Guia dos Trouxas para Harry Potter/Livros/A Câmara Secreta/Capítulo 2

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spoiler[editar | editar código-fonte]

Aviso: Seguem detalhes do enredo.

A estranha e pequena criatura na cama de Harry tinha grandes olhos verdes, orelhas pontudas e estava vestindo uma fronha em trapos. Ele se apresenta como Dobby, um elfo doméstico. Dobby não consegue revelar o nome da família a quem ele pertence e se bate incontrolavelmente cada vez que tenta dizer. Ele também se pune por falar mal sobre seus mestres e por sair de casa sem permissão, ele só o fez para dar a Harry um terrível aviso: Harry não deve retornar a Hogwarts porque coisas horríveis vão acontecer na escola. Dobby, novamente, não consegue dar mais detalhes. Quando Harry ignora seu aviso, Dobby começa a provocar o garoto, perguntando por que seus amigos não escreveram para ele durante todo verão. Quando Harry pergunta como Dobby sabe disso, Dobby admite que interceptou as cartas de Harry, na esperança de que Harry pensasse que os amigos não ligavam para ele, e portanto não quisesse mais voltar à escola. Furioso, Harry caça Dobby pela escada abaixo, onde os Dursleys estavam jantando com os Masons. Dobby faz levitar o pudim de tia Petunia. Quando Harry se recusa a ficar longe de Hogwarts, Dobby joga o pudim no chão, espalhando creme pela cozinha imaculada de Petunia, antes de desaparecer.

Os Dursleys culpam Harry e tio Vernon tenta acalmar os Masons, dizendo a eles que seu sobrinho é ligeiramente perturbado. No entanto, quando uma coruja mensageira chega, Mrs. Mason fica histérica, acabando com a esperança de tio Vernon, em fazer um acordo de negócios lucrativo.

A carta transportada pela coruja era de Mafalda Hopkirk, uma funcionária do Ministério da Magia, avisando a Harry que ele havia infringido o Decreto de Restrição à Prática da Magia por Menores de Idade. Qualquer outra magia que Harry fizesse enquanto fora da escola, seria motivo de expulsão de Hogwarts. Tio Vernon sabendo que Harry não poderá usar magia para fugir, tranca Harry no quarto e manda colocar grades na janela.

Três dias depois, um barulho nas grades da janela acorda Harry; à luz do luar, Harry vê Ron, do lado de fora, olhando para ele.

Análise[editar | editar código-fonte]

Harry está novamente sendo manipulado por forças que ele não sabe como controlar. Um elfo doméstico quer impedir seu retorno a Hogwarts, para todos os efeitos, isso é para a proteção do próprio Harry, embora ele não tenha a informação específica de que perigo possa estar se tratando. Harry, que acredita em sua própria força, nunca considera que algum perigo possa estar espreitando em Hogwarts, pelo menos, nada sério o bastante para ele querer ficar com os Dursleys.

Dobby certamente teria revelado outras informações, se ele pudesse, mas ele parece ser um escravo, ele foi proibido de falar mais. É claro que, não há provas de que o aviso de um elfo doméstico seja verdadeiro, e pode ser que exista algum motivo sinistro por trás dos atos de Dobby, embora isso não convença – o caráter de Dobby e seus atos parecem tão simplórios e transparentes. Ele não seria capaz de tamanho fingimento, a farsa que ele admitiu, que foi interceptar as cartas de Harry, parecem uma coisa de criança tanto na sua expectativa como na sua execução. Se Dobby pode ser confiável, então sua reação emocional aos modos gentis e respeitosos de Harry para com ele, mostram um pouco mais do mundo bruxo, além do que Harry e os leitores já tinham observado. A reação de Dobby, sugere que as criaturas mágicas não humanas, são provavelmente tratadas muito mal na sociedade bruxa.

