Guia dos Trouxas para Harry Potter/Livros/O Cálice de Fogo/Capítulo 14

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Capítulo 14
As Maldições Imperdoáveis[editar | editar código-fonte]

spoiler[editar | editar código-fonte]

Aviso: Seguem detalhes do enredo.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

O Professor Snape como sempre estava de mau humor. Seu confronto com o Professor Moody deve ter sido muito irritante. Além disso, todos sabiam que Snape sempre desejou o cargo de professor de DCAT. Snape também parecia temer Moody e o resultado disso era descontar nos alunos. Todos esperavam ansiosamente a aula do Professor Moody, exceto Hermione, que chegou da biblioteca em cima da hora. Moody diz que o Professor Lupin contou que a turma já estou diversas criaturas, mas faltam as maldições. As diretrizes do Ministério da Magia só aceitam que, até o sexto ano sejam permitidas apenas as “contra”-maldições. O Professor Dumbledore, no entanto, deseja que os alunos do quarto ano compreendam, que podem enfrentar algumas coisas sérias. O Professor Moody vai demonstrar as três Maldições Imperdoáveis. Todas são ilegais e não podem ser usadas contra humanos em nenhuma circunstância.

A primeira é a Maldição Imperius. Moody a lança sobre uma aranha, fazendo com que ela dance. Essa maldição, diz Moody, torna difícil dizer quem é realmente das trevas e quem está sendo controlado pela magia. Depois, Moody demonstra a Maldição Cruciatus. Ele enfeitiça outra aranha para ficar maior, e lança Crucio sobre ela. A aranha obviamente sofre extrema dor, e Neville fica angustiado vendo aquilo. Moody libera a aranha. Hermione fala na Maldição da Morte. Com um jato de luz verde a outra aranha simplesmente morre. Apenas uma pessoa é conhecida por ter sobrevivido à essa Maldição, em especial: Harry Potter. Para Harry, que lembrava da luz verde e um rumorejo, essa maldição foi uma revelação.

Depois da aula, Moody puxa Neville para o lado, ele ainda está trêmulo, depois diz a Harry, que ele tinha que saber (está implícito que ele deveria saber sobre a maldição que matou seus pais). Moody então, leva Neville a seu escritório para tomar uma xícara de chá. Quando o Trio retorna à Sala Comunal, mais tarde, Neville está lendo um livro que o Professor Moody deu a ele, chamado “Plantas Aquáticas Mediterrâneas e Suas Propriedades Mágicas”. A Professora Sprout, aparentemente, contou a Moody que Neville é muito bom em Herbologia.

Harry e Ron lidam com sua dificuldade nos deveres de Adivinhação, finalmente decidindo a recomeçar a inventar suas estranhas previsões. Harry observa os gêmeos debruçados sobre um pergaminho. George avisa a Fred, “Não, faz parecer que nós o estamos acusando. Precisa ser cuidadoso.” Hermione retorna da biblioteca decidida a começar uma organização que ela chama de F.A.L.E. Fundo de Apoio à Libertação dos Elfos. Ela praticamente obriga Harry e Ron a participarem. Hedwig traz para Harry uma mensagem de Sirius. A dor na cicatriz de Harry e alguns outros acontecimentos o preocupam – ele está retornando à Inglaterra. Harry fica aborrecido, temendo ter posto Sirius em perigo por se queixar sobre sua cicatriz. Se Sirius for capturado, Harry nunca vai se perdoar.

Análise[editar | editar código-fonte]

A trama avança em vários caminhos. Primeiro, o Professor Moody demonstra seu estilo de ensinar bem peculiar e o desejo de desprezar as regras do Ministério, assim como consciência e sensibilidade para com os alunos. Sua decisão de ensinar as três “Maldições Imperdoáveis” tem um profundo efeito em dois dos alunos: Harry e Neville. Percebendo que a demonstração da Maldição Cruciatus deixou Neville visivelmente nervoso, Moody o leva até seu escritório depois da aula e o acalma. Moody também checa Harry, cujos pais foram mortos pela maldição Avada Kedavra, que quase também matou Harry, o marcando com a cicatriz, mas Harry parecia bem menos afetado do que Neville. Os leitores vão notar que Moody descreve a maldição Avada Kedavra, como sendo capaz de matar sem deixar nenhum sinal. No entanto, a cicatriz de Harry foi causada pela maldição letal. Muito provavelmente, isso aconteceu por causa do efeito da maldição ter ricocheteado na cabeça de Harry, e ter sido desviada pela proteção que a morte da mãe dele criou.

Neville também, que raramente, ou sempre, é apontado por não ser bom em coisa alguma, fica extremamente lisonjeado e agradecido quando Moody dá a ele um livro de Herbologia, depois da Professora Sprout ter dito que ele tem muito talento para a matéria. Harry achou o gesto de Moody muito semelhante ao que o Professor Lupin teria.

