Guia dos Trouxas para Harry Potter/Livros/As Relíquias da Morte/Capítulo 4

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Capítulo 4
Os Sete Potters[editar | editar código-fonte]

spoiler[editar | editar código-fonte]

Aviso: Seguem detalhes do enredo.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Até mesmo Você-Sabe-Que não consegue se dividir em sete. {Moody, para Harry}


Depois que os Dursley partiram da Rua dos Alfeneiros, Harry pegou suas coisas, incluindo a gaiola com Hedwig, sua mochila, sua Firebolt e ficou esperando que os membros da Ordem da Fênix chegassem. Antes do esperado, um grupo grande, incluindo Hermione e Ron apareceram no jardim dos fundos. Moody diz que eles vão voar em vassouras, Thestrals e na moto voadora; seis membros serão disfarçados como Harry Potter através da poção Polissuco, para confundir qualquer Comensal da Morte por perto. Harry recusa imediatamente, dizendo que ninguém deve correr riscos por ele; Olho-Tonto Moody o ignora. Eles tem poucas alternativas porque a Rua dos Alfeneiros está sendo monitorada para qualquer aparatação, portais, Rede do Flu. Esse monitoramente ostensivo para a segurança de Harry, a Ordem acredita que foi estabelecido por Pius Thicknesse, apenas para monitorar os movimentos de Harry. Moody acredita que todo o Ministério da Magia está, gradualmente caindo sob o controle de Voldemort.

As seis cópias de Harry incluem Ron, Hermione, Fred, George, Fleur e Mundungus. O verdadeiro Harry vai no sidecar da moto que pertenceu a Sirius Black, com Hagrid, até a casa de Tonks, onde eles serão transportados por um portal para a Toca. Os outros seis pares, um guarda e um Harry cada, irão viajar separadamente para várias casas seguras, para finalmente irem até a Toca.

Assim que os membros da Ordem saem do jardim, os Comensais da Morte atacam. Hedwig é atingida por uma Maldição da Morte. Hagrid tenta driblar quatro Comensais fazendo com que o sidecar da moto se separe; Harry consegue parar a queda e é resgatado por Hagrid. Harry destrói o sidecar para detonar um Comensal. Um dos Comensais sobrevivente é Stan Shunpike, evidentemente sob a Maldição Imperius. Para evitar matar uma pessoa inocente, Harry lança um Expelliarmus, enquanto os restantes gritam “esse é o verdadeiro” e eles caem.

Próximo da casa de Tonks, quando os Comensais, incluindo Voldemort, os rodeiam novamente, Hagrid pula da moto para bloquear um Comensal. Voldemort usando a varinha de Lucius Malfoy lança uma Maldição Fatal contra Harry, mas chamas douradas explodem instantaneamente da varinha de Harry, destruindo a de Malfoy sem que Harry conjurasse um feitiço. Antes que Voldemort pudesse pegar a varinha de outro Comensal, a moto de Harry, descontrolada cai num lago lamacento.


Análise[editar | editar código-fonte]

Enquanto a Ordem não tem certeza se o Ministério está infiltrado, eles suspeitam que os Comensais da Morte agora estão presentes lá, e o sempre paranoico Moody acredita que as “medidas de segurança” que o Ministro botou em ação foram apenas para monitorar e não proteger Harry. Os leitores sabem que Moody está certo: Pius Thicknesse, que agora é o Chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia, foi posto sob a Maldição Imperius por Yaxley, um Comensal da Morte.

A rapidez com que a Ordem foi atacada, indica que os Comensais da Morte sabiam a data exata em que Harry seria movido. Isso também demonstra como o poder de Voldemort está se expandindo rápido. Embora o Ministério da Magia ainda não tenha caído sob o controle de Voldemort, seus Comensais estão se infiltrando nele, gradualmente, tomando o poder através dos funcionários mais importantes como Pius Thicknesse, que, sob a Maldição Imperius deve fazer tudo o que o Lorde das Trevas mandar. Outros, que rodeiam o Ministro da Magia Scrimgeour certamente cairão sob Voldemort, seja pela Maldição Imperius ou por outros meios extremos e mortais, deixando Scrimgeour completamente exposto.

