Judaísmo/Os Primeiros Anos

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O judaísmo mais do que uma religião é uma filosofia de vida que regra todos os eventos da vida de um membro de uma comunidade judaica. Estas regras são aplicadas desde os primeiros momentos de vida de um judeu e seguem até a sua morte.

Shalom Zachar[editar | editar código-fonte]

Shalom Zachar ou Ben Zachar é uma comemoração judaica de origem cabalista, onde após o nascimento de um menino (na tradição sefaradi na noite antes da circuncisão enquanto na tradição ashkenazi na sexta-feira à noite após o nascimento do menino) os parentes e amigos reúnem-se na casa dos pais para celebrar o evento.

Brit Milá (Circuncisão)[editar | editar código-fonte]

Material usado em uma cerimônia de brit milá, exibido no museu da cidade de Göttingen

Brit milá (em hebraico ברית מילה, literalmente aliança da circuncisão), também chamado de bris milá (na pronúncia asquenazi) é o nome dado à cerimônia religiosa dentro do judaísmo na qual o prepúcio dos recém-nascidos é cortado ao oitavo dia como símbolo da aliança (ot berit) entre D-us e o povo de Israel. Também é nesta cerimônia que o menino recebe seu nome. Costuma-se realizar o brit em um café da manhã festivo.

Origens[editar | editar código-fonte]

"Circuncisão de Isaque", Regensburg Pentateuch, c.1300

A origem deste ritual é encontrado em Gênesis 17:1-14 ,onde D-us ordena a Abraão que ele e todos os seus descendentes se circuncidem como sinal do pacto entre D-us e Abraão. Ao contrário do que diz o cristianismo por exemplo, o judaísmo defende que este é um sinal de pacto pérpetuo que não pode ser nunca abolido. Deste modo, quando diversas situações e povos buscaram obrigar o povo judeu à não seguir a prática da brit (como por exemplo, debaixo do domínio grego), sempre desencadeou-se uma resistência à abolir á prática, o que elevou a brit milá à um evento de grande importância e significado no sentido de "ser judeu".

Terminologia da brit milá[editar | editar código-fonte]

O Mohel-Aquele que "corta fora" o prepúcio é chamado de mohel, em hebraico. Qualquer judeu que saiba fazer a cirurgia (se o pai da criança souber realizar a brit, não é permitido que delegue à função à outra pessoa) e saiba as bençãos específicas pode realizar a brit, mas o mohel é um especialista capaz de efetuar a circuncisão. O mohel não é necessariamente um médico, mas tem uma grande experiência na execução da brit. Classicamente a brit é feita sem anestesia, apesar de atualmente em algumas brit milá a criança receber uma pequena anestesia. Geralmente não há traumas e a criança se recupera rapidamente.

A tradição rabínica só permite que uma mulher execute a circuncisão se não houver um homem competente presente. No entanto atualmente o rabinato conservador e reformista tem permitido que mulheres exerçam a função de mohel.

Atualmente, a validade das cerimônias é discutida, ou pelo menos analisada, em função de que corrente autorizou o celebrante, no caso o mohel. Porém, isso acontece de forma "hierárquica" em função do tradicionalismo da corrente. Assim, um reformista sempre considerará válido um brit-milá feito por um mohel ortodoxo, mas isso não é necessariamente verdade para um ortodoxo se o mohel reformista (principalmente se for mulher).

O Sandec- Título derivado do grego, significa "padrinho", é a pessoa que recebe a honra de segurar a criança que receberá a circuncisão.

Kvater- casal escolhido para trazer a criança até o lugar em que receberá a circuncisão.

Procedimentos[editar | editar código-fonte]

Cadeira de Elias

A mulher do casal (Kvater) toma a criança dos braços da mãe e a entrega ao homem que levará a criança e a colocará sobre a cadeira reservada ao profeta Elias. O pai então coloca o menino sobre o colo do sandec, onde o mohel executa a circuncisão.O nome do menino então é anunciado à todos. Depois segue-se a refeição festiva.


