Judaísmo/Judaísmo Messiânico

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Judaísmo Messiânico é o nome de uma ramificação religiosa que aceita as tradições religiosas judaicas porém também acredita na figura de Jesus de Nazaré como o Messias esperado pela tradição profética judaica. Destacamos este tópico, justamente para diferenciar o judaísmo do judaísmo messiânico já que este último não é considerado judaísmo pela maioria dos judeus.


Existem diversos segmentos que podem ser chamados de judaísmo messiânico. Entre estes podemos enfatizar:


Nos primeiros séculos as seitas dos nazarenos e os ebionitas tratava-se na maioria de judeus que aceitavam a crença em Jesus como Messias e não compartilhavam da crença na divindade de Jesus. Criam que os gentios que se convertessem deveriam aceitar as tradições religiosas judaicas. Este grupo aceito à príncipio dentro da comunidade judaica entrou em choque com os defensores da visão paulina de que Cristo viera abolir a Torá e esta última visão acabou tornando-se a oficial do Cristianismo. Com o crescimento da tensão entre os judeus e Roma, os judeus acreditando que este sofrimento era fruto de heresia por parte dos cristãos além do fato dos cristãos não terem auxiliado na primeira revolta judaica separou permanentemente as duas ramificações que a partir de então constituiram-se em duas religiões isoladas.No entanto permaneceram neste estado intermediário até os dias de hoje e não compartilham da mesma visão que o Moderno Judaísmo Messiânico.


O Moderno Judaísmo Messiânico é um movimento surgido no século XX nos EUA como fruto de uma busca de conversão por parte de diversas organizações evangélicas de membros da comunidade judaica. Aceitam as diversas tradições do judaísmo mas julgam que o judaísmo é uma religião incompleta. Assim aqueles que aceitam Jesus como Messias seguiriam então uma forma de religião mais completa onde todas os símbolos do judaísmo são adequados à visão cristã do mundo.


O judaísmo geral em todas as suas ramificações rejeita o judaísmo messiânico como judaísmo. Para estes o judaísmo messiânico é apenas um artíficio religioso de disfarçar as doutrinas cristãs em uma aparência judaica para tornar-se mais facilmente assimilável pelos judeus. Quanto ao Cristianismo, apesar de sua oposição aos movimentos messiânicos-judaicos históricos como a seita dos nazarenos e dos ebionitas, aceita (as denominações evangélicas) o Moderno Judaísmo Messiânico que é uma ramificação destas denominações.


História do Judaísmo Messiânico


Origens do Messianismo judaico

Um conceito do Judaísmo, o Messias (hebreu משיח Māšîªħ, Mashíach, Mashíyach ou hammasiah, "O consagrado"; a forma Asquenazi é Moshiach; a forma aramaica é mesiha) refere-se, principalmente, à profecia da vinda de um humano descendente do Rei David, que iria reconstruir a nação de Israel e restaurar o reino de David, trazendo desta forma a paz ao mundo. 


Ainda que a tradição religiosa judaico-cristã diga que o Messias já era uma profecia predita desde os tempos dos Patriarcas, este ensino veio a tomar forma após a destruição de Jerusalém. O retorno do Cativeiro aliado à eventos históricos (como a história dos Macabeus) serviu para desenvolver no povo judeu uma esperança na reconstrução da Nação Judaica e do governo de um rei selecionado por D-us que submeteria todos os povos à legislação da Torá.


Esta esperança messiânica veio a agravar-se com o Domínio Romano sobre a Judéia que no primeiro século. As diversas ramificações judaicas pacíficas ou revolucionárias (como os zelotes) pretendiam obter sua independência do domínio romano e inspirados pelo ideal da independência acabaram por desenvolver ainda mais a crença no Messias libertador.


Jesus de Nazaré


De acordo com a tradição cristã Jesus de Nazaré teria sido um profeta que exerceu seu ministério profético no primeiro século. Teria sido crucificado. De acordo com seus seguidores teria ressuscitado e subido aos céus. Inicialmente estes seguidores teriam sido judeus que não abandonaram seu judaísmo mas o praticavam e apenas acrescentaram a crença em Jesus como Messias.

No entanto com a expansão da pregação dos ensinos de Jesus de Nazaré diversos não-judeus passaram à acreditar em Jesus. Por este fato surgiu a primeira crise entre os seguidores de Jesus : os gentios que criam em Jesus deveriam ou não ser submetidos às normas do judaísmo ? O choque entre os dois grupos : judaizantes e anti-judaizantes já é aparente no livro de Atos dos Apóstolos, onde a discussão entre os dois grupos obriga à convocação da assembléia dos apóstolos (Atos 15 ). Os anti-judaizantes cujo principal expoente era Paulo de Tarso conseguiram impôr sua visão contra os judaizantes : aqueles que eram gentios não precisavam submeter-se aos dogmas do judaísmo e aqueles que eram judeus poderiam prosseguir com seu judaísmo desde que não impusessem seu modo de viver aos gentios.


