Guia dos Trouxas para Harry Potter/Livros/A Ordem da Fênix/Capítulo 37

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Capítulo 37
A Profecia Perdida[editar | editar código-fonte]

spoiler[editar | editar código-fonte]

Aviso: Seguem detalhes do enredo.


Sinopse[editar | editar código-fonte]

A Chave de Portal leva Harry até o escritório de Dumbledore, que foi todo consertado depois da fuga espetacular de Dumbledore. Harry está profundamente aflito por causa da morte de Sirius e está se culpando por falhar em não perceber a armadilha de Voldemort. Ele rejeita a simpatia dos quadros nas paredes, e tenta, sem sucesso, escapar do escritório.

Dumbledore chega logo, e os quadros dão vivas e aplaudem, ele coloca Fawkes com carinho sobre as cinzas sob o poleiro. Ele diz que Madam Pomfrey está cuidando dos outros alunos, Tonks também está ferida, mas ela foi levada para St. Mungo e vai se recuperar.

A raiva de Harry contra Dumbledore aumenta, mas quando Dumbledore afirma ter responsabilidade sobre a morte de Sirius, ele se sente vencido de alguma forma. Dumbledore admite que se tivesse sido mais aberto, Harry teria percebido que Voldemort o estava atraindo para uma armadilha. Quando Voldemort deu a cicatriz a Harry, ele deixou 37 ligações entre os dois. Voldemort descobriu o caminho, quando Mr. Weasley foi atacado, e desde então começou deliberadamente a se introduzir na mente de Harry. Por isso Dumbledore insistiu em que Harry estudasse Oclumência e por isso ele permaneceu afastado o ano todo, temendo que Voldemort usasse a ligação para descobrir as informações valiosas sobre a Ordem da Fênix, através de Harry.

Depois Dumbledore explica que Monstro, ligado magicamente apenas à família Black, mentiu para Harry quando este tentou fazer contato com Sirius, que estava, na verdade, no andar superior cuidando de Bicuço. Depois que Harry avisou Snape no escritório da Umbridge, Snape checou se Sirius estava em segurança. Só mais tarde, quando Harry não voltou da Floresta Proibida é que ele alertou a Ordem, que então foi para o Ministério. Snape queria que Sirius ficasse em Grimmauld Place, mas ao invés disso, Sirius ordenou que Monstro avisasse a Dumbledore o que estava acontecendo, depois correu para o Ministério. Dumbledore parecia um tanto envergonhado por causa das medidas que foi forçado a tomar para Monstro admitir que mentiu para Harry sobre Sirius, e que as instruções de Monstro foram dadas por Narcissa Malfoy, o último membro da família Black que Monstro respeitava. As Ordens de Sirius impediram que Monstro traísse a Ordem para Narcissa, mas ele revelou informações suficientes para Narcissa levar Harry até a armadilha.

Dumbledore defende Snape, dizendo que ele tinha que se comportar como se tivesse desacreditado do aviso de Harry na presença de Umbridge, para proteger sua posição na Ordem. Dumbledore também não concorda com a afirmação de Harry por ter acusado Snape de usar Oclumência para abrir a mente de Harry para Voldemort e afirma novamente que tem total confiança na lealdade de Snape. Ele apenas tem pena por não ter podido, ele mesmo, ensinar Harry, mas teve medo de que Voldemort pudesse acessar seus pensamentos, e de que uso que Voldemort poderia fazer se soubesse da ligação entre Harry e Dumbledore. Ele escolheu Snape porque este é o melhor nessa habilidade, mas subestimou o profundo e constante ressentimento de Snape com relação ao pai de Harry.

Embora muitas famílias bruxas tivessem se oferecido para adotar o bebe órfão, Harry foi colocado na casa dos Dursleys por uma razão especial. O sacrifício de Lily por seu filho criou um escudo mágico que protegeu Harry de Voldemort. Harry deveria viver na casa dos parentes ligados à sua mãe pelo sangue; portanto tia Petúnia. Convencido de que Voldemort iria voltar, a prioridade de Dumbledore era manter Harry a salvo. O berrador que Petúnia recebeu era de Dumbledore lembrando, zangado, que ela se obrigou a proteger Harry.

A Profecia que Voldemort tanto quer, foi feita originalmente, logo antes de Harry nascer. Por isso Voldemort quer tanto matar Harry. Voldemort, no entanto, nunca soube da Profecia inteira, e estava tentando recuperar a cópia guardada para descobrir seu conteúdo. A Profecia, no entanto, é conhecida por Dumbledore, porque foi originalmente dita para ele. Dezesseis anos antes, Dumbledore entrevistou Sybill Trelawney para o cargo de professora de Adivinhação, ele a encontrou num pub em Hogsmeade. Embora ela descendesse de uma Vidente talentosa, ela não parecia nem um pouco talentosa e Dumbledore disse que não lhe daria o emprego. Quando ela estava quase saindo, Trelawney caiu em transe.