Harry perde também outra ligação com sua infância, Hedwig. Sua morte, mesmo que muito triste, existiu aqui por vários motivos:

Primeiro, demonstra como os Comensais da Morte são, na verdade cruéis. Existe uma brincadeira na Inglaterra (real, não mágica) que diz que, se os alemães tivessem tentado invadir a Inglaterra sem oposição, eles deveriam ter enviado paraquedistas, cada um deles carregando um pequeno filhotinho nos braços; nenhum verdadeiro inglês iria machucar um pet. Os Comensais da Morte que saem lançando maldições que matam pets demonstram claramente sua desumanidade.

Segundo, isso aumenta o suspense. A gaiola de Hedwig está presa entre os joelhos de Harry no sidecar; a maldição que matou Hedwig errou Harry por centímetros.

Terceiro, isso elimina uma complicação. No livro seis, Harry decide deixar Hogwarts para procurar os Horcruxes de Voldemort; como ele está prestes a embarcar numa aventura perigosa, ele teria que deixar com alguém que cuidasse dela, ou tentar cuidar dela enquanto estiver viajando. Sua Firebolt, infelizmente foi uma perda, mas também era mais uma obrigação, embora estivesse ligada a ele por ter sido presente de seu falecido padrinho Sirius Black em seu terceiro ano em Hogwarts.

Finalmente, podemos imaginar que a morte de Hedwig representa o final da infância de Harry. Harry já havia perdido sua inocência com as mortes de Cedric Diggory, Sirius e Dumbledore, e agora é um homem no mundo mágico. Hedwig deu a ele conforto, família e segurança, mas quando ela é brutalmente morta, outra ligação que ainda havia com a infância de Harry é perdida. Ele sente como essas ligações são frágeis e como são pesadas e doloridas as responsabilidades de um adulto.

Também é interessante notar o aparecimento de Voldemort nesse capitulo. Nos seis livros anteriores, Voldemort apenas apareceu para Harry por quatro vezes, cada uma delas perto do final do livro. O fato de aparecer para Harry assim tão cedo mostra quanto poder Voldemort já tem no mundo mágico, e nos coloca, como também a Harry, com a certeza de que cada vez há menos lugares onde estará a salvo.

Outra coisa que vale a pena observar é o senso de humor da autora aqui. Vimos antes, no primeiro livro, o toque de dissonância que resulta em humor: a escuridão, a sensação de pressentimento, o tempo violento, uma coisa peluda enorme saindo de dentro da tempestade, que imediatamente começa a cozinhar linguiças para si e para Harry. Aqui, quando Harry, tomado de emoções misturadas, se prepara para deixar a casa que foi, seu “lar” por quase dezesseis anos, vemos os gêmeos, antes de tomar a Poção Polissuco e se transformar em clones de Harry, imediatamente exclamam, com jeito de surpresa, que eles parecem “idênticos”. E temos Harry com sua timidez quando todos os outros Harry clones começam a tirar as roupas na cozinha para se trocar.

Como isso é um livro para crianças, vamos evitar de analisar a sugestão que poderíamos fazer sobre o comentário de Hermione com relação a aparência da Poção Polissuco; é claro, porém, que a autora reconheceu a possível má interpretação, quando a reação de Hermione ao que disse é muito verdadeira. A autora não achou necessário fazer comentários sobre mudança de sexo como efeito da Poção Polissuco, embora que a mente se espanta quando imagina Harry usando as roupas que Fleur acharia apropriadas para si mesma. Além disso, também vimos Crabbe e Goyle no livro seis disfarçados de meninas tomando conta do corredor para Draco, sem efeitos óbvios.

Perguntas[editar | editar código-fonte]

Revisão[editar | editar código-fonte]

  1. Como os Comensais da Morte conseguiram distinguir o verdadeiro Harry, dos falsos?
  2. Por que Voldemort e os Comensais da Morte desapareceram?
  3. Por que Harry usou uma maldição fraca em Stan Shunpike, que provavelmente o teria matado?