O sucesso da pregação paulina fez com que ambos os lados se afastassem. Ainda que tenham sido aceitos à príncipio pelo judaísmo como mais uma ramificação ,os seguidores de Jesus acabaram com o tempo sendo identificados com o ensino de Paulo que causava controvérsias na comunidade judaica. Os sofrimentos dos judeus sob domínio romano passaram a ser imputados aos seguidores de Jesus e à isto somou-se a não-ajuda por parte destes na Revolta Judaica que culminou com a destruição de Jerusalém.


Após a destruição de Jerusalém os seguidores de Jesus romperam suas ligações com o judaísmo ( que criam que havia recebido castigo por ter desprezado aqueles que chamam de Messias) e passaram à desenvolver diversos ensinamentos que lhes deram sua peculariedade e criaram o que chamamos de Cristianismo.Os choques entre cristãos e judeus serão mais ou menos leves até a adoção do Cristianismo como religião oficial do Império Romano. Como religião oficial o Cristianismo passa a tentar converter os judeus e a impôr diversas sanções que dariam origem ao anti-semitismo religioso da Idade Média. Este sentimento seria compartilhado pelas diversas ramificações cristãs que veriam no judeus um povo retrógrado que teria matado (ou entregue para morrer) seu Messias.


Nazarenos e Ebionitas

Os seguidores de Jesus que defendiam o judaísmo eram conhecidos no príncipio como nazarenos ,judaizantes ou ainda (nas palavras de Paulo) os da circuncisão. Estes criam que Jesus de Nazaré não teria vindo abolir a Torá como prega a doutrina paulina. Desta forma ,pregavam que tanto judeus como gentios convertidos deveriam seguir os mandamentos da Torá ,o que levou à um choque com outras ramificações do Cristianismo e do Judaísmo . Ainda não é possível determinar se este Judaísmo Messiânico era uma variação dos ensinos de Jesus ou se era a doutrina original de Jesus. No entanto se acreditarmos no sucesso inicial do Cristianismo e em sua origem judaica deve-se crêr que o ensino original de Jesus não tenha sido muito diferente disto.


Com o sucesso da pregação paulina e após a destruição de Jerusalém, os judaizantes foram desprezados por cristãos e por judeus. Tornaram-se conhecidos como ebionitas

(do hebraico evionim "pobres" ), organizando sua própria literatura religiosa e com o passar do tempo foram virtualmente extintos.


Há diversos movimentos religiosos que em maior ou menor grau compartilham a visão ebionista .Dentre elas ,podemos mencionar o movimento criado por Shemayah Phillips,que em 1985 fundou o movimento conhecido como a Ebionite Jewish Community .Esta comunidade ,estritamente monoteísta ,reconhece Jesus como um profeta justo ,e defende uma interpretação judaica do Tanakh e que tal sirva como meio de união entre judeus e gentios para implantação de uma sociedade justa.


Moderno Judaísmo Messiânico


O Moderno Judaísmo Messiânico ou Movimento Messiânico é um movimento recente iniciado no século XIX baseado nos esforços das igrejas evangélicas de trazer os judeus à Cristo. Algumas ramificações evangélicas como os adventistas já haviam promovido um retorno ao cumprimento de algumas leis da Torá sob uma ótica cristã . Em 1718 John Toland em sua obra "Nazarenus" fez a sugestão de que os "cristãos entre os judeus guardassem a Torá". No início do século XIX, nasceu o Movimento Cristão-Hebreu na Inglaterra. Em 1886, foi fundada em Kishinev, a primeira Congregação Judaico-Messiânica Moderna, por Ioseph Rabinovich.


Na Inglaterra iniciou-se o movimento conhecido como Hebreu-Cristão cujo príncipio básico era a conversão dos judeus ao Cristianismo .Em 1911, este termo reapareceu num debate, e também na década de 20 em artigos do jornal da Hebrew-Christian International Aliance. Nas décadas de 60 e 70 o termo afirmou-se como definição. Em 1976 a Hebrew-Christian Aliance of America mudou o nome para "Messianic Jewish American Alliance" (MJAA). Em 1979 foi fundada a Union of the Messianic Jewish Congregations (UMJC).


Destes movimentos messiânicos talvez o mais conhecido seja o movimento Jews for Jesus que teve uma resposta por parte do judaísmo através do movimento Jews for Judaism.


Estes grupos messiânicos são apoiados por igrejas evangélicas que atualmente tem promovido uma aceitação das tradições judaicas como o uso de músicas e orações em hebraico, adoção das festas religiosas ,itens como kipá e tefilim, além de uso de nomenclatura e termos de origem judaica (como rabino) mas negando muitas vezes outras tradições essenciais do judaísmo como a brit milá (circuncisão) e outros mandamentos sob a visão de que estes mandamentos teriam sido abolidos por Jesus.


O governo de Israel não reconhece os judeus messiânicos como judeus . O Ministério do Interior de Israel classifica tais como cristãos.

Li

gações externas[editar | editar código-fonte]

Geral[editar | editar código-fonte]

Apologias ao Judaísmo Messiânico[editar | editar código-fonte]

Críticas aos Judaísmo Messiânico[editar | editar código-fonte]