O comportamento de Snape aqui, é bem revelador. Ao invés de demonstrar desprezo e desrespeito, como faz sempre com o professor de DCAT da vez, um cargo que Snape sempre desejou, mas sempre lhe foi negado, ele parece demonstrar um medo cauteloso e mantém uma distância respeitosa do irritável antigo Auror. O lembrete sarcástico de Moody, mais cedo, lembrando que ter sido “um velho conhecido” dá uma pista para uma história mal resolvida entre eles, talvez relacionada ao passado de Comensal da Morte de Snape. Tipicamente, Snape desconta suas frustrações em seus pobres alunos.

Sirius, preocupado com a segurança de Harry, está voltando à Inglaterra com Bicuço, embora Harry, com razão, tenha medo de ter posto seu padrinho em perigo, por ter escrito sobre a cicatriz doendo. Embora a atitude de Sirius preocupado e dedicado ao seu afilhado, seja louvável e mostre o quanto ele ama Harry, sua decisão parece imprudente; como Sirius vai poder ajudar Harry, sendo um fugitivo da justiça, não está claro, e isso apenas deixa Harry mais estressado e nervoso.

Finalmente, a cruzada de Hermione para defender a causa dos direitos dos elfos domésticos (que na verdade, eles nunca quiseram), começa formalmente nesse capitulo. E, ao invés de protestar de maneira infantil fazendo greve de fome, ela adota uma postura mais madura e uma abordagem mais realista, formando uma sociedade para ser um instrumento de mudança. Poderemos ver a F.A.L.E. (ou Frente de Liberação dos Elfos Domésticos como diz Ron), aparecer nos próximos livros. E, embora isso seja uma pequena parte da trama, Hermione continua acreditando, com muita razão, que os elfos domésticos são uma casta escravizada e devem ser libertados. No entanto, ela erra ao considerar que a liberdade tem que ser programada com cuidado, para que os elfos possam sobreviver e prosperar sem descriminações ou retaliações dentro do mundo mágico. Simplesmente libertar uma raça que muitos bruxos consideram inferior, com certeza vai criar uma vida muito difícil para essa raça. Vai precisar de um grande esforço e trabalho para realinhar, tanto a atitude da população bruxa em geral, quanto o pensamento dos elfos domésticos para compreenderem que são iguais e criaturas livres. Hermione talvez devesse estudar como os escravos emancipados viveram após a Guerra Civil Americana em meados de 1860. Embora fossem livres agora, cidadãos norte-americanos, eles tiveram que lidar com uma severa descriminação, ódio, violência e pobreza enquanto procuravam viver dentro da sociedade branca e patriarcal que era dominante. Os ex-escravos não tinham estudos (e não conseguiam estudar), empregos, direitos civis básicos e outras oportunidades. Como o mundo mágico parece mudar mais lentamente do que o mundo Trouxa de diversas maneiras, essa situação dos elfos domésticos pode levar muitos séculos para se resolver.

Perguntas[editar | editar código-fonte]

Revisão[editar | editar código-fonte]

  1. Por que as Maldições Imperdoáveis são ilegais?
  2. Por que Neville foi tão afetado pela demonstração de Moody da Maldição Cruciatus? Moody sabe a razão? Se sabe, como ele ficou sabendo?
  3. Por que a Maldição Avada Kedavra causa tanto interesse a Harry?
  4. O que Harry acha de Sirius estar voltando à Inglaterra?

Estudos Adicionais[editar | editar código-fonte]

  1. Por que Moody demonstra as Maldições Imperdoáveis para os alunos, embora a política do Ministério seja contra o ensino delas?
  2. Por que o Ministério não quer que os alunos vejam as Maldições Imperdoáveis sendo demonstradas até que cheguem ao sexto ano?
  3. Por que Harry foi menos afetado pela demonstração de Moody, do que Neville, ainda que tenha sido uma dessas Maldições que matou os pais de Harry?
  4. Por que Snape trata Moody de forma diferente da que tratava os outros professores de DCAT? Qual será a explicação para isso?
  5. Para quem será que os gêmeos estão escrevendo, e por que querem entrar em contato com essa pessoa?
  6. Por que George diz a Fred que eles precisam ser “cuidadosos”?
  7. Por que Sirius quer voltar à Inglaterra? É apenas por causa de sua preocupação com Harry, ou existem outras razões? Essa é uma decisão sábia e como pode afetar Harry?
  8. Por que Moody deu a Neville um livro de Herbologia sobre plantas aquáticas?
  9. Como ficaria a vida dos elfos domésticos caso fossem repentinamente libertados?

Visão Completa[editar | editar código-fonte]

Spoiler[editar | editar código-fonte]

Aviso aos leitores de nível intermediário: Seguem detalhes que vocês podem não querer ler em seu nível atual de leitura.

