Judaísmo/Vaicrá

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Vaicrá ou Vayikra (do hebraico ויקרא E chamou da primeira palavra do texto) é o nome da terceira parte da Torá. Vaicrá é chamado comumente de Levítico pela tradição ocidental e trata-se praticamente do mesmo livro apesar de algumas diferenças, principalmente no que lida com interpretações religiosas com outras religiões que aceitam o livro de Levítico.

Origem do nome do livro[editar | editar código-fonte]

O termo Vaicrá (E chamou) trata-se da primeira palavra do livro, e é o costume judaico dividir seus livros e citar como nome do capítulo o nome de sua primeira palavra. O nome Levítico usado geralmente pelos não-judeus é baseado no latim Liber Leviticus originado do grego (το) Λευιτικόν. Este título é relacionado ao fato do livro tratar de aspectos legais e sacerdotais do antigo culto mosaico.

Origens do texto[editar | editar código-fonte]

Ainda que a tradição impute a autoria do texto a Moshê, os estudiosos geralmente atribuem a autoria à um período posterior, provavelmente no retorno do Exílio Babilônico onde teria havido uma fusão de diversas lendas mitológicas dos povos do Levante com a cultura judaica.

Os estudiosos crêem que a Torá e subsequentemente Vaicrá são o resultado de diversas tradições que evoluíram em conjunto através da história do antigo povo de Israel,porém Vaicrá seria composto principalmente baseado no Código Sacerdotal. Este código teria uma ênfase maior no primado da tribo de Levi como tribo escolhida e da família de Aharon para gerenciar os aspectos rituais no Tabernáculo.

Texto[editar | editar código-fonte]

Vaicrá descreve os aspectos legais e sacerdotais do culto no Tabernáculo.O texto é comumente dividido em dez parashot (porções) cuja divisão servem para a leitura semanal do texto nas sinagogas acompanhadas das haftarot.Assim a narrativa de Vaicrá está dividida em:

Vaicrá (ויקרא)[editar | editar código-fonte]

Na parashá Vaicrá Moshê é chamado ao Tabernáculo e recebe os mandamentos relacionados aos corbanot (oferendas). Estas corbanot podem ser divididas em três categorias principais:

  • Corban olah - oferendas queimadas no altar;
  • Corban minkhah- oferendas queimadas parcialmente no altar e o restante consumida pelos cohanim;
  • Corban shelamim- oferenda de paz, queimado parte sobre o altar, e o restante consumido pelos ofertantes e pelos cohanim.

A parashá prossegue discorrendo sobre as oferendas em caso de chattat (erro,pecado) e 'asham (culpa), esta última sendo a expiação por transgressões involuntárias.

A haftará desta porção é Isaías 43:21–44:23.

Quando a porção coincide com Shabat Zachor, a haftará é I Samuel 15:2–34

Tzav(צו)[editar | editar código-fonte]

Tzav descreve os detalhes dos serviços dos cohanim. Descreve a manutenção do fogo sobre o altar e os mandamentos relacionados aos corbanot que Aharon e seus filhos deveriam oferecer continuamente. Prossegue com o término dos melu'im, serviço de consagração do Tabernáculo e a unção de Aharon e seus filhos para o serviço sagrado.

A haftará desta porção é Jeremias 7:21–8:3 & 9:22–23.

Quando a parashá coincide com Shabat HaGadol a haftará é Malaquias 3:4–24.

Shemini (שמיני)[editar | editar código-fonte]

A parashá Shemini apresentam os eventos que ocorrem no último dia dos melu'im, com a unção e preparação de Aharon e seus filhos para o serviço sacerdotal. Aharon abençoa o povo e a Presença do Eterno paira sobre eles. No entanto, os dois filhos mais velhos de Aharon, Nadav e Avihu, morrem consumidos por terem oferecido "fogo estranho" no Tabernáculo. A interpretação do que seria fogo estranho até hoje gera discussões, podendo ser uma oferta não-autorizada, um sacrifício idólatra ou outra interpretação.

A parashá prossegue sobre as regras de pureza para os cohanim, de pureza e impureza para o povo e de animais kasher e não-kasher.

