Introdução ao Cooperativismo/Cooperativismo na Alemanha

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Introdução - Cooperativismo de crédito e breves considerações a respeito de outras formas sobre outras formas de coop.

Atualmente, mais de 20.000 milhões de alemães são filiados em cooperativas em seu país. Graças a essas cooperativas, pequenos agricultores e empreendedores podem conseguir o apoio necessário para abrir uma empresa com os recursos necessários para começar o negócio no rumo certo. As cooperativas na Alemanha apresentam suma importância, são aproximadamente 250 cooperativas de leite, cerca de 2.000 cooperativas de moradia, entre outros serviços que estão associados em cooperativas, tais como taxis, instituições financeiras e, até mesmo, o mercado editorial são exemplos que comprovam que a base da economia alemã está sustentada nas atividades das mais diversas atividades. Sim, são elas que fomentam os negócios e, consequentemente, o desenvolvimento econômico daquele país (PCF, 2011) [1].

A atividade das cooperativas da Alemanha é regulada pela DGRV (Deutscher Genossenschafts und Raiffeisenverband e. V. / Confederação Nacional das Cooperativas da Alemanha), que possui sua sede instalada na capital Berlim e atua, em nível nacional, para representar e defender os interesses dos cooperados junto aos poderes executivo e legislativo. Ainda existem três Federações dedicadas a atividade de seus membros, possuindo as mesmas características operacionais da DGRV. Porém, diferentemente da atuação de cooperativas na América Latina, incluindo o Brasil, elas não realizam serviços de intermediação financeira. Tal atividade é concentrada pelos bancos cooperativos centrais. Ou seja, as cooperativas que não são de crédito atuam com uma robusta estrutura para subsidiar as atividades e o crescimento de seus associados através de serviços de consultoria, intermediação de negócios, ampliação para novos mercados, troca de melhores práticas, incentivo de parcerias, entre outras ações que fortalecem os seus membros. No caso dos bancos cooperativos da Alemanha, o objetivo é fomentar os negócios de seus associados, respeitando a legislação alemã que regulamenta a atividade (PCF, 2012)[2]

A Lei não aceita que os cooperados percam patrimônio ou o capital de giro para a quitação de dívidas, afinal os bancos devem fomentar as atividades de seus membros e não lucrar com as situações adversas que possam prejudicar o associado. Todavia, a legislação local não prepondera se o incentivo acontece através da precificação de serviços atraentes ou se isso ocorre pela geração de excedentes. Seja como for, o cooperado não pode ser coagido com possíveis perdas para que seja cumprida a responsabilidade com a cooperativa, nem mesmo para a garantia dos intrínsecos serviços sociais que ela presta. Sabe-se que, na Alemanha, os bancos cooperativos distribuem os excedentes entre os seus associados, sendo por volta da importância de 5% a 6% sobre o capital social pago pelo associado (PCF, 2012)[3]. Na prática, trata-se de um benefício aproximadamente o triplo em relação aos dividendos pagos por um banco privado. Por isso, as cooperativas de crédito são tão solidas no país europeu. As vantagens aos membros justificam a união de tantos players em torno de uma grande instituição financeira cooperada. Esses bancos possuem a solidez e a robustez que sustentam a economia alemã, porque são minuciosamente pela Superintendência Federal de Serviços Financeiros. Assim, suas atividades são controladas para evitar prejuízos aos associados, nem como práticas corruptas. Na Alemanha, a atividade econômica gerada pela própria sociedade possui mais proteções e incentivos do que os banqueiros. (PCF, 2011)[1]