Extraindo uma lembrança, Dumbledore a coloca na Penseira. A imagem velada de Sybill Trelawney aparece, e numa voz rouca familiar, recita, “Aquele com o poder de vencer o Lorde das Trevas se aproxima... nascido dos que o desafiaram três vezes, nascido ao terminar o sétimo mês... e o Lorde das Trevas o marcará como seu igual, mas ele terá um poder que o Lorde das Trevas desconhece... e um dos dois deverá morrer na mão do outro pois nenhum poderá viver enquanto o outro sobreviver... aquele com o poder de vencer o Lorde das Trevas nascerá quando o sétimo mês terminar...”

De acordo com Dumbledore, se aplicar a dois meninos bruxos: Harry e Neville, nascidos em dias próximos. Ambos os pais dos dois meninos, foram membros da Ordem da Fênix, desafiaram Voldemort por três vezes. Voldemort provavelmente atacou Harry porque ele é mestiço assim como ele próprio, e talvez tivesse considerado que ele era mais perigoso do que Neville um sangue puro. Deliberadamente escolhendo Harry, Voldemort o “marcou” como um igual, deixando a cicatriz na testa de Harry. Mas, Voldemort só sabia a primeira metade da Profecia. A segunda parte predizia que, a criança marcada teria poderes que o Lord das Trevas nunca conheceria, e que um deveria morrer pelas mãos do outro, porque ambos não poderiam viver enquanto o outro sobrevivesse. O poder que Harry possui e Voldemort não, é amor. Foi isso que protegeu Harry da maldição da morte de Voldemort e ao mesmo tempo arrancou a alma de Voldemort do seu corpo. Dumbledore confirma que a Profecia significa que Voldemort ou Harry, um terá que matar o outro.

Finalmente, Dumbledore explica porque Harry não foi escolhido para ser monitor: “Devo confessar... que preferia... você já tinha responsabilidade suficiente.”


Análise[editar | editar código-fonte]

Muito do que estava escondido durante a série, agora é revelado. A primeira coisa e mais importante, é a Profecia; esse único item explica porque Voldemort escolheu Harry como seu alvo principal. Também explica porque Harry é o herói da série; se a Profecia for verdadeira, e os bruxos geralmente acreditam que é, então apenas Harry pode derrotar o bruxo das trevas, e a esperança de todo o mundo mágico se apoia nele.

Vemos também o amor de Dumbledore por Harry, seu medo do que aconteceria se Harry soubesse cedo demais sobre a Profecia e o peso que existe sobre seus ombros, e todo esforço de Dumbledore em protegê-lo e cuidar dele na medida do possível.

Como nota para prestar atenção, a revelação de Dumbledore sobre a Profecia nos ensina diversas coisas: primeiro que pensamentos podem ser preservados nas Esferas de Cristal; segundo, que é possível extrair uma cópia de um pensamento da mente de um bruxo, enquanto retém o original, e, como vimos a gravação da Profecia depois que a Esfera foi quebrada, uma Penseira não é necessária para passar novamente esses pensamentos extraídos. Imaginamos, que as Esferas de cristal no Ministério, usadas para guardar a gravação das profecias, são enfeitiçadas de maneira similar à Penseira, mas não temos certeza disso. Uma coisa em que o leitor deve prestar atenção, é que a informação sobre a natureza da Magia é apresentada orgânicamente; é assim que é mais fácil ser compreendida, porque é simplesmente apresentada. Isso exemplifica a primeira regra da escrita: mostrar, não contar.

A Profecia e a tentativa de Voldemort de recuperá-la, é claro que afetou o curso da série, e com certeza vai afetar os dois últimos livros. Também vamos saber exatamente por que Dumbledore agiu ao se afastar de Harry, e porque ele queria que Harry aprendesse Oclumência. Além disso, sabemos que Snape agiu corretamente quando Harry o avisou. Isso parece reforçar a opinião de Dumbledore e sua confiança em Snape No entanto, Harry parece convencido de que Snape arranjou tudo para que Sirius morresse, e ninguém consegue convecê-lo de outra maneira.

Examinando o que Dumbledore diz, e a sequencia de eventos, podemos ver que Snape acreditava que Sirius estava a salvo em Grimmauld Place. Não se sabe se Snape incitou Sirius para ir ao Ministério, ou se foi Sirius quem decidiu ir; Dumbledore acredita que foi uma decisão apenas de Sirius, mas Harry, se recusa a acreditar. No entanto, considerando a natureza imprudente e impulsiva de Sirius, sua frustração por estar confinado e se sentndo inútil, além de seu instinto paternal de proteger o afilhado a qualquer custo, parece que nada o faria ficar em Grimmauld Place enquanto a Ordem partia para o Ministério.