A haftará desta porção é:

  • para os asquenazitas: 2 Samuel 6:1–7:17
  • para os sefaraditas: 2 Samuel 6:1–19

Quando a parashá coincide com Shabat Parah a haftará é Ezequiel 36:16–38.

Tazria (תזריע)[editar | editar código-fonte]

Esta parashá analisa as diversas impurezas os quais as pessoas podem entrar quer por parto e por doenças de pele (tsaraat às vezes traduzido erroneamente como lepra).

A haftará desta parashá é II Reis 4:42–5:19.

Quando a parashá coincide com Shabat HaChodesh, a haftará é Ezequiel 45:16–46:18.

Quando a parashá coincide com Shabat Rosh Chodesh, a haftará é Isaías 66:1–24.

Metzorá (מצורע)[editar | editar código-fonte]

A parashá Metzorá continua a discorrer sobre tsaraat e os processos de purificação, incluindo os corbanot, imersões e raspagem. Prossegue com uma descrição dos mandamentos sobre tsaraat em casas e finaliza com a descrição dos graus de impureza decorrentes de emissões humanas como menstruação, polução e afins.

A haftará desta parashá é II Reis 7:3–20.

Quando a parashá coincide com Shabat HaChodesh, a haftará é Ezequiel 45:16–46:18.

Quando a parashá coincide com Shabat Rosh Chodesh, a haftará é Isaías 66:1–24.

Akharey (אחרי)[editar | editar código-fonte]

Após a morte dos dois filhos de Aharon, Nadav e Avihu conforme descrito na parashá Shemini, são descritos os mandamentos relativos ao serviço sagrado de Yom Kipur realizado pelo Cohen Gadol, incluindo a entrada anual no Qodesh HaQodeshim (Santo dos Santos), lugar mais sagrado do Tabernáculo onde residia a Arca da Aliança. A porção conclui com uma lista das principais imoralidades sexuais proibidas ao povo de Israel.

A haftará desta porção é :

Quando a parashá coincide com Shabat HaGadol a haftará é Malaquias 3:4–24.

Qedoshim (קדושים)[editar | editar código-fonte]

Nesta parashá descreve-se a ordem de santidade para o povo de Israel através da exigência de diversos mandamentos da parte de D-us através de preceitos positivos e negativos de ordem moral, social , familiar e religiosa. Também descreve mandamentos sobre kilayim (misturas proibidas) e sobre as punições a serem executadas contra os que praticarem as imoralidades descritas na parashá Akharey.

A haftará desta parashá é :

Emor(אמור)[editar | editar código-fonte]

Esta parashá descreve as leis específicas aos cohanim e ao Cohen Gadol, sobre as restrições para garantir a pureza destes. Também são citados os defeitos físicos que impedem um cohen de realizar o serviço sagrado, assim como as restrições a todo aquele que esteja tamê ou seja, impuro. Prossegue descrevendo as leis acerca de terumá, das festividades religiosas e do uso dos utensílios do Tabernáculo como a menorá. A parashá encerra-se com a descrição da morte de um homem que amaldiçoou o nome de D-us.

A haftará desta parashá é Ezequiel 44:15–31.

Behar (בהר)[editar | editar código-fonte]

A parashá de Behar descreve os mandamentos relativos a terra de Israel. Inicia com o mandamento de shemitá, mandamento que ordena deixar o campo sem cultivo ou colheita por sete anos. Também descreve o yovel, ou o 50o ano, no qual as propriedades retornam aos seus donos ancestrais. Prossegue com a enfâse na necessidade de auxiliar os necessitados à saírem de seu estado de necessidade, com os mandamentos referentes à escravidão e remissão de escravos assim como mandamentos acerca do Shabat.

A haftará desta porção é Jeremias 34:6–27.

Quando a parashá Behar é combinada com a parashá Behukotai, a haftará é a haftará de Behukotai, Jeremias 16:19–17:14.

Behuqotai (בחוקותי)[editar | editar código-fonte]

A última porção de Vaicrá descreve as bençãos e recompensas que os os israelitas receberão se seguirem os mandamentos da Torá]] e os castigos que o povo receberia se abandonassem estes mandamentos. A parashá prossegue descrevendo os processos de santificação dos bens para o Tabernáculo e sobre os dízimos.