Atualmente, os Bancos Cooperativos somam mais de 15 milhões de sócios e 30 milhões de clientes na Alemanha, sendo o volume mais significativo de todo o continente europeu, considerando que a população alemã esta estimada em menos de 90 milhões de habitantes. O país conta com um total de 2.200 bancos, considerando bancos privados, caixas de poupança e bancos cooperativos (em torno de 1.230 instituições financeiras). Esses 1.230 bancos cooperativos são independentes e contam com uma formatação própria de pessoa jurídica, políticas gerenciais e responsabilidades. Apenas um, dos dois bancos cooperativos centrais, está registrado sob a forma jurídica de “Sociedade Anônima”, sendo que o capital está nas mãos de outras cooperativas. Os 1.230 bancos cooperativos de base operam sob o lema “um homem, um voto”. Apenas uma parcela irrisória dessas instituições financeiras trabalha com o tradicional vínculo de clientes para a afiliação de sócios. Atualmente, existem mais de 13.000 filiais desses bancos. O sistema bancário cooperativo é composto por aproximadamente 1.230 bancos cooperativos locais, um banco cooperativo central (BCC) a nível regional (WGZ Bank) com o qual operam 253 bancos cooperativos locais e um BCC a nível nacional (“DZ Bank”) constituído como S. A. (com o capital controlado pelas cooperativas) com o qual operam 1.139 bancos cooperativos. O BVR também atua como um Banco Cooperativo Central mas é de pequeno porte e atua apenas com um sub-grupo de bancos cooperativos (os 13 “Sparda-Banken”).Os atuais dados significativos das Cooperativas de Crédito da Alemanha consolidam o país como a quinta maior economia cooperativada do mundo, sendo que as cooperativas são consideradas “full banks”, possuindo os mesmos deveres e direitos em relação a qualquer a um banco privado tradicional (PCF, 2011)[3]

considerando a população total do país, mais de 30 milhões de cidadãos são associados a essas cooperativas de crédito. Dentre estes, destaca-se que mais de 17,7 milhões são sócios dos bancos cooperativos. Os números superlativos sãosão representados pelos dados que mais de 35% da população alemã operam com um banco cooperativo. Tais clientes representam cerca de 20% dos depósitos na Alemanha. Se considerada a participação no crédito rural, o número cresce para 50%. No que tange as PMEs (pequenas e médias empresas), o volume atinge a proporção de 35% nos créditos. Segundo estatísticas do mercado financeiro internacional, o DZ Bank é, atualmente, o 55º maior banco do planeta, sendo responsável pela administração de ativos da ordem de US$ 534 bilhões. O DGRV aponta que o maior banco regional cooperativo da Alemanha é o Deutsche Apotheker- und Ärztebank eG, que possui a sua sede instalada em Düsseldorf, que responde pela administração US$ 47 bilhões em ativos e empréstimos avaliados na ordem de US$ 37 bilhões. O 2º maior, o Sparda-Bank Baden-Württemberg eG, de Stuttgart, administra menos de 1/3 deste montante. Existem cinco federações regionais (e mais cinco federações especializadas) de auditoria destinadas ao controle das operações financeiras promovidas em todos os ramos do cooperativismo, especialmente o financeiro. O vínculo dos bancos cooperativos com essas federações é uma obrigação desde a década de 1930.

As organizações cooperativas alemãs fundiram-se em 1972. Os bancos cooperativos, as cooperativas rurais de produtos e serviços e as cooperativas industriais de pequena escala operam no nível primário, ou seja, local. As cooperativas de nível primário estabeleceram várias organizações centrais em nível regional, como bancos apex e centros de produtos e serviços. O trabalho das organizações centrais e cooperativas primárias é adicionalmente complementado a nível regional por institutos especiais. Estes incluem centros cooperativos de processamento de dados que fornecem às últimas cooperativas a mais recente tecnologia informática. A nível nacional, existem vários centros nacionais e institutos especiais, como o DZ Bank (Deutsche Zentral- Genossenschaftsbank - Banco Central Alemão de Cooperativas), o Bausparkasse Schwäbisch Hall (Sociedade Schwäbisch Hall Building) e o R + V Versicherung (R + V Seguro). Estes incluem ainda os bancos hipotecários cooperativos, sociedades de loação e investimento e centros industriais agrícolas e de pequena escala. A organização cooperativa não é estruturada como um grupo centralizado, mas sim de baixo para cima. O trabalho é dividido de acordo com o princípio da subsidiariedade. As cooperativas centrais superordenadas só são contratadas quando não parece possível ou sensato agir em nível local (PCF, 2012)[3]