Também, o tratamento reverente com relação a Harry indica que a fama de Harry é maior do que ele imaginava. O garoto ainda fica desconfortável com essa atenção não desejada, e a certeza de que todos sabem mais sobre ele do que ele próprio. Essa fama, pelo menos enquanto ele está na casa dos Dursleys, não é vantagem, porque a família o trata ainda pior, uma vez que o detestado mundo mágico acaba entrando dentro da casa deles.

A carta do Ministério evidentemente surpreende Harry. Certamente ele já tinha sido avisado sobre o uso de magia em casa, mas, não imaginava que o Ministério pudesse monitorá-lo. De qualquer forma, eles, com certeza não podem saber quem usou a magia, então se presume que foi Harry a usar o feitiço de flutuação.

O evidente medo de Harry enquanto estava na cozinha com Dobby, era que tio Vernon o castigasse por desobedecer suas ordens, nem pensava que o Ministério da Magia pudesse detectá-lo usando magia. Harry tem plena noção de que Vernon ainda tem muito poder sobre ele e pode tornar sua vida mais miserável do que já é. Harry também teme que Vernon possa tentar impedi-lo de retornar a Hogwarts, um medo que parece justificado quando o quarto de Harry se transforma numa cela de prisão.

A tensão aumenta quando as chances de Harry retornar a Hogwarts se tornam mais remotas. Enquanto a aparição de Ron na janela traga um alívio imediato, também levanta perguntas: embora Ron saiba da situação de Harry, como ele pode, sendo menor de idade, ajudar Harry? E como, na verdade, ele conseguiu alcançar o quarto de Harry sem provocar um aviso do Ministério.

Perguntas[editar | editar código-fonte]

Revisão[editar | editar código-fonte]

  1. Por que Dobby não consegue reveler qual o perigo para Harry?
  2. Por que tio Vernon trancou Harry no quarto?
  3. Por que Dobby iria querer ajudar Harry?

Estudos Adicionais[editar | editar código-fonte]

  1. Como Dobby poderia saber que alguma coisa ruim poderia acontecer com Harry em Hogwarts? Que perigo seria esse?
  2. Como Dobby poderia, como um escravo em outra casa bruxa, ser capaz de interceptar a correspondência de Harry durante todo tempo, sem que seu mestre notasse sua ausência?
  3. Será que Dobby é confiável ou será que ele está envolvido numa trama para por Harry em perigo? Explique.
  4. Por que o Ministério acredita que foi Harry quem lançou o feitiço da flutuação?
  5. Por que o Ministério viu a magia que Dobby usou na casa dos Dursleys, mas não a magia que Hagrid usou no primeiro livro?
  6. O que indica a reação de Dobby com relação ao tratamento que Harry dispensa a ele?
  7. Por que Ron apareceu na janela de Harry? Como Ron vai poder ajudar Harry, se ele também é menor de idade e não pode usar magia?


Visão Completa[editar | editar código-fonte]

Spoiler[editar | editar código-fonte]

Aviso aos leitores de nível intermediário: Seguem detalhes que vocês podem não querer ler em seu nível atual de leitura.

Dobby, nós vamos descobrir depois, é o elfo doméstico da família Malfoy; nós, assim como Harry, não sabemos disso, porque ele está proibido de fazer outras revelações para Harry. Certamente não é surpresa que o estado maltratado de Dobby, reflita a maneira dos Malfoys de tratar aqueles a quem eles consideram inferiores. Assim também o estado físico de Harry reflete o quanto os Dursleys o tratam mal.

Nós já vimos o desdém dos Malfoys por aqueles que eles consideram inferiores a eles, como Draco mostrou claramente com relação a Harry, Ron, Hermione e Neville. Esse tipo de tratamento continua através da série. É a figura esfarrapada de Dobby que, comparada à maneira com que Draco trata Harry, Ron e Hermione, nos leva a adivinhar, talvez até antes de Harry, que Dobby é o elfo doméstico dos Malfoy.