Também vimos que Dumbledore fez erros graves. Até então, Dumbledore parecia totalmente infalível. Reservado como sempre era, e um tanto difícil de ser compreendido, seus pronunciamentos eram sempre acurados. Aqui vemos Dumbledore admitindo suas falhas, ao não contar a Harry antes, o que foi profetizado para ele. Em tentar deixar Snape ensinar Oclumência e a de alguma forma um tanto atrasada, em falhar ao explicar direito porque Harry deveria barrar os pensamentos de Voldemort. Esses dois últimos erros tiveram maiores consequências. As tentativas de Snape de ensinar Oclumência a Harry foram envolvidas pelo preconceito de Snape contra ele e a desconfiança e a implicância de Harry contra o professor. Isso apenas aumentou o link entre Harry e Voldemort, e sem saber que Voldemort poderia plantar falsas imagens em sua mente, resultou em Harry ser atraído pelo Ministério, e na morte de Sirius.

Uma coisa interessante e um ponto quase escondido, ocorre mais tarde nesse capítulo. Dumbledore diz a Harry que o poder que ele tem e Voldemort não pode entender, é o amor. Foi o profundo amor que Harry tem por seus pais e por Sírius que o protegeram de Voldemort possuí-lo. Voldemort fugiu da mente de Harry porque “ele não poderia aguentar residir num corpo tão cheio da força que ele detesta”. Esse pode ser um ponto básico nos próximos livros.

Harry, no entanto, está com seus sentimentos em tumulto; simultaneamente experimentando raiva, tristeza e culpa pela morte de Sirius. Embora Dumbledore explique porque ele escondeu informações vitais, e revela a Profecia inteira, isso é pouco para consolar Harry. Ele agora compreende seus laços com os Dursleys, e embora sua relação com Petúnia com certeza não mudará, ele agora sabe que é ela, através da ligação do sangue, que fica entre ele e Voldemort. E embora Petúnia não tenha amor pelo sobrinho, ela continua a cumprir sua obrigação de protegê-lo; Harry sabe que deve continuar a aguentar a vida na casa dela até chegar à maior idade. E agora Harry tem outro fardo para carregar: ou ele ou Voldemort “deve morrer nas mãos do outro”.


Perguntas[editar | editar código-fonte]

Revisão[editar | editar código-fonte]

  1. Por que Dumbledore não ensinou Oclumência para Harry, ele próprio? Isso foi um erro?
  2. Por que Harry precisa voltar para a casa dos Dursleys a cada verão?
  3. Por que Voldemort “marcou” Harry como seu igual ao invés de Neville?
  4. Qual é a força poderosa que pode ser usada contra Voldemort, e por que este é incapaz de possuí-la?


Estudos Adicionais[editar | editar código-fonte]

  1. A Profecia nunca mencionou o nome de Harry. Dois meninos cabiam na descrição de Trelawney, e qualquer um dos dois poderia ter sido marcado por Voldemort: Harry ou Neville. Portanto é possível que Neville, que poderia ter sido escolhido por Voldemort, também pudesse pegar a Esfera no Departamento de Mistérios? Explique porque ele poderia ou não.
  2. Como poderia mudar a relação entre Harry e Neville agora que Harry sabe que Neville poderia ter sido “O Escolhido”?
  3. Harry deveria contar a Neville sobre essa ligação entre eles? Por que ou por que não?
  4. Como teria sido o resultado se Dumbledore tivesse ensinado Oclumência a Harry ao invés de Snape?
  5. Por que Petunia continua a proteger Harry, mesmo que ela não o ame?
  6. Quem deve ter consertado o escritório de Dumbledore?


Visão Completa[editar | editar código-fonte]

Spoiler[editar | editar código-fonte]

Aviso aos leitores de nível intermediário: Seguem detalhes que vocês podem não querer ler em seu nível atual de leitura.


É interessante que, quando Harry está gritando com Dumbledore, ele diz que Dumbledore não faz idéia da dor que ele está sentindo. Harry se culpa pela morte de Sirius porque deixou Voldemort penetrar na sua mente, e depois por cair na armadilha para qual ele o atraiu no Departamento de Mistérios. Na verdade, Dumbledore sabe bem como Harry se sente, muito mais do que muitos outros imaginariam.

Como foi discutido no último livro, sua irmã, Ariana foi morta durante um duelo a três entre Dumbledore, seu irmão Aberforth e o bruxo do mal Grindelwald. Embora não se saiba de quem veio o feitiço que a acertou fatalmente, não há dúvida de que na mente de Dumbledore, ele foi o responsável pela morte de sua irmã. Há indicações de que ele carrega essa tristeza e esse remorso pelo resto de sua vida, e Harry imagina, próximo do fim da série, que o que Dumbledore mais desejava ver no Espelho de Ojesed era a família dele, inclusive sua mãe e sua irmã, todos reunidos novamente. Essa dor também vamos ver no próximo livro, quando Dumbledore bebe a poção na caverna a beira mar, embora só iremos entender até que Aberforth explique tudo.