Estudos Adicionais[editar | editar código-fonte]

  1. Quando Harry estava para ser mudado para um local mais seguro, Mundungus parecia apreensivo com o plano e em participar dele. Quais seriam as razões para a reação dele?
  2. Como a varinha de Harry poderia destruir a varinha emprestada de Voldemort, sem que Harry conjurasse um feitiço com ela?
  3. A partida de Harry da casa dos Dursleys era um segredo muito bem guardado. Como os Comensais da Morte descobriram?
  4. Voldemort se manteve escondido da população bruxa. Por que agora ele se mostra durante a perseguição?
  5. Usar falsos Potters era o melhor plano para mudar Harry de casa? Discuta as outras maneiras que a Ordem poderia usar para mudar Harry secretamente.

Visão Completa[editar | editar código-fonte]

Spoiler[editar | editar código-fonte]

Aviso aos leitores de nível intermediário: Seguem detalhes que vocês podem não querer ler em seu nível atual de leitura.

A morte de Hedwig pode estar prenunciando o que acontecerá mais nesse livro. Já foi sugerido que o fato de Harry perder sua amada pet e melhor amiga dessa forma foi uma maneira que a autora encontrou para endurecer o coração de Harry para que ele consiga prosseguir em sua luta contra Voldemort, embora que, testemunhar as mortes de Sirius, Dumbledore e Cedric num período tão curto já devem tê-lo endurecido bastante.

Um paralelo interessante entre a fuga de Harry e a sobrevivência de Voldemort deve ser mencionado aqui. Da mesma forma que Voldemort fragmentou sua alma em sete pedaços, para preservar sua própria vida, assim Harry foi replicado em sete clones na tentativa de protegê-lo de Voldemort. Os diferentes métodos para conseguir isso, novamente esclarecem a diferença entre Harry e Voldemort. Os amigos de Harry rapidamente assumem a tarefa por amor e lealdade, enquanto dos pedaços da alma de Voldemort foram criados Horcruxes através do assassinato de pessoas inocentes. O interessante é que enquanto Voldemort acredita que o número sete tem importância mágica, isso provavelmente não foi calculado no plano da Ordem.

A varinha de Harry lançar um feitiço por vontade própria nunca ficou explicado. Dumbledore, mais tarde na história, na Estação King´s Cross diz que durante o duelo no cemitério, a varinha de Harry e a de Voldemort se reconheceram, tendo o mesmo miolo, a pena da cauda da Fênix Fawkes, e reconheceram Harry e Voldemort como parentes pelo sangue (e possivelmente pelo fragmento da alma). Harry era o bruxo mais forte nesse encontro, uma vez que ele estava preparado para morrer enquanto Voldemort temia a morte. Dumbledore presume que isso fez com que a varinha de Harry absorvesse a força da varinha de Voldemort, contra a vontade do próprio Voldemort, mais a coragem de Harry, “que chance teria a pobre varinha de Lucius Malfoy?”

Embora isso não seja uma explicação decente para a varinha agir por sua própria vontade, é a única explicação dada nos livros. Podemos especular que as varinhas tenham alguma sensibilidade, como já foi dito muitas vezes “a varinha escolhe o bruxo”; vemos isso novamente quando uma varinha funciona muito mal, depende da maneira como ela é passada de um bruxo para outro. É possível que a varinha, em seu saber limitado, sentindo que o “parente” de Harry e inimigo Voldemort estivesse atacando, tenha agido de forma independente para remover a varinha do inimigo. O que nos foi dito é que Harry e Voldemort entraram numa área da magia e sabedoria das varinhas onde ninguém havia se aventurado antes.

Uma possibilidade é que não tenha sido Harry a lançar o feitiço, mas sim a porção de Voldemort que está dentro dele. Essa porção da qual Voldemort não sabe nada, poderia estar protegendo a si mesma. Contra isso, no entanto, devemos notar que ao invés de Harry agindo sem intenção, parece que era a varinha agindo sem a vontade de Harry. De acordo com o livro sete, “sua varinha agiu por sua própria vontade. Ele sentiu que ela puxava sua mão como se fosse um grande imã...” Podemos supor que se a autora desejava indicar que foi o fragmento da alma de Voldemort que fez isso, Harry deveria ter sentido sua mão se mover pela vontade da varinha, ao invés de sentir a varinha puxar sua mão. No entanto, não há evidencias suficientes para saber qual foi a intenção da autora.