Questões ligadas à brit[editar | editar código-fonte]

  • A brit milá é permitida no Shabat e no Yom Kippur,já que o Talmud estabelece que a circuncisão supera os outros mandamentos da Torá.
  • Os homens que desejam se converter ao judaísmo devem executar a circuncisão quando da aceitação na comunidade judaica.
  • Geralmente, durante a cerimônia de brit milá, uma cadeira é colocada ao lado do sandec, que permanece vaga, e é reservada ao profeta Elyahu (Elias), que de acordo com a tradição presencia cada brit milá.
  • Mulheres não recebem brit milá. Seu nome é geralmente dado no serviço de Shabat após seu nascimento, ou em ocasiões em que a Torá é lida na sinagoga e haja um miniam (quórum mínimo de 10 judeus adultos).

Zeved habat[editar | editar código-fonte]

Zeved habat ( em hebraico זבד הבּת ) ou Simchat bat são os termos que designam a cerimônia de recebimento do nome das meninas judias, sendo paralela ao ritual de brit milá para meninos, mas sem a brit milá.

Na cerimônia de Zeved habat , o pai da menina comparece no primeiro shabat após o nascimento desta. O rabino abençoa os pais da menina,depois disso vem um homem encarregado de fazer sua pureza e entao o ritual começa com o zeved habat que pega uma colher e bota na sua parte mais intima para que o sangue escorra para assim a menina nasce com saúde e depois disso recebe o seu nome hebraico.

Pidyon Haben (Resgate do Primogênito)[editar | editar código-fonte]

Pidyon Haben

Pidyon haben ( em hebraico פדיון הבן) ou redenção do primogênito é o nome dado ao ritual judaico onde cada judeu (exceto cohen ou levi) deve redimir seu filho primogênito nascido de parto natural (sem cesareana, nem aborto anterior) de mãe judia (linhagem matrilineal, e que também não seja cohen nem levi). Como lembrança de que todo primogênito é santificado a D-us, resgata-se este filho pagando cinco shekelim , entregue em prata ao cohen durante a cerimônia. Se por algum motivo a criança não foi resgatada no tempo correto, isto deve ser feito na primeira oportunidade, mesmo que o menino já seja adulto (onde ele mesmo deve resgatar-se diante do cohen).

Origem[editar | editar código-fonte]

A tradição judaica explica que os primogênitos dos filhos de Israel foram escolhidos para o sacerdócio para com o criador, devido ao fato de terem sido poupados da última das 10 pragas do Egito. No entanto, quando os israelitas pecaram ao sacrificar ao bezerro de ouro, os cohanim assumiram o dever do sacerdócio. Pidyon haben foi então instituído como forma de resgatar um filho (não levi e não cohen) desta obrigação ao sacerdócio.

Bnai Mitsvá (Filhos do Mandamento)[editar | editar código-fonte]

Celebração de um Bar Mitzvá no Muro das Lamentações em Jerusalém.

B'nai Mitzvá (filhos do mandamento) é o nome dado à cerimônia que insere o jovem judeu como um membro maduro na comunidade judaica.

Quando uma criança judia atinge a sua maturidade (aos 12 anos de idade, mais um dia para as moças, e aos 13 anos e um dia para os rapazes), passa a tornar-se responsável pelos seus atos, de acordo com a Halachá . Nessa altura, diz-se que o menino passa a ser Bar Mitzvá (בר מצווה, "filho do mandamento"); e a menina passa a ser Bat Mitzvá (בת מצווה, "filha do mandamento").

Ao completar 13 anos, o jovem judeu é chamado pela primeira vez para a leitura da Torá. Ao ser chamado pela primeira vez, o jovem pode, a partir daí, integrar o miniam (quórum mínimo de 10 homens adultos para realização de certas cerimônias judaicas).

Antes desta idade, são os pais os responsáveis pelos atos dos filhos. Depois desta idade, os rapazes e moças podem finalmente participar em todas as áreas da vida da comunidade e assumir a sua responsabilidade na lei ritual judaica, tradição e ética.