Cooperativas rurais

Na Alemanha, existem aproximadamente 3.000 empresas que operam em cooperação no campo da agricultura e da indústria de alimentos, de cooperativas operacionais locais a internacionais. Como importantes parceiros da agropecuária, essas empresas estão fornecendo aos agricultores equipamentos de produção e comprando seus produtos agrícolas, que serão processados ​​de acordo com a demanda e comercializados. Por exemplo, 70% do leite produzido pelos agricultores será coletado por cooperativas e 2/3 processados ​​em laticínios por cooperativas. Na Alemanha Oriental, as cooperativas agrícolas funcionam como empresas de várias famílias e desempenham um papel importante no cultivo da terra e na criação de animais. (CNA, 2014) [4]

Cooperativas de compra e comercialização e cooperativas de serviços

Atualmente existem mais de 1000 empresas de marketing e commodities na Alemanha, elas tem como objetivo principal dar auxilio para varejistas, artesão e freelancers.

Essas cooperativas de compra e comercialização atendem principalmente empresas filiadas, na grande maioria das vezes pequenas e médias empresas, na qual oferecem serviços que apenas a cooperação consegue entregar com agilidade, sendo mais comum na área de marketing, enquanto os grupos vão crescendo e expandindo suas marcas, isso faz com que consigam competir com grandes empresas (CNA, 2014). [4]

Cooperativas de Consumo

Hoje em dia na Alemanha, ainda é limitado este tipo de cooperativa, pois em grande parte foram extorquidos do mercado pelos comércios varejistas que são extremamente concentrados, contudo, cada dia que se passa mais cooperativas de consumo são criadas, em grande parte nas pequenas cidades, distritos e aldeias, no qual não são atraídas pelo grande varejo.

Mais da metade das cooperativas de consumo foram fundadas nos últimos cinco anos. Assim, o setor cooperativo está se estendendo a campos diferentes dos mais comuns, como escolas, instituições para pessoas com deficiência, centros culturais, edição de jornais, venda de produtos ecológicos e lojas de comércio justo (CNA, 2014).[4]

Cooperativas Habitacionais

As cooperativas habitacionais já dão moradia para cerca de 5 milhões de pessoas, cerca de 10% da GdW (federação das cooperativas habitacionais), elas envolvem cidades e distritos.

O principal poto da habitação cooperativa é baseado na propriedade conjunta. Então as cooperativas propõe um serviço muito amplo no qual é a moradia assistida, para idosos e deficientes; reunião de bairro, compras e assistência, festas dos membros, ofertas para jovens e famílias e muitas outras. O volume de investimento é de 3,4 bilhões de euros por ano (CNA, 2014). [4]

Considerações Finais

A Alemanha apresenta perspectivas importantes no plano do cooperativismo. Considerando seu alto índice de associados, as cooperativas alemãs apontam que sua proposta é coerente com o esperado, sendo assim, destaca-se a relevância de conhecer tal modelo de cooperativismo. Ela atua a fim beneficiamento dos seus associados, dando novas oportunidades que fora deste meio é muito difícil conseguir com tal facilidade,  o cooperativismo busca o aperfeiçoamento visando proporcionar condições justas e cabíveis para cada sócio, proporcional ao serviço desejado, visando proporcionar condições justas e cabíveis para cada sócio seja tão atraente para a população alemã.

  1. 1,0 1,1 ALMADA, Marco; MEINEN Ênio; Portal do Cooperativismo Financeiro - O Cooperativismo de Crédito na Alemanha; 05.set.2011; Disponivel em > http://cooperativismodecredito.coop.br/2011/09/o-cooperativismo-de-credito-na-alemanha/< Acesso em 10.Julho.2018
  2. Portal do Cooperativismo Financeiro - Cooperativismo de crédito na Alemanha; 2015; Disponivel em >http://cooperativismodecredito.coop.br/cenario-mundial/expressao-mundial/cooperativismo-de-credito-na-alemanha/< Acesso em 10.Julho.2018
  3. 3,0 3,1 3,2 Portal Cooperativismo Financeiro; DRGV - Alemanha; disponivel em >http://cooperativismodecredito.coop.br/cenario-mundial/expressao-mundial/cooperativismo-de-credito-na-alemanha/dgrv-alemanha/ < Acesso em 10.Julho.2018
  4. 4,0 4,1 4,2 4,3 Cooperativas na Alemanha; História das cooperativas na Alemanha; Disponivel em >https://germancoop.wordpress.com/< Acesso em 10.Juho.2018