Dobby é um personagem menor, embora se mostre muito útil a Harry através da série. Aqui, ele está desobedecendo ordens por falar com Harry; imaginamos que isso tenha acontecido, porque Dobby sabe o quanto a vida dos elfos domésticos melhorou com a queda do Lorde das Trevas, desde ele que atacou Harry. Dobby sabe que os Malfoys estão planejando alguma coisa ruim em Hogwarts e tomou a si a obrigação de avisar a Harry. A lealdade de Dobby para com Harry é gratuita e vai prosseguir, e Harry responde com respeito e um tratamento de igual para igual.

O contraste entre, a boa vontade com que Dobby faz o que Harry precisa e sua resposta às ordens dos Malfoys, é uma lição sobre a diferença entre a lealdade dada de coração em oposição àquela que é obrigatória.

Podemos observar que a expectativa de Dobby de ser mal tratado pelos humanos é comum entre os elfos domésticos; vamos ver isso ocorrer novamente com Monstro, e em menor intensidade com Winky. Mais tarde vamos ver que Ron, embora trate bem os elfos domésticos, também os considera como escravos, enquanto Harry e Hermione pensam de outra forma; Hermione inclusive criou uma organização estudantil a F.A.L.E. , que defende os direitos dos elfos. Harry e Hermione foram ambos criados em casas fora do mundo mágico e só recentemente descobriram que os elfos domésticos existiam e eram escravizados. Criados como crianças Trouxas, Harry e Hermione não tiveram contato com a crença segundo a qual, elfos domésticos eram uma classe inferior e deveriam ser tratados como tal. Ron, que foi criado no mundo mágico, acha que é moralmente aceitável escravizar essas criaturas e concorda com a visão geral, de que a maioria dos elfos é bem tratada, e são felizes por terem mestres a quem servir. Essa pode ser uma avaliação precisa, e deve ser o resultado de séculos de reprodução selecionada e condicionamento comportamental. Intolerância em relação aos elfos domésticos, a outras criaturas mágicas não humanas e também aos bruxos e bruxas nascidos Trouxas é um tema recorrente nos livros.

O que Lucius Malfoy está planejando enviar para a escola é o Diário de Tom Riddle. Não se sabe até onde Malfoy sabe exatamente qual será o resultado disso, ou mesmo se o Diário é um Horcrux. Vamos saber mais tarde, que o Diário foi dado a Lucius com a informação de que ele era uma arma anti-sangue ruim, mas sem dar detalhes de como ele atuaria. Se Malfoy soubesse que a arma era difícil de controlar e não fazia nenhuma discriminação, ele teria pensado melhor ao colocá-la tão perto de seu filho, Draco, ou pelo menos teria avisado seriamente a Draco do perigo.

É interessante notar que Dobby parece conhecer melhor a natureza exata do perigo, do que Lucius Malfoy, que o está preparando. Quando Harry pergunta se a ameaça está ligada a “Você-Sabe-Quem”, Dobby diz que não, mas parece que está adivinhando alguma coisa. Nesse livro, capitulo 18, Dobby conta que a ameaça não era relacionada precisamente com “Aquele Que Não Deve Ser Nomeado”, mas com quem ele era antes de parar de usar o nome Tom Marvolo Riddle, dando preferência ao nome tabu "Lord Voldemort".

Dobby sabe perfeitamente desde cedo nesse livro, que a ameaça personificada pelo Diário e o Horcrux embutido nele, era Tom Riddle, que só mais tarde adotou seu novo título.

No capítulo 12 desse livro, ficamos sabendo que Lucius contou ao seu filho, Draco, que não sabia quem era o herdeiro de Slytherin. Não podemos dizer se Lucius estava mentindo, mas se ele sabia ou não que o herdeiro era Tom Riddle, ele ignorava a precisa natureza da arma embutida no Diário; se ele soubesse que era um Horcrux, ele certamente seria mais cuidadoso com o Diário e deveria saber que o plano de atacar Hogwarts com aquilo, teria que ser suspenso, até que Voldemort voltasse e desse ordem de prosseguir.