Dumbledore diz que Voldemort quer a Esfera porque nunca ouviu a Profecia inteira. Embora o Cabeça de Javali, onde a Profecia foi feita, seja conhecido pela quantidade de bisbilhoteiros. O informante de Voldemort aparentemente só ouviu a primeira parte da Profecia. No último livro Harry descobre que quando Trelawney retornou de sua transe, Snape estava presente. Harry logo concluiu que Snape era o informante. Confrontando Dumbledore, ele não negou e de fato até confirmou. No entanto, se ele estava presente no final da Profecia, como Dumbledore disse que ele só ouviu a primeira parte? Se lermos a Profecia, a primeira, vamos que as profecias de Trelawney parecem repetir a primeira parte no final; portanto alguém ouvindo o final da Profecia, teria ouvido a repetição do início dela.


Como foi sugerido, Harry sendo cheio de amor, pelos pais e por Sirius, torna seu corpo um local especialmente desagradável para Voldemort ocupar. Como resultado, Voldemort nunca mais entra na mente de Harry, embora Harry vá experimentar os pensamentos de Voldemort no livro final, assim como nesse, quando Voldemort está sentindo fortes emoções. Sabemos também que o afastamento de Dumbledore no ano anterior tenha acontecido pela preocupação de que Voldemort pudesse perceber e fazer uso dessa conexão. Nesse capitulo o afastamento desapareceu; Dumbledore não apenas fala diretamente com Harry, mas admite que se preocupa mais com ele do que seria esperado de um diretor. No próximo livro, Dumbledore percebe que Harry não tem mais episódios de dor na cicatriz, indicando que Voldemort não tentou mais entrar na mente de Harry. Parece pelo comportamento de Dumbledore nesse capitulo que ele espera que esse afastamento de Harry por Voldemort tenha apenas começado; ele não espera que Voldemort descubra mais nada da relação que ele exibe em seu escritório, independente de ter apenas uma hora, quando Voldemort possuiu a mente de Harry.

Nunca ficou claro quem consertou os danos feitos no escritório de Dumbledore na hora da confusão. Sabemos que o escritório se lacrou sozinho contra Umbridge na partida de Dumbledore, e vemos aqui que Dumbledore pode retornar ao seu escritório embora esse lacre ainda esteja fazendo efeito. Não sabemos quem mais poderia ter habilidade para entrar lá, embora suspeitemos da Professora McGonagall, Professor Snape ou talvez o próprio Dumbledore, um deles poderia ter arrumado o escritório para um eventual retorno do diretor. Reparamos que os quadros nas paredes parecem acreditar que já tem algum tempo desde que Dumbledore se foi, então, se não foi ele quem arrumou o escritório, seria de suspeitar que foi tudo feito logo após sua partida nominal da escola, possivelmente ao mesmo tempo em que se lacrou. É claro que seria possível que Dumbledore tivesse feito tudo ao mesmo tempo.


Conexões[editar | editar código-fonte]

  • A Profecia que ouvimos nesse capitulo, é o ponto principal da maior parte da série. Dumbledore comentou sua existência no primeiro livro, e a Esfera contendo a cópia foi quebrada há pouco tempo. Essa foi a primeira das duas profecias verdadeiras feitas pela Professora Trelawney, de acordo com Dumbledore. Vamos revisitar essa Profecia e os acontecimentos que envolvem sua revelação no próximo livro.
  • Finalmente ficamos sabendo porque Dumbledore insistiu, apesar dos protesto da Professora McGonagall e do aborrecimento de tia Petunia, colocar Harry com a família Dursley, no inicio da história. A morte de sua mãe o protegeu, vivendo na casa de Petunia, ele também estaria protegido de Voldemort. Apenas no último livro é que nós vamos descobrir o que Dumbledore usou sobre Petunia para forçá-la a aceitar Harry.
  • A ligação mental entre Harry e Voldemort, primeiro aparece como dor na cicatriz de Harry, no primeiro livro, é explicada aqui, junto com o fato que, até aqui havia sendo involuntária. Uma vez que Voldemort descobriu a existência dessa ligação ele a usou para preparar uma armadilha para Harry; mas agora ele fechou essa ligação e nunca mais vai entrar na mente de Harry voluntariamente. Harry, por outro lado, poderá perceber os pensamentos de Voldemort e de seu entorno, uma vez que as emoções de Voldemort ficam mais fortes e seu poder começa a entrar em declínio.