Tanto Harry como os outros alunos não sabiam sobre os pais de Neville, Frank e Alice, que vivem internados de modo permanente no Hospital St. Mungo. Quando nós e Harry descobrimos isso, mais tarde, também é revelado que Moody estava presente ao julgamento dos Comensais da Morte que torturaram os Longbottoms até a loucura usando a Maldição Cruciatus. Isso nos faz compreender essa situação; de repente descobrimos porque Neville ficou tão nervoso enquanto via a demonstração da Maldição e porque Moody aparentemente se preocupou em consolá-lo. No capitulo final, no entanto, nos é revelado que era Barty Crouch, Jr. que, usando a Poção Polissuco estava fingindo ser Moody. Ele estava entre os quatro Comensais da Morte condenados a Azkaban, por torturar os Longbottoms até a loucura usando a Maldição Cruciatus. Parecia que Crouch (como Moody) estava demonstrando compaixão para com Neville, cujos pais ele deixou insanos, no entanto, ele apenas estava mantendo o personagem, fazendo o que o verdadeiro Moody talvez fizesse nas mesmas circunstâncias. Além disso, o fato de Crouch dar a Neville o livro sobre Herbologia, que parecia mais um gesto carinhoso, para ajudar a auto-estima de Neville, era o interesse de dar um livro cujas informações Crouch queria que Harry tivesse, para ajudá-lo a ganhar o Torneio e assim cair na armadilha de Voldemort.

Crouch com certeza orquestrou a demonstração da Maldição Cruciatus, esperando que perturbasse o sensível Neville, apenas para ter a oportunidade de presenteá-lo com o livro de Herbologia, sem parecer suspeito. Essa extrema perversão mostra bem o caráter cruel de Crouch em particular, e talvez dos Comensais da Morte em geral. Também, o comentário de Barty que Snape e Karkaroff são “velhos conhecidos” não é apenas verdadeiro, mas implica em que ele os conhecia como colegas Comensais da Morte, e também demonstra um senso de humor muito perverso. Considerando que Snape e Karkaroff traíram Voldemort, o comentário sarcástico de Barty tem uma implicação dupla, porque poderia ter sido feito pelo próprio Alastor Moody.

Notamos que, em especial, o personagem Moody está sendo muito bem exibido aqui. A autora fez um equilíbrio cuidadoso nas ações de Moody, aqui mostradas antes da aula de Harry, de modo que suas ações permanecem ambíguas. Se Moody é quem parece, suas ações mostram um caçador de bruxos das trevas, que ficou paranóico por causa do grande número de bruxos que acreditam que ele os prejudicou, e que nem quer saber das regras do Ministério, porque acredita que eles o impedem de fazer o seu trabalho. Se Moody é um bruxo das trevas disfarçado, como vamos descobrir depois que ele é, suas ações são as de alguém que ativamente se opõe ao Ministério, se mostrando um caçador de bruxos das trevas, mas se aproveitando da chance de praticar as Maldições Imperdoáveis sem sofrer punição. Quando finalmente virmos Barty Crouch, vamos observar que ele parece mentalmente desequilibrado, e que seu comportamento, nesse capitulo se adapta perfeitamente à pessoa que ele revela ser.

Os gêmeos estão escrevendo para Ludo Bagman. Essa trama secundária vai se desenrolar durante todo o ano, enquanto Ludo se negar a pagar a aposta dos gêmeos. Ludo claramente tem medo de seus outros credores, os goblins, muito mais do que dos gêmeos, ele sabe que os goblins podem lhe causar ferimentos graves caso não recebam; quando as dívidas de Ludo finalmente azedarem por completo, no final do livro, ele foge e se esconde, deixando os gêmeos e os goblins sem pagamento.

Conexões[editar | editar código-fonte]

Nesse livro: A autora declarou numa entrevista, que o capitulo anterior foi um dos mais difíceis para escrever, e teve que ser reescrito diversas vezes para poder esconder direito as pistas necessárias. Parece que autora na verdade, falava desse capitulo, onde vemos mais Moody. Notamos os seguintes pontos:

  • Moody dá a Neville um livro que inclui detalhes sobre Guelricho. Ele evidentemente sabe qual é a Segunda Tarefa do Torneio, e espera que Harry peça ajuda a Neville.
  • A reação de Neville à Maldição Cruciatus é explicada mais tarde nesse livro, quando Harry vê o julgamento de Barty Crouch na Penseira de Dumbledore. Sua reação sendo mais forte do que a de Harry, sugere que sua exposição à Maldição Cruciatus foi mais dolorosa do que a exposição de Harry à Maldição da Morte.
  • O personagem Moody foi escrito muito cuidadosamente aqui, de modo seu caráter permaneça ambíguo. Detalhes na seção Visão Completa, acima.

Series:

  • Aqui pudemos ver pela primeira vez as três Maldições Imperdoáveis; embora a intenção seja ensinar como evitar e, talvez, como resistir a essa Maldições, há um efeito colateral inegável, que é o ensino de como lançar essas Maldições. Nós veremos muitos outros usos da Maldição Imperius no último livro; a Maldição Cruciatus será usada nesse livro, no quinto livro e no último livro; e a Maldição Mortal nesse livro e no último livro. Vamos ver também que foi a Maldição Mortal que Harry lembra, da última noite de seus pais vivos. Essa é nossa primeira visão das Maldições que são tão diabólicas, que seu uso é proibido sob a pena de prisão perpétua; veremos também como os bruxos das trevas não estão nem interessados nessas supostas penalidades.
  • Embora o personagem que vemos nesse capitulo, não seja o verdadeiro Alastor Moody, a paranóia é exatamente igual à do verdadeiro Moody. Veremos essa característica do personagem muitas vezes, sempre que ele entrar na história.