Embora Dobby soubesse que Tom Riddle seria o agente da ameaça, não parece que ele sabia como a ameaça funcionaria. Dobby provavelmente não sabia o que tinha acontecido da primeira vez em que a Câmara foi aberta, uma vez que Lucius estudou em Hogwarts bem depois dos acontecimentos. (Tom Riddle estudou em Hogwarts há uns 50 anos antes disso; Lucius Malfoy, estudou apenas 20 anos antes)

É mencionado em algum lugar, que as histórias que envolvem magia têm uma desvantagem, ao tornar tudo possível e quase sem esforço, se torna muito fácil para o herói vencer, assim tornando a história desinteressante. O Decreto de Restrição à Prática da Magia por Menores de Idade é um método muito interessante para autora impor limitações ao uso da magia. Harry certamente poderia tornar sua própria vida mais fácil, usando magia com critério, durante suas férias de verão, mas isso ia acabar com uma boa parte da trama. Os Dursleys, chatos como eles são, permanecem úteis como um contraste à vida de Harry em Hogwarts. Lidar com seu tio e sua tia sem poder usar magia, se torna uma maneira de medir sua maturidade. Há uma exceção no próximo livro, quando Harry reage contra sua família, usando magia, mas é completamente sem intenção porque ele foi levado a isso por fortes emoções depois de uma provocação.

O Decreto de Restrição à Prática da Magia por Menores de Idade é importante também, mais tarde na série. O Decreto informa que existem limites “razoáveis”, indicando em que circunstâncias um bruxo menor de idade pode usar magia, se presume que, em uma situação de emergência. No caso, Harry recebe apenas um aviso por ter usado o feitiço de levitação, que, aliás nem foi ele quem lançou. Mais tarde, em A Ordem da Fênix, capitulo 1, quando Harry e o primo Dudley são atacados pelos dementadores, que pretendem sugar suas almas, Harry lança o feitiço do Patrono para repeli-los. No entanto, o Ministério da Magia imediatamente suspende Harry de Hogwarts e o acusa de praticar um crime, obrigando o garoto a se apresentar para audiência no Ministério. O motivo disso tudo, é afastá-lo permanentemente não só de Hogwarts, mas da sociedade bruxa uma vez que, afastando Harry o Ministério remove também o maior impedimento à sua agenda oficial com relação a Voldemort. O Ministério abusa do Decreto de Restrição à Prática da Magia por Menores de Idade, apenas para conseguir o que deseja; Harry é forçado a provar que seu uso da magia na situação em que foi usada, foi de fato uma coisa sensata ou razoável, para uma corte que estava totalmente contra ele.

Conexões[editar | editar código-fonte]

  • O Decreto de Restrição à Prática da Magia por Menores de Idade é mencionado aqui pela primeira vez pelo nome. Foi mencionado anteriormente em A Pedra Filosofal capitulo 17, e nesse livro no capitulo 1, mas não foi explicado o nome do decreto. A preocupação com o Decreto é que faz com que Harry fuja no livro O Prisioneiro de Azkaban capitulo 2, mas ele é efetivamente perdoado no mesmo livro, capitulo 3. O Decreto é novamente mencionado em A Ordem da Fênix capitulo 2 e é usado ainda em A Ordem da Fênix no capitulo 8 como uma arma contra Harry, que na verdade se mostra inadequada. Finalmente é dito que o localizador aplicado ao Decreto havia terminado em As Relíquias da Morte capitulo 7, quando Harry faz 17 anos.
  • "Harry Potter" é a primeira coisa que Dobby fala na série toda. É também a última coisa que ele fala, no capitulo 23 de As Relíquias da Morte.
  • A carta de advertência foi enviada por Mafalda Hopkirk. Mafalda vai enviar a Harry mais duas cartas, quando ele usa magia para se proteger e a Dudley dos dementadores. Mais tarde, quando o trio invade o Ministério, Hermione entra disfarçada de Malfalda usando a Poção Polissuco, no livro As Relíquias da Morte capitulo 12.