituir a mão de obra escrava negra.

Os imigrantes chegavam de navio pelo porto de Santos e, de lá, eram conduzidos para as plantações no interior do estado[8]. Um dos países de origem dos imigrantes eram os Estados Unidos, mais especificamente a região sudeste do país, que havia sido recém-derrotada na Guerra Civil Estadunidense (1861-1865). Esses imigrantes se instalaram, principalmente, na região das atuais cidades de Americana e Santa Bárbara d'Oeste[9]. Com a proclamação da república brasileira, em 1889, a Província de São Paulo mudou sua denominação para a atual: Estado de São Paulo.

Em 18 de junho de 1908, desembarcou, no porto de Santos, o primeiro grupo de imigrantes japoneses que vinham para trabalhar nas lavouras de café de São Paulo[10]. As primeiras décadas do século XX marcaram o despontar do estado como polo industrial do país. Para tal fato, cooperaram os lucros obtidos através do café, a instabilidade dos preços do produto (que motivaram a busca de uma alternativa econômica para o produto) e a abundância de mão de obra europeia qualificada, formada por imigrantes que não desejavam mais trabalhar no campo[11]. O desenvolvimento econômico do estado no século XX, porém, não atraiu apenas imigrantes estrangeiros, mas também migrantes oriundos da Região Nordeste do país[12].

Em 9 de julho de 1932, o estado se rebelou contra o governo inconstitucional do presidente brasileiro Getúlio Vargas, na chamada Revolução Constitucionalista de 1932. Os combates duraram quase três meses e terminaram com a rendição do estado[13]. Ao longo do século XX, houve intensa imigração lituana para o estado, especialmente para o bairro de Vila Zelina, na cidade de São Paulo, bairro que é considerado a segunda maior colônia lituana no mundo[14].

Em 27 de abril de 1940, foi inaugurado o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, conhecido popularmente como Pacaembu. Em 14 de julho de 1948, quinhentos imigrantes neerlandeses fundaram um núcleo de povoamento no atual município de Holambra, dedicando-se ao cultivo de flores[15]. Na segunda metade do século XX, o perfil dos imigrantes no estado mudou: passou a se constituir de coreanos, bolivianos, peruanos e paraguaios, que vinham trabalhar em fábricas de confecções de roupas, geralmente dirigidas por árabes e descendentes[16]. Em 19 de março de 1964, 500 000 pessoas participaram, na cidade de São Paulo, da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, pedindo a saída do presidente brasileiro João Goulart. Treze dias depois, João Goulart foi derrubado pelo Golpe Militar de 1964[17].

No início do século XXI, o estado sofre com o aumento da violência, motivado pelo crescimento do crime organizado[18].

Referências

  1. Scribd. Disponível em http://pt.scribd.com/doc/35430825/Os-povos-Guarani-na-regiao-de-Indaiatuba. Acesso em 17 de maio de 2013.
  2. BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 18-19.
  3. http://www.cananet.com.br/historia/carvalho/
  4. BUENO, E. Brasil: uma História. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 40-41
  5. BUENO, E. Brasil: uma História. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 42-44
  6. A fundação da cidade de São Paulo. Disponível em http://www.sampa.art.br/historia/fundacao/. Acesso em 14 de agosto de 2012.
  7. BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 282.
  8. BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 266-267.
  9. Imigrantes americanos no Brasil. Disponível em http://www.achetudoeregiao.com.br/atr/Imigrantes_Americanos_no_Brasil.htm. Acesso em 13 de janeiro de 2013.
  10. IBGE, CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E DISSEMINAÇÃO DE INFORMAÇÕES. O vento do oriente: uma viagem através da imigração japonesa no Brasil. Roteiro de André Uesato e Renata Correa. Arte e design de Lícius Bossolan e Martha Werneck. Rio de Janeiro. IBGE. 2008. p. VI.
  11. BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 283.
  12. GOMES, S. C. Uma inserção dos migrantes nordestinos em São Paulo: o comércio de retalhos. Disponível em http://www.revistasusp.sibi.usp.br/scielo.php?pid=S1413-666X2006000200007&script=sci_arttext. Acesso em 13 de janeiro de 2013.
  13. BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 266-267.
  14. RAPCHAN, E. S. Lituanos e seus descendentes: Reflexões sobre a identidade nacional numa comunidade de imigrantes. Disponível em http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/materias/anteriores/edicao10/materia01/texto01.pdf. Acesso em 13 de janeiro de 2013.
  15. Imigração holandesa. Disponível em http://www.historiabrasileira.com/brasil-republica/imigracao-holandesa/. Acesso em 13 de janeiro de 2013.
  16. VARELLA, T. Espaço Cidadania. Imigrantes bolivianos vivem como escravos em São Paulo. Disponível em http://www.metodista.br/cidadania/numero-26/imigrantes-bolivianos-vivem-como-escravos-em-sao-paulo. Acesso em 13 de janeiro de 2013.
  17. BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 363.
  18. DUFFY, G. KAWAGUTI, L. Sp é negligente no combate à violência, diz Anistia Internacional. 27 de novembro de 2012. Disponível em http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI6333920-EI5030,00-SP+e+negligente+no+combate+a+violencia+diz+Anistia+Internacional.html. Acesso em 1 de janeiro de 2013.