Latim/Análise sintática

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A análise sintática é um elemento fundamental para a leitura de um texto latino, isso porque a forma das palavras (substantivos, adjetivos, pronomes e numerais) indica a função sintática que elas ocupam e vice-versa. Ou seja, em latim, a morfologia indica a sintaxe. Em latim, a função sintática de um nome não depende de sua posição na frase, como em português. Ela é indicada pelo caso, noção que será tratada no próximo capítulo.

Para uma correta análise sintática (e tradução) da frase, é preciso identificar a forma de cada palavra, delas deduzir seu sentido e, finalmente, "montar" o sentido de toda a frase. Em primeiro lugar, analisam-se os verbos, o núcleo da oração; em segundo, os nomes. Nesse módulo se fará uma revisão de algumas funções sintáticas de acordo com as definições tradicionais das gramáticas, pois esse conhecimento é necessário em latim. Caso o estudante já esteja familiarizado com a análise sintática em português poderá, sem prejuízo, saltar esse módulo, embora nunca seja demais uma revisão.

Em primeiro lugar, o que é uma oração? A oração pode ser definida como um enunciado que se estrutura ao redor de um verbo. O verbo é a palavra que indica ação, estado, mudança de estado, fenômeno da natureza, acontecimento e desejo, entre outras coisas. Como em português, o verbo pode ter o seu sentido completo, sendo chamado intransitivo, ou incompleto. Nesse caso, se seu complemento vier precedido de preposição ele será chamado de transitivo indireto; se não vier, de transitivo direto. Eis algumas funções sintáticas:

Sujeito[editar | editar código-fonte]

O sujeito é tradicionalmente definido pelas gramáticas como o ser que pratica a ação, sobre o qual se faz uma declaração, se informa, se interroga ou a quem se dá uma ação. O sujeito pode ser simples ou composto. Em latim não há orações com sujeito indeterminado ou sem sujeito.

Exemplo:

  • O menino lê alguns livros.

O sujeito da frase acima é o menino, que pratica a ação. Neste caso é um sujeito simples.

Objeto[editar | editar código-fonte]

O objeto é o complemento do verbo. Se o objeto completar um verbo transitivo indireto, ele será chamado de objeto indireto e virá regido, isto é mediado, por uma preposição; mas se ele completar um verbo transitivo direto, será chamado objeto direto.

Predicativo do sujeito[editar | editar código-fonte]

O predicativo do sujeito é um tipo de complemento do sujeito que fica no predicado. Nesse caso, o verbo precisa ser de ligação, ou seja, destituído de significação. O predicativo caracteriza o sujeito

Adjunto adnominal[editar | editar código-fonte]

O adjunto adnominal é o termo da oração que qualifica, especifica, determina ou indetermina um substantivo.

Adjunto adverbial[editar | editar código-fonte]

O adjunto adverbial por sua vez, faz o mesmo que o adjunto adnominal só que em relação ao verbo, ou seja, é o termo da oração que vem junto ao verbo e o modifica.

Vocativo[editar | editar código-fonte]

O vocativo é um termo independente dentro da oração, pois não está ligado nem ao sujeito, nem ao predicado. O vocativo tem a função de chamamento de uma pessoa. Exemplo de vocativo: João, escuta o que te dizem! Neste caso, João é o vocativo.

Aposto[editar | editar código-fonte]

Um aposto é uma explicação, uma caracterização de alguma outra palavra, geralmente encontrando-se entre vírgulas. Exemplo: O Amazonas, o maior rio brasileiro, é um verdadeiro mar de água doce! A expressão "o maior rio brasileiro" é o aposto.

Exemplo[editar | editar código-fonte]

  • O garoto procurava alguns poemas.
    • Sujeito: "garoto" (sujeito simples)
    • Predicado: "procurava alguns poemas" (predicado verbal)
    • verbo: "procurava" (verbo transitivo)
    • Objeto: "alguns poemas" (objeto direto)